terça-feira, 15 de novembro de 2016

POR QUE A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES ESTÁ AUMENTANDO?



Estudos afirmam que a violência contra a mulher está aumentando no mundo inteiro.

Por que?

O que leva um homem a humilhar, subjugar, maltratar, bater, espancar ou mesmo matar uma mulher?

Vários são os motivos (ou as desculpas) que envolvem o aumento da violência de gênero. 



Segundo alguns especialistas, é mais provável a mulher ser morta pelo companheiro (ou ex-companheiro) do que por qualquer outra pessoa. Vários estudos foram conduzidos num esforço de coibir a onda de violência doméstica. 

Qual é o perfil do homem que bate na mulher? Seria esse homem muito agressivo? Era violento durante o namoro? Maltrata qualquer pessoa, sem motivos claros? 

Uma coisa que os especialistas constataram é que não existe um perfil típico do agressor. Por um lado há aqueles cuja violência é esporádica. Esse tipo não usa arma nem tem antecedentes de abuso. Para ele, o ato de violência é esporádico e ele parece ser influenciado por fatores externos. No outro extremo há o homem que desenvolveu um padrão crônico de agressão. Os espancamentos são constantes e ele parece sentir pouco ou nenhum remorso.

Exemplo na família


Como seria de esperar, muitos homens que batem na mulher cresceram em famílias onde presenciavam a violência. “A maioria dos agressores foram criados num ‘campo de batalha’ doméstico”, escreve Michael Groetsch, que passou mais de duas décadas fazendo um estudo sobre o assunto. “Eles passaram a infância num ambiente hostil onde a violência física e emocional eram ‘normais’.” 

Segundo especialistas, um homem criado em tal ambiente “aprende do pai logo na infância a desprezar as mulheres. O menino aprende que o homem sempre tem de dominar as mulheres e que a maneira de fazer isso é por assustá-las, machucá-las e humilhá-las. Ao mesmo tempo, ele aprende que a única maneira de conseguir a aprovação do pai é copiar seu exemplo”.


Influência cultural


Em alguns países, bater na mulher é considerado aceitável, ou até mesmo normal. “Existe em muitas sociedades um conceito profundamente arraigado de que o marido tem o direito de bater na mulher ou de intimidá-la fisicamente”, declara um relatório das Nações Unidas.

Mesmo em países onde esse tipo de abuso não é considerado aceitável, muitos adotam esse código violento de conduta. O conceito irracional que alguns homens têm a esse respeito é chocante. Segundo o jornal sul-africano Weekly Mail and Guardian, um estudo feito na península do Cabo mostrou que a maioria dos homens que afirmava não agredir a esposa achava que bater em mulher era uma conduta aceitável e que isso não era violência.

Evidentemente, esse conceito deturpado com freqüência é aprendido na infância. Na Grã-Bretanha, por exemplo, pesquisas mostram que 75% dos meninos entre 11 e 12 anos acham aceitável o homem bater na mulher quando provocado.

Machismo — um problema global

A palavra “machismo” foi cunhada na América Latina. Ela se refere ao orgulho masculino agressivo e denota uma atitude abusiva contra as mulheres. 
O machismo é o comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de um indivíduo que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os gêneros sexuais, favorecendo e enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino. 


Mas o machismo não se restringe à América Latina:

Egito: Um estudo de três meses conduzido em Alexandria apontou a violência doméstica como a principal causa de lesões corporais em mulheres. Do total de mulheres que dão entrada no centro de traumatologia nos hospitais, 27,9% foram vítimas desse tipo de violência. — Résumé 5 of the Fourth World Conference on Women (Resumo 5 da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres).

Tailândia: No maior subúrbio de Bangcoc, 50% das mulheres casadas são espancadas com freqüência. — Pacific Institute for Women’s Health (Instituto da Saúde da Mulher, do Pacífico).

Hong Kong: “O número de mulheres que dizem ter apanhado de seu companheiro aumentou mais de 50% no último ano.” — South China Morning Post, 21 de julho de 2010.

Japão: O total de mulheres que procuram abrigo em entidades aumentou de 4.843, em 1995, para 6.340 em 1998. “Cerca de um terço disse que procurava abrigo por causa do comportamento violento do marido.” — The Japan Times, 10 de setembro de 2000.

Grã-Bretanha: “A cada seis segundos uma mulher é estuprada, espancada ou esfaqueada no próprio lar em algum lugar na Grã-Bretanha.” De acordo com um relatório da Scotland Yard, “a polícia recebe 1.300 chamadas de vítimas de violência doméstica todo dia — mais de 570.000 por ano. Oitenta e um por cento são de mulheres agredidas pelo homem”. — The Times, 25 de outubro de 2000.

Peru: Setenta por cento dos crimes denunciados envolvem mulheres que foram agredidas pelo marido. — Pacific Institute for Women’s Health.

Rússia: “Em um ano, 14.500 mulheres russas foram assassinadas pelo marido e 56.400 foram gravemente feridas ou ficaram aleijadas em resultado de agressões no próprio lar.” — The Guardian.

China: “Trata-se de um problema novo que aumenta rapidamente sobretudo em áreas urbanas”, diz a professora Chen Yiyun, diretora do Centro da Família de Jinglun. “A pressão dos vizinhos não mais coíbe a violência doméstica.” — The Guardian.

Nicarágua: “Aumentam os casos de violência contra a mulher. Segundo pesquisas, só no ano passado 62% das mulheres nicaragüenses sofreram alguma forma de violência doméstica por parte do marido ou do parceiro.” — BBC News.

Homens que agridem as mulheres seguem um ciclo de violência, composto por três fases:

- Na primeira, surgem as agressões verbais, xingamentos, crises de ciúmes e destruição de objetos;

- Depois vem a explosão da violência, quando a tensão entre o casal atinge o ponto máximo e acontecem os ataques físicos;

- Na terceira fase, o agressor demonstra arrependimento e medo de perder a companheira. Ele tenta fazer de tudo para agradar a vítima, que muitas vezes, acaba fazendo as pazes, acreditando que as agressões não vão se repetir.



Perfil do Agressor

A maioria desses homens violentos tem entre 26 e 45 anos. A maior parte deles também tem estudo e trabalho. Além disso, eles costumam ser agressivos fora do lar e, em geral, têm algum tipo de dependência química, sobretudo álcool e drogas. 

Em geral, são pessoas inseguras e controladoras. Apresentam comportamentos agressivos, nas mais diversas situações. São ciumentos e possessivos. Procuram sempre isolar suas mulheres da família e amigos.

O controle é evidente em atitudes como críticas constantes, ofensas e o domínio financeiro da família. Ao invés de somente ser o principal ou único provedor, usa o poder do dinheiro com tirania. Com o tempo, esse caráter controlador pode se agravar – quando a esposa tenta ser independente, trabalhando ou retomando os estudos, por exemplo.


Esse tipo de homem tende a achar que tem privilégios especiais sem responsabilidades ou deveres que correspondam a eles. Quando tais privilégios não são satisfeitos, tende a justificar a violência como autodefesa, achando-se uma vítima das circunstâncias.

O egocentrismo é presente. Muitas vezes, o homem violento espera ser sempre o centro das atenções em casa, a ponto de achar que os outros membros da família têm de antecipar suas necessidades. Tende a ignorar o que as outras pessoas da casa dizem.

Ele se acha superior. Isso se percebe quando o homem tende a desdenhar a esposa, considerando-a ignorante, um objeto sexual ou somente alguém que deve servi-lo.

O sentimento de posse é exacerbado. Ele acha que a esposa e os filhos são sua propriedade.

Muitas vezes, ele justifica atos violentos como atos de amor. Assunto polêmico, mas real.


É manipulador. Distorce a realidade para quem está de fora da situação. Faz com que prevaleça a sua imagem de bom moço, e chega a acusar a esposa de insana ou até de violenta.

Tanto em comportamento quando em ações cai em contradição. Diz uma coisa, enquanto faz outra. É comum até mesmo ele criticar em público outros homens que praticam violência doméstica. Em suma, um hipócrita.

Ele não assume as responsabilidades por seus atos. As transfere, principalmente, para as mulheres, ou tenta justificar com alguns fatores externos, como o estresse causado pelo trabalho. 

Inversão da culpa é algo também frequente. Pode até dizer que a vítima inventou a agressão sofrida para prejudicá-lo. Ao mesmo tempo, também tende a minimizar os danos causados, recusando-se a reconhecer seu comportamento violento, com desculpas como “ela caiu” ou “isso é só um arranhão”.

Agressão em série: o homem violento geralmente é reincidente – não só uma mulher com quem se relacionou foi vítima de maus tratos. 

Em todas as características citadas, fica bem clara uma questão: a linha entre um homem com pensamentos machistas e um que chega a ser violento física ou psicologicamente é bem tênue.


Ex-companheiro 

Quase sempre o agressor é o companheiro, sobretudo os ex (70 por cento dos casos).  Esse dado mostra que os homens não sabem lidar com a perda da posse de suas mulheres. O sentimento doentio de posse domina os agressores de mulheres. 


Dependência química 

A metade também dos agressores sofrem algum tipo de dependência química e que isso incide claramente nos episódios de violência. A maioria consome álcool ou drogas e em muitos casos as duas coisas. 

Violência psicológica 

Todos os casos envolvem violência psicológica, seguidos pelos de violência física (80 por cento). Alguns também combinam violência econômica e patrimonial e em 25 por cento dos casos soma-se a violência sexual.

Segundo definição da OMS a violência psicológica é entendida como:

Qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

Principal causa para o aumento da violência de gênero:




Recentemente, um grupo de cientistas (Sociólogos e antropólogos) da universidade de Stanford (EUA) parece ter encontrado ao menos uma das causas para o aumento exponencial da violência contra as mulheres: O Empoderamento Feminino no Mundo. 

O empoderamento feminino é um conjunto de ações que busca promover a igualdade, de maneira a eliminar as diferenças que ainda subsistem nos dias atuais.

O assunto é tão importante que foi objeto de uma parceria entre a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) e o Pacto Global da ONU.


Aparentemente, apenas a possibilidade de igualdade de gênero, anda assustando tanto os homens, que desencadeou uma reação imediata, numa clara luta para se manter no poder.

Empoderar nada mais é do que permitir que essa mulher saia de uma situação de submissão e assuma o rumo de sua vida; é sair da inércia e assumir atitudes positivas diante de realidades adversas, é promover a ruptura cultural da dependência, seja econômica ou emocional. 


E é essa a questão: uma mulher assim assusta. Assusta o homem que foi educado para ser o "dono", para ter a posse absoluta de sua família, educado para ditar todas as regras, ter controle de todas as situações. Educado para se permitir a fazer o que quiser, ter emprego, ter família e poder “sustentar” a mulher e os filhos. 

Ao se deparar com a ruptura de todos os seus pseudos conceitos de superioridade, o homem deduz que seu controle sob a mulher está abalado.  E a unica forma de imprimir um pouco de superioridade sob a mulher é através da força física.


Empoderar-se é se revestir de direitos, que possa usufruir de forma igual, sem discriminação. O que isso significa? Significa gozar de liberdades, inclusive e tão importante, a liberdade sexual. Escolher seus parceiros e determinar quando e com quem deseja se envolver sexualmente, independente do casamento. 

E isso assusta e como assusta! Até bem pouco tempo, apenas os homens tinham direito a essa escolha.

O empoderamento da mulher assusta. E medo seria a palavra mais apropriada para definir a reação de alguns homens diante do poder que a mulher vem conquistando numa luta coletiva por direitos a ela negados histórico e culturalmente. 



Numa cultura masculinizada, esse processo de empoderar a mulher vem causando um verdadeiro temor numa sociedade resignada aos papeis sociais atribuídos de forma desigual. 

Medo de perder a autoridade concedida, medo de perder o status de provedor da casa, da ultima palavra. Medo de não ter competência sexual suficiente para dar prazer a essa mulher experiente. Medo de ganhar menos que ela. MEDO! MEDO! MEDO!

Em resumo, o medo de perder o controle sob a mulher, em vista de seu empoderamento social, é o que está levando ao aumento vertiginoso da violência doméstica, praticada pelos homens.




Fontes:

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/02/homens-que-agridem-mulheres-seguem-um-ciclo-de-violencia.html
http://www.resilienciamag.com/httpwww-brasilpost-com-br20141125violencia-psicologica_n_6214298-html/
http://www.universal.org/noticias/2012/10/17/algumas-caracter%C3%ADsticas-do-homem-violento-28004.html
http://www.bloggotadagua.com.br/2015/11/por-que-o-empoderamento-da-mulher.html





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