quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A cidade do futuro que não tem políticos, classes sociais ou religiões


Imagine viver num lugar em que a política é feita do povo e para o povo, em que não há religião oficial e o dinheiro é mero detalhe. Parece utopia, mas essa é uma boa descrição da comunidade indiana de Auroville.

A utopia cantada por John Lennon na canção Imagine, de um mundo sem posses, países, religião, fome ou cobiça, pode estar ainda longe de se tornar uma realidade para todos, mas ganha contornos possíveis, e bem sucedidos, em uma cidade localizada no sul da Índia, chamada Auroville.



Reconhecida oficialmente como cidade tanto pelo governo indiano quanto pela Unesco, Auroville recebe, desde sua fundação, em 1968, pessoas de todo o mundo, inclusive do Brasil. A população da cidade hoje é cerca de 2 mil habitantes, mas o local tem capacidade para receber até 50 mil moradores.



Em sua inauguração, punhados de terra de 124 países foram levados até Auroville, a fim de significar o cunho extranacional e aberto da cidade.

Ainda que esteja localizada em uma região paradisíaca, e que o lazer e o prazer sejam incentivados em Auroville, todos por lá têm muito o que fazer – e recebem um salário de cerca de R$ 405 por mês, valor mais do que suficiente para os custos de vida e ainda para se guardar um pouco para emergências.




Completamente autossustentável, a cidade tem campos cultiváveis, pequenas fábricas, restaurantes, padarias, hospitais, escolas e cinemas, além de um pequeno jornal local, tudo alimentado por energia solar. E não há escassez de profissionais! Lá, moram arquitetos, cientistas, médicos e artistas de todos os tipos, de escritores e poetas a escultores e pintores.


Ainda, portanto, que seja possível acumular dinheiro em Auroville, não há muito o que se comprar. Ninguém anda de carro – na cidade, somente bicicletas e motos – e o estilo de vida não inclui muito espaço para ostentação e consumismo.





O mais interessante de Auroville, porém, são suas bases políticas. Não há cargos públicos ou hierarquias governamentais – bem, não há sequer governo ou eleitos. 

A política também depende da comunidade. Não existem prefeitos, governadores ou secretários em Auroville. Sempre que surge um problema, uma assembleia é convocada e os cidadãos da comunidade elegem um conselho que remediará o problema.






Além disso, não existe religião oficial, nem qualquer mistura possível entre o “estado” e a religiosidade individual dos moradores. Contanto que não preguem, persigam ou incomodem outros moradores, cada um é livre para exercer a religião que quiser – ou não exercer nenhuma.

Qualquer um é bem-vindo em Auroville. Para morar lá, o interessado precisa apenas comprar uma casa.  Uma casa por lá custa em torno de 3 mil dólares – que arquitetonicamente são espetaculares!







Caso o novato não tenha condições de comprar a casa, pode conversar com a comunidade e realizar trabalhos extras para abater o preço.

Todo mundo precisa ter um trabalho oficial na cidade, mas pode contribuir em outras funções e produzir sua própria arte, que é remunerada. 



Portanto, quando chega na cidade, o novo morador descreve suas aptidões e recebe sugestões de funções que pode exercer

Por um ano – período chama do “estágio” – os cidadãos decidem se o novato pode ou não permanecer como morador. Se o pedido for negado, o valor investido é devolvido integralmente.

Os moradores de Auroville comprovam o que Lennon diz na canção: ainda que sonhador, ele não era o único. 


Alguém se habilita?





Fonte:http://www.hypeness.com.br/2016/03/a-cidade-do-futuro-que-abdicou-de-politicos-classes-sociais-ou-religioes-e-e-governada-pelas-pessoas/
http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2016/03/conheca-cidade-que-nao-tem-politicos-ou-classes-sociais.html

Um comentário:

  1. Será que se isolando do mundo e de seus angustiantes contrastes, conseguiremos tornar a nossa realidade societária mais humana e fraterna? Cristo nunca se isolou do mundo e da humanidade. Pelo contrário, foi convivendo com essas duas dimensões da vida terrena, que ele conseguiu estabelecer as bases de seu projeto sociológico de tranformação da coletividade humana, baseado no amor que ampara, redime e dignifica o próximo. A ideias dessa "ilha" de bem estar e felicidade é interessamte. Contudo não é se evadindo dos problemas do mundo, que se conseguirá curar as enfermidades - violência urbana, drogadição, corrupção, etc. - que desvitalizam o organismo social.

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