sexta-feira, 9 de setembro de 2016

MADRE TERESA - SANTA?



Na manhã do domingo 04 de setembro de 2016, Madre Teresa de Calcutá - a freira católica que ficou famosa por ajudar os pobres na cidade indiana - foi declarada santa pelo papa Francisco diante de milhares de pessoas no Vaticano. 

Ao canonizá-la, o papa Francisco afirmou que a figura da madre será a santa de "todos os voluntariados" e pediu que ela fosse considerada o "modelo de santidade".

"Sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece até hoje como testemunho eloquente da proximidade de Deus aos mais pobres entre os pobres." Afirmou Papa Francisco

Madre Teresa de Calcutá ou Beata Teresa de Calcutá, foi uma religiosa católica de etnia albanesa, nascida no Império Otomano, na capital da atual República da Macedônia e naturalizada indiana, beatificada pela Igreja Católica em 2003. Considerada, por alguns, a missionária do século XX, fundou a congregação "Missionárias da Caridade", tornando-se conhecida ainda em vida pelo cognome de "Santa das sarjetas".

Há décadas, Madre Teresa de Calcutá é símbolo das mais elevadas causas humanas. Das centenas de sedes de sua congregação, as “Missionárias da Caridade” espalhadas pelo mundo, surgem relatos do cuidado dado aos pobres, excluídos, órfãos e moribundos. 



Seu amor e cuidado com os desvalidos ecoou em todo planeta, num símbolo da mais completa misericórdia.

Publicamente, a missionária, que morreu em 1997 aos 87 anos, é mais do que um modelo a ser seguido. Dona de um Prêmio Nobel da Paz, conquistado em 1979, e elogiada por presidentes, papas e personalidade de alto quilate, ela foi beatificada em 2003 e a partir de agora, foi declarada santa. Uma referência no céu e na terra, portanto. 

Mas aparentemente, segundo a visão de várias testemunhas, havia um lado da madre, que poucos conheciam. 


Madre Teresa sem dúvida é a figura católica mais respeitada e admirada na história da Índia. No entanto, apesar de ter uma legião de fiéis, ela também tem uma considerável legião de detratores.


Christopher Hitchens
O falecido autor britânico Christopher Hitchens era um dos principais. Ele descreveu Madre Teresa como "uma fundamentalista religiosa, uma agente política, uma pregadora primitiva e uma cúmplice dos poderes seculares mundanos". Hitchens critica o que diz ser a "cultura de sofrimento" da freira e afirma que ela criou um imaginário de "buraco do inferno" da cidade que a acolheu, além de ter se tornado "amiga de ditadores".

Christopher Hitchens já tinha denunciado o embuste que era Teresa ao publicar em 1995 o livro “A Intocável Madre Teresa de Calcutá”.

Diz um trecho do livro: “Tenham em mente que a receita global da Madre Teresa é mais do que suficiente para equipar várias clínicas de primeira classe em Bengala. A decisão de não fazê-lo [...] é deliberada. A questão não é o alívio do sofrimento honesto, mas a promulgação de um culto baseado na morte e sofrimento e subjugação."


Na época, Hitchens foi ”crucificado” pelos católicos por ter criticado a boa e "santa idosa".


Em 2003, o físico de Calcutá Dr. Aroup Chatterjee publicou uma nova crítica, depois de ter feito pelo menos 100 entrevistas com pessoas envolvidas com a congregação criada por Madre Teresa. 

Ele descreveu o que disse ser uma "espantosa falta de higiene" nos centros de saúde administrados pelas Missionárias de Caridade e descreveu os locais em que o grupo cuidava de doentes como "confusos e mal organizados".

"Aos pobres pediu resignação e os ajudou a morrer, mas sem lhes dar cuidado profissional”, diz Aroup Chatterjee. 


Médico de Calcutá, residente em Londres, Chatterjee também tem sido um crítico bastante consistente. Escreveu o livro Mother Teresa The Final Veredict (Madre Teresa, O Veredito Final) e esteve por trás do documentário Hell’s Angel (Anjo do Inferno) do reconhecido jornalista norte-americano Christopher Hitchens, que em 1994 expôs pela primeira vez em nível mundial a outra face da freira.

“Nem todos veem Madre Teresa e sua história com bons olhos”, revela Geneviève Chénard, pesquisadora em psicologia e educação da Universidade de Montreal, no Canadá. Co-autora de uma pesquisa inédita que expõe uma face pouco conhecida da religiosa, Geneviève reviu, com dois colegas, 500 documentos sobre a freira e aponta da mesma forma que Hitchens e Chatterjee, uma outra faceta de Madre Teresa, bem menos elogiável e nobre do que a que já se conhece. 


Geneviève Chénard, é pesquisadora do Departamento de Psicologia da Universidade de Montreal, 

“Foi uma surpresa até para mim”, admite a estudiosa, que esperava encontrar críticas mais duras, mas não antecipava a enxurrada de acusações com as quais se deparou.

Serge Lerivée e Genevieve Chenard, do Departamento de Psicologia da Universidade de Montreal, e Carole Sénéchal da Universidade de Ottawa, publicaram seu trabalho em 2012 detalhando os "crimes" de Teresa: quando médicos visitaram suas missões, eles descobriram que um terço dos pacientes ficava “deitado esperando a morte, sem receber tratamento apropriado”.




O mesmo trabalho afirma que os médicos encontraram negligência e falta de alimentos e analgésicos. As condições nas missões eram tão terríveis que as instalações foram comparadas uma vez a fotografias do “campo de concentração nazista Bergen-Belsen”.


De acordo com os pesquisadores, as discrepâncias entre a realidade e a biografia heroica da atual santa vão da administração das sedes das congregações das Missionárias da Caridade à natureza da fé de Madre Teresa. 

“Vimos, por exemplo, que a congregação era pouco criteriosa na hora de aceitar doações em dinheiro”, afirma Geneviève. 

Madre Teresa de Calcutá recebeu de doadores centenas de milhões de dólares para seus hospitais — os quais ela chamava de “casas para doentes” —, mas de acordo com muitas denúncias, o grosso (ou parte significativa) desse dinheiro ela mandou para o Vaticano, deixando os doentes em estado precário, sem remédios e cuidados. 




Médicos classificaram esses locais de “casas da morte” ou de “necrotérios”. No âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS) houve denúncias de que as “casas” eram locais de epidemias. Uma ex-voluntária escreveu que faltava até AAS para amenizar a dor dos doentes.

Essa são algumas das revelações do estudo “O Lado Escuro de Madre Teresa” feito por Serge Larivee, Carole Senechal e Geneviève Chenard, da Universidade de Montreal, Canadá.

Os pesquisadores canadenses, após examinar mais de 500 documentos, constataram que os alegados altruísmo e generosidade de Madre Teresa não passavam de fantasia vendida como verdade pela imprensa internacional.

A rigor, ela foi “inventada” pelo jornalista Malcolm Muggeridge, da BBC, que lhe dedicou em 1969 o documentário “Algo bonito para Deus”, apresentando ao mundo a figura frágil de uma missionária que se dedicava aos pobres e doentes da Índia. Em 1971, o jornalista publicou um livro com o mesmo título.

A missionária abriu centenas de “casas de doentes” em vários países, mas não as tornava hospitais de fato, a ponto de os doentes serem mantidos em agonia em esteiras no chão. Fotos na imprensa desses doentes ajudaram Teresa a arrecadar milhões, inclusive. 

Para os pesquisadores, Madre Teresa colocou em prática a sua convicção de que o sofrimento humano é fundamental para a salvação. Ela acreditava que os sofredores estavam mais perto do céu e de Cristo.

O  estudo “O Lado Escuro de Madre Teresa” constata as seguintes situações: 



Negligência com doentes terminais -
Dentro da instituição Missionárias da Caridade, as pessoas ficavam deitadas em colchões no chão o tempo todo, sem acesso a antibióticos e analgésicos. Médicos não eram autorizados a examinar os pacientes para fazer um diagnóstico. Os doentes não podiam ser levados a um hospital para tratamento adequado. Seringas eram usadas em vários doentes e lavadas na torneira.

Fascinação pelo Sofrimento - 
O atendimento ruim não era uma consequência da falta de dinheiro. A organização de Madre Teresa acumulou centenas de milhões de dólares e abriu unidades em mais de 100 países. A questão é ela nutria uma fascinação pelo sofrimento dos mais humildes. “Eu acho muito bonito para o pobre aceitar o seu destino, dividir isso com a paixão de Cristo. Eu acho que o mundo tem sido muito ajudado pelo sofrimento das pessoas pobres”, disse ela em uma coletiva de imprensa. Em outro momento, ela diz para um paciente terminal: “você está sofrendo como Cristo na cruz, Então Jesus deve estar te beijando”.


Amizades tenebrosas -
Madre Teresa visitou a esposa de Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, ditador do Haiti. Sobre o encontro, ela disse que nunca tinha visto pobres tão familiares com o seu chefe de Estado. “Foi uma linda lição para mim”, disse. Estima-se que Baby Doc e seu pai, Papa Doc, tenham desviado 100 milhões de dólares em obras sociais no Haiti.

Batismos disfarçados -
Quando bebês, crianças ou adultos estavam à beira da morte, as freiras e os religiosos os batizavam com discrição. Às vezes, jogando água na testa. A prática revoltou muitos familiares muçulmanos e hindus, que não deram autorização para tal.

Descaso com dinheiro alheio -
Madre Teresa recebeu 1 milhão de dólares do americano Charles Keating, que foi condenado por montar um esquema fraudulento para se apropriar do dinheiro de pequenos investidores nos Estados Unidos. Em seu julgamento, Madre Teresa mandou uma carta ao juiz pedindo clemência. O promotor enviou uma carta a ela solicitando que ela devolvesse o dinheiro das doações, pois esse tinha sido obtido de maneira fraudulenta. Não recebeu resposta.






A falta de higiene e de remédios era a política nas congregações da religiosa, que dizia que o mundo ganhava com o sofrimento dos pobres

“Talvez esse descaso fosse parte da ética da religiosa, que via o sofrimento dos outros como algo que os aproximava de Cristo”, diz Geneviève. Em mais de uma ocasião Madre Teresa celebrou a dor como algo que enobrece. “O mundo ganha com esse sofrimento”, chegou a dizer. Curiosamente, quando adoecia, ela não se tratava nos centros geridos por ela, mas sim em hospitais de ponta na Índia e nos Estados Unidos.

Nos documentos levantados pelos canadenses, mais casos dessa ética eletiva são arrolados. Por exemplo, embora dura e inflexível, publicamente, em suas opiniões contra o divórcio, Madre Teresa fez vista grossa para o fim do casamento de Lady Diana, que, mesmo tendo se separado do príncipe Charles, continuou entre as preferidas da religiosa. “Diana foi uma grande patrocinadora das Missionárias da Caridade. Será que é por isso que ela continuou sendo recebida e elogiada?”, diz Geneviève.



É de se imaginar que o Vaticano conheça todos esses fatos e argumentos contrários à canonização de Madre Teresa. E se o processo foi concretizado, é porque, aos olhos do Vaticano, as virtudes da missionária são mais fortes que seus "eventuais" deslizes.



*Vídeo - Anjo do Inferno-Madre Teresa de Calcutá-Por Christopher Hitchens (LEGENDADO)









Fonte:http://istoe.com.br/305045_A+FACE+IMPIEDOSA+DE+MADRE+TERESA/
http://portugalmundial.com/2013/07/investigacao-biografica-expoe-a-verdade-sobre-madre-teresa-de-calcuta/
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/09/por-que-muitos-criticam-canonizacao-de-madre-teresa-de-calcuta.html

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