quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Herdamos As Experiências de Nossos Antepassados Através do DNA


Durante muito tempo pensava-se que a herança estava determinada exclusivamente pelos nossos genes e que estes não poderiam mudar, mantendo-se inalteráveis. 

Chegou-se ao ponto de pensar que nossos genes determinavam nossa conduta, e que se nascêssemos com um gene de depressão, estaríamos condenados a sofrê-la.

Moshe Szyf e Michael Meaney
No entanto, segundo a pesquisa de dois biólogos canadenses, (Moshe Szyf biólogo molecular e geneticista da McGill University em Montreal, e a seu amigo Michael Meaney, neurobiólogo da mesma universidade), histórias de vida (hábitos, estados emocionais, traumas psicológicos) de nossos antecedentes, modificam e outorgam a nosso material genético um grau extra de precisão.

Desde a década de 70, os geneticistas sabem que o núcleo das células utiliza um componente estrutural das moléculas orgânicas, o metilo, que ajuda a célula a decidir se será uma célula do coração, do fígado ou um neurônio. 

O grupo metilo opera próximo do código genético, mas não é parte dele. O campo da biologia que estuda estas relações é chamada epigenética, pois apesar de que estudam fenômenos genéticos, estes ocorrem propriamente ao redor do DNA.


A epigenética é definida como modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações, mas que não alteram a sequência do DNA. 

Por muitos anos, considerou-se que os genes eram os únicos responsáveis por passar as características biológicas de uma geração à outra. 

Avó e neta

Entretanto, esse conceito tem mudado e hoje os cientistas sabem que variações não-genéticas (ou epigenéticas) adquiridas durante a vida de um organismo podem frequentemente serem passadas aos seus descendentes. 

A herança epigenética depende de pequenas mudanças químicas no DNA e em proteínas que envolvem o DNA. 

Existem evidências científicas mostrando que hábitos da vida e o ambiente social em que uma pessoa está inserida podem modificar o funcionamento de seus genes.


Os cientistas achavam que as mudanças epigenéticas aconteciam só durante a etapa do desenvolvimento fetal, mas posteriores estudos demonstraram que de fato algumas mudanças no DNA adulto podiam resultar em certos tipos de câncer. 

Em ocasiões os grupos metilo ajustam-se ao DNA devido a mudanças na dieta ou à exposição a certas substâncias; no entanto, a verdadeira descoberta começou quando Randy Jirtle da Universidade de Duke demonstrou que estas mudanças podiam ser transmitidas de geração em geração.


A epigenética tem seu efeito biológico a partir de mudanças químicas que podem ocorrer na molécula de DNA e em proteínas chamadas de histonas. 

No entanto, Szyf e Meaney vão um puco mais longe, eles simplesmente desenvolveram uma inovadora hipótese: "Se a alimentação e os químicos podiam produzir mudanças epigenéticas, era possível que experiências como o estresse ou o abuso de drogas também pudessem produzir mudanças epigenéticas no DNA dos neurônios?"

 Esta pergunta foi o ponto de partida para um novo campo no estudo da genética: a epigenética comportamental.


Segundo este novo enfoque, as experiências traumáticas de nosso passado bem como as de nossos ancestrais imediatos, deixam uma série de feridas moleculares aderidas a nosso DNA. 

De acordo com o novo entendimento da epigenética comportamental, as experiências traumáticas dos nossos antepassados deixam “cicatrizes” moleculares codificadas em nosso DNA.


Cada raça e cada povo, assim, levaria inscrito em seu código genético a história de sua cultura: os judeus e a Shoah, os chineses e a Revolução Cultural, os russos e os Gulag, os imigrantes africanos cujos pais foram perseguidos, ou bem uma infância de maus-tratos e pais abusivos, enfim... todas as histórias que possamos imaginar estão influídas por nossos antecessores.

“O avanço no conhecimento sobre a relação entre o ambiente e o genoma ajuda a combater o determinismo genético, ou seja, aquela ideia de que, se você nasce com genes da inteligência, você será inteligente, e se você nasce com genes saudáveis, você será saudável, não importa o que você faça a respeito. Isso coloca mais peso em nossas escolhas. Mostra que temos controle enquanto pais, enquanto formuladores de políticas públicas e enquanto sociedade. Isso pode definir novos modelos para políticas públicas”  -   Moshe Szyf


Desde este ponto de vista, as experiências de nossos ancestrais modelam nossa própria experiência de mundo não somente através da herança cultural, mas inclusive através da herança genética. 

A epigenética Comportamental chega para demonstrar que acontecem sim modificações nos genes, e que uma das fontes dessas modificações provém do meio ambiente. 

É importante salientar que o ambiente não se refere simplesmente às condições físicas, como clima, alimentação ou contaminação, senão também ao estresse que acumulamos e os estados emocionais que estão por trás dos desafios do nosso dia a dia.


Nossas experiências alteram nosso DNA e transmitimos isso às gerações futuras.

O DNA não muda propriamente, mas as tendências psicológicas e de comportamento são herdadas: assim, talvez não só tenha os olhos de seu avô, senão também seu bom caráter e sua tendência à depressão ou ao alcoolismo.

Os mecanismos da epigenética comportamental se aplicam tanto para os déficits e debilidades assim como os pontos fortes e recursadores

O epigenoma na sua totalidade irá levar a um melhor entendimento de como a função do genoma é regulada na saúde e na doença, e também como a expressão genética é influenciada pela alimentação e pelo ambiente.







Fontes: http://discovermagazine.com/2013/may/13-grandmas-experiences-leave-epigenetic-mark-on-your-genes#.UbeZiNNesi7
http://www.ndig.com.br/item/2013/06/novo-campo-da-gentica-afirma-que-herdamos-as-experincias-de-nossos-antepassados-atravs-do-dna#ixzz4FiAWRNdW
http://revistacarbono.com/artigos/03-epigenetica-e-memoria-celular-marcelofantappie/
http://www.bioneuroemocaobrasil.com.br/epigenetica-comportamental-e-a-arvore-genealogica/



4 comentários:

  1. Esse estudo menciona apenas os seres humanos, mas essa grande modificação que está ocorrendo no comportamento humano- animal tem relação com a transferência de genes respectivos e mais especificamente no comportamento dos animais entre si, os animais estão usando melhor essa carga hereditáris opcional...

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  2. "Herdamos as Experiências de Nossos Antepassados Através do DNA": Acredito que, como temos a tendência egóica de culpar sempre aos outros, algumas pessoas poderão transferir "os déficits e debilidades" para os nossos antepassados, culpando-os pelos atuais "mecanismos da epigenética comportamental".
    Esquecemos, porém de levar em conta o fato de que tais "mecanismos" herdados de nossos pais, avós e bisavós, na realidade é a herança kármica de nossas próprias escolhas e ação em vidas passadas. A lei cósmica universal deixa claro: "O que o homem semear, isso colherá"...
    O fato de que a ciência moderna, embora por vias indiretas, aproxima-se cada vez mais do conceito oriental de Karma (do sânscrito, "escolha e ação"), abre-nos a possibilidade de autoconscientização para assumir a co-responsabilidade pelas nossas escolhas e atos de hoje. Precisamos mudar nosso comportamento individual para mudar nosso próprio mundo de amanhã...
    Lembremo-nos sempre deste eterna verdade: "Se queres acordar toda humanidade, então acorda-te a ti mesmo. Se queres eliminar o sofrimento do mundo, então elimina a escuridão e o negativismo em ti próprio. Na verdade, a maior dádiva que podes dar ao mundo é aquela da tua própria autotransformação". Laotse. (Campos de Raphael).

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  3. O CARLOS CAMPOS NÃO DEIXOU NADA PARA QUE EU COMENTE, RS. NOSSO DNA CONTÉM TODO CONHECIMENTO DESDE OS PRIMÓRDIOS. NÃO SEI COMO EXPLICAR ISSO, ESCOLHA O ANIMAL QUE VAI ALIMENTAR, O AMOROSO OU RAIVOSO. NA ESCOLHA DO AMOROSO PASSAMOS A CONHECER O TODO, A FONTE, AS ILUSÕES DA MATÉRIA. ESTOU COM MUITA INFORMAÇÃO PARA PROCESSAR E É DIFÍCIL FALAR SOBRE.

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  4. O CARLOS CAMPOS NÃO DEIXOU NADA PARA QUE EU COMENTE, RS. NOSSO DNA CONTÉM TODO CONHECIMENTO DESDE OS PRIMÓRDIOS. NÃO SEI COMO EXPLICAR ISSO, ESCOLHA O ANIMAL QUE VAI ALIMENTAR, O AMOROSO OU RAIVOSO. NA ESCOLHA DO AMOROSO PASSAMOS A CONHECER O TODO, A FONTE, AS ILUSÕES DA MATÉRIA. ESTOU COM MUITA INFORMAÇÃO PARA PROCESSAR E É DIFÍCIL FALAR SOBRE.

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