domingo, 6 de março de 2016

OS NOVOS HIPPIES DO SÉCULO 21



Mais de meio século depois do início do movimento Hippie que dominou boa parte do mundo em sua fase inicial, surge agora uma vertente do estilo: o Neohippie. 

A nova geração de cabeludos têm trocado algumas clássicas formas de se fugir da realidade, como drogas psicodélicas, por expedientes mais "tranquilos". Meditação, alimentação orgânica e Yoga substituem maconha e ácidos para os neo-hippies em busca de conexão com seu "eu" e a natureza.

Os hippies de hoje, se podemos chamar assim, pregam basicamente os mesmos ideais que aqueles responsáveis pela difusão do movimento, no início da década de 1960. Apesar disso, uma diferença se mostra essencial.



Eles fazem yoga, buscam comidas naturais e orgânicas, fazem a cabeça com meditação e música e não buscam alterar a consciência através de drogas psicodélicas como a geração hippie de 70. 

Não é segredo para ninguém que o movimento hippie se tornou um ícone da cultura mundial, e abraçou a ideia de paz e amor como filosofia de vida. Na época em que surgiu, este movimento ganhou forma no estilo de vida e aparecia, obrigatoriamente, em diversos festivais de música pelo globo.




Nestes festivais, o paz e amor se juntava, muitas das vezes, com a tríade sexo, drogas e rock’n’roll. Foi um período de expansão sensorial e reconhecimento da liberdade individual. Todos buscavam a paz de espírito e o preenchimento emocional.

As drogas alucinógenas eram difundidas entre muitos adeptos do movimento, e amplificavam a percepção, além de representar um ponto de fuga que ia contra uma sociedade focada no materialismo e capitalismo.

Os neohippies mantém hoje muitas das práticas e pensamentos daquelas décadas passadas, mas as drogas ficaram para trás. Na verdade, todo o radicalismo hippie foi reformulado, dando espaço maior para meditação e yoga.

Esses são os novos hippies identificados por Steve Schapiro no seu livro Bliss: Transformational Festivals & the Neo Hippie.

No novo livro do fotógrafo Steve Schapiro, intitulado "Bliss", podemos ver hippies peludos e sem roupa enquanto dançam e meditam. 




Numa das suas fascinantes fotografias, um ruivo despido, com o corpo coberto de barro, lança um sorriso em direção ao céu enquanto dança. Noutra, um grupo está sentado em círculo, orando, com os braços cruzados de forma a fazerem um coração com as mãos entrelaçadas umas nas outras.


Este tipo de reuniões são recorrentes em fotos dos anos 60, mas o que faz com que estas imagens sejam especialmente alucinantes é o fato de terem sido tiradas em 2014. "Muita gente pensa que os hippies foram um fenômeno dos anos 60, princípios dos 70", escreve o filho de Schapiro, Theophilus Donoghue, no prefácio do livro. "O movimento nunca acabou, apenas saiu das cidades para se instalar em povoações ecológicas e reunir-se em festivais anuais"

Para fazerem "Bliss", Schapiro e o filho foram a vários festivais dos Estados Unidos - como o "Mystic Garden", o "Rainbow Gathering", ou o "Electric Forest" - onde o fotógrafo captou retratos íntimos de neo-hippies em danças eufóricas, em projetos de arte visionária, em curas através do som, meditação e yoga. 

A geração moderna dos hippies surgiu nos Estados Unidos e ganhou inicialmente o nome de New Bohemians, há alguns anos. Nomes como Sienna Miller, Kate Moss e as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen são alguns sempre lembrados nesta fase inicial.

Nos guarda-roupas destas pessoas, os acessórios já conhecidos: batas, flores e peças construídas com materiais sustentáveis. A ecologia, diga-se de passagem, continua forte entre os praticantes do estilo.



Agora chamados de neohippies, estas pessoas ainda cultuam a sustentabilidade e pensamentos pacifistas, procurando sempre a paz interior como forma de difundir no mundo todos os pensamentos positivos que a história dos hippies conhece bem.

Se antes as drogas eram usadas para uma espécie de autoafirmação, agora elas aparentam ser um elemento careta. O mundo mudou muito, hoje temos mais conhecimento e informações por todo o lugar. Os novos jovens, filhos e netos de quem viveu o Woodstock, parecem perceber bem isso.



Para eles, o uso de alucinógenos e quaisquer drogas não são essenciais. No lugar disso, uma vida saudável e ainda em contato com a natureza se mostra mais que essencial.

Os neohippies são adeptos desta nova concepção de vida saudável, em inúmeros graus de diferença: veganos, vegetarianos, simpatizantes… É a ideia de corpo são, mente sã.


Do movimento livre, o respeito e a liberdade perduram. O girl power se mantém ativo e cada um faz o que quiser com sua vida, seu corpo, mas lógico: sem interferir no espaço alheio.

Muitos dos neohippies escolhem deixar luxo e conforto para trás. Em parte, já que eles acreditam que se mudar para o campo, morando com muita natureza no quintal é sinônimo de luxo e conforto.

Viver por conta própria, produzir sua própria comida e viver longe dos grandes centros permite uma percepção melhor de cada um, e do indivíduo como ser habitante do nosso planeta.



Por isso muitos também procuram meios alternativos de se locomover. Andar mais a pé ou de bicicletas ajuda a melhorar o corpo e a cabeça; e de quebra, preserva nosso meio ambiente.

Esta mesma preservação está presente nos alimentos, agora orgânicos. Manter a propriedade destes alimentos e abrir mão de opções industrializadas também permitem viver mais.

Não é apenas um estilo de vida. Os adeptos da cultura neohippie acreditam que tudo gira em torno da mente livre. E neste ponto eles estão bem amparados: a meditação e a yoga se tornaram práticas quase que obrigatórias para quem quer manter uma vida mais saudável e menos corrida.



Steve Schapiro é um fotógrafo conhecido por entender muito bem a cultura hippie. Ele passou anos fotografando os adeptos do estilo nos festivais que marcaram as décadas de 60 e 70.

Hoje em dia Steve ganhou uma ajuda de peso: a do seu filho, Theophillus Donoghue. Os dois passam os dias fotografando as pessoas que participam de festivais neohippies nos EUA, registrando as mudanças, nuances e percepções dos hippies 2.0.




Adeptos e simpatizantes de uma vida mais natural hoje mantém firmes os pilares dos primeiros hippies, e ajudam a perpetuar uma rotina que tem se tornado comum para todos aqueles que abrem mão de uma vida cômoda, em detrimento de novas percepções e novos meios de pensar a sociedade.

Seus pais e avós podem dormir descansados, o movimento (neo)hippie está mais ativo do que nunca, e cada vez mais se mostra atento e passível de mudanças para se adequar aos novos desejos de jovens em vários cantos do globo.




No Brasil, vemos também uma nova geração de hippies que buscam acessar estados elevados de consciência através do contato com a natureza, aprofundamento em meditação, aproximação com culturas milenares focadas na disciplina e eliminação do ego como hinduísmo e budismo, engajamento em causas sociais, preservação da natureza, utilização de energias alternativas, veganismo entre diversas outras novas tendências desses novos hippies que só visualmente se parecem com os hippies de 70, mas a consciência é outra.




Drogas psicodélicas estão sendo consideradas por essa nova geração como um empecilho a própria liberdade.

A consequência do uso de qualquer substância que altere estados de consciência leva a dependência física e psicológica a médio/longo prazo, entrando em contradição direta com uma cultura que preza pela liberdade. Como ser livre, se sou dependente?

Atualmente, muitos festivais e reuniões desses novos hippies são proibidos drogas, álcool e qualquer tipo de substância que tire a percepção do momento.

Esses eventos é uma espécie de grande reunião familiar onde estão reunido idosos, crianças, adultos e jovens.



Muitos desses novos hippies se reúnem em ecovilas para viverem de maneira sustentável, em comunidade e sempre há uma vertente espiritual que os mantém ligados e dita a ética dentro dessas comunidades.

Nessas ecovilas se praticam técnicas avançadas de permacultura, cultivos orgânicos, atividades em grupo, construção das próprias casas com materiais recicláveis, manutenção das áreas comuns, escolas com metologia focada na criatividade das crianças e jovens, reutilização de águas da chuva e práticas espirituais como yoga, meditação, tai chi são comuns nesses grupos.




Se engana quem imagina que esses novos hippies estão girando por aí sem um destino. Na realidade essa nova geração de novos hippies estão questionando o status quo de viver na cidade, trabalhar para consumir e consumir para trabalhar, se prender a uma prestação de um pequeno apartamento por 30 anos numa grande cidade, ter um custo altíssimo de vida para manter carro, prestações, escola dos filhos e estarem infelizes mesmo com todo seus esforços para serem felizes.

Estão questionando se vale a pena ficar preso a um emprego que não gostam pelo dinheiro no fim do mês. Esses novos hippies são pessoas estudadas, que muitas vezes atingiram estágios altos na sociedade de consumo e simplesmente se encontram infelizes, com uma falta de sentido profundo na vida.

Muitos resolvem dar um basta a essa corrida maluca e se reposicionam perante a vida.

Refazem planos, refazem expectativas, se aproximam de grupos conscienciais, começam a praticar meditação, yoga e outras práticas holísticas, reposicionam seus padrões de consumo, buscam a simplicidade voluntária e um sentido profundo para a vida.



Muitos largam tudo, juntam a família, vendem coisas e refazem suas vidas em alguma cidadezinha do interior com menos necessidades e mais sentido.

Esses são os novos hippies, pessoas comuns que se cansaram da corrida de ratos e perceberam a farsa de um sistema criado para gerar cada vez mais necessidades e nos fazer acreditar que se atingirmos o Estágio X estaremos felizes e plenos.

É mentira, não estaremos!






http://yogui.co/os-novos-hippies-do-seculo-21-nao-necessitam-de-drogas/
http://www.vice.com/pt/read/steve-schapiro-mostra-nos-como-vivem-os-novos-hippies
https://www.agambiarra.com/neohippie/






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