terça-feira, 19 de janeiro de 2016

NO FLUXO DA VIDA - Por Leandro Severgnini




"Ao contrário de muitas filosofias e religiões ocidentais, o Budismo e o Taoísmo me fascinam pelo fato de atribuírem a nós próprios tudo o que acontece de bom e de ruim em nossas vidas; 

Essas religiões (filosofia)  desmistificam a figura de um ser diabólico que nos assedia e nos faz o mal e também nos faz pensar de forma mais agradável na inteligível figura de Deus em nossas vidas.

Um dos conceitos que, particularmente, me fez expandir a minha visão de mundo está contido do livro do Tao Te Ching que já foi citado em outras oportunidades. 

Esse livro pode ser considerado um manual de instruções para a vida, pois nos oportuniza a compreensão de como a vida funciona e como entender o seu fluxo.




É difícil, às vezes, compreendermos a vida como um fluxo, como algo que segue um curso livre e que nem sempre depende de nossa vontade. Pelo fato de muitas coisas não dependerem da nossa vontade e nem do nosso esforço contrário para mudar o rumo, apresentam-se duas alternativas: a aceitação ou a revolta.

Por exemplo, a minha deficiência física, eu posso me revoltar contra ela alimentando desgosto, mágoa, raiva, inveja dos que tem o corpo perfeito e nutrir toda ordem de sentimento negativo desequilibrado, que por sua vez pode proporcionar as mais diversas patologias como uma depressão, uma úlcera nervosa e mesmo problemas cardíacos tornando a vida um verdadeiro fardo.



Ou eu posso aderir à outra opção que é a aceitação do que não pode ser mudado e abençoar tudo o que essa condição me proporciona em nível de aprendizado e saberia de vida.

Não é a toa que existe um sábio ditado que diz que “os infortúnios são inevitáveis, mas o sofrimento é opcional”. 

A condição de nosso planeta e o estágio evolutivo moral da nossa sociedade não nos permite que almejemos uma vida sem dificuldades e desencontros, pois é o fluxo natural que essa vida nos oferece, porém volto a frisar, não é necessário sofrermos e lamentarmos tempo sem fim que esse fluxo não condiz com os nossos anseios.



Um rio segue sempre seu curso naturalmente. Os peixes que estão nele podem se deixar levar por ele respeitando o seu fluxo, ou podem tentar nadar contra a correnteza, o que certamente o proporcionará maior desgaste e sofrimento.

Nesse contexto, o peixe mais sábio não se apega às águas que já passaram nem tenta voltar contra a correnteza tentando reviver o que já perdeu no tempo.




Tampouco ele tentará nadar mais rapidamente tentando alterar o fluxo natural das coisas e querer que elas aconteçam antes da hora certa. O peixe mais sábio não faz nenhum esforço contrário à natureza das coisas, ele simplesmente contempla o momento presente e aguarda que o fluxo do rio o leve aonde ele deve estar e no momento em que deve estar sem nutrir expectativas."


*Leandro Severgnini é deficiente físico, portador de distrofia muscular, escritor e palestrante da área espiritualista.




2 comentários:

  1. Texto maravilhoso esse!
    Estar no Aqui e Agora, deixar a Vida nos levar
    é o mais coerente.
    Beijocas Amadas!!

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  2. Apesar das circunstâncias existenciais serem sempre consequências de atitudes passadas ou presentes, em muitos casos podemos mudar ou reverter uma situação á médio e/ou longo prazo, mas seja qual for a situação, a aceitação deve prevalecer.
    Na primeira etapa da existência os infortúnios são inevitáveis, pois o que gerou a necessidade da condição humana foi a imperfeição, ao se trabalhar com a linearidade "causa e efeito", pode-se administrar as futuras consequências...

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