sábado, 16 de janeiro de 2016

MOVIMENTO SLOW LIFE


Vive-se atualmente numa sociedade endemicamente acelerada, na qual as vinte e quatro horas de um dia parecem já não serem suficientes para comportar todos os compromissos e atividades que constam na agenda do sujeito contemporâneo. 

A cultura do fazer rápido, de se fazer mais em cada vez menos tempo se incorpora e vira sinônimo de pró-atividade. 



A pressa foi detectada como um sintoma de desvio comportamental característico dos tempos atuais, que resulta, muitas vezes, no fazer rápido em detrimento do fazer melhor ou com qualidade, assim como o fazer em detrimento do refletir, do planejar.

"Vivemos o delírio do tempo. Tudo tem de ser veloz. O processo e a reflexão são sempre pouco importantes," diz o filósofo Mário Sérgio Cortella, da PUC de São Paulo. "A gente só faz o urgente, o importante fica pra depois."


Almoçar um lanche rápido, trabalhar sempre com um olho no relógio, ficar preso no trânsito, correr para buscar os filhos na escola, descansar, se divertir – são muitas atividades para apenas 24 horas. 

Para a maioria dos habitantes das metrópoles, essa rotina é comum. 

Mas precisa ser assim? Não, pelo menos na opinião dos adeptos do slow life (vida devagar).

Essa rotina comum para quem vive nas metrópoles começa a ser lentamente modificada a partir de um movimento de um grupo que prega uma forma mais tranquila de encarar a vida: o “slow life” .


Esse movimento, defende a ideia de que não se deve concentrar tanta energia em determinada atividade. Tudo o que ele defende é uma vida sem atropelos, trazendo propostas para uso mais prazeroso e equilibrado do tempo.

Colocando o pé no freio, movimentos mundiais deram largada ao culto à vagareza. Neles, desacelerar passou a ser a palavra de ordem. Em casa, no trabalho, nas relações e no ritmo interior, levar a vida com mais calma pode se transformar na tendência comportamental dos próximos anos.


O pessoal do slow food, por exemplo, foge das refeições apressadas. Delivery, comida congelada? Nem pensar.  

Sabe aquele emprego que paga bem, mas lhe consome 20 horas de seu dia? Pois é, para os adeptos do Slow Life, as vezes é preciso ganhar menos, para viver mais.

Para algumas pessoas, ganhar menos seria baixar o padrão de vida, mas para eles é aumentar a qualidade. 

Mas há especialidades para todos os gostos na vida slow: andar, vestir, comer, morar, educar, envelhecer, produzir. 


O Movimento Slow Life propõe uma nova forma de entender e vivenciar o tempo.

Sendo o tempo nosso mais valioso bem, ele deve ser desfrutado e para isto precisamos desacelerar.

Reduzir o ritmo de trabalho e de consumo, efetuar uma tarefa de cada vez e ficar off-line algumas horas por dia. Estes são os primeiros passos para nos reconectarmos com o tempo natural da vida e conseguirmos desta forma ter tempo para preparar uma boa refeição caseira, ver os amigos, curtir a família e conseguir desfrutar dos nossos hobbies.



O "Movimento Slow Food" surgiu na Itália, na década de 80, em protesto ao fast food, quando o Jornalista Carlos Petrini aliado a moradores de uma vila se opuseram a abertura de uma loja da rede Mc Donalds em seu povoado; e difundiu-se no Japão, uma sociedade que sofre os efeitos de uma rápida expansão econômica seguida de uma recessão. Os japoneses começaram a questionar-se sobre o que lhes é significativo.

Aos poucos o movimento slow food ganhou força e se propagou no mundo inteiro.

No Japão entretanto, desacelerar a mesa era pouco, as pessoas queriam diminuir o passo e a pressão que surgiu sobre a população após a era industrial. E assim surgiu o movimento slow life que incentiva pessoas do mundo inteiro a desacelerarem. 


Mais do que um movimento, slow life é um estilo de vida que vem acompanhado de diversos movimentos que nos incentivam a pisar no freio.

Desta forma novos movimentos foram surgindo com um único objeto, propagar a politica do bem viver, o respeito a mãe natureza, aos seres humanos e ao tempo.

Essas formas de viver sem pressa estão no manifesto em que Kakegawa, no Japão, que se declarou uma cidade slow em 2002, trazendo propostas para uso mais prazeroso e equilibrado do tempo.

A prefeitura de Kakegawa lançou um manifesto com ideais para uma vida mais saudável em decorrência da diminuição do ritmo. A cidade tem 118 mil habitantes e todos eles foram incentivados a andar a pé, construir casas com bambu e papel e cultivar o hábito japonês de tomar chá verde. A prefeitura também foi responsável por negociar uma redução na carga horária de trabalho da sua população. 




É cada vez maior o número de pessoas que preferem uma vida calma e feliz à uma vida baseada em competição, eficiência econômica e rapidez, e essa percepção está fortalecendo o Movimento ""Slow Life" no Japão. 

O Ministério do Meio Ambiente do Japão mencionou o termo "Slow Life" pela primeira vez na edição 2003 do seu Relatório Oficial Ambiental, indicando que o movimento está crescendo.

Para o escritor escocês Carl Honoré, o modelo vivido pela maioria da população mundial que prega extrema rapidez e intensidade nas tarefas traz infelicidade, ou seja, diminuir o ritmo e aumentar a simplicidade das coisas é sinônimo de qualidade de vida. 


Esta tendência é um passo no sentido de criar uma sociedade sustentável, passando de uma era de produção e consumo em massa, e também de descarte em massa. 

São grupos como o italiano Slow Food, que defende a alimentação sem pressa; o Città Slow, ou cidades do bem viver, onde diminuir o ritmo é lei; o japonês Clube da Preguiça; a norte-americana Fundação Longo Agora; e mesmo o SuperSlow, filosofia esportiva que recomenda musculação em câmera lenta.

O movimento conta até com uma conferência anual, a da Sociedade para a Desaceleração do Tempo, que usa a palavra alemã “eigenzeit” – tempo próprio em português – para resumir suas convicções. O evento acontece em Wagrain, cidade nos Alpes austríacos.

Mas, o que motivaria uma mudança de padrões tão brusca em pessoas que normalmente mantêm a urgência como marca de suas agendas? A incidência de doenças decorrentes desse estilo de vida é um dos motivos. 

Some-se a ela a insatisfação diante da incessante correria, sinalizam os especialistas. E, mesmo no cenário brasileiro, já é possível encontrar exemplos de quem deu de ombros para a louvação à pressa e decidiu seguir seu caminho num ritmo mais tranqüilo.



Doença da Pressa

O movimento já ganha adeptos no Brasil, onde as pessoas começam a se reunir para discutir formas de viver sem tanta correria. Afinal, a cultura de fazer o máximo possível num mínimo de tempo, que começou a vigorar desde o século passado, começou a enfrentar enfáticos questionamentos.

Afinal, para que tanta pressa?



Para Ana Maria Rossi, presidente no Brasil da International Stress Management Association (Isma), entidade internacional que estuda o estresse, esse movimento de desaceleração é fantástico, mas a realidade é que “nossa sociedade gratifica quem está ocupado todo o tempo. A ideia de que quanto mais correr melhor é muito forte”, analisa.

Uma pesquisa feita pela instituição com mil brasileiros economicamente ativos revelou que 30% deles sofriam da “doença da pressa”, apresentando sintomas físicos (hipertensão e problemas cardiovasculares), emocionais (angústia) e comportamentais (abuso do álcool). “São pessoas que se tornam agressivas se o carro começa a andar mais devagar e que tendem a empregar a bebida como um amortecedor da pressão cotidiana”, diz Rossi.

O estudo aponta que só 8% dos entrevistados se davam conta de que deveriam reduzir o ritmo de vida e estavam tomando ou já tinham tomado alguma providência para isso. Outros 13% achavam que deveriam ir mais devagar, mas não sabiam como fazê-lo.


Apesar disso, ela acredita que um reforço ao movimento pela desaceleração pode aparecer dentro das corporações. “As empresas notaram que a margem de erro de quem faz tudo ao mesmo tempo é muito maior. Isso poderá valorizar o trabalho feito com calma”, explica Rossi.

“Tempo é dinheiro”, esse foi um dos jargões mais escutados até pouco tempo, porém o movimento Slow Life caminha alheio a toda essa pressa e nos ensina a desacelerar.

“Tempo não é dinheiro … Tempo é o tecido da nossa vida.”
Antônio Cândido

Dicas para desacelerar

À mesa



Combata o fast food. Dê-se tempo para comer bem e preze as refeições tranquilas com a família e com os amigos. Procure degustar os produtos frescos, sazonais e artesanais da região em que vive e as receitas transmitidas de geração em geração. 

Na mente

- O fato de manter constantemente o cérebro ativo é um desperdício do nosso mais precioso dom natural. Ele opera maravilhas sob intenso estímulo, mas é capaz de muito mais quando tem a oportunidade de desacelerar um pouco de vez em quando.

Exercício físico


- Exercitar-se não precisa ser sinônimo de som e fúria – ou seja, fazer disparar os batimentos cardíacos até o limiar da tolerância não é a única maneira de modelar o corpo. Opte por atividades físicas que beneficiem o corpo e aquietem a mente.

Saúde

- A reação à medicina rápida – com consultas que duram, em média, seis minutos – está ganhando impulso. Como em outras áreas da vida, na saúde, mais rápido nem sempre quer dizer melhor. Busque acompanhamentos alternativos e holísticos.

Trabalho

- Não trabalhe demais, é ruim para você e para a economia. Estudo da Universidade Kyushu (Japão) revelou que quem trabalha 60 horas semanais tem o dobro de chance de sofrer um ataque cardíaco do que quem trabalha 40 horas semanais.

Decretar um tempo livre para simplesmente não fazer nada é outra opção interessante e que incita à reflexão. 

Domenico De Masi, professor de Sociologia do Trabalho na Universidade La Sapienza de Roma, sempre defendeu essa pausa aparentemente vazia como um "ócio criativo." 


Fazer cortes na nossa vida e aderir a essa "simplicidade" não é tarefa fácil, mas também não é tão doloroso. Uma reportagem da New York mostrou que é possível ter uma vida até melhor que a atual sem fazer cortes violentos no orçamente, mas fazendo uma única coisa: economizando na pressa.

Slow Life, em resumo, é isso. Desacelerar para se reconectar a si mesmo, às pessoas e ao lugar em que se vive. Talvez não exista nada mais contracultural hoje em dia do que desacelerar o passo. 



Sim, porque vivemos na era da velocidade, em que consumir a última geração de eletrônicos, a mais recente moda e a mais nova dieta para emagrecer é uma luta diária sem fim – e sem sentido.


Fonte: http://joaomongeferreira.blogspot.com.br/2011/07/o-movimento-slow-life.html
http://www.comunicacaoetendencias.com.br/wp-content/uploads/2011/04/TCC-Fernanda-Sarate.pdf
http://www.profcordella.com.br/unisanta/textos/cos42_estilo_de_vida_slow_life.htm

2 comentários:

  1. Muito Bom!! Ando devagar porque já tive pressa...e Vale a pena!!

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  2. Vida Antiga vs Vida Moderna


    Estava numa palestra e fiquei impressionado como as pessoas reclamam da vida moderna.

    Será que não param para pensar nenhum pouco!?

    Repetem feito papagaios algo que ouviram ou leram e se tornou lugar comum.
    Temos [ou achamos que temos] um problema e queremos culpar alguém ou alguma coisa, a vida moderna virou aquela “gaveta da bagunça” onde podemos jogar qualquer coisa.
    De gaveta passou a baú, de baú passou a um cômodo inteiro e só faz crescer...

    O que as pessoas mais reclamam é que não tem tempo.

    Era uma palestra sobre hipertensão então entendam esse não ter tempo com relação a fazer exercícios.
    Vamos submeter isso a lógica.

    A vida moderna nos deu uma enormidade de tempo, cada um o preenche como pode ou quer.

    http://terapiadalogica.blogspot.com.br/2015/09/vida-antiga-vs-vida-moderna.html
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