sábado, 31 de janeiro de 2015

A Escola Livre Inkiri - Piracanga


Em Piracanga, no sul da Bahia, há uma escola que dispensa a lousa, os uniformes, o caderno e a chamada. 

Com a proposta de uma Educação Viva, em que a criança vive em um ambiente protegido em que pode ser livre, a Escola Viva Inkiri dá suporte à educação de cerca de 30 crianças.

“O intuito é manter a criança concentrada em si mesma, consciente do que quer e do que está fazendo aqui, neste planeta“, afirma a escola, que leva espiritualidade a sério e acredita que cada criança já nasce com tudo aquilo que precisa para viver: da felicidade às habilidades.




Diferente de qualquer escola a qual estamos acostumados, a Escola Livre se baseia na criatividade espontânea e permite que a criança escolha as atividades que deseja desenvolver – seja a pintura, o teatro, a marcenaria ou uma soneca. 

“Fica evidente a importância de não propor tarefas, sejam elas aulas olhando para o quadro ou uma atividade artística. A vontade deve vir da criança, Fundamental também não comparar nem julgar atividades, pois todas tem o mesmo valor." Afirma a escola, que funciona desde 2008 sob a coordenação da educadora uruguaia Ivana Jauregui.


Ivana teve a ideia de criar uma escola diferente ao dar à luz seu primeiro filho e, após viajar o mundo em busca de métodos para educação livre, encontrou em Piracanga a oportunidade de dar início à Escola Livre Inkiri. 



O ambiente possui áreas para atividades de marcenaria, uma cozinha, uma sala de leitura e, apesar de as crianças serem livres para “fazerem o que têm vontade”, a convivência na escola é pautada por valores como o respeito e organização. 

A metodologia usada pela escola é radicalmente diferente dos modelos tradicionais, o que nos faz repensar sobre o padrão lousa-caderno. 

“Na escola, o aprendizado está enxugado e limitado dentro de uma casinha, com um professor, um quadro e colegas com folhas em branco para responder. Mas a gente não aprende só quatro horas. Aprende o tempo inteiro. Como fica o resto do dia?“, questiona a educadora.

A proposta da escola está intimamente ligada aos preceitos sobre os quais vive a Comunidade Inkiri, em Piracanga. Criada por um casal de portugueses, a comunidade acredita na espiritualidade e nas relações sustentáveis com a natureza como forma de viver plenamente e em paz. 

Ao todo, lá habitam 5 bebês, 19 crianças, 9 jovens e 30 adultos. Todos eles vivem de forma simples e equilibrada, fabricando seus próprios produtos e confiando na espiritualidade. 



A Educação Viva parte da base que tudo já esta dentro do ser: a felicidade, o crescimento, a evolução, o aprendizado, Deus. 

"Acreditamos que tudo que é preciso para se realizar neste mundo já está dentro de nós. Educação é a Ação que nos Educa, ou seja, aprendemos a partir de uma ação que vai movimentar algo que nos traz a oportunidade de reconhecermos o que realmente está dentro de nós. Com consciência, podemos escolher mudar ou fortalecer nosso interior, em benefício de nossa própria evolução. Não existe alguém que educa alguém. Somos nós próprios que nos educamos por meio de nossas ações."

A Escola Viva tem uma base espiritual voltada para a autorrealização do ser. O intuito é manter a criança centrada em si mesma, consciente do que quer e do que está fazendo aqui, neste planeta. Para eles, a escola é um espaço protegido para as crianças manifestarem o que elas já são e não para alimentar ilusões projetadas daquilo que elas gostariam de ser um dia, lá no futuro.


Não existem tarefas nem metas a serem cumpridas. Apenas a criatividade espontânea. Não se aplica a velha lógica de que “você precisa estudar muito e trabalhar duro para um dia ser alguém na vida”, pois partem do princípio que a criança já é alguém na vida dela. É um ser completo, não vai se tornar si mesma após passar alguma fase, prova ou adquirir algum status.

O ensino tradicional está pautado em armazenar informações no cérebro focando no ter, pois chama isso de inteligência. De forma mais branda, essa mesma lógica também está presente no que se conhece como educação alternativa. Ela dá um gostinho de liberdade para a criança escolher os temas que querem estudar mas, ainda assim, há a cobrança por cumprir um programa e receber avaliações. 

Há ainda outras educações com bases espirituais, com foco no lúdico, onde trabalham-se os processos vitais e outros ensinamentos que ajudam a mente a entender para então confiar. Entretanto, existe a visão de um ritmo único, o precisar o que uma criança deveria estar fazendo nessa ou naquela idade. Em Piracanga todos entendem que a qualidade está em olhar para a criança e não fazer isso através de nenhuma teoria. Assim, acreditam manter um olhar fresco e verdadeiro.



Afinal, só a criança sente o porque de ela estar fazendo aquilo. Se uma criança brinca na areia, faz um experimento, dança, lê um livro ou dorme, tudo bem. Por algum motivo interno que não se pode avaliar externamente, ela escolheu fazer aquilo. É aceitar e confiar que a criança sabe mais dela do que nós e entender que as energias que regem o mundo são inteligentes. Nós não precisamos controlá-las.

"Quando encarnamos, trazemos para o mundo qualidades para nos ajudar a cumprir uma missão. Quem sabe qual é essa missão é o Ser íntimo da criança, não são os pais, nem professores. Para os pequenos descobrirem sua missão, eles precisam de liberdade para se expressar e experimentar. Naturalmente, se sentem interessados por alguma atividade, a qual trará as ferramentas e aprendizados necessários para cumprir o seu plano divino."

Um adulto conectado consigo mesmo cria conscientemente a sua realidade – o mesmo acontece com as crianças quando elas têm a liberdade de serem elas mesmas. É através criatividade que se superam as dificuldades e estas são apenas degraus na nossa evolução. Errar e se superar são movimentos que fazem parte da vida, tentar evitar, controlar ou engessar isso nos rouba a vitalidade.



"Nós viemos pra essa terra experimentar e criar com a matéria. É através da nossa atuação em harmonia com nossa verdade que nos realizamos. Acreditamos que nascemos para sermos felizes. E, para isso, precisamos de espaço e tranquilidade para sermos nós mesmos e para manifestarmos o que somos. Quando você é você, você é Deus. Deixe a luz brilhar!"

Além da Escola Livre Inkiri, a comunidade também oferece a Universidade Livre Inkiri, um programa voltado para jovens que buscam a mesma proposta de iluminação e transformação interna, e a Escola das Artes, um espaço voltado para a liberdade de se expressar artisticamente. 

Além dos moradores, a comunidade recebe visitas de pessoas de todo o mundo para a participação nas escolas e nos cursos ofertados.









Piracanga:

Piracanga foi criada a partir de um sonho, dormido e acordado, onde pessoas se reuniram para construir um Centro de Cura, uma Ecovila e uma Comunidade.

Há muitos anos, Angelina Ataide teve um sonho que não compreendeu muito bem mas que sabia que era algo importante para o futuro. O sonho tinha coqueiros, mar , rio, ocas, praia e muita muita luz. 

Um Xamã lhe explicou que um dia ela iria encontrar este lugar que lhe foi mostrado e que seria lá que ela ia ser muito feliz e realizar todos seus sonhos. Guardou então este sonho em seu coração sabendo que um dia ele iria guiá-la para algo grande e mágico.


Angelina e seus 2 filhos ,Ragi e Soraya, que viviam em Portugal, decidiram então buscar no Brasil um local onde pudessem criar em volta de um Centro uma comunidade para as pessoas viverem os princípios espirituais no dia-a-dia, compartilhando tudo em união com um trabalho de busca interior constante.

Vieram para o Brasil, chegaram à Itacaré, e até Piracanga foi um pulo. Um pulo literalmente pois na época só se chegava aqui pelo mar. Quando vieram visitar a fazenda que nada tinha além de mata nativa, não sabiam que teriam que nadar até aqui. 



Quando chegou na praia, Angelina conta que não conseguia parar de chorar porque foi só naquele momento que todo aquele sonho de 10 anos antes fez sentido. Ela reconheceu Piracanga em seu sonho e só naquela hora compreendeu toda a sua missão, ou parte dela, que ainda se forma no dia-a-dia do trabalho em união.


Hoje a Ecovila Piracanga possui mais de 23 nacionalidades com 72 terrenos divididos entre diferentes pessoas de diferentes partes do mundo. 

Nem todos vivem lá. Muitos vem visitar, passar temporadas, fazer trabalho voluntário. Hoje efetivamente vivem em Piracanga aproximadamente 120 pessoas sendo pelo menos 35 crianças ou bebês.



O Centro de Realização do Ser é um espaço para cursos de auto conhecimento e possui quartos de hospedaria como uma pousada. Grupos de todo o mundo vem visitar Piracanga com a busca pela abertura de consciência. O Centro toma conta dessas pessoas oferecendo toda a infraestrutura necessária, proporcionando um espaço onde os sonhos são descobertos e realizados.


A comunidade de Piracanga é um grupo que se uniu com um sonho comum de enraizar, fortalecer e espalhar toda a luz que o ser humano reflete, de iluminar em massa a humanidade. 

Seus pilares são a busca espiritual, o bem estar das crianças, a expressão da criatividade do homem e a proteção da natureza. 



Entre vários projetos tem a Escola Inkiri, uma escola holística e de Ensino Livre, a Casa das Crianças, uma casa dedicada às crianças da região que passam a viver em Piracanga onde possuem uma vida equilibrada e pura, a Sala das Artes onde aprendem a se expressar e se conhecer melhor, as Rodas das Rosas, um círculo sagrado de danças, os projetos de Permacultura e Agrofloresta, de fabricação de produtos naturais, Alimentação Consciente e a Escola de Iluminação onde oferecem à todos o apoio para viverem suas verdades e realizarem seus sonhos.



"Como comunidade, sentimos que o caminho espiritual é a prática mais importante para o bem estar e convívio. É a prática da união e da compreensão. Qualquer desafio que se apresenta é olhado por um prisma Divino de aprendizado e cura. Vivemos um dia a dia com consciência utilizando ferramentas como a leitura de aura e interpretação de sonhos que não só ajudam no nosso convívio mas que ajudam no nosso grande objetivo de trazer Luz ao Planeta.

Tudo o que fazemos em Piracanga tem um sentido espiritual, a espiritualidade é manifestada em todas as nossas ações. Seja na cozinha, na agrofloresta, lavando roupa, limpando, cuidando das crianças. O que seja que manifestemos serve para trazer o sentido de espiritualizar todas as nossas ações e assim viver a integração do Ser em sua completude."



















Fonte:http://www.hypeness.com.br/2015/01/conheca-a-escola-livre-que-fica-em-uma-comunidade-sustentavel-na-bahia/
http://www.escolavivainkiri.com.br/
http://www.piracanga.com/index.php/br/comunidade/comunidade

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Segredo da Transformação



Todo sistema é auto-organizado, desde ondas eletromagnéticas, partículas subatômicas, micro-organismos, minerais, vegetais, e animais. Tudo no universo segue um certo padrão, nada pode funcionar em um estado de caos. Mesmo que não possamos perceber claramente, esta ordem deve existir em qualquer nível. 

Esta ordem também permeia os nossos processos mentais e emocionais, que, como todo sistema organizado, funciona baseado em certas regras. 


Logo, mesmo quando pensamos que estamos vivendo um estado de caos ou desequilíbrio, o que estamos realmente experienciando são os efeitos de regras baseadas em Leis Universais infalíveis e que devem seguir um padrão predizível. 

A dinâmica da Transformação busca reconhecer as regras que regem as nossas vidas, tendo assim a capacidade de prever com um alto grau de sucesso o caminho que vamos trilhar e quais serão seus resultados futuros. Também pode, por meio desta análise das regras, saber como tem sido a experiência do indivíduo em cada aspecto de sua vida. 

As regras que controlam nossas vidas podem variar grandemente de pessoa para pessoa, família para família, grupos, cidades, nações, etc. 



Em algum ponto porém, alguém ou um grupo de indivíduos criaram tais regras, logo podemos dizer que elas não são fixas ou imutáveis. 

O perigo de regras é quando estas são muito limitadoras ou contribuem para que o grau de liberdade e controle do indivíduo sejam restringidos. Quando aceitas cegamente e repetidas constantemente, as regras, que até então não passavam de conceitos, se transformam em crenças raízes e até em memes. 

Crenças raízes são os nossos conceitos sobre nós mesmos e a realidade na qual vivemos. Tais crenças podem ser pessoais (auto-imagem) ou gerais ("certezas" sobre a realidade). 



Memes são crenças ou tendências que se reproduzem de pessoa a pessoa até tornarem-se meta-crenças coletivas. Ambas são forças muito poderosas e o conhecimento destas forças pode nos capacitar a controlá-las e adquirir um alto grau de poder sobre nossas vidas e circunstâncias pois, em realidade, estas forças definem a sua realidade pessoal. 

Quais são as regras que regem sua vida? 

Por exemplo, alguém acredita que "quem nasceu para dez réis não chega a vintém"? 

Existe a "certeza" de que depois de certa idade o corpo tem que degenerar-se e ter suas funções normais comprometidas? É sabido que existem certos limites para o que podemos ser, ter e fazer na vida? 

Tudo isso são regras que de alguma forma foram programadas em nosso campo de energia mental. Tais regras "organizam" nossa existência e  realidade. 


O que a maioria das pessoas não consegue realizar, pois geralmente não são ensinadas, é o fato de que podemos criar nossas próprias regras. Nisso consiste a reprogramação energética do subconsciente e do DNA que engloba vários processos, desde os mais simples tais como visualizações e afirmações, até os mais complexos tais como re-programação da memória celular. 

Há muitos anos atrás um Mestre extremamente avançado disse: "se você tivesse nascido em um mundo no qual as pessoas vivessem 500 anos, você automaticamente viveria a mesma quantidade de tempo pois não questionaria esta regra". 

É preciso pensar nas implicações desta frase. Parar e refletir por um momento. O que faríamos se não conhecêssemos limites ou regras impostas por outros? 


Alguns , ao ler o parágrafo acima, podem dizer: "mas é um fato concreto que o ser humano tem muitos limites, inclusive no tempo de vida." 

A questão que fica é: "fato ‘concreto de acordo com quem?" De acordo com aquilo que você pode observar? De acordo com o que os "especialistas" que sabem tão pouco sobre a realidade quanto você, dizem? De acordo com a sua própria experiência? 

Lembrem-se de que há alguns séculos atrás se tinha "certeza" de que a terra era plana e que nada mais pesado do que o ar podia voar. Se nós tivéssemos vivido naquela época, provavelmente ajudaríamos a apedrejar ou queimar na fogueira da santa inquisição alguém que dissesse o contrário. Devemos prestar bastante atenção em nossas crenças; talvez estejamos fazendo a mesma coisa hoje em dia, num nível diferente. 

Um grande problema da humanidade é o medo do novo, o receio de quebrar paradigmas e ousar aceitar ou criar novas regras. 



Mesmo regras científicas e médicas são somente um padrão de informação e organização. No futuro próximo muitas de nossas "certezas" serão desbancadas e darão lugar a regras mais flexíveis e que contribuem para mais liberdade e controle sobre nossas vidas. Alguns cientistas já ousam dizer que o ser humano poderia viver mais de 150 anos. De acordo com outros especialistas, a primeira pessoa que viverá mil anos já nasceu. 



Nos Himalaias existem pessoas altamente evoluídas que podem levitar, atravessar paredes ou teleportar seus corpos para outra localidade instantaneamente. 

Impossível? Sua crença sobre a impossibilidade de tais capacidades é o que vai lhe impedir de um dia experienciar tal possibilidade. Suas crenças sobre a possibilidade ou impossibilidade de qualquer coisa é o que define suas capacidades e resultados. 







quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Visão...



Quantas brumas se dissipam com a simples mudança de olhar? 



Com a mudança da visão de ter que ultrapassa-las com um esforço, ou simplesmente penetrar o intimo sagrado, não reconhecendo mais barreiras... 


A ausência de um desejo peculiar de querer alcançar o que está por detrás de uma bruma, dissolve a causa pela qual ela foi criada, abrindo o espaço à comunhão substancial e concreta da ilimitação dos reinos...


Somente a imaginação do medo de Ser Aquilo, cria a nuvem da efemeridade da separação...


Se o Ser É, somente o desejo de se identificar como o que não É, cria a barreira, a bruma de seu isolamento confinado. 


A Luz autêntica convida a que o sonho de brumas acabe, a que as barreiras ilusórias terminem para todo um coletivo de Seres criadores de experiências separadas, mas abandonar o sonho e regressar à origem, tem por base sair do olhar do movimento exteriorizado do sonho, e galgar na nudez da visão clareada, e sem brumas, do Coração Unificado.


Helder Santos ( आग दिल )




Fonte:http://absoluto12.blogspot.pt/2015/01/a-visao.html

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Os Massacres na Nigéria e o Silêncio do Ocidente



Uma pequena célula de terroristas islâmicos atacaram cartunistas na revista satírica “Charlie Hebdo” e clientes em um supermercado de Paris, matando 17 pessoas e provocando indignação, solidariedade e apoio internacionais. A hashtag #JeSuisCharlie estava entre os tópicos mais comentados no mundo e líderes de diversos países foram às ruas para marchar em apoio à resiliência parisiense.

No norte da Nigéria, enquanto isso, um exército de extremistas islâmicos arrasou a vila de Baga, matando cerca de 2 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças que não puderam fugir dos ataques. No final da semana, o mesmo exército – Boko Haram – introduziu uma nova arma terrível de guerra na vizinha cidade de Maiduguri. 

Eles prenderam explosivos ao corpo de uma menina de 10 anos e a enviaram ao principal mercado de aves da cidade. A menina foi parada por guardas com um detector de metais na entrada do mercado, mas a bomba foi detonada e matou pelo menos 19 pessoas. Não houve uma campanha de hashtag ou marcha globais para as vítimas destes massacres.



Em meio à comoção gerada pelos atentados terroristas em Paris, na França, um arcebispo nigeriano acusou países ocidentais de ignorarem a ameaça representada pelo grupo extremista Boko Haram.

Nenhum dos líderes mundiais que deram os braços em solidariedade às vítimas de Paris se pronunciou sobre o massacre de duas mil mortes na Nigéria – nem mesmo o presidente do país, que na ocasião estava na festa de casamento de sua filha.

Mesmo na Nigéria, nos três dias em que a história estava se desenvolvendo, a violência em Paris recebeu mais atenção da mídia do que os massacres em Baga e Maiduguri. 



O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, condenou os ataques franceses, mas não mencionou o massacre em seu próprio país.


A cinco semanas de uma eleição presidencial, Jonathan pode estar com medo de lembrar seus eleitores de que ele esteve à frente da Nigéria em um ano em que a Boko Haram já matou pelo menos 4 mil civis.

O Arcebispo da cidade de Jos, Ignatius Kaigama, ainda pediu que a mesma atenção dada aos atentados na França seja dada aos militantes que atuam com cada vez mais violência no nordeste do país africano.

Segundo ele, o mundo precisa agir de forma mais determinada para conter o avanço do Boko Haram na Nigéria.




No último fim de semana, 23 pessoas foram mortas por três mulheres-bomba, uma das quais tinha apenas 10 anos de idade.

A reportagem é publicada por BBC Brasil, em janeiro de 2015.

Outras centenas de mortes foram registradas na semana passada, segundo relatos, durante a captura pelo Boko Haram da cidade de Baga, no Estado de Borno, no nordeste do país.

Em entrevista ao programa Newsday, da BBC, o arcebispo nigeriano disse que o massacre em Baga é a prova de que o Exército do país não consegue conter o grupo extremista.



"É uma tragédia monumental. Deixou a todos na Nigéria muito tristes. Mas parece que estamos desamparados. Porque, se fossemos capazes de deter o Boko Haram, já o teríamos feito. Eles continuam a atacar, matar e a tomar territórios impunemente", disse Kaigama.

Segundo ele, a luta contra o extremismo no país requer o mesmo apoio internacional e espírito de unidade que foi demonstrado após os ataques de militantes na França.

"Precisamos que este espírito se multiplique, não apenas quando isso ocorre na Europa, mas também na Nigéria, no Níger ou em Camarões."

Mulheres-bomba

Em janeiro de 2015, duas mulheres-bomba mataram quatro pessoas e deixaram mais de 40 feridas na cidade de Potiskum.

Um dia antes, uma menina realizou outro ataque suicida em Maiduguri, a principal cidade do nordeste do país, matando ao menos 19 pessoas.

No último mês, mais de 30 pessoas foram mortas em ataques suicidas simultâneos na cidade de Jos, que tem cristãos e islâmicos em sua população.



O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, condenou os ataques do Boko Haram, que classificou como "atos depravados".

Em junho, o Reino Unido disse que intensificaria sua ajuda ao país nas áreas militar e de educação, para conter o Boko Haram.

Essa ajuda também inclui treinamento das tropas do país, assim como vêm fazendo os Estados Unidos.

No entanto, a Nigéria criticou o governo americano por sua recusa de vender armas ao país alegando que as tropas nigerianas estavam cometendo abusos de direitos humanos.

Uma iniciativa liderada pelo governo francês pediu que Nigéria, Níger, Camarões e Chade contribuíssem com 700 soldados cada para uma força internacional contra o Boko Haram, mas nenhum país implementou o plano.




Violência chocante

O Exército nigeriano informou que está tentando retomar a cidade de Baga, que está sob o controle de militantes, mas não deu detalhes da operação.

Também disse que,  conseguiu impedir que o Boko Haram assumisse o controle de Damaturu, outra grande cidade do nordeste nigeriano.

Will Ross, correspondente da BBC News em Lagos, a principal cidade da Nigéria, diz que a violência no país não tem fim e é cada vez mais chocante, citando o uso de uma criança em um dos últimos ataques.




"As Forças Armadas nigerianas tiveram algumas vitórias, mas têm uma tarefa muito difícil, de proteger civis de homens-bomba e atiradores que estão espalhados por uma grande área no nordeste do país. Por isso, com frequência, são dominadas pelos militantes e falham em sua missão. As autoridades do país não gostam de ouvir isso, mas é verdade", afirma Ross.

"O mundo está lentamente começando a manifestar indignação com a recente violência, mas, além disso, e de uma ajuda limitada, não parece haver vontade de se envolver mais profundamente no conflito."



Desabafo de Luana Tolentino:

"A França sangra. Essa é a frase que encontrei na capa da edição de sábado do jornal. Na semana que passou 17 pessoas foram vítimas do fundamentalismo islâmico. Dentre elas, os cartunistas do Charlie Hebdo. No domingo, pela TV, tento identificar um a um os líderes políticos a frente da marcha que levou mais de 2,7 milhões de franceses às ruas.
Enquanto isso, o sangue jorra na Nigéria, país que concentra a maior população negra do mundo.  Dois mil nigerianos perderam a vida. Em meio ao massacre, muitas mulheres e crianças. Assim como os jornalistas franceses, também foram vítimas do extremismo religioso. Mas não sei quem são. Não têm nome, não têm rostos, não existem. Não estampam a primeira página dos jornais, nem merecem um nota nos programas dominicais. Não suscitam sequer uma campanha nas redes sociais.
Eles não são Charlie. Parece natural que sejam mortos. Assim como são naturais os conflitos, os massacres e a dor na África, desde que alemães, belgas, ingleses, franceses e tantos outros iniciaram o processo de exploração dos territórios africanos.
Quem sairá às ruas em solidariedade às vítimas de Baga? Quem se insurgirá contra a violência do grupo Boko Aram? Angela Merkel, François Holland, Mahmoud Abbas ou Benjamin Netanyahu? Acho que nenhum.
O Papa Francisco? Quem sabe…"







segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Luzes do Mundo - Richard Dawkins





 Richard Dawkins - UM UNIVERSO SEM O "DEUS"




Num tempo de guerras e ataques terroristas com motivações religiosas, o movimento pró-ateísmo ganha força no mundo todo. E seu líder intelectual é o respeitado biólogo Richard Dawkins, eleito um dos três intelectuais mais importantes do mundo (junto com Umberto Eco e Noam Chomsky) pela revista inglesa Prospect. 

Autor de vários clássicos nas áreas de ciência e filosofia, ele sempre atestou a irracionalidade de acreditar no Deus das Religiões e os terríveis danos que essa crença já causou à sociedade.

Richard Dawkins é um biólogo evolucionista e etólogo, um dos principais nomes do ateísmo  no mundo.

Nascido no dia 26 de março de 1941, Clinton Richard Dawkins  é proveniente de Nairobi, no Quênia, e filho de um agricultor do serviço colonial britânico. 

Aos oito anos de idade, Richard Dawkins foi morar na Inglaterra na propriedade rural que seu pai havia herdado. Desde criança ele foi acostumado com ciências naturais, pois seus pais respondiam seus questionamentos utilizando termos científicos, nunca míticos.

Sua criação foi cristã da vertente anglicana. Porém, na adolescência, Dawkins concluiu que o evolucionismo é uma explicação muito mais sensata para a complexidade da vida do que as religiões, tornando-se, então, um ateu.






O ateísmo defendido por Dawkins não trata-se da negação da existência de "um criador",  ele contesta veementemente o "DEUS" das religiões. Em seus textos, constantemente aponta como a religião alimenta a guerra, fomenta o fanatismo e doutrina as crianças.


Dawkins despreza a idéia de que a religião mereça respeito especial, mesmo se moderada, e compara a educação religiosa de crianças ao abuso infantil. Para ele, falar de "criança católica" ou "criança muçulmana" é como falar de "criança neoliberal" - não faz sentido.




O biólogo usa seu conceito de memes (idéias que agem como os genes) e o darwinismo para propor explicações à tendência da humanidade de acreditar num ser superior. 

E desmonta um a um, com base na teoria das probabilidades, os argumentos que defendem a existência de Deus (ou Alá, ou qualquer tipo de ente sobrenatural), dedicando especial atenção ao "design inteligente", tentativa criacionista de harmonizar ciência e religião.

Mas, se é agressivo para expressar sua indignação com o que considera um dos males mais preocupantes da atualidade, Dawkins refuta o negativismo. Ser ateu não é incompatível com bons princípios morais e com a apreciação da beleza do mundo. 

A própria palavra "Deus" ganha o seu aval na ressalva do "Deus einsteiniano", e o maravilhamento com o universo e com a vida, já manifestado em seus outros livros, encerra a argumentação numa nota de otimismo e esperança.


Dawkins afirma: "eu creio que, naquela época, a principal razão residual para que eu fosse religioso era por ser tão impressionado pela complexidade da vida e pelo sentimento de que isso tinha de ter um criador, e eu acho que foi perceber que a explicação darwinista era muito superior que puxou o tapete do argumento do design. E isso me deixou sem nada".

Entre 1954 e 1959, ele frequentou a Oundle School,15 uma escola pública inglesa com notória tendência para a Igreja da Inglaterra,16 17 Estudou zoologia no Balliol College, Oxford, graduando-se em 1962. Durante a graduação foi orientado pelo etólogo ganhador do Prêmio Nobel Nikolaas Tinbergen. 




Permaneceu como estudante de pesquisa sob a supervisão de Tinbergen, recebendo os graus de M.A. e Ph.D. em 1966 e depois disso manteve-se como assistente de pesquisa por mais um ano. Tinbergen foi pioneiro no estudo do comportamento animal, especialmente nas áreas de aprendizagem, instinto e escolha.  A pesquisa de Dawkins neste período concebia modelos sobre a tomada de decisões por animais.

Após concluir seus estudos básicos, formou-se em zoologia no Balliol College, em Oxford, em 1962. Seguindo carreira como pesquisador, conquistou os títulos de Mestre e Doutor. Richard Dawkins trabalhava ao lado do pioneiro nas pesquisas sobre comportamento animal e avaliava, sobretudo, a tomada de decisão dos animais.

Morando nos Estados Unidos, Richard Dawkins  foi professor da Universidade da Califórnia, onde lecionou zoologia entre 1967 e 1969. 



Na ocasião, o biólogo se envolveu profundamente no movimento contra a Guerra do Vietnã. No entanto, em 1970, voltou para Oxford e assumiu o cargo de professor. A partir de então sua carreira seguiria em crescente sucesso. Junto ao trabalho como professor acadêmico, Richard Dawkins se tornou editor e colaborador de várias revistas. 

Sua atuação profissional o rendeu diversos prêmios. Em 2004, o Balliol College, de Oxford, criou o Prêmio Dawkins para trabalhos de destaque sobre zoologia e comportamento animal. Quatro anos depois, em 2008, Richard Dawkins se aposentou de sua cátedra.

Richard Dawkins possui onze livros publicados. Alguns aspectos são bastante evidentes em suas obras. Dawkins é um biólogo evolutivo, defensor da Teoria da Evolução de Charles Darwin, ateu convicto. Dawkins é um proeminente crítico do criacionismo (a crença religiosa de que a humanidade, a vida e o universo foram criados por uma divindade sem recorrer à evolução). 

Ele ficou famoso com o livro O Gene Egoísta, de 1976, popularizando a visão de evolução baseada nos genes. Esta questão foi ampliada com o livro O Fenótipo Estendido, de 1982. 



Como ateu, Richard Dawkins é Vice-Presidente da Associação Humanista Britânica e defensor do movimento bright, que foi criado em 2003 com a intenção de cunhar um termo positivo para pessoas com visão de mundo naturalista. 

Alguns de seus livros foram dedicados à crítica ao criacionismo, como O Relojoeiro Cego, de 1986, no qual descreve processos evolutivos para contrapor à ideia de um criador sobrenatural. Outro livro famoso sobre o tema é Deus, um Delírio, de 2006, que afirma que a fé religiosa é uma ilusão e que um criador sobrenatural muito provavelmente não existe. 

Os livros de Dawkins sempre reservaram farpas para a religião (e em especial para os criacionistas). Mas a cruzada contra a fé passou a ocupar o centro de suas atividades desde o lançamento de Deus, um Delírio, em 2006. 


O cientista apoiou a campanha que colocou cartazes nos tradicionais ônibus vermelhos de Londres com os dizeres "Deus provavelmente não existe. Então pare de se preocupar e aproveite a vida". 

Sempre combativo, o biólogo não admite nenhuma solução de compromisso que reserve lugares distintos para a ciência e a religião. "Ao contrário do que muitos afirmam, os dois campos se interpõem, sim. "



A visão religiosa do universo, a ideia de que o universo tem um criador – isso é, a seu modo, uma teoria científica, embora equivocada", diz. Na perspectiva de Dawkins, portanto, promover o ateísmo é também uma forma de dar seguimento à sua principal missão: divulgar a ciência. 

Mas ele começa a se ressentir da fama polêmica que o ataque a Deus lhe rende. Lamenta, por exemplo, que os jornalistas em geral só façam perguntas sobre esse tema.

Entre outras obras importantes estão: A Escalada do Monte Improvável (1997), O Capelão do Diabo (2003), A Grande História da Evolução (2004) e O Maior Espetáculo da Terra (2009). 

Quando se aposentou, Richard Dawkins dedicou-se a um livro destinado a jovens que desvendasse os mitos anti-científicos. A obra foi publicada em 2011 com o título A Magia da Realidade – Como Sabemos o que é Verdade. 






Em seus trabalhos científicos, Dawkins é mais conhecido por popularizar o gene como a principal unidade de seleção na evolução; este ponto de vista é mais claramente definido nos seus livros:

O Gene Egoísta (1976), no qual ele afirma que "toda a vida evolui pela sobrevivência diferencial de entidades replicadoras".

O Fenótipo Estendido (1982), no qual descreve a seleção natural como "o processo pelo qual replicadores propagam-se uns em relação aos outros".

Dawkins tem se posicionado de maneira consistentemente cética em relação aos processos não adaptativos de evolução (tais como os descritos por Gould e Lewontin) e sobre a seleção em níveis "acima" do gene.

Ele é particularmente cético sobre a possibilidade prática ou a importância da seleção de grupo como uma base para o entendimento do altruísmo.

Este comportamento parece, à primeira vista, um paradoxo evolutivo, visto que ajudar outro indivíduo custa preciosos recursos e diminui a própria aptidão de cada ser vivo. 


Ele também tem sido um crítico expressivo da teoria filosófica de Gaia, criada pelo cientista independente James Lovelock.

Em junho de 2012 Dawkins criticou incisivamente o livro A Conquista Social da Terra, de 2012, de autoria do biólogo Edward Osborne Wilson.

Críticos da abordagem de Dawkins sugerem que interpretar o gene como uma unidade de seleção (um único evento em que um indivíduo teve sucesso ou fracasso na reprodução) é enganoso; o gene poderia ser melhor descrito, dizem eles, como uma unidade de evolução (mudanças de longo prazo nas frequências alélicas em uma população).




Em O Gene Egoísta, Dawkins explica que usa a definição de George C. Williams do gene, que define como "aquilo que segrega e recombina com frequência apreciável".

Outra crítica comum é a de que um gene não pode sobreviver sozinho, já que tem de cooperar com outros genes para construir um indivíduo, e, por conseguinte, não pode ser uma "unidade" independente. Em O Fenótipo Estendido, Dawkins sugere que, do ponto de vista de um gene individual, todos os outros genes são parte do ambiente ao qual estão adaptados.

Defensores dos níveis mais elevados de seleção (como Richard Lewontin, Sloan David Wilson e Elliott Sober) sugerem que há muitos fenômenos (incluindo o altruísmo) que a seleção centrada nos genes não pode explicar satisfatoriamente. 


No conjunto de controvérsias sobre os mecanismos e interpretações da evolução (o que tem sido chamado de "As Guerras de Darwin"), um grupo é defendido por Dawkins, enquanto o outro pelo paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould, refletindo a proeminência de cada um como um popularizador das ideias pertinentes sobre o assunto.

Dawkins e Gould têm sido comentaristas particularmente destacados na controvérsia sobre a psicologia evolutiva e a sociobiologia, com Dawkins geralmente aprovando e Gould sendo crítico em relação a esses temas.  Apesar de suas divergências acadêmicas, Dawkins e Gould não tinham uma relação pessoal hostil. 

Dawkins dedicou uma grande parte de seu livro O Capelão do Diabo a Gould, que havia falecido no ano anterior. O lançamento do livro de Dawkins O Maior Espetáculo da Terra - As Evidências da Evolução, expõe as evidências da evolução biológica e coincidiu com o ano do bicentenário de Charles Darwin.



Ele descreveu o ponto de vista defendido pelo criacionismo da Terra Jovem, que diz que a Terra tem apenas alguns milhares de anos, como "um absurdo, uma falsidade encolhedora de mentes", e seu livro O Relojoeiro Cego, de 1986, contém uma crítica sustentada contra o argumento do design, um importante argumento criacionista. 

No livro, Dawkins argumenta contra a analogia do relojoeiro feita pelo famoso teólogo inglês do século XVIII William Paley no livro Teologia Natural, onde Paley argumenta que, assim como um relógio é algo muito complexo e funcional para ter simplesmente surgido para a existência meramente por acidente, então todos os seres vivos — com a sua complexidade muito maior — também devem ter sido concebidos propositalmente. 

Dawkins parte da opinião generalizada entre os cientistas de que a seleção natural é um processo suficiente para explicar a funcionalidade aparente e a complexidade não aleatória do mundo biológico e que pode-se dizer que a própria natureza desempenha o papel de um "relojoeiro", ainda que seja um relojoeiro automático, não inteligente e cego.

Atualmente, Richard Dawkins participa de vários programas de rádio e TV, faz palestras e produz documentários para canais de televisão.



"Em defesa da fé ou da descrença, inflama-se o discurso e desvia-se o debate para a inconsistente contraposição entre fé e razão. Em algum momento, o enfrentamento de crentes e ateus posicionou a religião no campo da irracionalidade - o que é uma falácia moderna, pois uma não se contrapõe a outra: tanto crentes quanto ateus têm fé e razão, a diferença residindo apenas em acreditar ou não naquilo que não compreendem. 
Erram os neo-ateus em girar em torno de suas tentativas de colocar Deus sob a luz dos experimentos científicos, como se algo imaterial e sobre-humano pudesse ser posto à prova, como se a ciência tivesse respostas para tudo. Erram os crentes ao basear seus argumentos na contraposição a esse desvio cientificista, buscando na mesma ciência provas da divindade." - Robertson Frizero

Outros vídeos:









Fonte: http://www.infoescola.com/biografias/richard-dawkins/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Dawkins