sábado, 12 de dezembro de 2015

Sempre Existiram Pessoas que Utilizaram a Religião para Fins Violentos



Uma das mais características atribuições dadas à religião é o seu determinante papel na pacificação do coração humano. 

Na origem das maiores tradições religiosas está a pregação de valores sublimes – amor, perdão, paz e fraternidade universal, entre outros. 

No entanto, essas mesmas tradições são, paradoxalmente, protagonistas de grande parte dos conflitos bélicos da sangrenta História da humanidade. 

Um sério problema se estabelece: a religião, ainda a maior escola assistencial do planeta, é, ao mesmo tempo, fator desencadeante de violência e conflito.



Estamos todos chocados com as barbáries cometidas pela Estado Islâmico, no entanto, durante as Cruzadas e a Inquisição, as pessoas cometeram atos terríveis em nome de Cristo.

Depois de admitir que sempre existiram pessoas que utilizaram a religião para fins violentos, fica fácil concluir que o islamismo está apenas seguindo o caminho dos cristãos em séculos atrás, ou de outras ideologias, que perseguem o "diferente".



A Igreja Católica está preocupada com a atual violência do Estado Islâmico, sendo que ela utilizou-se do mesmo expediente no passado para alcançar poder e acumular riqueza, o que lhe garantiu uma vida opulenta nos séculos seguintes. 

O Estado Islâmico está atualmente vendendo as antiguidades iraquianas para obter fundos para suas ações terroristas, a Igreja Católica, por sua vez, confiscava os bens dos hereges para enriquecer, durante o período da Inquisição.

A Igreja não conseguiria através de sua história, demonstrar sua ideologia, pois seu passado é também muito sujo, em vista das enormes crueldades cometidas durante o período da Inquisição e as atrocidades praticadas nos confrontos das Cruzadas. Em outras palavras, a Igreja Católica não tem ficha limpa. 



Os Jesuítas, por exemplo, tinham como objetivo catequizar os índios americanos, transmitindo-lhes os costumes europeus e os dogmas da religião católica.
Eles nunca respeitaram a espiritualidade indígena, impondo um culto a um Deus totalmente desconhecido, com a clara intenção de doutrinar.

Para o Estado Islâmico, a unica palavra que conta é a de Alá, para os Jesuítas, a palavra de Cristo tinha que ser aceita por todos.

Atualmente, enquanto a França fecha Mesquitas, lembramos que Hitler queimava sinagogas para impor seu poder!



Por exemplo, a "Noite dos Cristais"  de 9 para 10 de novembro de 1938, em toda a Alemanha e Áustria, foi marcada pela destruição de símbolos judaicos. Sinagogas, casas comerciais e residências de judeus foram invadidas e seus pertences destruídos. A maioria das sinagogas foram queimadas e 91 judeus foram mortos na Alemanha. Cerca de 30.000 dos judeus mais ricos, foram levados a campos de concentração.


A religião exige um lado, um posicionamento, estamos com Cristo (Alá, Buda, Krishina, Abraão) ou contra eles. Ou seguimos suas palavras, profecias, evangélios, doutrinas; ou pagaremos por nossa heresia.

Enfim, se forem feitas as contas, o Estado Islâmico precisaria de ainda muitos séculos para poder igualar à quantidade de crueldades praticada, por cada um em nome de seu DEUS.


Israel  X  Palestina

Entre as idades Média e Moderna, a Igreja infringiu uma clara perseguição contra aqueles que representavam uma ameaça à hegemonia do cristianismo católico. 

Para cumprir tal missão, estipulou a criação do Tribunal da Santa Inquisição, que determinava membros da Igreja para investigarem os possíveis suspeitos do crime de heresia. 

Geralmente, a autoridade dos inquisidores era apoiada pelas tropas do governo e a realização de processos que determinavam a culpa do acusado.

Muitas vezes, mesmo sem um conjunto de provas bem acabado, uma pessoa poderia ser acusada de transgredir o catolicismo e, com isso, obrigada a se apresentar a um tribunal. Geralmente, quando a confissão não era prontamente declarada, os condutores do processo estipulavam a prisão do acusado. 

Nesse momento, o possível herege era submetido a terríveis torturas que pretendiam facilitar a confissão de todos os crimes dos quais era acusado.



Para muitos daqueles que observam a prática das torturas ao longo da inquisição, parece bastante óbvio concluir que tal prática simplesmente manifestava o desmando e a crueldade dos clérigos envolvidos com esta instituição. 

Contudo, respeitando os limites impostos pelo tempo em que viveram os inquisidores, devemos ver que essas torturas também refletiam concepções teológicas que eram tomadas como verdade para aqueles que as empregavam.

De fato, os terrores presentes nesses métodos de confissão eram abomináveis e deixam muitas pessoas horrorizadas. Contudo, os valores e a cultura dessa época permitiam a observância da tortura como um meio de salvação daqueles que se desviavam dos dogmas. 

Não por acaso, muitas sessões eram acompanhadas por médicos que se certificavam de que a pessoa não faleceria com as penas empregadas.





Na época atual, o Estado Islâmico (ISIS) reflete sua própria concepção religiosa. Em nome de Alá, se sentem no direito de cometer atrocidades similares as da inquisição, acreditando ser a verdade de sua crença.

O Estado Islâmico (ISIS) não está sozinho na imolação (queima) de pessoas. Recentemente, uma “gangue acusada de queimar vivo um casal Cristão num forno industrial no Paquistão enrolou uma mãe grávida com algodão, de propósito, para que ela pegasse fogo mais facilmente”.

Enquanto isso as “autoridades” Islâmicas de Al Azhar – a universidade mais antiga e prestigiosa do mundo Islâmico – ainda prescreve livros que justificam cada barbaridade cometida pelo Estado Islâmico (ISIS), incluindo a imolação de pessoas vivas, legitimando assim, tais atos de acordo com a Lei Islâmica.

Parte da violência cristã é bem conhecida: as Guerras Mundiais, o Holocausto, as guerras coloniais no sudeste da Ásia e da África. 

Os críticos desta análise seriam rápidos para dizer que essa violência pode ter sido por cristãos, mas não foi em nome do cristianismo. 

Mas em praticamente todos os conflitos, os combatentes eram abertamente religiosos, e muitas vezes invocavam a sua religião como parte de suas campanhas militares, assim como muitos dos militantes islâmicos hoje não estão lutando apenas devido a uma queixa religiosa, mas são também organizadas em torno de grupos que partilham uma história religiosa e cultural comum.



Mas a religião desempenhou um papel mais explícito em alguns dos conflitos do século 20, envolvendo cristãos. Por exemplo, em 1990, a guerra sectária nos Balcãs culminou em um genocídio contra os bósnios muçulmanos explícito pelos cristãos ortodoxos sérvios. 

Como o pesquisador balcã Keith Doubt explicou em um artigo de 2007, a Igreja Ortodoxa da Sérvia foi um dos motores principais na campanha para culpar os muçulmanos bósnios e justificar a eventual limpeza étnica e genocídio que ocorreu. 

Ele observa que o “papel da Igreja como protetora da nação sérvia deu à Igreja grande controle social, e com este poder o clero fomentou uma atitude xenófoba e intolerante em relação aos muçulmanos na ex-Iugoslávia.”

A Igreja estava tão envolvida nas eventuais atrocidades que efetivamente enviou capelães ortodoxos para abençoarem “as forças sérvias, como a unidade de comandos de elite Panthers, que foi acusada de cometer inúmeras atrocidades, antes de partirem para as operações.” 

A Igreja viria a oferecer “Comunhão à guerreiros sérvios sem a necessidade de confissão”, dando-lhes a absolvição pelos crimes que cometiam para criar uma “Grande Sérvia”.

Se o papel da Igreja Ortodoxa Sérvia no genocídio da Bósnia foi esquecido por muitos, o lamentável papel das igrejas católicas no genocídio de Ruanda é provável ser menos conhecido. 



Durante esse massacre em massa, “As igrejas tornaram-se locais de abate, ocorrendo os assassinatos até mesmo no altar das igrejas.” 

Mais de 800.000 pessoas foram assassinadas e quase todas as mulheres que sobreviveram ao genocídio foram violentadas. Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados.

Uma das figuras acusadas no genocídio estava o padre Wenceslas Munyeshyaka, que costumava usar uma arma em seu quadril e era conivente com a milícia Hutu que massacrava centenas de pessoas que procuravam abrigo em sua igreja. 

Milhares de pessoas correram para a igreja em busca refúgio. Mas, em vez disso, encontraram a morte. Um padre, Athanase Serumba, é acusado pelos sobreviventes de ter apressado a ação dos soldados que atacaram o edifício e o destruíram.

Segundo grupos de direitos humanos e sobreviventes do massacre, embora membros do clero e trabalhadores religiosos também tenham sido assassinados e alguns morreram defendo sua congregação, outros fecharam os olhos ao crime e até encorajaram os assassinos.

Depois que o genocídio foi concluído, vários clérigos católicos realmente ajudaram ministros da Igreja que eram culpados de assassinato a fugirem do país e re-estabelecerem-se em outro lugar, incluindo um que permitiu que todos os homens, mulheres e crianças que estavam se escondendo em sua igreja fossem mortos quando a igreja foi demolida. 



Meses antes das decapitações brutais do ISIS serem transformados em manchetes ocidentais, a Associated Press publicou um único parágrafo sobre uma decapitação, que aconteceu na República Centro-Africano. 

O parágrafo observou, secamente, que uma milícia cristã havia decapitado um homem muçulmano jovem, um dos últimos muçulmanos no vilarejo em que seus colegas haviam fugido. 

Em outras palavras, o que o ISIS está fazendo para o mundo e outros grupos que tem considerado como inimigos, as milícias cristãs na República Centro-Africano estão fazendo para os muçulmanos. 

Simplesmente não estamos ouvindo nada sobre isso, porque as vítimas não são tão fáceis de serem relacionadas como os cativos ocidentais do ISIS.

Qualquer grande organização com número suficiente de pessoas é capaz de sucumbir ao tribalismo, à ideia de que o nosso grupo é “bom” e outros grupos são “ruins” e deve ser temido, ou marginalizados, ou até mesmo mortos . 

Isso é tão verdade no cristianismo, assim como no Islã, ou o judaísmo, ou Budismo, ou qualquer ideologia em grande escala ou religião. 




Devemos nos preocupar não com as religiões, e sim com o que seus membros estão fazendo, em nome delas. O fanatismo leva a intolerância e a intolerância leva as guerras.







Baseado nas seguintes fontes:

http://www.ponderavel.com.br/2014/09/corelacao-entre-religiao-e-violencia.html
http://muslimvillage.com/2015/02/13/62940/christianity-islam-violence-look-facts/
http://historiadomundo.uol.com.br/idade-media/as-torturas-da-inquisicao.htm
http://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/obama-diz-que-os-cristaos-eram-tao-maus-quanto-o-estado-islamico-no-passado.html
https://observadorcriticodasreligioes.wordpress.com/2014/10/04/a-inquisicao-e-as-cruzadas-praticaram-mais-crueldades-do-que-o-estado-islamico/

3 comentários:

  1. “Tudo é uma questão de ÉPOCA. Séculos atrás eram cristãos promovendo cruzadas para exterminar com os islâmicos. Agora o jogo se inverte e estão achando ruim. O fato é que religião é mesmo fonte de discórdia e intolerância...” [Comentarista no G+]
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    Antes do cristianismo surgir também ocorriam barbáries.
    Os cristãos evoluíram, ficaram mais civilizados e islâmicos deveriam fazer o mesmo.

    Espiritualistas são “superiores” (melhor adaptados) que os ateus.
    Os ateus ainda não conseguiram se organizar em uma nação civilizada e nem dão sinal de que isso irá acontecer.

    O Marxismo foi uma forma que os ateus encontraram de se tornarem superiores aos espiritualistas, mas até agora claramente não conseguiram.

    A China é o país que mais tem ateus, foram praticamente obrigados a isso pelo Partido Comunista, mas com alguma abertura a religiosidade ali cresce exponencialmente.

    http://terapiadalogica.blogspot.com.br/2013/03/argumentos-espiritualistas.html
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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. A religião sempre usou pessoas para fins violentos baseado nos seus livros sangrentos. As pessoas não usam a religião. A religião usa as pessoas conforme a vontade dos seus criadores.

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