terça-feira, 17 de novembro de 2015

QUEM FINANCIA O ESTADO ISLÂMICO?



Desde o início de sua ofensiva, o grupo jihadista Estado Islâmico avançou de forma exponencial. Beneficiados pela fraqueza e sectarismo do Estado iraquiano e pela guerra civil síria, os radicais ganharam reforços e conquistaram novos territórios, propagaram o terror a partir da dizimação de minorias étnicas e chocaram o mundo com a execução de vítimas inocentes. 

Hoje, lideranças mundiais debatem a formação de uma coalização capaz de parar os radicais, que avançam cada vez mais fortes e atrozes.  

Mas, quem financia esse grupo?

A organização radical "Estado Islâmico" (EI, ou ISIS em inglês) não precisa se preocupar com recursos humanos e financeiros. 

De todas as partes do mundo chegam rapazes – e cada vez mais moças – para se engajar na campanha violenta dos jihadistas. Alguns por convicção religiosa, outros porque acreditam que, desta forma, podem ficar ao lado dos irmãos de fé. E há também aqueles atraídos pela aventura e pelo impulso de extravasar violência.



A fim de cuidar de suas preocupações orçamentais, o ISIS desenvolveu uma variedade de fluxos de receita para encher seu caixa de guerra, como uma injeção de $ 425.000.000 de fundos roubados de um banco de Mosul, enquanto os ganhos econômicos regulares consistem em atividades criminosas, tais como extorsão, roubo de artefatos históricos e doações de patrocinadores ricos.


Quando o ISIS assumiu grandes porções da Síria e do Iraque, a organização capturou valiosos recursos energéticos que mantêm a sua máquina de guerra funcionando. Atualmente, o Estado Islâmico é a mais rica organização terrorista no mundo.

Até o fim de 2014, a organização radical lucrava principalmente com a venda de petróleo. Tanto no Iraque quanto na Síria o grupo assumiu o controle de regiões petrolíferas. E apesar dos confrontos, as unidades de produção permaneceram intactas ao ponto de os terroristas serem capazes de continuar vendendo petróleo. 

O governo americano estima que a principal fonte de financiamento do Estado Islâmico seria portanto o petróleo iraquiano. Os jihadistas controlam já algum tempo uma parte importante da indústria de petróleo do Iraque, na cidade de Mossul, localizada no norte do país e que produz quase 2 milhões de barris de petróleo por dia. 



Além do petróleo, os terroristas também exercem controle sobre a planta de gás de Shaar e Baiji, onde está situada a maior refinaria do país. Com os lucros, os militantes compram armas e enriquecem suas lideranças.  

Sua ofensiva no Iraque também foi bastante lucrativa, já que obteve acesso ao dinheiro que estava nos bancos das principais cidades que passou a controlar.

Antes que o Estado Islâmico conquistasse grandes áreas de terra, riquezas derivadas do petróleo, produtos manufaturados e empreendimentos criminais, a organização tinha de recorrer a doações de benfeitores ricos para a maior parte de seus recursos financeiros.

Durante este tempo, nações amigas dos Estados Unidos estavam financiando os rebeldes sírios que lutavam contra a ditadura de Bashar Al Assad, que foi desprezado pela classe dominante da Arábia Saudita, Kuwait e Qatar.


No início da rebelião contra o ditador da Síria, grupos rebeldes sírios estavam interessados em depor Al-Assad do poder. No entanto, à medida que mais lutadores do ISIS se juntaram aos rebeldes, o grupo deslocou-se para o fundamentalismo com grande parte do dinheiro doado por aliados americanos.

Além da riqueza proveniente de fontes energéticas roubadas, o EI também arrecada dinheiro com um sistema de impostos em áreas conquistadas, e com uma série de atividades ilegais como roubos a bancos, contrabando de carros e armas, bloqueio de estradas e sequestros. 


Segundo o jornalista Patrick Cockburn, a rede conta ainda com o apoio financeiro dos países do Golfo, que já teriam fornecido milhões de dólares para que combatessem os xiitas.

O EI não seria apenas um grupo terrorista, mas um projeto de Estado com armas sofisticadas, uma ideologia totalitária com recursos abundantes obtidos por meio de financiamento externo, o que permitiria ao grupo continuar sua ofensiva e lançar as bases de seu califado.

Fortemente armados com equipamentos roubados dos exércitos da Síria e do Iraque, os jihadistas não se amedrontaram pelos ataques aéreos que são realizados pela coalização internacional.


Os avanços territoriais parecem ter sido timidamente freados, mas não há sinais de que o EI está enfraquecido. E um dos motivos para tanto é o fato de que o grupo está ficando cada vez mais rico e organizado.

Considerado “o grupo terrorista mais rico do mundo”, conforme escreve Luay Al-Khateeb, fundador do Instituto de Energia do Iraque, o EI há tempos deixou de ter as doações de simpatizantes como sua principal fonte de renda.

De acordo com suas estimativas, o EI hoje controla 60% dos ativos de petróleo da Síria, além de possuir sete deles no Iraque. Segundo Al-Khateeb, é justamente esse o maior e mais rentável negócio dos jihadistas, capaz de gerar cerca de dois milhões de dólares por dia.


Para os EUA, cortar essa fonte de financiamento faz parte da estratégia para desestabilizar o grupo e os campos e refinarias de petróleos dominadas pelos jihadistas são alvos frequentes dos ataques aéreos da coalização.

Mas um dos obstáculos é acabar com o contrabando propriamente dito. Especialmente as rotas que seguem para a Turquia. 

Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times acreditam que autoridades turcas fazem vista grossa para a situação, pois estão de alguma forma se beneficiando dela. “Tenho certeza de que há um significativo número de pessoas ganhando dinheiro com isso na Turquia”, disse um deles para a publicação.



O contrabando de petróleo é, sem dúvidas, um importante pilar nas operações do EI. Contudo, o grupo vem diversificando suas atividades.

Essa organização também é financiada significativamente pela atividade criminal. Contrabandeia cigarros, medicamentos, telefones celulares e até antiguidades iraquianas. 

Além disso, ao entrar no Iraque e na Síria, combatentes estrangeiros vendem seus passaportes por milhares de dólares. A venda do passaporte não só engorda os cofres da milícia, como tem valor político simbólico: o combatente deixa sua antiga identidade para trás.

Outros recursos financeiros são originários de sequestros e tráfico de pessoas. Se os reféns não são especialmente proeminentes – ou seja, ocidentais –, o EI tenta extorquir as famílias das vítimas. 



A milícia ainda vende mulheres yazides raptadas. Relatos indicam que o EI também está comercializando órgãos no mercado negro – buscados desesperadamente em muitos hospitais e clínicas. Além disso, essa organização cobra impostos e taxas da população dos territórios que domina.

Autoridades americanas acreditam que o "Estado Islâmico" tenha cerca de 15 mil combatentes. No entanto, o especialista em segurança iraquiano Hisham al-Hisham estima, no início de agosto, esse número em entre 30 mil a 50 mil.


Os membros do "EI" têm acesso e são capazes de usar uma grande variedade de armas, inclusive artilharia pesada, metralhadoras, lançadores de foguetes e baterias antiaéreas. Em suas incursões militares eles capturaram tanques de guerra e veículos blindados dos Exércitos sírio e iraquiano.




Além disso, sabemos que por trás de qualquer guerra existe sempre uma empresa lucrando e, até mesmo, financiando. Não será surpresa para ninguém descobrir que as multimilionárias industrias bélicas, estejam financiando também o estado islâmico.






Fonte: http://www.cartacapital.com.br/internacional/de-onde-vem-o-dinheiro-do-estado-islamico-7231.html
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140825_financiamento_estado_islamico_lgb
http://misteriosdomundo.org/10-fatos-assustadores-que-voce-precisa-saber-sobre-o-estado-islamico/

3 comentários:

  1. Tendo em conta esses interesses(industrial-financeiro-militar)ocidentais podemos encontrar os responsáveis morais do terrorismo(inclusive Paris) entre nós no Ocidente e não apenas lá no médio oriente!?

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