quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Há um oceano no interior da Terra



Olhando a Terra do espaço, não é difícil imaginar por que apelidaram nosso mundo de planeta-água. 71% da superfície terrestre é coberta por líquido. 

Mas talvez o planeta seja mais molhado por dentro do que por fora. Geólogos da Universidade de Alberta, no Canadá, dizem ter descoberto uma enorme reserva de água dentro do planeta. 

Esses pesquisadores descobriram um pequeno diamante que aponta para a existência de um grande depósito de água sob o manto da Terra. Com cerca de 600 quilômetros de profundidade,  seu volume poderia preencher três vezes os oceanos que conhecemos.

Graham Pearson

O principal autor do estudo, Graham Pearson,  membro da Universidade de Alberta, no Canadá, disse que “Uma das razões da Terra ser um planeta dinâmico é a presença de água em seu interior. As mudanças da água dependem da forma como o mundo funciona”.

Depois de discutir a teoria há décadas, os cientistas relatam que finalmente encontraram um grande oceano no manto da Terra, três vezes maior do que os oceanos que conhecemos.

Esta descoberta surpreendente sugere que a água da superfície vem do interior do planeta como parte de um ciclo integrado da água, desbancando a teoria dominante de que a água foi trazida para a Terra por cometas gelados que passaram por aqui há milhões anos.


Cada vez mais os cientistas estão aprendendo sobre a composição de nosso planeta, compreendendo os acontecimentos relacionados às mudanças climáticas. O clima e o mar estão intimamente relacionados com a atividade tectônica que tem estado continuamente vibrando sob nossos pés.

Assim, os pesquisadores acreditam que a água na superfície da Terra poderia ter vindo do interior do planeta, tendo sido “impulsionada” para a superfície por meio da atividade geológica.

Depois de inúmeros estudos e cálculos complexos para testar suas teorias, os pesquisadores acreditam ter encontrado um reservatório gigante de água numa zona de transição entre as camadas superior e inferior do manto, uma região que se encontra em algum lugar entre 400 e 660 km abaixo da superfície da terra.


Como sabemos, a água ocupa a maior parte da área de superfície do nosso planeta, que é paradoxalmente chamado de Terra. Embora seja verdade que, em comparação com o diâmetro terrestre a profundidade dos oceanos represente apenas uma fina camada semelhante à casca de uma cebola, descobrimos agora que a presença deste precioso líquido não está limitada à superfície visível.

Na realidade, a cerca de centenas de quilômetros de profundidade no subsolo há também enormes volumes de água, com uma importância fundamental para a compreensão da dinâmica geológica do planeta. Quase um oceano no centro da Terra.

A importante descoberta foi realizada por pesquisadores canadenses, que se basearam em um diamante encontrado numa rocha, em 2008, em uma área conhecida como Juína, no estado do Mato Grosso, Brasil.

A descoberta ocorreu por acidente, pois a equipe que estava, na realidade à procura de outro mineral, comprou um diamante de alguns garimpeiros que o tinham encontrado através de uma coleta de cascalho realizada em um rio raso. 

Ao analisar a pedra detalhadamente um estudante descobriu, um ano depois, que o diamante, de apenas três milímetros de diâmetro e de pouco valor comercial, continha em sua composição um mineral chamado ringwoodite, que até agora só tinha sido encontrado em rochas de meteoritos e que contém significativa quantidade de água. 

Ringwoodite


Ringwoodite se forma apenas sob pressão extrema, como a cerca de 515 km de profundidade no manto da Terra.

Como todo diamante, ele se forma sob a crosta terrestre. Mas este era diferente. Dentro dele, os cientistas encontraram um grãozinho desse minério raro, a ringwoodite, que tem moléculas de água dentro. 


O ringwoodite é feito de 1,5% de água, presente não como líquido, mas como hidróxido de íons (moléculas de oxigênio e hidrogênio ligadas). Ou seja, os resultados do estudo sugerem que poderia haver um vasto estoque de água na zona de transição do manto, que se estende de 410 a 660 km de profundidade.


A partir disso, eles puderam estimar o percentual de água contido no manto, na chamada zona de transição, que fica entre 410 e 660 km abaixo do solo. 


Se as contas estiverem certas, o interior do planeta pode conter uma reserva com 1,4 quintilhão de litros de água - uma quantidade maior do que todos os oceanos somados. 

"É um achado surpreendente do ponto de vista da formação dos planetas", diz o astrônomo Cassio Leandro Barbosa, da Universidade do Vale do Paraíba. "É difícil explicar de onde essa água poderia ter vindo."

No entanto, a confirmação final da presença deste mineral levou muitos anos, pois foi necessária a realização de vários testes e análises científicas.

“É a confirmação de que há uma grande quantidade de água presa em uma camada muito distinta no interior do planeta”, disse Graham Pearson, principal autor do estudo. 

“Isso se traduz em uma massa muito, muito grande de água, aproximando-se do tipo de massa de água que está presente em todos os oceanos do mundo”, fala Pearson.


A maior parte do volume da Terra é manto, a camada de rocha quente entre a crosta e o núcleo. Muito profundo para perfurar, a composição do manto é um mistério fermentado por duas pistas: meteoritos e pedaços de rocha que chegaram a superfície por vulcões.

Os cientistas pensam que a composição do manto da Terra é semelhante ao de meteoritos chamados condritos, que são principalmente feitos de olivina. Lava expelida por vulcões às vezes passa pelo manto, trazendo pedaços de minerais que fazem alusão ao calor intenso e a olivina nas entranhas da Terra.

“A maioria das pessoas (inclusive eu) nunca esperava ver tal amostra. Amostras da zona de transição e do manto inferior são extremamente raras e só encontradas em poucos diamantes incomuns”, explica Hans Keppler, geoquímico da Universidade de Bayreuth, na Alemanha.


Desde a sua descoberta em solo brasileiro, a amostra estava passando por análises que determinaram que o diamante era, sim, proveniente da Terra e não do espaço.

A peculiaridade desta descoberta  é que  esta água não existe em qualquer um dos três estados que conhecemos: líquido, sólido ou gasoso. A água foi encontrada em estruturas moleculares de formações rochosas no interior da Terra.


Uma concentração tão importante de água trás uma mudança significativa nas teorias relacionadas com a origem da água na superfície da Terra.

Esta descoberta é a prova de que nas partes mais profundas do nosso planeta, a água pode ser armazenada. Fato este que poderá colocar fim em uma polêmica de 25 anos, sobre se o centro da terra é seco ou úmido em algumas áreas.





Fonte:http://super.abril.com.br/ciencia/interior-da-terra-pode-ter-megarreservatorio-de-agua
http://hypescience.com/ha-um-oceano-de-agua-no-interior-da-terra-conclui-estudo-com-diamante-brasileiro/
https://www.epochtimes.com.br/cientistas-descobrem-outro-oceano-debaixo-da-terra/#.VlTG2vlViko

Um comentário:

  1. Isso representa apenas 0.00000001 (um centésimo milionésimo) do volume total da Terra. Logo, a Terra ainda faz valer seu nome!!!

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