sábado, 17 de outubro de 2015

QUE OBJETO GIGANTE ESTÁ BLOQUEANDO A LUZ DESTA ESTRELA?




Em um ponto no meio das constelações de Lira e do Cisne, que estampam a noite estrelada do hemisfério norte, brilha uma estrela envolta em mistério. Ela é mais brilhante, mais quente e mais massiva do que o nosso sol.

Nossa visão não consegue enxergá-la, devido aos 1,5 mil anos-luz que nos separam dela. Só mesmo os poderosos olhos telescópicos do observatório espacial Kepler foram capazes de focalizar, em 2009, este sol distante.


KIC 8462852
A KIC 8462852, poderia ser apenas mais uma entre as centenas de milhares de estrelas catalogadas pelo observatório espacial Kepler, mas uma anomalia está intrigando cientistas. 

O que ela tem de especial? Normalmente, as variações de brilho das estrelas são muito ligeiras – menos de 1% de escurecimento a cada poucos dias, semanas ou meses, dependendo do tamanho da órbita do planeta que a circunda.


Mas a KIC 8462852 possui variações de brilho altamente irregulares. Não há nenhuma órbita periódica identificável, apenas bloqueios de luz estranhos e sem padrão discernível ocorrendo.



Normalmente, planetas e outros corpos celestes que orbitam os astros provocam sombras regulares e de curta duração, que são detectadas pelo telescópio. No caso da KIC 8462852 (apelidada de K), astrônomos observaram “misteriosos eventos” que podem durar entre 5 e 80 dias. Ainda não existe explicação para o fenômeno, e alguns levantam a hipótese de se tratar de uma estrutura alienígena.

O padrão da oscilação de seu brilho era realmente único, diferente do que era verificado em todas as outras estrelas estudadas pelo telescópio Kepler. Na verdade, não havia bem um padrão ali - como os astrônomos descobriram mais tarde, as variações no brilho são completamente disformes e irregulares.

A descoberta foi feita por astrônomos profissionais e amadores do programa “Planet Hunters”, e descrita em artigo publicado recentemente na revista científica “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”. 

O “Planet Hunters” consiste em uma rede de voluntários que analisa visualmente toneladas de dados gerados pelo Kepler, em busca de alterações na luminosidade de estrelas, que podem indicar a presença de exoplanetas. No caso da KIC 8462852, a curva de luz foi classificada pelos voluntários como “estranha” e até “bizarra”.


Os astrônomos ficaram perplexos após observar uma massa inexplicável orbitando ao redor da uma estrela.

A estrela emite um padrão de luz semelhante ao que se esperaria de um planeta em órbita em torno dele, no entanto, neste caso, o padrão é muito diferente de qualquer coisa que alguém já tenha visto antes.

O padrão é indicativo de uma grande e variada matéria – algo que normalmente se encontra em estrela jovens – mas esta estrela em particular não é completamente nova.



Para que fique claro, os cientistas acreditam que é possível que exista uma estrutura gigantesca orbitando em torno desta estrela. O que quer que esteja bloqueando a luz de KIC 8462852 é grande, com até a metade da largura da própria estrela.

Então, que a massa peculiar está em órbita dela e porque não desapareceu até agora?

A descoberta foi considerada tão incomum no fato de que alguns cientistas propuseram a ideia de que poderíamos estar olhando para algum tipo de estrutura construída por uma civilização alienígena.

Quando gigantes gasosos da classe de Júpiter, os maiores que conhecemos, passam em frente à estrela-mãe, eles causam uma oscilação de cerca de 1% em sua luminosidade. 

Levando em conta todas as peculiaridades, fica difícil não pensar em aliens. 


Tabetha Boyajian
“Nós nunca vimos nada parecido com essa estrela, foi muito estranho”, disse Tabetha Boyajian ao The Atlantic. A astrônoma da Universidade de Yale acaba de publicar um artigo descrevendo a descoberta, em co-autoria com vários dos cientistas cidadãos. “Nós pensamos que deviam ser dados ruins ou movimentação na espaçonave, mas após checado, tudo confere.”

A estrela foi observada por um período de quatro anos. As análises apontam que o fluxo de luminosidade da KIC 8462852 é relativamente constante pela maior parte do tempo, mas dois eventos chamaram a atenção dos cientistas. Um deles durou 80 dias e chegou a cobrir 22% dos fótons captados pelo Kepler.

Causas naturais? Se o sistema estelar de KIC 8462852 fosse jovem, como o nosso um dia foi, ele abrigaria um imenso cinturão de objetos como asteroides e cometas, que ainda não teriam tido tempo de formar planetas. 

Eles poderiam explicar o padrão exótico, mas o problema é que essa estrela parece ser mais madura. 

Estrelas jovens são envoltas por uma espessa nuvem de poeira que emite uma grande quantidade de radiação infravermelha, o que não acontece neste caso. No artigo, Tabetha Boyajian detalha algumas possíveis explicações naturais que poderiam solucionar o mistério.



Além do cinturão de asteroides, é cogitada a possibilidade de os objetos terem surgido de um impacto de escala planetária, como o que formou nossa lua, mas a falta de padrão no período orbital descarta essa possibilidade

A influência gravitacional de uma estrela próxima pode ter “empurrado” um número massivo de cometas para a região mais interna daquele sistema solar.

No entanto, a própria Tabetha Boyajian considera “outros cenários”. Em poucas palavras, ela acha possível que uma civilização alienígena avançada esteja construindo uma megaestrutura tecnológica em torno da estrela KIC 8462852, e isso estaria causando as esquisitas flutuações na luz detectada. 



Tal estrutura poderia ser algo como a hipotética Esfera de Dyson: proposta em 1960, a ideia concebe um arranjo de painéis solares que “enclausuram” uma estrela e coletam toda a energia que ela emite.

Boyajian não é a única a considerar este cenário. “Aliens devem sempre ser a última das hipóteses a se considerar, mas isso me pareceu algo que uma civilização alienígena iria construir”, disse o astrônomo Jason Wright, da Universidade Estadual da Pensilvânia. 



O pesquisador disse que, quando viu os dados, ficou fascinado por quão loucos eles eram. Phil Plait, do site Slate, fez questão de frisar que Wright não é só mais um desses caçadores de alienígenas que gostam de uma teoria da conspiração. “Ele é um astrônomo profissional com um histórico de pesquisa sólido”, escreveu.

Isso tudo é bem empolgante e nós podemos, sim, ficar animados - afinal, não é todo dia que cientistas de verdade incluem em suas hipóteses a alternativa “civilização alienígena”. 

Mas é claro que a abordagem deles continua sendo cética, mais no sentido de um “por que não aliens?”. 
É mais provável que algum fenômeno da natureza esteja causando as variações na luminosidade de KIC 8462852, mas a chance de serem ETs é concreta.

Tanto que Jason Wright e colegas vão publicar um artigo embasando esta hipótese - eles afirmam que o padrão de luz da estrela é consistente com um “enxame de megaestruturas” projetadas por aliens para coletar a luz estelar e sua energia. 



Wright e Boyajian estão agora em contato com Andrew Siemion, diretor do Centro de Pesquisas SETI na Universidade da Califórnia. O trio está trabalhando numa proposta de estudo, de apontar imensas antenas de rádio diretamente para a KIC 8462852, para tentar captar sinais de rádio associadas com atividades tecnológicas. 

Se tudo der certo, a primeira observação deve ocorrer em janeiro. Até lá, só nos resta levantar os olhos para o céu estrelado e mirar para onde o cisne encontra a lira. 

Por ora, até as frias evidências nos permitem imaginar que talvez, apenas talvez, alguém esteja olhando de volta, com seus olhos captando os fótons que se desprenderam de nosso sol por volta do ano 500 e viajaram um milênio e meio pelo espaço.











Baseado nas seguintes fontes:
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2015/10/objetos-gigantes-que-estao-bloqueando-luz-de-uma-estrela-intrigam-astronomos.html
http://hypescience.com/cientistas-nao-conseguem-explicar-que-objeto-gigante-esta-bloqueando-a-luz-desta-estrela/
http://noticias.ne10.uol.com.br/ciencia-e-vida/noticia/2015/10/15/anomalia-em-estrela-levanta-hipotese-de-estrutura-alienigena-575090.php

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