sábado, 1 de agosto de 2015

CONCEITOS DE DEUS



Cada doutrina religiosa traz sua própria concepção de Deus, e na maioria das vezes elas são conflitantes. Isto, por si só, já soa absurdo para aqueles que cultivam um pensamento mais cético e racional. 

Não é a toa que muitos acabam taxando a maioria dos teístas de alienados: se não chegam a um acordo sequer sobre a natureza de Deus, como podem querer ditar regras de conduta a serem seguidas?

Essa pergunta é pertinente porque toca no cerne da religiosidade. O verdadeiro religioso não é aquele que se inscreveu em uma comunidade dos escolhidos de Deus (a origem de “igreja”, do grego ekklesia), mas aquele que pratica uma comunhão com Deus ou com o Cosmos, um caminho de retorno a compreensão de sua própria origem (do latim re-ligare, origem de “religião”). 




DEUS NO CRISTIANISMO:


Santíssima Trindade

Segundo o Cristianismo, Deus é o ser divino que criou e governa o mundo. Ele é manifesto em três personalidades diferentes: Como Pai, como Filho e como Espírito. 

Ao Deus Trino crê-se em diferentes atributos entre eles o amor, o mais importante de todos,  e manifesta a onipotência, a onisciência, a onipresença, a santidade, a Verdade, a justiça e a fidelidade.

A maioria dos cristãos acredita que Deus é espírito, incriado, onipotente e eterno. O criador e sustentador de todas as coisas, que resgata o mundo através de seu Filho, Jesus Cristo. 

Com este pano de fundo, a crença na divindade de Cristo e no Espírito Santo é expressa como a doutrina da Santíssima Trindade, que descreve uma única "substância" divina já existente como três pessoas distintas e inseparáveis: o Pai, o Filho (Jesus Cristo), e o Espírito Santo. 

De acordo com esta doutrina, Deus não está dividido, no sentido de que cada pessoa tem um terço de todo, mas antes, cada pessoa é considerada como sendo plenamente Deus .



Segundo a fé cristã, Deus mandou ao mundo seu filho para ser o salvador (Messias) dos homens. Este, seria o responsável por divulgar a palavra de Deus entre os homens. Foi perseguido, porém deu sua vida pelos homens. Ressuscitou e foi par o céu. 

Ofereceu a possibilidade da salvação e da vida eterna após a morte, a todos aqueles que acreditam em Deus e seguem seus mandamentos.


DEUS JUDAICO:


Deus Hebraico 

Há muito em comum entre o Deus cristão e o Deus judaico. Afinal, ambas as tradições compartilham os livros do Antigo Testamento (chamado pelos judeus de Torá ou Bíblia Hebraica). 

A narrativa do Gênesis, por exemplo, conta que DEUS criou o mundo em apenas 7 dias. Primeiro, fez a luz, a água e o firmamento. Em seguida, as estrelas, as florestas, os animais. Por último, criou o homem a Sua imagem e semelhança. 

Deus, no entanto, não foi criado. Ele sempre existiu e sempre existirá. É onipresente (está em toda parte) e onisciente (sabe tudo o que se passa). Não tem gênero, forma nem uma morada específica. Ou seja: é um ser espiritual. 



Contudo para o judaísmo, Deus existe e é somente um. Ele não pode ser dividido em diferentes pessoas, como se crê no cristianismo.

Segundo os judeus, existe somente um Deus, todo-poderoso que criou o universo e tudo o que nele há. Os judeus acreditam que Deus tenha uma relação especial com o seu povo, consolidada no pacto que fez com Moisés no Monte Sinai, 3.500 anos atrás.

Os judeus acreditam que os seres humanos foram feitos à semelhança de Deus. Obedecer a “lei” é fazer a vontade de Deus e demonstrar respeito e amor por Deus. 

Os judeus acreditam na existência de somente um Deus que criou o universo e continua responsável pela sua manutenção. Segundo o judaísmo, Deus sempre existiu e sempre vai existir. 

Ele não pode ser visto ou tocado. Entretanto, Deus pode ser conhecido através do louvor e se pode chegar mais perto de Deus através de estudos e a prática da fé.  Deus separou os judeus como povo escolhido para servirem de exemplo para o resto da humanidade.


DEUS DO ISLÃ:


Símbolo de Allah


Na teologia islâmica, Deus ("Allah” - a palavra árabe para “Deus”) é o onipotente e onisciente criador, mantenedor, responsável e juiz do universo.



O Islã coloca uma pesada ênfase na conceitualização de Deus como estritamente singular. Deus é único e inerentemente Um, misericordioso e onipotente.



O Islã crê que Allah é o único Deus, todo poderoso, o misericordioso, Allah é soberano a tudo e a todos. A palavra islã significa submeter à lei e à vontade de Allah. Islã significa submissão absoluta do ser diante de Deus. 

Os seguidores de Allah são chamados de muçulmanos, que significa aquele que se submete a Deus, que se entrega a Deus. Muhammad é o seu profeta, no ocidente é chamado de Maomé.

A criação e manutenção da ordem no universo é vista como um ato de misericórdia primordial pela qual todas as criaturas de Deus cantam-lhe glórias e são testemunhas da sua unidade e domínio. 


Os muçulmanos acreditam que Alá (Deus) seja o único, eterno, criador e soberano.

Pelos ensinamentos islâmicos, Deus existe sem um lugar. De acordo com o Alcorão, "Nenhuma visão pode compreendê-lo, mas sua compreensão está além de toda a visão. Deus está acima de compreensão, mas é inteirado com todas as coisas".

Deus responde aos necessitados ou desafortunados quando eles chamam. Acima de tudo, Deus guia a humanidade para o caminho correto, "o caminho sagrado".

O Islã ensina que Deus, como referenciado no Alcorão, é o único Deus e o mesmo venerado por membros de outras religiões abraâmicas como o Cristianismo e o Judaísmo.

Os muçulmanos – como os judeus - rejeitam as crenças cristãs da Trindade e da Encarnação Divina. 




DEUS NO HINDUÍSMO:


Brahma

Apesar de o Hinduísmo ser conhecido como uma religião politeísta, com cerca de 330 milhões de deuses, também tem um "deus" que é supremo: Brahma. Brahma é considerado, pelos hindus, a representação da força criadora ativa no universo.

Acredita-se que Brahma seja uma entidade que habita em toda área da realidade e existência, por todo o universo. 

Os hindus creem que Brahma seja um deus impessoal que não pode ser conhecido e que ele existe em três formas separadas: Brahma—Criador; Vishnu—Preservador e Shiva – Destruidor. 

Essas "facetas" do Brahma são também conhecidas através de muitas encarnações de cada uma. É extremamente difícil descrever a teologia hindu exatamente, já que praticamente todo sistema de teologia é influenciado de uma forma ou outra pelo Hinduísmo.

A concepção de Deus no hinduísmo é complexa e depende de uma particular tradição. Na maioria das tradições, como o vixnuísmo, ele é Vixnu, Deus, e sendo este identificado como Krishna. 

Já para muitas outras tradições, Deus seria "prakriti", ou seja, "energia".

Em geral o hinduísmo considera Deus não apenas como Aquele Supremo Todo-poderoso, gigantesco, que comanda a humanidade a trilhar o caminho que Ele / Ela / Ele diz, mas também um Deus pessoal a quem o indivíduo pode adorar por amor e não necessariamente fora do medo.



Para os hindus,  Deus como está, está além de todos os atributos de forma, cor, percepções ... Isto é, Deus não tem nenhum formulário específico ou nome. No hinduísmo o conceito de Deus é para ser vivido, experimentado.  


Na tradição advaita-vada, uma das mais proeminentes linhas filosóficas vedantistas do moderno hinduísmo, a entidade primordial, a Realidade Suprema, ou Brahman é descrito como: tat advaya vastu , "esta substância não-dual" que pode ser realizada pela entidade viva como Brahman, o a Verdade Suprema Impessoal; Paramatma, ou o atma localizado no âmago de toda entidade viva e como Bhagavan, ou o a Pessoa Suprema.

O Hinduísmo também tem uma visão diferente da humanidade. Porque Brahma é tudo, o Hinduísmo acredita que todos são divinos. Atman, ou cada ser, é um com Brahma. Toda realidade fora do Brahma é considerada uma simples ilusão. 

O objetivo espiritual de um hindu é se tornar um com o Brahma, deixando então de existir em sua forma ilusória de "ser individual".


DEUS NO BUDISMO:


Devas


O Budismo é geralmente considerado como religião não-teísta. Embora ensine que existem "deuses" (Devas), estes são apenas seres celestiais que habitam temporariamente em mundos celestiais de grande felicidade. Tais seres, porém, não são eternos nessa forma e estão sujeitos à morte e eventual renascimento em reinos inferiores da existência.



A palavra páli “deva” é traduzida como “deus”, mas na verdade significa “espírito”, um ser de um reino superior que, no budismo, pode influenciar seres humanos, ajudar e protegê-los. 

A Terra não é o único mundo de seres da cosmologia budista. Há incontáveis universos em diferentes planos de existência, isto é, em diferentes estágios de desenvolvimento (espiritual). Alguns são mais elevados que nós (que somos a maioria). Alguns são inferiores. Há muitas referências a seres humanos renascendo em reinos superiores ou inferiores.


Mas, no budismo, não há lugar para a hierarquia massiva da religião Hindu, que acrescentou o próprio Buda a essa hierarquia (até os cristãos fizeram Dele um dos seus santos), nem para a Trindade de Criador, Preservador e Destruidor, nada exceto um Absoluto inexprimível. 

Em Sua direção as pessoas estão evoluindo ou involuindo, alguns se tornando espíritos de planos superiores, outros afundando em mundos inferiores. E todos pertencem ao mundo dos fenômenos, não à Realidade. Apenas o Absoluto é Real. E nem podemos realmente dizer isso sem declarar algo menor que a Verdade. 


No entanto, é preciso fazer a distinção entre os ensinamentos aparentemente não-teístas do Cânone Pali ("agamas") e ensinamentos aparentemente compatíveis com alguma forma de teísmo de alguns Tantras e Sutras Mahayana.

Em essência, a metodologia do budismo é incompatível com uma determinação radical teísta ou não-teísta, sendo o seu ensinamento voltado principalmente para o reconhecimento da natureza da realidade como forma de libertar todos os seres da insatisfatoriedade.

Alguns budistas (particularmente no Ocidente moderno) seguem uma interpretação do Budismo que não admite o sobrenatural nem a divindade, mas essa visão está longe de ser universal. Quase certamente representa um modo diferente de encarar o budismo em relação à maior parte da história dessa religião. Nessas interpretações céticas, outros reinos de existência e deuses são vistos apenas como metáforas úteis para entender aspectos da mente.


De maneira diferente da maioria das religiões, o Budismo não cria um Deus a priori. Ele trabalha filosoficamente a nossa realidade e a une indissoluvelmente à Realidade Última dos Fenômenos e conclui que sem esta não haveria explicação e fundamento para a primeira. 

Na realidade, o Supremo manifesta-se pelo mundo dos fenômenos, por mais efêmeros, mutáveis, sem substância e vazios que sejam ou que aparentem ser.


DEUS PARA O ESPIRITISMO:

Deus, para os espiritas, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência

Deus é um princípio fundamental para a Doutrina dos Espíritos. "Deus é a inteligência Suprema do Universo e causa primária de todas as coisas" (Allan Kardec). 

Deus para os espiritas é uma síntese magistral do Criador, ou seja, que acima de todas as inteligências que existem no Universo, está, portanto, a inteligência Divina, e que Ele criou tudo o que existe: o mundo material, tanto quanto os espíritos encarnados e desencarnados. 

Para o Espiritismo, o entendimento que os homens tem de Deus não está pronto nem é definitivo, está em constante evolução. No atual estágio de evolução que se encontra o ser humano, não lhe é possível compreender a natureza íntima de Deus.

O conceito de Deus modifica-se com o tempo, resultado de ampliações sucessivas de um conceito inicial, de abordagens complementares que destacaram aspectos diferentes de Deus não considerados até então, e, também, de visões contraditórias que expuseram as limitações de explicações utilizadas em determinado momento. 

A compreensão de Deus, alcançada por uma pessoa é a possível em face do seu conhecimento e do conhecimento do seu grupo social.

Para o espiritismo, no conjunto imenso de mundos e coisas que constituem o Universo, tal é a grandeza, a magnitude, e são tais a ordem e a harmonia, que, tudo isso, pairando infinitamente acima da capacidade do homem, só pode atribuir-se à Onipotência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio, Criador necessário de tudo que existe.

Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Mesmo depois de desencarnado, dispondo de faculdades perceptivas menos materiais, não pode ainda a espírito imperfeito perceber totalmente a natureza divina.



No Espiritismo, Deus não se relaciona ao mágico, ao místico, ao divinal, ao sacro, ao infinito, ao absoluto. Deus não é matéria, nem energia. Ele não tem uma forma definida. Deus não está restrito a uma pessoa, por mais evoluída que seja, como Jesus. Deus não está no céu. Ele está nos seres mas não se confunde com eles; está nas coisas mas não se confunde com elas.

Deus não está limitado à humanidade, ao planeta Terra ou à Via Láctea. Deus abrange todas as coisas, todos os seres vivos, inteligentes ou não, encarnados ou desencarnados do Universo. Deus se estende pelo Cosmo e o mantém (o Universo organizado e ordenado) — Deus Cósmico.

Para a Doutrina Espírita, o Universo é estruturado, as coisas não ocorrem ao acaso. Em tudo há causalidade, inteligibilidade, significado, padrão. Deus, para o Espiritismo, é a Inteligência Suprema.


DEUS PARA OS ESPIRITUALISTAS:


Deus = Energia, Fonte, Luz

Espiritualismo é uma denominação comum a várias doutrinas filosóficas e/ou religiosas, e tem como fundamento básico a afirmação da existência do espírito (ou alma) como elemento primordial da realidade, bem como sua autonomia, independência e primazia sobre a matéria.

No espiritualismo o homem é a consciência. Ele é visto como divino, como co-criador, como a esperança de um futuro de paz e harmonia.

Deus não é um conceito, é comumente chamado de energia, luz, fonte, universo, amor primordial. Eles pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria Verdade e a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas.


Para os espiritualistas, somos todos essências divinas, experimentando a vida nessa encarnação. Não somos frutos do pecado, não precisamos de um salvador, e não adoramos nenhum Deus como nosso criador.

Deus não prescreve comportamentos, não determina um conjunto de regras a serem seguidas. Logo, não há desobediência à sua vontade, não há pecado. Deus não vigia, não fiscaliza. Ele não pune, não castiga, não determina ou executa sentenças.

Para o Espiritualismo, Deus não aceita oferendas, sacrifícios ou promessas. Não concede graça, dom ou favores. Não intercede, não aceita pedidos, não protege alguém em especial. Deus não atua através de milagres.



Os espiritualistas reconhecem o divino em todo ser vivo, no esplendor da natureza, em nosso planeta, galaxias e universo. Deus está em tudo e tudo é deus, pois tudo está intrinsecamente conectado.





3 comentários:

  1. O conceito de "Deus" dos Espiritualistas é o mais lógico e consistente e harmônico com as Leis Universais, mas o termo "Deus" é apenas uma referência para aqueles que não podem defini-lo de forma Autêntica...

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  2. Resumindo: Religião só serve aos interesses dos seres negativos.
    Ela mantem a humanidade dormindo na matrix.

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  3. Penso que a parábola do filho prodigo nos traz uma resposta, se entendermos como filho o conceito equivocado que temos de nós mesmos, com a imagem que criamos de nós, o ego, que sai de si mesmo, de sua essência divina em busca de felicidade e a volta para a casa do Pai, um encontro conosco mesmo , enquanto essa essência divina que experimenta a vida encarnado ou na matéria

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