domingo, 19 de julho de 2015

LUZES DO MUNDO - SAM HARRIS





SAM HARRIS -  POR UMA FÉ SEM RELIGIÃO



Sam Harris (1967) é um escritor, filósofo, e neurocientista americano. 

É o autor de "O Fim da Fé" (2004) (no português brasileiro, "A Morte da Fé"), laureado com o prêmio PEN/Martha Albrand em 2005, e de "Carta a Uma Nação Cristã" (2006), uma resposta elaborada às críticas que o livro anterior recebeu. 

Quando Sam Harris soube que o atentado ao World Trade Center em Nova York (Estados Unidos), no dia 11 de setembro de 2001, teve motivações religiosas, a briga passou a ser pessoal. 

Harris publicou em 2004 o livro A Morte da Fé (Companhia das Letras) - uma brutal investida contra as religiões, segundo ele, responsáveis pelo sofrimento desnecessário de milhões. 

Para Harris, os únicos anjos que deveríamos invocar são a 'razão', a 'honestidade' e o 'amor'.




Ao entrar de cabeça em um assunto tão delicado, o filósofo de 43 anos conquistou uma legião de inimigos e deu início a uma espécie de combate literário. 

Em resposta à repercussão de seu primeiro livro, que levou à publicação de livros-resposta sob as perspectivas muçulmana, católica e outras, os ataques de Harris à fé religiosa continuaram em 2006, com o lançamento do livro Carta a Uma Nação Cristã (Companhia das Letras).

Criado em um lar secular, que nunca discutiu a existência de Deus e nunca criticou outras religiões, Harris recebeu o título de Doutor em Neurociência em 2009 pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos). 

A pesquisa de doutorado serviu como base para seu terceiro livro, lançado em outubro de 2010: The Moral Landscape (sem edição brasileira). Nele, Harris conquista novos inimigos, dessa vez cientistas.




Além de filósofo da moral e célebre ateísta, Sam Harris é um praticante entusiasmado de meditação, tendo viajado o mundo para estudar com diversos gurus. Para o filósofo americano Sam Harris é possível ter experiências espirituais sem passar pelo caminho da religião. 

Após ter sido intensamente criticado em consequência de suas críticas à dogmática religiosa, Harris é cauteloso em revelar detalhes sobre sua vida pessoal e sobre seu passado.

Ele disse ter sido criado por uma mãe judia e por um pai Quaker, e disse para a revista Newsweek que quando era criança, teria recusado fazer a cerimônia Bar mitzvá.

Ele frequentou a Universidade de Stanford, na condição de aluno de graduação em língua inglesa, mas deixou os estudos depois de uma experiência com a droga LSD, que lhe alterou a perspectiva de vida. 

Durante esse período estudou o budismo e a meditação e leu centenas de livros sobre religião. 

Após onze anos, retornou para Stanford onde obteve a sua graduação em filosofia. Mais tarde obteve o seu doutorado em neurociência na Universidade da Califórnia em Los Angeles, utilizando imagens de ressonância magnética para conduzir pesquisas sobre a base neurológica das crenças, descrenças, e incertezas.



A mensagem básica de Harris é a de que chegou a hora de questionar livremente a ideia de fé religiosa.

Ele entende que a sobrevivência da civilização está em perigo devido ao tabu de não se permitir questionar as crenças religiosas. 

Enquanto realça o que ele considera como um problema particular posto pelo Islã neste momento com relação ao terrorismo internacional, Harris diretamente critica as religiões de todos os tipos e tendências. Ele enxerga a religião como um impedimento para o progresso em relação a abordagens mais esclarecidas da ética e da espiritualidade.

Embora um ateísta por definição, Harris afirma que o termo é desnecessário. Sua posição é a de que o ateísmo não é uma visão de mundo ou filosofia, mas a "destruição de ideias más". 

Declara que a religião é especialmente cheia de ideias más, chamando de "um dos mais perversos maus usos de inteligência que nós já inventamos".

Ele compara as crenças religiosas modernas com os mitos dos antigos gregos, que foram uma vez aceitos como verdadeiros, mas que atualmente estão obsoletos. 


Ele também rejeita a alegação de que a Bíblia foi inspirada por um Deus omnisciente. Ele declara que, se esse fosse o caso, o livro iria "fazer predições específicas, falseáveis, sobre os eventos humanos".

Em vez disso, a Bíblia "não contém uma única frase que não poderia ter sido escrita por um homem ou uma mulher vivendo no primeiro século".

No livro O Fim da Fé, Harris dedica um capítulo à "Natureza da Crença". Sua principal sugestão é que todas as crenças, exceto aquelas relacionadas aos dogmas religiosos, são baseadas em provas e experiências. 




Ele diz que a religião permite que visões que, de outra forma, seriam um sinal de loucura, se tornem aceitas e, em alguns casos, veneradas como "sagradas". 

Ele dá especial atenção a doutrinas tais como a transubstanciação, a doutrina adotada pela Igreja Católica de que, durante a missa, o pão e vinho da eucaristia mudam de substância para o corpo e sangue de Jesus Cristo. 

Harris sugere que se alguém isoladamente desenvolvesse essa crença, iria ser considerado "louco". 

Ele entende ser "meramente um acidente da história ser considerado normal em nossa sociedade acreditar que o criador do universo possa ouvir os seus pensamentos, enquanto que é demonstrativo de doença mental acreditar que ele está se comunicando com você por batidas de chuva em código Morse na janela de seu quarto".

As religiões vêm manipulando a sociedade há séculos.




Para ele, apesar de existirem várias formas de obter conhecimento, aceitar mentiras apenas por serem emocionalmente agradáveis não é algo saudável.


“A honestidade é um presente que oferecemos aos outros. Ao mentir, negamos aos outros acesso à realidade. Nossos amigos podem agir com base em crenças falsas, ou falhar em resolver problemas que poderiam ser resolvidos com base em informações verdadeiras. Frequentemente, mentir é lesar a liberdade dos que são importantes para nós.” - Sam Harris

Harris acredita que no contexto de um século XXI, com tecnologias militares de um poder inimaginável, continuar relegando a razão a fantasias religiosas constitui um sério perigo ao futuro da humanidade


Harris centra muitas de suas críticas sobre o estado contemporâneo das coisas religiosas nos Estados Unidos. Preocupa-se de que muitas áreas da cultura americana estão danificadas pelas opiniões que são guiadas pelo dogma religioso. 

Por exemplo, ele cita pesquisas de opinião pública mostrando que 44% dos americanos acreditam que é "certo" ou "provável" que Jesus retornará à Terra dentro dos próximos cinquenta anos, e que o mesmo número percentual de pessoas acredita que o Criacionismo deve ser ensinado em escolas públicas, e que Deus prometeu literalmente a terra de Israel aos atuais judeus.

Quando o ex-presidente estadunidense George W. Bush publicamente invocou Deus em discursos sobre questões de política interna e externa, Harris nos propôs considerar como nós poderíamos reagir se ele tivesse mencionado Zeus ou Apolo na mesma situação.

"Tais opiniões e manifestações sem lógica são frequentemente protegidas contra um criticismo objetivo, o que nos impede de planejar um futuro sustentável e construir uma sociedade realmente global," diz Harris.


Em consideração a moralidade, Harris considera que estamos há muito atrasados para adotarmos o humanismo secular. Harris afirma que a suposta ligação entre fé religiosa e moralidade é um mito, que não está baseado em provas estatísticas. Ele observa, por exemplo, que os países escandinavos, altamente secularizados, estão dentre os mais generosos para com o terceiro mundo.

Harris vai além e coloca que, longe de ser a fonte de nossa boa moral, a religião pode render posições éticas altamente problemáticas. 

Ele cita diversos exemplos, incluindo a proibição da Igreja Católica do uso de preservativos, alegadamente agravando a epidemia global de AIDS, as tentativas feitas por grupos de pressão religiosos estadunidenses para impedir pesquisas com células-tronco, e a natureza punitiva da "guerra contra as drogas" estadunidense. Ele vê nesses exemplos a tendência da religião separar os juízos morais do foco no sofrimento humano real. 

Harris também vê a influência da religião na maioria das leis estadunidenses sobre "vícios". Ele entende que a maioria das leis marginalizando a pornografia, sodomia e prostituição têm, na verdade, a intenção de combater o "pecado", e não o "crime".

Harris sustenta que a moralidade e a ética podem ser estudadas, e melhoradas, sem "pressupor qualquer coisa com base em provas insuficientes". Ele declara que os humanos devem "decidir o que é bom nos bons livros", em vez de derivar o nosso código moral das escrituras. 

Ele elogia a regra de ouro como um ensinamento moral que é "ótimo, sábio, e compassivo". Ele contrasta isso com as passagens bíblicas que declaram que atos como sexo pré-marital, desobediência aos pais e a adoração de "outros deuses" devem ser punidos com morte. 

Harris declara que nós evoluímos em nosso pensamento de uma maneira que nós compreendemos que a Regra de Ouro vale a pena ser seguida, enquanto que outros mandamentos em outras partes da Bíblia não. 

Ele também ressalta que a Regra de Ouro não é exclusiva de uma religião em particular, e que ela foi ensinada por figuras tais como Confúcio e o Buda séculos antes do Novo Testamento ser escrito.



Segundo conta, ao caminhar sobre a montanha onde Jesus proferiu seu sermão das bem-aventuranças, o filósofo americano Sam Harris foi invadido por uma profunda felicidade, que silenciou seus pensamentos. 

A sensação de estar conectado ao cosmos e sua verdade perseguiu o escritor durante aquele verão, enquanto refazia os passos da figura central do cristianismo. 



Se Harris não fosse o autor do livro A Morte da Fé, de 2004, e um dos principais defensores de uma corrente chamada Novo Ateísmo, ele provavelmente diria que vivenciou uma experiência de transcendência religiosa. 


Entretanto, para ele, aqueles dias não passaram de uma expansão da consciência, natural e ordinária. Uma vivência espiritual, mas não religiosa.


Para Harris, que também é doutor em neurociência pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, desligar a espiritualidade das religiões é o grande passo que faltava às doutrinas seculares. 








Livros:
A Morte da Fé

O polêmico livro de Sam Harris, vencedor do PEN/Martha Albrand Award de 2005, ataca os alicerces das religiões dogmáticas, numa contundente denúncia do perigo representado pelo relativismo cultural e pela tolerância aos fundamentalismos. 

Dos atentados suicidas dos terroristas islâmicos à influência de organizações religiosas sobre o governo norte-americano, nenhuma manifestação de irracionalidade relacionada à fé é poupada. 

O autor elenca os horrores da Inquisição, do antissemitismo e das "guerras santas" para iluminar as estruturas arcaicas do discurso religioso, apontando no componente dogmático da crença o principal responsável pelo explosivo "choque de civilizações" que hoje ameaça a existência da humanidade. 

O ateísmo militante de A morte da Fé defende a abolição de todas as religiões dogmáticas e sua substituição pelo autoconhecimento, única saída para o impasse em que o planeta se encontra neste início de milênio.

Carta a Uma Nação Cristã


Poucos anos atrás, seria um ato de enorme coragem declarar-se ateu e afirmar que as crenças religiosas não passam de ilusões infantis, um falso conforto contra a dura realidade do sofrimento e da morte. 

Mais que isso - afirmar que as religiões são maléficas e estão colocando em risco a civilização e a sobrevivência da humanidade.

Sam Harris parte bravamente para o ataque. Sem meias palavras, argumenta contra o suposto bem que as religiões exercem sobre o ser humano, contra a existência de um Deus onipotente e misericordioso, e contra o "Design Inteligente", novo nome dado ao criacionismo pelos conservadores religiosos. 

Simples e bem escrito, o livro conquistou o grande público e ganhou também muitos inimigos. E não poderia deixar de ser - com uma lógica certeira, Sam Harris faz o que poucos têm a coragem de fazer: afirma que todas as religiões são irracionais, e que os devotos religiosos são um perigo para o futuro da ciência e para a sobrevivência da humanidade.


Se você também está preocupado com o excesso de influência da religião na sociedade leiga, se é uma pessoa religiosa mas tem dúvidas quanto à verdade literal da Bíblia, ou se, simplesmente, aprecia o debate racional e uma argumentação bem apresentada, leia este livro. 

Seu modo de pensar nunca mais será o mesmo.


A Paisagem Moral - Como a ciência pode determinar os valores humanos 


Sam Harris é um dos líderes do movimento que prega o abandono da religião em nome da ciência: o Novo Ateísmo, também defendido com veemência por Richard Dawkins, Daniel Dennett e Christopher Hitchens.

Em A Paisagem Moral, o autor pretende demolir de vez a benevolência com que muita gente - cientistas inclusive - aborda a religião, como se a ciência não tivesse o que opinar no plano moral. 

Segundo ele, a neurociência pode sim contribuir na busca pela maximização do bem-estar disseminado que define, em sua visão, o pensamento moral. O universo de decisões que podem ser tomadas é representado no livro por uma paisagem “cujos picos correspondem ao apogeu do bem-estar possível e cujos vales representam o mais profundo sofrimento”. A ciência - em especial no que diz respeito ao funcionamento do cérebro - já pode em parte ajudar a determinar o relevo dessa paisagem e, à medida que o conhecimento avança, essa influência deverá se tornar cada vez mais concreta.

Em capítulos que tratam de verdades morais, do bem e do mal, de crenças, de religião e do futuro da felicidade, Harris descreve resultados de estudos em neurociência que não só definem essa ideia de moral, mas também lançam luz sobre os equívocos e a irrelevância da religião; a seu ver, esta seria antes uma fonte de fanatismo e intolerância - uma argumentação mordaz que tem tudo para arrebatar seguidores e promover debates acalorados.


DESPERTAR: Um Guia para Espiritualidade sem Religião


Neste livro brilhantemente articulado, Sam Harris comprova como a meditação e a prática contemplativa não têm como pré-requisito qualquer tipo de crença “mística” ou de ideias “espirituais”; pelo contrário, para ele a meditação provaria que esses conceitos não existem. 

Harris argumenta que a ideia de “self” é uma ilusão, e conta do seu próprio envolvimento profundo com a meditação, assim como de vários outros aspectos da neurociência e da filosofia. Os capítulos vão até uma longa discussão sobre como a consciência estaria num hemisfério separado do nosso cérebro. 

Ele analisa as tradições religiosas orientais e ocidentais, e conclui que a combinação dos benefícios práticos das religiões orientais com a medicina ocidental dá muito certo. Em suma, um olhar sério e detido sobre como funcionam os mecanismos da meditação e como isso pode servir para aliviar o stress, aproximar as pessoas e ajudar nas batalhas cotidianas.


Um olhar racional sobre como funcionam os mecanismos da meditação e os benefícios que ela pode nos trazer.

Em suma, um olhar detido sobre como funciona a meditação e como ela pode aliviar o stress, aproximar as pessoas e nos ajudar em batalhas cotidianas.


"Frequentemente me perguntam o que substituirá a religião organizada. A resposta, creio eu, é nada e tudo. Nada precisa substituir suas doutrinas ridículas e controversas – tais como a ideia de que Jesus voltará à Terra e arremessará os descrentes em um lago de fogo, ou que morrer em defesa do Islã é o bem mais elevado. Essas ficções são pavorosas e aviltantes. Mas e quanto ao amor, compaixão, bondade e auto-transcendência? Muitas pessoas ainda imaginam que a religião é o verdadeiro repositório dessas virtudes. Para mudar isso, temos de começar a pensar sobre toda uma gama de experiências humanas de uma forma a torná-las livres de dogmas, preconceitos culturais e ideias que anseiam ser melhores do que o que a ciência já é. Meu objetivo em "DESPERTAR" é ajudar os leitores a ver a natureza de suas próprias mentes  sob uma nova luz. O livro se tornou um buscador de memórias, uma introdução ao cérebro, um manual de instrução contemplativo e um desenrolar filosófico do que a maioria das pessoas consideram ser o centro de sua vida interior: o sentimento que chamamos de “Eu”. " Sam Harris

Em seu novo livro, Waking Up (Despertar), recém-lançado, o filósofo mostra que é possível chegar à transcendência e atingir a mais plena felicidade sem se aproximar da essência divina. Mais que isso, indica técnicas, como meditação, respiração e até o uso de alucinógenos, que facilitam o percurso até a espiritualidade dos ateus.

"A espiritualidade deve ser distinta da religião. Pessoas de todos os credos e aquelas que não têm fé alguma têm os mesmos tipos de experiências espirituais. Um princípio mais profundo deve estar em funcionamento", afirma Harris.

É esse "diamante escondido" que o filósofo pretende arrancar das religiões, usando para isso os últimos achados científicos sobre o cérebro e, principalmente, seu ceticismo ferrenho. 

Harris acredita apenas no que pode ser provado por experimentos científicos e, portanto, alma, Deus ou revelações da essência superior não entram na espiritualidade que defende em seu livro. 


Agora, Harris tenta utilizar a razão e a investigação científica para resolver problemas morais, sugerindo a criação do que ele chama de "ciência da moralidade". 

Ele afirma que o bem-estar humano está relacionado a estados mentais mensuráveis pela neurociência e, por isso, seria possível investigar a felicidade humana sob essa ótica - algo com que a maioria dos cientistas está longe de concordar.

A ciência da moralidade substituiria a religião no papel de dizer o que é bom ou mau. Esse 'novo ateísmo' rendeu a Harris e outros três autores proeminentes - Daniel Dennet, Richard Dawkins e Christopher Hitchens - o título de 'Cavaleiros do Apocalipse'.







Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Sam_Harris
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-espiritualidade-sem-deus/

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