quarta-feira, 22 de julho de 2015

A VACINAÇÃO DEVE SER OBRIGATÓRIA?


Apesar de ser crucial para impedir o contágio e de ter eliminado ou controlado a maioria das infecções rebeldes, a vacinação obrigatória ainda suscita polêmica.

Evitam mais de dois milhões de mortes todos os anos, eliminaram terríveis doenças, proporcionam imunidade perante vírus indômitos e protegem mesmo aqueles que desconfiam delas. 

Podia-se dizer o mesmo de qualquer super-herói da ficção científica, mas as vacinas, além de reais, são fruto de anos de investigação científica. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), constituem uma das intervenções mais importantes no âmbito da saúde pública: “Além dos milhões de óbitos anuais que contribuem para evitar, também podem impedir dois milhões de disfunções adicionais em crianças menores de cinco anos”, assegura Alison Brunier, porta-voz para a área de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS.


No entanto, desde finais do século XVIII, quando o médico inglês Edward Jenner criou a primeira vacina contra a varíola, há quem se oponha à aplicação do tratamento preventivo. 

Entre os opositores, não faltaram (nem faltam) cientistas. É o caso de Andrew Wakefield, um médico britânico que publicou, em 1998, uma investigação recentemente classificada pela revista British Medical Journal (BMJ) como sendo uma esmerada fraude, na qual relacionava a vacina tripla viral (contra o sarampo, a rubéola e a papeira) com o autismo.

Em 2010, após uma longa investigação do Conselho Geral dos Médicos (CGM) do Reino Unido, que decidiu expulsar o clínico para “proteger os pacientes e para bem do interesse público”. No seu parecer sobre o caso, o CGM explicava que o médico recrutara para a investigação um grupo de crianças numa festa de aniversário e que lhes pagara cinco libras para extrair uma amostra de sangue. No fim, concluía que Wakefield abusara da sua posição de confiança como médico, algo que conduzia ao descrédito da profissão.

Para além das questões jurídicas envolvidas, o médico colocara em questão a segurança das vacinas. Embora o relatório que publicou tivesse sido refutado, as dúvidas que semeou continuam a pairar hoje em dia. 

Nos Estados Unidos, porém, a vacinação de crianças é tema que ainda causa alguma polêmica, com alguns quadrantes da sociedade sugerindo que as vacinas podem provocar atrasos no desenvolvimento e, até, autismo.


O Governo dos EUA sempre negou a ligação entre autismo e vacinas. No entanto, o governo americano secretamente recompensou no Juizado Especial da Vacina mais de 83 famílias com crianças autistas, admitindo desta forma a correlação entre autismo vacinas.


As críticas dos antivacinas baseiam-se sobretudo na obrigatoriedade da imunização em certos países, pois consideram que ela atenta contra as liberdades individuais. 

É o caso de Jane Orient, médica e membro do grupo norte-americano Pandemic Response Project, que pretende reformar a legislação dos Estados Unidos sobre cuidados de emergência a fim de que os cidadãos possam se recusar a seguir os trâmites: “Os pacientes têm o direito de decidir e não se pode os obrigar a assumir riscos, como lesões cerebrais para toda a vida, com a desculpa de permitir à população obter imunidade colectiva perante uma doença”, diz.


Nos últimos anos, a repercussão dos antivacinas tornou-se ainda maior, devido ao apoio de algumas celebridades. Tal como assinala o oncologista e cirurgião David Gorski num artigo publicado em Science-Based Medicine, 2008 foi o melhor ano para o movimento antivacinas, graças ao fato de da atriz Jenny McCarthy assegurar que o filho era vítima de autismo devido à vacina contra o sarampo.

Gorski considera que, por causa dela e, talvez ainda mais, devido ao poder mediático de Carrey, os antivacinas conseguiram uma notoriedade nunca antes alcançada.




Agora no mês de julho de 2015, o comediante Jim Carrey qualificou o governador de Califórnia de "um fascista corporativo" por ter aprovado uma lei que obriga todas as crianças a serem vacinadas. Carrey se revoltou  e criticou a lei imposta pelo governo da Califórnia que  torna obrigatória a vacinação de crianças independente de crença religiosa ou questões pessoais dos pais.

Em uma sequência de tuítes, Carrey disse que não é contra a vacina em si, mas alegou que as vacinas que são defendidas pelo Estado contêm "neurotóxicos", entre eles, o mercúrio.


“O governador da Califórnia disse sim para o envenenamento de mais crianças com mercúrio e alumínio em vacinas obrigatórias. Esse fascista corporativo tem que ser parado”, publicou Jim.

Carrey seguiu com várias postagens em sua rede social, falando que o conservante utilizado em vacinas e em  alguns medicamentos, chamado timerosal, tem mercúrio na composição e que isso é altamente perigoso para as crianças.

“Eles dizem que mercúrio no peixe é perigoso, mas forçar nossos filhos a serem injetados com o mercúrio presente no timerosal não tem risco. Faz sentido? Não sou anti-vacina. Sou anti-timerosal, anti-mercúrio”.



A luta de Carrey contra as vacinas existe há anos. Jim integra um movimento que combate vacinas que contenham timerosal desde o nascimento de seu filho com Jenny McCarthy, que tem autismo, pois acredita que a substância foi a responsável pelo fato do pequeno Evan ter nascido autista. 


"Tudo o que pedimos é que tirem os neurotóxicos das vacinas. Deixem-nas livres de toxinas. A história demonstrará que é uma solicitação razoável", escreveu Carrey.

O governador Jerry Brown assinou uma lei que requer que todos os menores sejam imunizados antes de começar o jardim da infância —a menos que um médico prescreva o contrário—, em resposta a um surto de sarampo que pôs em xeque as autoridades sanitárias no final de 2014.


A medida de Brown teve o apoio de republicanos e democratas depois que o surto de sarampo, em dezembro, na Disneylândia afetou 130 pessoas. No total, foram registrados 159 casos de sarampo entre janeiro e abril em 18 estados e a capital americana.

Não é mistério nenhum por que isso está acontecendo: cada vez mais, uma porcentagem perigosamente alta do pais estão escolhendo não vacinar contra uma doença que tem matado mais crianças do que qualquer outra na história.

Esta doença viral diminuía há anos graças aos programas de vacinação do país, mas voltou depois de que alguns país deixaram de vacinar seus filhos, devido a crenças —infundadas, segundo os cientistas— de que podem causar autismo.

Apesar disso, Jim sempre se posicionou contra vacinas que contenham timerosal por acreditar que a substância foi a responsável pelo autismo de Evan.

A Califórnia se transformou assim no 32º estado americano que põe fim à isenção de vacinação por crenças pessoais. Os CDC sustentam que não há relação entre as vacinas e o autismo e que a maioria das vacinas distribuídas nos Estados Unidos para as crianças não contêm mercúrio ou timerosal. 


A questão levantada por parte da sociedade americana é se o governo tem direito de interferir de forma tão "totalitária" nas decisões dos pais, quanto a saúde de seus filhos. Independente da polêmica cientifica, fica em cheque a liberdade de crenças e de escolhas.






Fonte:http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=662:vacinas-nao-obrigado&catid=3:artigos&Itemid=77
http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2015/07/1650365-jim-carrey-diz-que-ordem-californiana-de-vacinar-criancas-e-fascista.shtml

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