segunda-feira, 1 de junho de 2015

ESPIRITUALISTAS



* Atendendo solicitações de nossos leitores, segue complemento da postagem "ESPIRITUALISMO" de 31/05/2015




Ser espiritualista é ser um “cientista”, um pesquisador e autopesquisador  da consciência, sem perder o sentimento e a afetividade. 

É não se perder na intelectualidade vazia, teórica, arrogante e vaidosa. É trocar a fé cega pela serena convicção íntima. É ser supra-institucional, ou seja, universalista, e estar acima de linhas de pensamento, ciências limitadas, misticismos ignorantes, dogmas, rituais,  filosofias arcaicas, doutrinas estreitas, rótulos iniciáticos e linguajar preconceituoso. 




É ser cobaia consciencial de si mesmo, é ser pesquisador (sujeito), pesquisado (objeto) e pesquisa (ação, observação).

O espiritualista é um estudioso de si mesmo. Busca o auto conhecimento, a unicidade com o universo, a transcendência do ego, a unidade!

Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. 




Também indica a condição de que nada, nem o universo ou a natureza, por mais simples que sejam, são separados ou distantes; ao contrário, o todo está unido.

O espiritualista é uma estudante da verdade, que se dedica à descoberta do que é útil e que faz o bem "ao outro", em oposição a simples aparência ou modismo. 

O Espiritualismo é o oposto do materialismo, que afirma não existir nada além da matéria. 

Ele estuda "o que existe e sempre existiu", em oposição ao que é "transitório". Entende que alguns conceitos são débeis e que só podem ser entendidos se a verdade estiver contida na fonte, a causa primeira e eficiente de toda e qualquer ordem, harmonia, beleza e bondade que preenchem este universo.




Todo espiritualista sabe e procura viver segundo a máxima de que existe uma realidade além da matéria. 

Chame-se tal realidade de plano espiritual, energia, luz ou outro nome, o que está em jogo para o espiritualista é o exercício permanente da consciência de que aquilo que se apresenta diante dele, no dia a dia do plano físico, nada mais é do que uma capa que oculta uma realidade mais sutil, não imediatamente acessível aos sentidos físicos do ser humano.

A consciência da transitoriedade do material e da continuidade do espiritual é a grande força do espiritualista, que permite a ele alcançar regiões de liberdade, beleza e esperança, mesmo em momentos de grande provação.

O espiritualista mais lúcido, atingiu esta consciência por experiências pessoais cabais e intransferíveis, e, defensor da liberdade de percepção de cada um, não sente necessidade de convencer ateus, materialistas, agnósticos e céticos da existência desta outra realidade. Sabe que o momento de percepção de cada ser virá no seu devido tempo.




Preocupa-se mesmo é em continuar aprimorando o seu próprio espírito, pois uma vez revelada a ele esta outra realidade, percebe o quão pequeno é diante da vastidão do universo e da infinitude de experiências que, abertas à sua frente, convidam-no a evoluir sempre mais.

A capa material – nossos corpos e objetos do mundo físico – é, para o espiritualista, uma manifestação do mesmo princípio vital que anima os planos mais sutis. 

Ela não é exatamente ilusória, no sentido de que não cabe renegar o seu peso e a sua necessidade para os aprendizados evolutivos pelos quais precisamos passar. O que é ilusório, na verdade, é acreditar que a matéria se encerra em si mesma e permanecerá sempre igual; que nossa existência se resume ao que conhecemos hoje e que continuará a ser como é indefinidamente.


Seguindo o princípio da vigilância de si, busca conhecer suas próprias fraquezas, encará-las de frente e dominá-las, subjugando-as a uma natureza superior que também o habita: aquela que fomenta a união, o amor desinteressado e tudo que é engrandecedor e construtivo.





O espiritualista tem no olhar a capacidade de decantar a essência das coisas, reconhecendo aquilo que é eterno dentro daquilo que é transitório. Percebe que, do ponto de vista da matéria, mesmo a mais bela flor um dia fenecerá; enquanto que, do ponto de vista espiritual, a beleza dos objetos, seres e experiências emana de uma luz imperecível, que jamais pode ser apagada.

"O Universo" é verdade e conexão;  ser espiritualista não é algo misterioso ou atraente. Platão foi um grande intelectual e intérprete do mundo, o maior filósofo da era Pré-Cristã, refletindo fielmente em suas obras, o espiritualismo. Ele não enfatizou as crenças ou superstições populares, tampouco racionalizou qualquer concepção metafísica.



O espiritualista não é uma pessoa que vive no mundo do secreto, mas discreto. Cada um inicia-se, sem necessariamente seguir uma regra, mas faz questão de reinventá-la.

Não existe limitação, cada um está sempre atento a corrigir os erros que pratica para melhorar como ser humano.

A idéia de ser aristocrático ou pedante está fora de cogitação. Ao contrário, o espiritualista é uma pessoa simples e desprovida de preconceitos.


Não existe a pretensão de salvar a humanidade, pois acredita que nada há para ser salvo. Para os espiritualistas, já somos em essência seres perfeitos, divinos, seu objetivo é reacessar essa verdade interior.


O espiritualista é um "viajante celeste" com os pés no chão. Uma pessoa serena, segura intelectualmente e espiritualmente, deixando de lado qualquer tipo de julgamento, levando a vida da maneira mais serena possível.

É viver no Paradigma Consciencial, acima dos livros, autores, médiuns, projetores, canalizadores, templos, instituições, paranormais, avatares: questionando tudo.


É procurar arriscar a crescer e tocar sua empreitada consciencial sozinho, do que pegar o vácuo confortável de outros. É compreender que o encontro com si mesmo não precisa de intermediários, que essa jornada, só podemos fazer sozinhos.





É não se deixar levar pela patologia social generalizada, pelo rolo compressor das futilidades, idiotices tão comuns, aceitas e arraigadas nas mentes materialistas e fúteis, sedentas de emoções exteriores, densas e vivências efêmeras, fugindo de si mesmo.


Ser espiritualista é não possuir qualquer preconceito, conseguindo falar qualquer linguagem, sem se deter em apenas uma delas. É não possuir apenas uma linha de pensamento como fonte de pesquisa e reflexão, estudando todas elas, não vivenciando apenas uma ciência, mas auto-experimentando todas elas, sendo receptivo às conclusões e vivências dos outros, mas priorizando a sua própria, com coragem para discordar.




É seguir seu próprio caminho com o corpo mental projetado no cosmos e os pés fincados nas suas vivencias, sem necessidade da fuga do místico ou do ego “importante” do pesquisador consciencial.


Ser espiritualista é jamais se sentir superior, mais importante, especial, seja para seu próprio umbigo, seja para seu grupo,  seja para a sociedade e a humanidade em geral. O espiritualista tende a ser uma minipeça de um macromecanismo. 

É não seguir nada e nem ninguém, pois bebe da fonte extrafísica de onde veio, sem se viciar nas muletas conscienciais (por exemplo, cristais, incensos, religiões, seitas, filosofias, rituais, ornamentos místicos, metodologias e procedimentos escravizantes).


Ser espiritualista é ser transdisciplinar, sobrepairando todas as linhas e ciências, com uma visão de conjunto holística e integral de todas elas, enxergando as contradições e observando os paradoxos, se mantendo ao largo das disputas evolutivas, das fugas da realidade em escala individual e coletiva e das paixões ignorantes e exacerbadas.

É não temer a morte, por saber que ela não existe. É não temer as passagens e mudanças, pois passamos para o lado de “lá”, mudamos para o lado de “cá”, estamos aqui de passagem e, quando “lá” estivermos, será também de passagem. Para o espiritualista, a vida é uma eterna rodoviária, ou, talvez melhor, um eterno aeroporto, onde se entra e sai de corpos transitórios, nas “decolagens e aterrissagens” existenciais.






Religiosos e espiritualistas são muitos; espiritualizados, muito poucos.



4 comentários:

  1. Qual a diferença entre Espíritas e Espiritualistas?

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  2. Espíritas
    São aqueles que seguem a teoria codificada de Allan Kardec, o espírita como é chamado, defende a existência de espíritos eternos e as comunicações entre os planos espirituais ( mundo invisível) e o plano físico ( mundo visível).
    Espiritualista
    São todos aqueles que acreditam na existência de um mundo além da matéria, mundo místico, sem participar ou vincular-se a nenhuma religião ou doutrina. Crê em algo além do mundo físico, acredita também numa conexão entre nossa essência e tudo no universo.

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  3. Excelente texto muito esclarecedor, bem legal! Parabéns!

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  4. "O espiritualista tem no olhar a capacidade de decantar a essência das coisas, reconhecendo aquilo que é eterno dentro daquilo que é transitório. Percebe que, do ponto de vista da matéria, mesmo a mais bela flor um dia fenecerá; enquanto que, do ponto de vista espiritual, a beleza dos objetos, seres e experiências emana de uma luz imperecível, que jamais pode ser apagada." - Cecy - Lazully Blue

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