sábado, 21 de fevereiro de 2015

OS SEGREDOS OCULTOS DA CAPELA SISTINA



É bastante comum que os artistas incluam elementos simbólicos em suas obras, transmitindo, dessa forma, uma série de informações através de imagens. No entanto, “traduzir” esses códigos secretos nem sempre é uma tarefa fácil, e é necessário ter os olhos bem treinados — e às vezes quebrar a cabeça — para poder identificá-los.

Um livro publicado pelo restaurador argentino Silvio Goren, "Los mensajes ocultos de Miguel Ángel en el Vaticano", levanta dezenas de perguntas sobre a obra de Michelangelo na Capela Sistina, assim como supostas mensagens ocultas. 

Será que a obra do gênio renascentista era uma reação contra o poder absoluto da Igreja Católica de sua época? Será que sua pretensão era colocar o homem acima das divindades ou a ciência como doutrina superadora da religião? Que mensagem ele quis deixar através de sua obra?


Silvio Goren, que já foi professor de Licenciatura em Conservação e Restauração de Bens Culturais do Instituto Universitário Nacional de Arte, na Argentina, afirma que “Michelangelo pintou a Capela Sistina no século XVI, uma época em que tanto a religião quanto a ciência acreditavam deter a verdade absoluta”. 

Entre algumas das várias hipóteses, o autor do livro explica que, no centro do teto da Capela Sistina, Michelangelo pintou nove cenas narradas no livro de Gênesis. 

De todas elas, a mais conhecida é A Criação de Adão, uma cena que representa o precioso instante em que Deus dá vida ao primeiro homem, de acordo com o judeu-cristianismo. 

Essa é a impressão à primeira vista, mas, segundo a pesquisa de Goren, por sua vez baseada na teoria que Frank Lynn Meshberger publicou na década de 90, existe algo oculto nessa imagem: o manto que cobre a figura de Deus se assemelha ao formato de um cérebro humano, incluindo artérias, glândulas e nervos óticos, da perspectiva de um corte lateral. 



Em outra cena, A Separação da Luz e das Trevas, há, no pescoço de Deus, uma representação muita precisa da medula espinhal e de um tronco cerebral.


Todos os dias, milhares de turistas visitam a Capela Sistina, no Vaticano, a mais famosa igreja católica do mundo. Independentemente do credo, saem maravilhados - e com uma ligeira dor no pescoço. 

Pintados pelo gênio da Renascença Michelangelo Buonarroti (1475-1564), seu teto e altar retratam pelo menos 300 figuras bíblicas. É tudo tão detalhista e tão magnificamente realizado que é preciso um bom guia para identificar os sete apóstolos e cada uma das nove passagens do Antigo Testamento ali representadas. 

No centro da composição está a criação do homem, com a marca registrada de todo o conjunto: o momento em que as pontas dos dedos de Deus e de Adão se tocam. Por mais de cinco séculos muitos passaram horas observando esse afresco. E viram mais do que cenas religiosas. 

Um médico americano, por exemplo, também enxergou ai a forma de um cérebro. Agora, dois estudiosos sustentam que Michelangelo fez também insultos à Igreja de sua época por meio de sua obra mais conhecida e inscreveu em meio a essa majestosa glorificação do cristianismo ensinamentos divulgados pela cabala, que responde pela parte mística do judaísmo. 

Além do argentino Silvio Goren, o rabino americano Benjamin Blech e o especialista em assuntos judaicos Roy Doliner, sustentam que há mensagens ocultas deixadas por Michelangelo, em toda Capela Sistina



Suas revelações estão expostas em minúcias no livro "Os Segredos da Capela Sistina - As Mensagens Secretas de Michelangelo no Coração do Vaticano" , um livro que compete com qualquer obra do escritor americano Dan Brown, autor de "O Símbolo Perdido" e do popularíssimo "O Código Da Vinci".

Muita gente, aliás, tem apelidado as especulações da dupla americana de "O Código Michelangelo", tamanha a lista de mensagens cifradas que eles acreditam ter descoberto no teto da capela. 

Logo na entrada estaria a primeira charada: o retrato do profeta Zacarias (que traz as feições do papa Júlio II, o contratador de Michelangelo) o mostra sendo "praguejado" pelas costas por dois anjos - a garantia disso é que um deles faz figa com a mão direita e esse gesto seria na época o equivalente ao nosso dedo médio em riste. 

A animosidade de Michelangelo em relação ao papa Júlio II não é inventada. Sua Santidade praticamente obrigou o artista a aceitar a encomenda de pintar os afrescos, arte que, segundo ele, que se considerava antes de tudo um escultor, não dominava. Imagine, então, se ele a "dominasse".


As especulações mais arriscadas de Blech e Doliner, contudo, acontecem em relação às passagens bíblicas: elas fariam uma defesa veemente dos judeus, na época considerados cidadãos de segunda classe, especialmente por serem acusados pela morte de Jesus Cristo. 



Ao retratar a luta de Davi contra o gigante Golias, Michelangelo teria mostrado o combate dos guerreiros numa composição que reproduzia uma importante letra do alfabeto hebraico - o caractere conhecido como "guimel", que significa força. O mesmo acontece na cena em que a viúva Judite carrega a cabeça de Holofernes, chefe do Exército helênico, invasor da Palestina. Pode se identificar a forma do caractere "het", princípio feminino do cuidado e da proteção. 

Outra letra hebraica, "bet" (primeira letra do "Torá", os cinco livros sagrados de Moisés, cuja acepção mais importante é "casa de Deus"), aparece na posição das mãos do profeta Jonas. Segundo os estudiosos americanos, o conhecimento que Michelangelo tinha da cultura judaica viria do contato que ele teve com sábios como Marsilio Ficino e Pico della Mirandola, do círculo do mecenas Lorenzo de' Médici, que recebera o artista aos 13 anos em seu palácio em Florença. 

Eles eram especialistas na cultura hebraica e teriam passado para o garoto os fundamentos do "Torá", da "Cabala", do "Talmude" e do "Midrash", as quatro formas de explicação dos textos bíblicos. 



A prova mais cabal da simpatia de Michelangelo por esse povo desgarrado seria a representação de Aminadab, homem de "devoção sincera", com um círculo amarelo na manga esquerda de sua túnica. Trata-se do distintivo de vergonha que os judeus eram obrigados a usar para serem distinguidos dos "bons cristãos" e que mais tarde foi adotado pelos nazistas sob a forma da estrela de Davi.

Em meio aos afrescos que pintou no teto da Capela Sistina, no Vaticano, Michelangelo Buonarroti espalhou ossos, nervos, músculos, vísceras, artérias e órgãos humanos que permaneceram ocultos desde 1512, quando o gênio renascentista concluiu o trabalho encomendado pelo Papa Julio II. 



Dois pesquisadores Brasileiros da Unicamp, também conseguiram identificar e decifrar um código criado pelo artista para revelar as peças anatômicas pintadas de forma velada nas imagens principais. O resultado do trabalho, surpreendente tanto pelo lado científico como no aspecto artístico, está no livro “Arte Secreta de Michelangelo: uma lição de anatomia na Capela Sistina”, que o médico Gilson Barreto e químico Marcelo Ganzarolli de Oliveira.
A identificação de estruturas anatômicas ocultas na obra de Michelangelo não chega a ser uma novidade, mas a descoberta dos dois brasileiros traz fatos novos que podem mexer com o mundo da ciência e das artes. 

Em 1990, o neurologista norte-americano Frank Lynn Meshberger publicou um artigo no “Journal of the American Medical Association” descrevendo uma analogia entre o cérebro humano e “A criação de Adão”, uma das principais cenas no teto da Sistina. 

Dez anos depois, foi a vez do nefrologista Garabed Eknoyan, também dos Estados encontrar o formato de um rim no manto da figura do Criador em “A separação das águas e da terra”, no artigo publicado no jornal científico “Kidney International”. Ambos, porém, não foram além desses casos isolados e o tema perdeu força no meio acadêmico.



O trabalho dos dois brasileiros promete reacender o debate em torno do assunto, trazendo ao centro das discussões uma descoberta inédita em pelo menos dois aspectos: primeiro, a identificação de um código secreto para revelar as peças anatômicas ocultas. 

Até hoje, ninguém havia atentado para isso. Segundo, o fato desse código estar presente em todas as cenas pintadas no teto da capela. Na interpretação dos autores, isso afastaria por completo a hipótese de tudo não passar de mera coincidência ou ilusão de ótica. Essas duas novidades, por si só, podem dar novo rumo ao estudo da obra e do perfil psicológico de um dos maiores gênios da Renascença. 

"Para nós, está claro que Michelangelo deixou pistas apontando para os órgãos humanos que ele quis destacar de forma velada nos afrescos”, afirma Barreto. 

Segundo ele, Michelangelo utiliza vários recursos para deixar evidente essa intenção. No livro, defendem a tese de que o conjunto de pistas está presente não apenas dentro da cena como também em seus adornos.

Dentro das cenas, os pesquisadores mapearam pelo menos quatro fatores que podem conter o código secreto: a posição das figuras, que muitas vezes expõem a parte do corpo que Michelangelo “camuflou” em algum outro ponto (na maioria dos casos, nas dobras das vestimentas); a direção de seus olhares (em alguns casos, os personagens estão olhando para a parte do corpo que corresponde à estrutura anatômica oculta no conjunto da cena); o movimento das mãos, que costumam apontar a peça anatômica escondida; e a região do corpo em que há maior luminosidade. 

Nos adornos, os autores chamam a atenção para os ignudi (homens nus), que freqüentemente imitam a posição da figura principal, evidenciando a estrutura oculta; os querubins, que indicam com as mãos a peça anatômica camuflada; os nichos em que foram pintados pares de escravos, nos quais os ramos mais evidentes apontariam, no corpo do escravo, a região correspondente ao órgão escondido.

Decifrando esse código, os autores identificaram 32 peças anatômicas espalhadas pelo teto da Capela Sistina. Algumas são mais evidentes enquanto outras exigem o olhar treinado de um anatomista para serem identificadas. 



Uma das cenas mais fáceis de serem decifradas é “A criação de Eva”, onde o manto de Deus corresponde à estrutura de um pulmão. A pista, nesse caso, é o tórax de Adão aberto do lado esquerdo. “Se fizermos uma incisão como aquela enxergaremos a lateral do pulmão exatamente da forma como está pintado o manto de Deus”, explica Barreto. Na mesma cena, o tronco de árvore sobre o qual Adão repousa representa uma forma muito semelhante à de um segmento de árvore brônquica. “Concluímos, portanto, que essa estrutura complementa a representação do pulmão”, diz Barreto. 

Outra imagem que chama atenção é a figura do profeta Joel. Desta vez, segundo os pesquisadores, Michelangelo conseguiu reproduzir o osso temporal direito, incluindo as estruturas do ouvido, como o poro acústico externo, o arco zigomático e a emergência do nervo facial. 

Na cena, Joel aparece lendo uma carta estreita e comprida, enrolada apenas na mão direita, sendo que a outra extremidade, na mão esquerda, é pontiaguda. Comparando a pintura com a lateral direita de um crânio humano, pode-se concluir, de acordo com os autores, que a carta, na verdade, corresponde ao arco zigomático e à emergência do nervo facial, enquanto a estrutura triangular na qual Joel apóia o braço direito representa o poro acústico externo. Já o manto sobre as costas e braços do profeta delimita o contorno superior do osso temporal em forma de arco.



Há, porém, segundo os autores, cenas em que aparecem estruturas anatômicas mais complexas, nas quais o pintor revela enorme capacidade criativa aliada a um profundo conhecimento sobre anatomia. 

No quadro “O sacrifício de Noé”, por exemplo, o artista teria desejado mostrar as articulações do punho. O feixe de lenhas carregado por uma das figuras em pé seria a representação do feixe de tendões que compõem essa parte do corpo. “Cada tora de madeira equivale a um tendão”, diz Barreto, acrescentando que o braço direito da figura corresponde à fáscia que cruza transversalmente o feixe de tendões. Nesse caso, uma das pistas é a figura de um jovem em primeiro plano que entrega as vísceras de um carneiro a outro jovem. Nesse gesto ele aparentemente examina o punho daquele que recebe as vísceras.

Outra imagem que revela estruturas anatômicas complexas aparece no quadro “O pecado original”. Nesta cena, em que os personagens aparecem cometendo o pecado original e em seguida sendo expulsos do paraíso, os autores identificaram um complexo sistema de artérias. Segundo Barreto, um pequeno tronco junto ao dorso de Eva é uma descrição precisa do arco aórtico com as coronárias emergindo da base, o tronco braquicefálico, artéria carótida comum, artéria carótida interna e externa. As pistas que indicariam a intenção do pintor estariam no anjo que, ao ordenar a expulsão do casal, aponta a espada para a região cervical de Adão, que estica o pescoço, flexionando a cabeça para a esquerda.






Fonte:http://seuhistory.com/noticias/livro-menciona-mensagens-escondidas-que-michelangelo-teria-deixado-na-capela-sistina
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/cientistas-revelam-segredos-de-michelangelo-na-capela-sistina/n1237696707910.html
http://www.terra.com.br/istoe-temp/edicoes/2083/imprime153731.htm
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2004/ju256pag12.html

2 comentários:

  1. Muito boa essa sua postagem,parabéns! ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seja Bem Vinda amiga Ana Tereza Andrade!

      A sua satisfação é a nossa alegria...

      Nossos Agradecimentos e Abraços!

      Excluir