sábado, 7 de fevereiro de 2015

O OVO CÓSMICO



Ao longo de milhares de anos as pessoas interrogaram-se acerca do Universo. 

Terá ele um limite fixo? Ou será que tem vindo a contrair-se e/ou a expandir-se? No passado, no presente e no futuro? E de onde surgiu? Terá havido um momento de criação, tal como refere o Criacionismo? Ou o Universo sempre terá existido como alvitraram muitos filósofos? 

Durante vários séculos, as mais brilhantes mentes da Cosmologia tentaram resolver questões como estas, as quais foram sendo respondidas de formas diversas, sobretudo de carácter religioso ou filosófico.

A Cosmologia moderna, porém, assenta em bases físicas e matemáticas sólidas, para que se possam estabelecer, com rigor, equações e leis que descrevam quantitativamente a evolução do Universo. 


Segundo o astrofísico Lemaître, o Universo surgiu de uma “singularidade”, um “ovo cósmico” como lhe chamou. 



Geralmente consideravam que o ovo eclodira depois dum longo período de repouso, ou caos.

Alguns falam das forças criativas no interior do ovo em repouso, e esta ideia, curiosamente, de certo modo vem ao encontro do que hoje se pensa sobre o vácuo absoluto e as suas forças potenciais que, sem que se saiba porquê, a um dado momento se põem em ação, como terá acontecido no Big Bang – o eclodir do "ovo cósmico".

Confirmada a observação de que o Universo se expande em todos os sentidos, os cientistas passaram a levantar a hipótese de que as milhões de galáxias que povoam os céus tenham surgido a partir de uma fantástica explosão cósmica, segundo essa hipótese, os corpos celestes de hoje são produtos da transformação física dos fragmentos daquilo que explodiu no Big Bang que originou o universo. E essa explosão teria ocorrido há cerca de 20 bilhões de anos atrás. 



O que hoje nós chamamos de galáxias, surgiram à partir de um mesmo ponto, de um provável bloco de matéria original. A mesma proposta do astrofísico belga Georges Lemaître, que acreditava que no passado remoto, o Big Bang teria originado todo o Universo.


Naquela matéria original, que deve ter existido no centro do espaço cósmico, certamente estiveram reunidos todos os prótons, nêutrons e elétrons que hoje existentes em qualquer parte do Universo. Essa massa ainda não teria a estrutura atômica ou molecular. Essa matéria teria sido batizada pelo astrofísico Milne de Ylem, que quer dizer “ventre gerador”. 


Posteriormente, foram vários os cientistas – Gamow, Alpher e Herman, Dicke e Peebles, Penzias eWilson – cujos estudos permitiram acumular evidências que muito contribuíram para a consolidação da Teoria do Big Bang. Salienta-se a descoberta da radiação cósmica de fundo, o traço “fóssil” do BigBang.



A grande forma oval representa o Ovo Cósmico, ilimitado, local de nascimento do Universo Manifestado finito, limitado, representado pelo grande círculo esférico. Nele surgiram pelo movimento ativo, os dois movimentos energéticos contrários. 

O primeiro movimento centrípeto, positivo girando no sentido horário, o segundo centrífugo, negativo girando no sentido anti-horário. 

Ambos os movimentos estão representados dentro do grande círculo, pelos dois círculos menores cujas forças entrelaçadas formam o Ovo Finito, sendo certo que o ponto central fez manifestar a matéria-energia finita representadas pelos dois triângulos, mas ainda não entrelaçados, numa forma de hexágono.



O ovo é um símbolo que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, pode-se dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este "ovo cósmico" aparece depois de um período de caos. 

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o "Sopro divino"), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao céu e a terra - simbolicamente é possível ver o céu como a parte leve do ovo, a clara, e a terra como outra mais densa, a gema. 



Nos mitos védicos, o criador do mundo, Purusha nasce  do ovo cósmico. Para a cosmogonia hindu, o deus supremo, Vishnu repousa sobre uma serpente cósmica sem fim. Do seu umbigo, sai a flor de lótus e dela emerge Brahma, o deus criador, o princípio absoluto de tudo.


Para os hindus o ovo cósmico é posto por um enorme pássaro dourado, enquanto no mito de criação finlandês, a deusa Ilmatar, a Criadora que flutuava sobre as águas primordiais, abrigou sobre seu ventre um ovo posto por um grande pássaro e que, ao quebrar, formou o céu e a Terra.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang). 



Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros. 

Na cosmologia da Deusa, o ovo é um símbolo universal da criação do mundo pela Grande Mãe, manifestada como uma Deusa Pássaro. 

Os antigos egípcios consideravam o Sol como o ovo dourado posto pela deusa Hathor, na sua manifestação como A Gansa do Nilo. Nos rituais egípcios, o próprio universo era visto como o ovo cósmico criado no início dos tempos.



Para os egipcios Nyx, um negro espírito alado, levantou-se do Vazio do Caos para deitar o ovo cósmico de prata contendo o dourado espírito alado do amor, Eros, também conhecido como Phanes – o Revelador, cuja beleza radiante iluminou a Terra. Nyx, a Mãe Noite primal, dentro de seu reino estrelado também deu à luz as Fates (Destinos), as Hespérides, as Fúrias e Nêmesis.


Os mitos gregos associavam diversas deusas com o ovo cósmico, por exemplo Leto, que chocou um ovo misterioso do qual nasceram Apollo, representando o Sol, e Ártemis simbolizando a Lua. O historiador Hesíodo relata como a Mãe da Noite (o vazio ou abismo cósmico, o espaço infinito), que antecedeu à criação e gerou todos os deuses, criou o Ovo do Mundo e de suas metades surgiram o céu e a Terra. Em outra versão, deste ovo (identificado com a Lua) surgiu Eros (o amor), que colocou o universo em movimento e contribuiu para a proliferação da vida..


Alguns povos indígenas também acreditam que o mundo surgiu de um ovo cósmico.



Os ovos são símbolos da Lua, da Terra, da criação, do nascimento e da renovação. A iniciação nos Mistérios Femininos é vista como um renascimento, análogo ao ato de sair da casca. O círculo, a elipse, o ovo, o ventre grávido são símbolos da plenitude misteriosa da gestação e da criação. O centro de um círculo é um espaço protegido e seguro, semelhante à escuridão do ventre e do ovo.

Inúmeras estatuetas representam as deusas neolíticas associadas com a Lua ou o ovo. No folclore de vários povos europeus existem crenças ligadas ao ovo, considerados símbolos de fertilidade, humana ou animal. 


A divinação com ovos – chamada de ovomancía - era praticada pelas mulheres europeias nos Sabbats Samhain, Yule ou Litha, deixando cair em um copo com água a clara e fazendo vaticínios pelas formas criadas.




Em tempos modernos, voltamos ao astrofísico belga Georges Lemaître com a ideia de que o Universo teve início num único átomo, a que chamou "átomo primordial" ou "ovo cósmico".






Um comentário:

  1. Vejam isto
    http://ancientufo.org/2015/04/the-unexplained-portuguese-cosmic-egg/

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