domingo, 22 de fevereiro de 2015

LUZES DO MUNDO - SHIRIN EBADI


Shirin Ebadi - A Voz Feminina em Favor dos Direitos Humanos


Shirin Ebadi (Hamadã, 21 de junho de 1947) é uma advogada, ex-juíza e ativista dos direitos humanos. Em 10 de outubro de 2003, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo significativo e pioneiro esforço pela democracia e direitos humanos, em especial direitos de crianças, mulheres e refugiados. Foi a primeira cidadã iraniana e a primeira mulher muçulmana a receber um Nobel.

Em 2009, o prêmio teria sido confiscado pelas autoridades iranianas, alegação desmentida pelo governo de Teerã. Se verdade, ela teria sido a primeira laureada na história do Prêmio Nobel a ter seu prêmio confiscado.

Desde junho de 2009, Ebadi vive exilada no Reino Unido por causa da crescente perseguição aos cidadãos iranianos críticos do regime de Teerã.



Shirin Ebadi nasceu em Hamadã, onde o seu pai, Mohammad Ali Ebadi, era um renomado professor de Direito Comercial. A sua família mudou-se para Teerã em 1948.

Em 1965, foi admitida no curso de Direito da Universidade de Teerã e em 1968 concluiu a licenciatura. Em março de 1969 tornou-se a primeira mulher iraniana a ser nomeada juíza. Prosseguiu os seus estudos na Universidade de Teerã, tendo concluído um mestrado em 1971. 

Em 1975 tornou-se na primeira mulher iraniana a exercer o cargo de juíza, chegando a presidir o tribunal de Teerã. 

A crescente islamização do país, com a passagem de uma ditadura laica para um regime teocrático e o culminar na revolução islâmica de 1979, fez dela uma resistente.

Ayatollah Khomeini, considerando que "a magistratura é incompatível com o carácter demasiado emocional das mulheres", forçou-a abandonar o cargo. Ela e outras mulheres foram destituídas da magistratura e apenas lhes foi permitido realizar trabalhos administrativos nos tribunais. 



Após vários protestos, acabaram sendo nomeadas "especialistas em leis" pelo Ministério da Justiça. Posteriormente, Shirin Ebadi pediu aposentadoria antecipada, por verificar que a sua situação profissional não evoluía.

Durante vários anos, solicitou repetidamente autorização para exercer advocacia privada. Depois de várias rejeições, a autorização foi concedida em 1993. Até essa data escreveu diversos livros e artigos que a tornaram conhecida.

Shirin Ebadi passa a exercer a advocacia, é uma ativista empenhada pelos direitos humanos, tendo se envolvido numa campanha a favor do estatuto legal das mulheres e crianças no Irã, é também professora de Direito na Universidade de Teerã.




Como advogada é conhecida pela sua intervenção em numerosos casos de violação de direitos humanos, em especial de mulheres e crianças. Também tem defendido dissidentes, membros de minorias religiosas e de publicações fechadas pelo governo iraniano.

Em 1997 teve um papel determinante na mobilização das mulheres para a eleição de Mohammad Khatami, para presidente. Embora tenha sido apoiante de Khatami, nunca deixou de criticar fortemente o seu governo. Mantem o respeito dos reformistas, mas é ferozmente odiada pelos conservadores que vêem nela uma séria ameaça ao sistema islâmico.


Shirin Ebadi foi a representante legal de Ezzat Ebrahim-Nejad, a única vítima mortal dos protestos estudantis de 1999. No decorrer do processo, Ebadi foi acusada de divulgar uma fita de vídeo com a confissão do autor do crime. Como conseqüência, a sua licença de advogada foi revogada durante alguns meses.


Shirin Ebadi representou a mãe de Zahra Kazemi, uma fotojornalista iraniano-canadense que morreu numa prisão no Irã.

Shirin Ebadi também ajudou à criação da lei contra o abuso físico de crianças, que foi aprovada pelo parlamento iraniano em 2002, e fundou duas organizações não-governamentais: a Sociedade para a Proteção dos Direitos das Crianças e o Centro dos Defensores dos Direitos Humanos.

Dedica a sua vida à conciliação do Islã com os Direitos Fundamentais, publicando inúmeros livros sobre essa temática. Defende o estatuto da mulher e da criança, contra uma sociedade patriarcal que ainda hoje consagra no seu Código Penal a criança como sendo "propriedade do pai ou da família paterna". Criou a "Associação de Apoio para os Direitos de Crianças" e luta pela mudança das leis de divórcio e herança no país, as quais discriminam fortemente as mulheres.


Investigou uma série de mortes de intelectuais em 1998-99 e denunciou os incidentes na universidade da capital em 1999 que provocaram várias mortes. Na barra dos tribunais, tem assumido a defesa de dissidentes e liberais perseguidos pelos conservadores. Foi presa por duas vezes.

Em 10 de outubro de 2003, o Comitê Nobel considerou-a uma "pessoa corajosa" e atribuiu-lhe o Nobel da Paz pelos seus esforços corajosos em prol da democracia e dos direitos humanos, especialmente direitos das mulheres e das crianças.

Tornava-se portanto a primeira mulher muçulmana e primeira personalidade iraniana a obter a distinção de um Prêmio Nobel.

O Comitê Nobel prestou homenagem a Shirin Ebadi por sua coragem em 2003

Shirin Ebadi estava em Paris, a caminho do aeroporto, quando recebeu a notícia da atribuição do prêmio. Interrogada pelos jornalistas quis frisar que, como ativista dos direitos humanos, "o combate pelos direitos humanos é travado em cada país pelo seu povo, e tal é o caso do Irã, e nós somos contra toda a intervenção estrangeira no Irã."

No Irã, o governo da República Islâmica reagiu com silêncio ou de forma crítica, considerando que se tratava de um ato de uma instituição pró-ocidental; o fato da Sra. Ebadi não ter usado um véu durante a cerimônia de entrega do prêmio também mereceu críticas. A agência oficial iraniana,IRNA, mencionou o evento apenas com algumas linhas, e os jornais estatais iranianos aguardaram várias horas antes de divulgar o evento.

Desde que recebeu o prêmio, Shirin Ebadi tem viajado por diversos países estrangeiros, dando conferências e recebido homenagens, publicando documentos e defendendo pessoas acusadas de crimes políticos no Irã.


Em abril de 2008, Shirin Ebadi declarou à agência Reuters que o respeito pelos Direitos Humanos no Irã tinha regredido nos últimos dois anos e aceitou defender os dirigentes Bahá'ís presos no Irã em 2008.

Nesse mesmo mês, Ebadi publicou uma declaração onde afirmava: "As ameaças contra a minha vida e segurança da minha família, que se iniciaram há algum tempo, intensificaram-se"; acrescentou que as ameaças advertiam-na a não fazer discursos no exterior e a não defender os membros da comunidade Bahá'í.

Em agosto de 2008, a agência IRNA publicou um artigo em que atacava Ebadi, insinuando sobre as suas ligações à Fé Bahá'í e acusando-a de procurar apoios no Ocidente. Uma das suas filhas, Nargess Tavassolian, também foi acusada de se converter à religião Bahá'í, um crime que no Irã é punido com a pena de morte.

Em dezembro de 2008, um grupo de manifestantes atacou a sua casa, gritando slogans e pintando insultos nas paredes; no final desse mês, a polícia iraniana fechou o escritório do Centro dos Defensores dos Direitos Humanos. Na ocasião a organização Human Rights Watch afirmou estar "extremamente preocupada" com a segurança de Shirin Ebadi.

Shirin, atualmente não mais reside no Irã e possui duas filhas. Ao se distinguir no contexto atual como uma muçulmana moderna, dá um sinal claro de esperança de emancipação às mulheres muçulmanas e, simultaneamente, de apoio a todos os reformistas iranianos.






Um comentário:

  1. Olha o que essa mulher corajosa falou sobre o ex-presidente Lula:
    "Quando Lula foi ao Irã, por que não visitou líderes de sindicatos de trabalhadores nas prisões? Fiquei surpresa, porque sei que ele representa os trabalhadores em seu país. Atualmente, a condição das prisões é muito precária - e tem piorado. E esses líderes sindicalistas estão presos por participarem de protestos em prol de seus direitos! Me surpreendeu muito que ele tenha se encontrado com o presidente do Irã e outras autoridades e ignorado completamente a classe trabalhadora." - Shirin Ebadi

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