domingo, 1 de fevereiro de 2015

LUZES DO MUNDO : DILGO KHYENTSE RINPOCHE




Dilgo Khyentse Rinpoche - O Mestre dos Mestres



Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 - Butão, 1991) foi um dos maiores lamas tibetanos do século 20, sendo mestre da maioria dos lamas mais importantes hoje, incluindo S.S. Dalai Lama.

Viveu cerca de 20 anos em retiros em cavernas ou eremitérios no Tibete e, por sua vida e atividades, foi um exemplo vivo para os que se aproximavam de como seria estar frente-a-frente com um mestre como Padmasambhava, que propagou o budismo Vajrayana no Tibete no século 8.

Sendo considerado mestre em todas as diferentes linhagens tibetanas, foi o mais eminente representante contemporâneo do movimento não-sectário Rime, e também um terton (descobridor/revelador de escrituras e liturgias), preservando e propagando o budismo como poucos.

Seus principais professores foram Shechen Gyaltsap Rinpoche e Dzongsar Khyentse Chokyi Lodro.

Sua reencarnação, Khyentse Yangsi Rinpoche, nasceu no Nepal, em 1993.



"Quando começamos a meditar sobre a natureza da mente, é preferível fazer sessões curtas de meditação, várias vezes por dia. Com perseverança, vamos perceber progressivamente a natureza de nossa mente, e que a realização se tornará mais estável. Nesta fase, os pensamentos perderão seu poder de nos perturbar e subjugar-nos." - Dilgo Khyentse Rinpoche



Biografia
O professor está bem no centro do mundo do budismo tibetano. Dilgo Khyentse Rinpoche foi o arquétipo do professor espiritual. Sua jornada interna o levou para uma profundidade extraordinária de conhecimento que o habilitou a ser — para todos que o encontraram — uma fonte de bondade amorosa, sabedoria e compaixão.




Infância
Nascido em 1910 no Tibete oriental, em uma família que descendia da linhagem do rei Trisong Detsen, do século 9. Kyabje Dilgo Khyentse Rinpoche foi um dos mais eminentes mestres deste século. 

O seu pai, ministro do rei de Dergue, já tinha tido três filhos – dois que se tinham dedicado à vida monástica e um que tinha morrido. A sua intenção era, portanto, fazer do seu filho mais novo o seu sucessor.

Quando ainda estava na barriga de sua mãe, foi reconhecido como um tulku, ou reencarnação, por um ilustre professor, Mipham Rinpoche. Depois foi entronizado como uma emanação da mente de Jamyang Khyentse Wangpo, um dos mais importantes tertons (reveladores de textos e práticas) e escritores do século 19. Khyen-tse significa sabedoria e amor.



Tashi Peldjor – nome que lhe foi dado à nascença – sentia mais atração pela espiritualidade, que pelas responsabilidades mundanas. Vários grandes mestres, entre os quais o próprio Mipham Rinpoche, tinham insistido junto do pai para que ele autorizasse o filho a tomar os votos monásticos. Porém seu pai recusava-se a deixá-lo partir.

Mesmo quando pequeno, Rinpoche já manifestava um forte desejo de se devotar inteiramente à vida espiritual. Aos dez anos de idade queimou-se gravemente e ficou de cama durante um ano. Foi só então que, vendo a vida do filho em perigo, o pai cedeu. Embora seu pai quisesse que ele seguisse seus passos, ele finalmente concordou em permitir que seu filho buscasse suas aspirações e, com a idade de 11 anos, Rinpoche ingressou no monastério Shechen, em Kham, um dos seis principais monastérios da escola Nyingma.




Tornou-se discípulo de Shetchen Gyaltsap Rinpoche que o reconheceu como a encarnação do espírito de Jamyang Khyentse Wangpo. O abade do mosteiro de Shetchen, Rabjam Rinpoche, e Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö foram os seus dois outros mestres principais.

Khyentse Rinpoche estudou com muitos outros mestres e realizou muitos anos de retiro em grutas e noutros lugares solitários. 

Educação e professores

Dilgo Khyentse Rinpoche recebeu transmissões de mais de 50 mestres de todas as escolas tibetanas, incluindo seu guru-raiz, Shechen Gyaltsap, de quem recebeu todas as iniciações essenciais e instruções da tradição Nyingma. Então, da idade de 15 até os 28, aproveitou seu tempo meditando em retiro silencioso, vivendo em eremitérios isolados e cavernas, ou às vezes simplesmente debaixo da cobertura de rochas protuberantes pelas regiões interioranas e montanhosas do Tibete.

Ele depois passou muitos anos com Dzongsar Khyentse Chokyi Lodro (1893 ~ 1959), que o designou como seu herdeiro espiritual. Quando disse ao seu professor que queria passar o resto da vida em retiro solitário, Chokyi Lodro respondeu: “Chegou a hora de você ensinar e transmitir aos outros os ensinamentos preciosos que recebeu”. Desde então, Rinpoche trabalhou para o benefício dos outros com a energia incansável que é a marca que distingue a linhagem Khyentse.



Ele foi um grande professor, terton e o mais eminente adepto moderno da tradição tibetana não-sectária, ou Rimed, sendo detentor de linhagens de todas as escolas do budismo tibetano. Também foi um dos últimos mestres a ter concluído todo o treinamento no Tibete. Seus termas (textos redescobertos) enchem cinco volumes.


Vida em exílio


Depois da invasão do Tibete pela China, acompanhado pela sua esposa, pelas suas duas filhas e por algumas outras pessoas, Khyentse Rinpoche deixou o Tibete e instalou-se no Butão onde se tornou o mentor espiritual da família real. 




Eles foram recebidos no Butão pela família real butanesa. Rinpoche começou de novo, ensinando em uma grande escola perto da capital do país. Logo suas qualidades internas atraíram muitos alunos e, com o passar dos anos, se tornou o principal professor budista no Butão, reverenciado por todos, do Rei até o mais humilde fazendeiro. No Butão, Rinpoche deu ensinamentos, executou cerimônias, escreveu tratados e textos e supervisionou a preservação e construção de numerosas estupas e estátuas.

Todas as escolas do budismo tibetano foram unânimes em reconhecer Dilgo Khyentse Rinpoche como um mestre excepcional.

Pilar do movimento rime (não sectário), ele era detentor de um número impressionante de transmissões e ensinamentos de todas as escolas que transmitia aos praticantes em função da sua linhagem respectiva. 



Khyentse Rinpoche foi um dos mestres de Sua Santidade o Dalai Lama e conferiu-lhe, ao longo dos anos, um grande número de transmissões, particularmente da linhagem Nyingma.



Contribuições para a tradição

Os Tesouros espirituais revelados por Khyentse Rinpoche preenchem cinco dos vinte cinco volumes dos seus escritos. Editou, ainda, trezentos volumes de preciosas obras budistas ameaçadas de desaparecimento, construiu ou reconstruiu vários mosteiros e deu ensinamentos, no Oriente e no Ocidente, a milhares de pessoas oriundas dos quatro cantos do mundo.

Foi sob a sua direção espiritual e a pedido de Tsetrul Pema Wangyal Rinpoche que se desenrolaram, na Dordogne (França), vários retiros de três anos. Construiu também o mosteiro de Shechen no Nepal, à cabeça do qual está atualmente o seu neto e herdeiro espiritual, Shetchen Rabjam Rinpoche.



Rinpoche devotou esforços consideráveis para fundar e sustentar templos, faculdades e monastérios onde o estudo e prática da tradição budista poderiam ser realizados. Uma de suas últimas atividades foi fundar o monastério Shechen Tennyi Dargyeling, no Nepal. Ali, ele transplantou a rica tradição Shechen em uma nova casa: um monastério magnífico perto da grande estupa de Bodhanath.



Na Índia, ele construiu a estupa de Bodhgaya, e planejava construir sete estupas em locais de peregrinação para evitar conflitos, doenças e fome, promovendo a paz mundial. Khyentse Rinpoche era amplamente reconhecido como um dos maiores mestres Dzogchen de seu tempo, sendo o professor de muitos lamas importantes, incluindo Sua Santidade Dalai Lama, Shechen Rabjam Rinpoche, Pema Wangyal Rinpoche, Chogyam Trungpa Rinpoche, Sogyal Rinpoche, Dzigar Kongtrul Rinpoche e outros professores das quatro escolas do budismo tibetano.

Mesmo em seus últimos anos, Rinpoche viajou muito pelos Himalayas e o Ocidente, transmitindo e explicando os ensinamentos. Seus livros foram traduzidos em diversas línguas ocidentais; sua inspiração ainda pode ser sentida fortemente.

Em 1985, Rinpoche fez a primeira de três visitas extensas ao Tibete. Ele inaugurou a reconstrução do monastério Shechen original, que havia sido destruído durante a invasão chinesa. Enquanto estava no Tibete Central, ele pediu permissão do governo chinês para restaurar o monastério Samye, destacando sua importância cultural como o primeiro monastério budista no Tibete. Em 1990, o templo principal de Samye foi restaurado. Onde quer que fosse no Tibete, ele era saudado com muita alegria, reverência e emoção pelas pessoas, que esperaram anos para vê-lo de novo.



Erudito, sábio e poeta, Dilgo Khyentse Rinpoche nunca parou de inspirar todos que encontrava através de sua presença extraordinária, simplicidade, dignidade e humor. Onde quer que estivesse, sempre orava e meditava por diversas horas antes do amanhecer e então iniciava um fluxo ininterrupto de atividade e ensinamentos — em grupos que iam desde uma dúzia a milhares de pessoas — até tarde da noite.

O que quer que estivesse fazendo, independente da complexidade e dificuldades, parecia fluir espontaneamente, sem esforço, a partir de sua visão, meditação e ação. Seu imenso conhecimento, o calor de suas bênçãos e a profundidade de sua realização interior deram a seus ensinamentos uma qualidade muito especial.

Suas realizações em diferentes campos parecem, cada uma, mais que suficiente para ocupar toda uma vida. Ele passou 20 anos em retiro, escreveu mais de 25 volumes (cada um equivalendo a um livro de mil páginas aproximadamente) sobre filosofia e prática budistas, publicou e salvou incontáveis textos e iniciou numerosos projetos para preservar e disseminar a tradição budista. Mas, acima de tudo, o que ele considerava mais importante era que os ensinamentos que ele tinha realizado e transmitido fossem colocados em prática pelos outros.

A partir do princípio de 1991, o estado de saúde de Khyentse Rinpoche foi piorando. Durante o Verão fez um retiro nas imediações de Paro Taktsang, um dos locais sagrados do Butão. 



E, na noite de 27 de Setembro, com a idade de 81 anos, sentou-se em meditação e abandonou o corpo. O seu kundung (corpo embalsamado) foi incinerado em Novembro do ano seguinte, no Butão, durante uma comovente cerimônia à qual assistiram cinquenta mil pessoas vindas do mundo inteiro, incluindo professores e alunos de todo o mundo.


Khyentse Yangsi Rinpoche, considerado sua reencarnação, nasceu em 1993 no Nepal.

Depoimentos
Dalai Lama:




Não tenho dúvida de que Kyabje Dilgo Khyentse Rinpoche está entre os mestres budistas mais realizados que encontrei; ainda assim ele irradiava todo o calor e as qualidades contagiantes de um genuíno e completo bom ser humano [...].

Dzongsar Khyentse Rinpoche:


Sem seu exemplo, as histórias de vida dos grandes mestres do passado seriam muito menos dignas de crédito e mais como lendas ancestrais, como Hércules realizando suas 12 grandes tarefas na mitologia grega. [...] embora eu tenha testemunhado suas atividades com meus próprios olhos, quando relembro, também encontro muitas coisas difíceis de acreditar [...].

Sogyal Rinpoche:




Em todos os sentidos, havia algo de universal, até sobre-humano nele, tanto que numa época os jovens lamas reencarnados — que ele cuidava com um carinho e cuidado infinitos — brincavam chamando-o de “Sr. Universo”.

Shechen Rabjam Rinpoche:




"Penso que Khyentse Rinpoche foi um dos exemplos mais finos do mestre espiritual perfeito. Ele era, na verdade, um mestre dos mestres; a maioria dos professores tibetanos do século 20 recebeu ensinamentos dele. [...]
Durante os 20 anos que passei com Khyentse Rinpoche, nunca testemunhei ele ficando ou muito deprimido ou extremamente excitado; seu humor era sempre equilibrado. [...]
Ele sublinhava que após anos de prática, a medida de nosso progresso deve ser o ganho de um senso de paz interior, tornando-nos menos vulneráveis a circunstâncias externas. [...]
Embora não possamos encontrar mais Khyentse Rinpoche, quando alguém lê seus ensinamentos ou escritos, pode experimentar a profundidade de sua sabedoria e compaixão."

Orgyen Tobgyal Rinpoche:




"Mesmo em idade avançada, ele ainda requisitava ensinamentos de qualquer um que possuísse uma tradição que ele ainda não tinha recebido, e às vezes até se engajava em novos estudos. Com frequência escutavam ele dizer: “Eu mesmo não sou instruído, mas gosto do fato de que outras pessoas são chamadas de instruídas”.


A Vida de Dilgo Khyentse Rinpoche [Legendado]








Fonte: http://darma.info/budismo/escolas-budistas/budismo-tibetano/dilgo-khyentse/biografia/
http://www.tseringpaldron.net/?page_id=697

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