domingo, 18 de janeiro de 2015

LUZES DO MUNDO - SAINT- EXUPÉRY



Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto francês, é o autor de um clássico da literatura “O Pequeno Príncipe”, escrito em 1943. 


Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon França, no dia 29 de junho de 1900. Era o terceiro filho do conde Saint-Exupéry e da condessa Marie Fascolombe. 

Apaixonado desde a infância pela mecânica, estudou a princípio no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Corix, em Mans, de 1909 a 1914. Neste ano da Primeira Guerra Mundial, juntamente com seu irmão François, transfere-se para o colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça, onde permanece até 1917. 




Quatro anos mais tarde, em abril de 1921, Antoine inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo, depois de reprovado nos exames para admissão da Escola Naval.  Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. 

Em 1926, recomendado por amigo, o Abade Sudour, é admitido na Sociedade Latécoère de Aviação, onde começa então sua carreira como piloto de linha, voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar, na mesma equipe dos pioneiros Vacher, Mermoz, Guillaumet e outros. Foi por essa época, quando chefiou o posto de Cap Juby, que os mouros lhe deram o cognome de senhor das areias. 

Permaneceu 18 meses no Cabo Juby, durante os quais escreveu o romance Courrier sud ("Correio do Sul") e negociou com as tribos mouras insubmissas a libertação de pilotos que tinham sido detidos após acidentes ou aterragens forçadas.

Após quase 25 meses na América do Norte, Saint-Exupéry retornou à Europa para voar com as Forças Francesas Livres e lutar com os Aliados num esquadrão do Mediterrâneo. 






Então com 43 anos, ele era mais velho que a maioria dos homens designados para funções, e sofria de dores, devido às suas muitas fraturas. Ele foi designado com um número de outros pilotos para pilotar aviões P-38 Lightning.

A última tarefa de Saint-Exupéry foi recolher informação sobre os movimentos de tropas alemãs em torno do Vale do Ródano antes da invasão aliada do sul da França ("Operação Dragão"). 

Na noite de 31 de julho de 1944, ele decolou de uma base aérea na Córsega e não retornou. 


Faleceu durante a missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy, no dia 31 de julho de 1944. Uma mulher relatou ter visto um acidente de avião em torno de meio-dia perto da Baía de Carqueiranne, Toulon. 




Recentemente, o alemão Horst Rippert assumiu ser o autor dos tiros responsáveis pela queda do avião e disse ter lamentado a morte de Saint-Exupéry. 

Em 3 de novembro, em homenagem póstuma, recebeu as maiores honras do exército. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilômetros da costa de Marselha. Seu corpo jamais foi encontrado.


Antoine de Saint-Exupéry escreveu para jornais e revistas francesas. Escreveu diversas obras, sempre caracterizadas por elementos de aviação e de guerra, entre elas: "O Aviador" (1926), "Voo Noturno" (1931), "Terra dos Homens" (1939), "Carta a um Refém" (1944).

Seu livro mais importante foi "O Pequeno Príncipe" (1943), cuja obra é rica em simbolismo.


Obra:

Seus romances, diários e ensaios transmitem uma filosofia de vida que pretende melhorar as relações entre as pessoas, mediante a utilização ética da técnica, além de exaltar a amizade e a fraternidade, que conduzirão até o auto sacrifício, se necessário. Seus temas têm por base suas experiências como piloto.

Suas obras são caracterizadas por alguns elementos como a aviação e a guerra. Também escreveu artigos para várias revistas e jornais da França e outros países, sobre muitos assuntos, como a guerra civil espanhola e a ocupação alemã da França.

Em todas as suas obras e cartas expressa um elevado nível de idéias, com um exacerbado idealismo que se manifesta também em artigos jornalísticos e como correspondente de guerra na Espanha, nas épocas mais sombrias daquele país. 




E apesar de ter combatido como piloto de guerra no exército aliado, ter participado de mil aventuras, haver-se comprometido politicamente nas difíceis horas da França ocupada, continuava tendo um irrefreável desejo de vôo. 

Diz em uma carta de 1944, o ano de sua morte: "Faço a guerra o mais profundamente possível. Sou, por certo, o decano dos pilotos de guerra do mundo... Vi de tudo desde minha volta à esquadrilha. Conheci as avarias da máquina, o desmaio por vazamento do tanque de oxigênio, a perseguição por caças, e também o incêndio em vôo...

Na mesma carta diz mais adiante algo que é quase um preâmbulo da aparição do jovem das estrelas na obra O Pequeno Príncipe: "Não tenho ninguém, nunca, com quem falar. Isso já é alguma coisa. Tinha com quem viver (refere-se à separação de sua esposa), mas que solidão espiritual!!" 



Destaca-se O pequeno príncipe (1943), romance de grande sucesso de Saint-Exupéry. Foi escrito durante o exílio nos Estados Unidos.

O pequeno príncipe pode parecer simples, mas trata-se de uma parábola em forma de conto que coloca em xeque o ponto de vista racional dos adultos. Apresenta personagens plenos de simbolismos: o rei, o contador, o geógrafo, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. 

O personagem principal vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões, dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, uma formosa flor de grande beleza e igual orgulho. Foi o orgulho da rosa que arruinou a tranqüilidade do mundo do pequeno príncipe e o levou a começar uma viagem que o trouxe finalmente à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu repensar o que é realmente importante na vida.

O romance mostra uma profunda mudança de valores, e sugere ao leitor o quão equivocados podem ser nossos julgamentos, e como eles podem nos levar à solidão. O livro leva a reflexão sobre a maneira nos tornamos adultos, entregues às preocupações diárias, e esquecidos da criança que fomos e somos.

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós". - Antoine de Saint-Exupéry


Livros

* L'Aviateur (O aviador) - 1926
* Courrier sud (Correio do Sul) - 1929
* Vol de nuit (Vôo Noturno) - 1931
* Terre des hommes (Terra dos Homens) - 1939
* Pilote de guerre (Piloto de Guerra) - 1942
*Le Petit Prince (O Pequeno Príncipe ou O Principezinho) - 1943
* Lettre à un otage - 1943/1944








O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry


O Pequeno Príncipe foi escrito e ilustrado por Antoine de Saint-Exupéry um ano antes de sua morte, em 1944. Piloto de avião durante a Segunda Grande Guerra, o autor se fez o narrador da história, que começa com uma aventura vivida no deserto depois de uma pane no meio do Saara. 

Certa manhã, é acordado pelo Pequeno Príncipe, que lhe pede: "Desenha-me um carneiro"? É aí que começa o relato das fantasias de uma criança como as outras, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade. O principezinho havia deixado seu pequeno planeta, onde vivia apenas com uma rosa vaidosa e orgulhosa. Em suas andanças pela Galáxia, conheceu uma série de personagens inusitados – talvez não tão inusitados para as crianças!

Um rei pensava que todos eram seus súditos, apesar de não haver ninguém por perto. Um homem de negócios se dizia muito sério e ocupado, mas não tinha tempo para sonhar. Um bêbado bebia para esquecer a vergonha que sentia por beber. Um geógrafo se dizia sábio mas não sabia nada da geografia do seu próprio país. 




Assim, cada personagem mostra o quanto as “pessoas grandes” se preocupam com coisas inúteis e não dão valor ao que merece. Isso tudo pode ser traduzido por uma frase da raposa, personagem que ensina ao menino de cabelos dourados o segredo do amor: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

Antoine de Saint-Exupéry via os adultos como pessoas incapazes de entender o sentido da vida, pois haviam deixado de ser a criança que um dia foram. Entendia que é difícil para os adultos (os quais considerava seres estranhos) compreender toda a sabedoria de uma criança.





O Pequeno Príncipe é um extraterrestre, vem de outro planeta. E é sabido que em 1942, época em que esta encantadora história começou a ser escrita, começaram a proliferar as notícias de OVNI, cuja quantidade aumenta grandemente após o fim da guerra (Segunda Guerra Mundial).



O Pequeno Príncipe é um ser que nos remete ao princípio, ao paraíso terrestre original, razão pela qual, ao voltar a seu asteróide, é picado por uma serpente, que é como o ouroboros da alquimia, a serpente que morde a própria cauda, que é a roda interminável da origem sempre voltando para si mesma, e assim se fazendo eterna. 

Desta fábula foram feitos filmes, desenhos animados, além de adaptações. Muitos adultos até hoje se emocionam ao lembrar do livro. Talvez porque tenham se tornado “gente grande” sem esquecer de que um dia foram crianças.

"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"


Saint-Exupéry também tinha esse desejo espiritual irrefreável que leva certas almas a desdenhar a vida corpórea, pondo-a em perigo, para poder viver uma vida mais alta, uma vida espiritual.





Um comentário:

  1. Bela postagem! Linda homenagem!!
    Quanto ao livro de cunho "infantil", recomendo a Todos os adultos!
    Grata!! :-)
    Grande Abraço!!

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