quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sobre A Morte e O Morrer - Rubem Alves



Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa…”


Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. 


Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. 

A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor.

 Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.



Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. 



Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.





terça-feira, 29 de julho de 2014

RIO NA CHINA AMANHECE MISTERIOSAMENTE VERMELHO SANGUE



Já pensou na seguinte hipótese: Um dia um rio está em sua cor natural, e no outro dia misteriosamente ele fica vermelho e ninguém sabe o motivo? Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu na China.




Os moradores de Wenzhou, província Zhejiang na China, acordaram na última quinta-feira (24/07/2014) e se depararam com as águas do rio que corta a cidade, instantaneamente tingidas de vermelho-sangue, deixando a população embasbacada.

Todo mundo ficou confuso, já que isso não tinha acontecido antes e ninguém ainda sabe ao certo qual a causa do fenômeno. Ninguém sabe o que aconteceu e existem apenas boatos, cada um dando o seu parecer.



Segundo a imprensa local, a cor começou a ser avermelhar a partir das 6h. 

Residentes dizem que o rio estava fluindo normalmente às quatro da manhã, mas começou a ficar vermelho às seis e, de repente, ficou como sangue.



Inspetores do Escritório de Proteção Ambiental de Wenzhou se dirigiram ao local para estudar o rio de sangue. Os especialistas ambientais recolheram amostras da água e dizem que pode ser uma espécie de corante alimentar que uma das empresas mais próximas usa em seu produto. 

Eles acreditam que alguém foi até o rio para descarregar os restos do material usado. Os investigadores procuram a fonte do problema. 




No entanto, os moradores da cidade, uma das principais do país, disseram que nunca haviam visto o fenômeno antes. Segundo eles não há uma fábrica de produtos químicos ou algo do tipo rio acima. 

De acordo com o tabloide britânico Daily Mail, testemunhas afirmam que às 6 horas da manhã as águas estavam da cor normal, mas que em poucos minutos, se transformaram em vermelho. Ainda disseram que o líquido tinha um cheiro estranho.



Um dos moradores, disse que ficou impressionado porque o rio é bom. "Nós sempre pescamos aqui e até bebemos a água desse rio por que é boa. Ninguém tem ideia do que aconteceu, nem por que ficou tão poluído, já que não existem fábricas que despejam qualquer coisa aqui".

Ainda segundo a imprensa local, a administração de proteção ambiental não encontrou substâncias nocivas na água, mas continua a investigar a fonte.

O motivo do fenômeno ainda é desconhecido, uma hipótese que já pode ser descartada é de microrganismos, já que as algas são de um grupo marinho, e não de água doce. 



Rios ficarem vermelhos na China não são uma novidade, especialmente os grandes Rios como o Yangtzé, o mais importante do país, ao lado do Huang He. 

Em 2012, o Yangtzé ficou vermelho, em 2011 foi a vez do Jian. Os motivos, embora nem sempre comprovados, variam entre proliferação de algas, acúmulo de fragmentos de rochas trazidos por chuvas ou, claro, poluição causada por fábricas nos arredores. 

As pessoas não querem levar em consideração que a vermelhidão na água seja sangue de animais ou até mesmo de seres humanos. De qualquer forma, é esperar para ver o que realmente aconteceu e manter distância da água até segunda ordem. 

Os especialistas ainda não sabem dizer qual é a real causa do fenômeno, mas que é muito estranho isso é.



Rio de isotônico?



domingo, 27 de julho de 2014

LUZES DO MUNDO - ARIANO SUASSUNA


Esta não é uma postagem falando sobre vida e obra do mestre Ariano Suassuna. 

Genial, provocador, divertido, teimoso. Mas, antes de tudo, autêntico. Das frases polêmicas às posturas consideradas radicais, Ariano Suassuna foi uma pessoa além de sua fantástica obra. Era uma espécie de Dom Quixote brasileiro. 

Portanto, Ariano não se conhece através de sua biografia, Ariano é para ser saboreado através de suas palavras. 

Suas obras são marcadas pela influência das suas raízes sertanejas e pela defesa das manifestações culturais populares.





Nasci na Paraíba.  Nos meus primeiros anos de vida vivi no Sítio Acauã, no Sertão do estado.
Aos 3 anos de idade eu tive meu pai assassinado e isso me marcou pelo resto da vida. E outras perdas familiares, eu sempre fui muito ligado à família. 

Éramos nove irmãos e hoje somos quatro, ou seja, eu perdi cinco irmãos e de homem só resto eu. Como presentes, também ganhei a família. Tive uma família maravilhosa, inclusive, meu pai exerceu uma grande influência, apesar de ter convivido tão pouco. 

Primeiro, porque ele era um grande leitor e herdei dele uma biblioteca que não era comum no Sertão da Paraíba, se ainda hoje não é comum, imagina nos anos 1930. Herdei uma biblioteca extraordinária.

Depois, essa personalidade que Deus me deu que me faz interessar muito pelo ser humano. O meu primeiro impulso, quando não conheço a pessoa, é gostar da pessoa. Acho a vida um espetáculo maravilhoso, tem momentos muito duros, mas a convivência com o ser humano é muito enriquecedora, muito boa. 

E, depois, qualquer que seja a dimensão dele, o talento que Deus me deu para transformar as coisas em história, seja no teatro ou na literatura.



A última vez que vi meu pai foi no cais do Recife. A gente veio trazer meu pai , para ele ir ao Rio – onde foi assassinado. Só me lembro desse momento: ele já no navio, mamãe me apontando. Eu não via. De repente, enxerguei: meu pai estava emoldurado pela janela do navio – dando com a mão. Aquela foi a última vez que o vi.


"Quando ao som da viola e do bordão, Cantava com voz rouca, o Desatino, O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.
Mas mataram meu pai. Desde esse dia Eu me vi, como cego sem meu guia. 
Que se foi para o Sol, transfigurado.
Sua efígie me queima. Eu sou a presa.
Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa Espada de Ouro em pasto ensanguentado."


Minha mãe tinha medo de que a gente tivesse algum sentimento de vingança. O ambiente no sertão levava muito a isso. Perguntavam-me : "Como é ? Quando crescer, vai vingar o pai ?"

Ouvi isso várias vezes. Mamãe, com medo, não só retirou a gente do sertão da Paraíba, como nos convenceu de que o assassino do meu pai tinha morrido. 

Só quando adulto, já casado e pai de filho, é que vim a saber que o executor da morte estava vivo – morando no Rio de Janeiro.

Perguntei a ela: “Minha mãe, por que você não me disse ? “. E ela: “Não disse para vocês não ficarem com essa ideia de vingança”. 

Uma das lembranças que tenho da infância é um morador da fazenda, grande amigo de papai, ajoelhado aos pés da minha mãe pedindo para ela deixar que ele matasse o assassino. Mamãe não deixou.



Meu pai sabia que ia ser assassinado: escreveu uma carta, para minha mãe e para nós, no dia oito de outubro de 1930 – e foi assassinado no outro dia, de manhã. Dizia que esperava ser assassinado. Pedia que ninguém vingasse. Disse:  não se tornem assassinos por minha causa !

Se você já viu uma última confissão, você reconhece o tom. E ele dizia: podem assegurar a nossos filhos que sou inteiramente inocente no caso de morte de João Pessoa” 

( a carta dizia: “Se me tirarem a vida os parentes do presidente João Pessoa, saibam todos os nossos que foi clamorosa injustiça. Não sou responsável pela sua morte nem de pessoa alguma neste mundo. Não alimentem, apesar disso, ideia ou sentimento de vingança contra ninguém. Recorram para Deus. Para Deus, somente.Não se façam criminosos por minha causa“).



Assisti ao primeiro cantador quando ainda era menino lá na minha terra, em Taperoá, sertão da Paraíba. E naquele dia participava um grande cantador, chamado Antonio Marinho, que, além dos improvisos, cantou um folheto, escrito por ele, que me causou grande impressão. Depois, me lembro de um dia na biblioteca de meu pai. Ele era um grande leitor, sabia versos de cor e era amigo de um escritor cearense chamado Leonardo Motta, que foi um dos pioneiros da documentação sobre os poetas populares. 

Foi aí que comecei a ver que aqueles cantadores, que eu tinha ouvido com tanta alegria, eram assunto de livros, que o que eles faziam eram coisas importantes. Ficou sacralizado pra mim o cantador. 

Não é por acaso, talvez, que quando fui escrever O Auto da Compadecida me baseei em três folhetos. Estão todos os três citados no livro de Leonardo Motta. Foi O Enterro do Cachorro, de Leão de Gomes de Barros, O Cavalo que Defecava Dinheiro, que também acho que é dele, e o Castigo da Soberba, que é dado como de autoria de dois autores folclóricos, Anselmo Vieira de Souza e Silvinho de Pirauá. Eu me baseei nesses três folhetos para fazer o Auto da Compadecida.

Eu era um bom estudante, tirava boas notas, gostava muito de ler e minha mãe comprou para mim a obra completa de Monteiro Lobato. Passei então a achar graça de um bicho de suas histórias, a mula sem cabeça, que solta fogo pelas ventas.


A primeira vez que fui a São Paulo foi em 1948. Eu tinha 20 anos. Estava numa livraria, quando vejo do outro lado Monteiro Lobato! Devo ter feito uma cara de tal espanto, que ele próprio veio até mim e disse: “Boa tarde”. E não me ocorreu coisa nenhuma se não responder: “Boa tarde!” Em julho daquele ano, ele morreu. E eu perdi a oportunidade de falar com meu ídolo.


Homenagem a Ariano Suassuna





Eu recebi uma comenda portuguesa, A Ordem do Infante do Henrique, que me foi dada pelo ex-presidente Mário Soares e, quando a comenda me foi entregue no Recife, eu tinha lido o artigo de Gandhi e ele dizia que o indiano pertencente às classes poderosas, mas que amasse o seu país e o seu povo, não devia nunca vestir roupa feita pelos ingleses, pois seria cúmplice dos invasores e estaria tirando das mulheres pobres da Índia um dos poucos mercados de trabalho que elas tinham, que era a costura. 



Desde esse momento, decidi que não usaria mais paletó e gravata e que só vestiria roupa feita por uma costureira popular. Zélia, minha mulher, me apresentou a uma costureira extraordinária chamada Edite Minervina de Lima. 



Queria um tipo de roupa que fosse a média de trabalho de um brasileiro comum. Passei a usar mescla azul, caqui e branco. Aí eu fui eleito para a Academia Pernambucana de Letras, não queria chocar todo mundo e chamei Edite e disse: “Você faça uma roupa daquele jeito mesmo, mas preto com camisa branca. Ela fez e eu fui e não choquei ninguém e deu para tomar posse.” 

Eu tenho um certo dom de improviso e ele nunca me faltou. Uma vez, um colega me provocou por causa disso e eu recorri a uma estrofe de um cantador de repentes que eu conhecia para dar a resposta. Ela diz assim: "Para brigar de tiro e faca/ não sirvo/ não presto não./ Mas solto assim sobre um palco/com um microfone na mão./ Eu sou onça matadeira/ sou tigre bravo e leão". Ele ficou com tanto medo de mim que se encolheu todo.



Eu sou escritor. O escritor convencido, além de antipático, é um indecente. O artista verdadeiro, o escritor verdadeiro, procura o êxito e não o sucesso, mas se juntar as duas coisas, é ótimo.

Eu acho que só depois da morte é que se pode avaliar o trabalho de alguém, por isso um escritor que se envaidece do seu trabalho ele é, além de chato, imbecil, porque ninguém pode saber o valor do que ele escreve enquanto ele estiver vivo. 


Eu procuro separar, porque não gosto da chamada arte engajada. Não gosto de colocar meu trabalho a serviço das minhas ideias. Acho que as ideias de um escritor podem e até devem aparecer no que ele escreve, mas ele não deve colocar a sua obra a serviço dessas ideias. 

Gosto muito quando aparecem as ideias no romance, mas ele não pode colocar o romance a serviço. Procuro separar. A minha militância em defesa da cultura brasileira acho que é a própria obra que deve sustentar. 

Gostaria de fazer do meu romance, antes de tudo, uma obra literária. Os mestres tinham essa tendência. Tenho vários mestres, inclusive na literatura brasileira, dos quais destacaria Euclides da Cunha e Lima Barreto. Gostaria muito que meu romance fosse uma continuação de Os sertões e de O triste fim de Policarpo Quaresma, que acho uma maravilha.

Eu tenho percorrido o Brasil e o que mais me entusiasma é a unidade que se mantém, apesar das diferenças. As duas vertentes mais importantes da cultura brasileira são a barroca, que herdamos dos portugueses, e a popular. É isso que faz a unidade do Brasil. Eu, hoje, com franqueza, não me sinto somente um nordestino. Eu me sinto hoje um brasileiro.



Acredito que toda arte é local, antes de ser regional, mas, se prestar, será contemporânea e universal. A arte, por natureza, não é uma imitação do real, é uma recriação. É uma realidade magnificada.



Prefiro escrever de manhã. De noite, não gosto porque perco o sono, minha cabeça continua trabalhando pensando nos problemas do romance e perco o sono, coisa que tenho horror. Mesmo quando viajo fico pensando sobre o romance. Ele não me abandona nunca, tomo notas porque senão posso esquecer. Para escrever, preciso do silêncio. 


Converso muito com Deus, todos os dias. E entra muito assunto, muitos pedidos. Vergonhosamente, acho que tem mais pedido que agradecimento. Quando acho que estou incomodando muito, recorro a medianeira de todas as graças, que me acompanha a todo momento e para todo o lugar que vou, levo (segura a medalha de Nossa Senhora).



O encontro com a minha mulher, foi um acontecimento muito especial. Eu guardo as datas mais importantes ligadas a ela. A primeira frase que eu disse à Zélia foi uma frase corriqueira, mas, pelo fato de ter sido dirigida para ela, eu dei importância literária e poética, colocando-a em um romance. 

Em 1956, escrevi ‘A História do Amor de Fernando e Isaura’, baseado na história de ‘Tristão e Isolda’, porque eu queria pegar uma história de amor desafortunada. O romance é a versão brasileira de ‘Tristão e Isolda’. 



A primeira frase que Fernando diz a Isaura é a primeira frase que eu disse a Zélia. Eu conheci Zélia andando na rua. Cheguei em casa dizendo que tinha visto uma moça muito bonita e que ela tinha me dado importância. Minha irmã não acreditou, dizendo uma moça bonita não ia me dar importância. Alguns dias depois, ela confirmou que era verdade: - Para minha surpresa, o que você me disse é verdade, porque a moça que você viu é irmã de uma colega de trabalho minha – e ela me confirmou. 


Então eu já sabia que Zélia me conhecia. Por isso, a primeira vez que vi Zélia na rua eu disse à ela: Você se importa de me conhecer sem ter ninguém para nos apresentar? Ela disse que não se incomodava. 

Alguns dias depois, ela me convidou para ir a uma festa. Esta festa foi no dia 20 de agosto de 1947 e foi aí que comecei a namorar com ela. Dia 6 de janeiro de 1948, dia de reis, eu pedi Zélia em casamento e ela concordou. A partir daí, eu passei a escolher as datas e a celebrar. Eu comecei a escrever a ‘Pedra do Reino’ no dia do aniversário da Zélia, porque eu queria que ela trouxesse a sua benéfica influência.

Com Zélia, tive uma história de 57 anos de intensa cumplicidade. Graças a minha amada,  mudei o jeito de escrever. Só escrevia tragédias. O encontro com Zélia parece que desatou o nó que havia dentro de mim.






Chicó e João Grilo representam o povo brasileiro. E o povo não tem vez. Quem tem vez somos nós os privilegiados. 

Esse abismo que existe entre privilegiados e ‘despossuídos’ no Brasil tem que acabar. O povo é mais sábio do que se pensa normalmente. E às vezes até se finge de menos sábio do que realmente é por uma estratégia de sobrevivência, O que quero dizer é que subestimar o povo é um erro, porque ele é mais sábio do que aparenta. A começar pelo fato de saber sobreviver na desigualdade brasileira...

É muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

O Brasil tem uma unidade em sua diversidade. A gente respeita a cultura gaúcha, nordestina, amazônica. O que é ruim é este achatamento cosmopolita. Você liga a televisão e não consegue distinguir se um cantor é alemão, brasileiro ou americano, porque todos cantam e se vestem do mesmo jeito.



Já me disseram que eu quero colocar a cultura brasileira dentro de uma redoma de vidro pra que ela não se contamine, e isso é bobagem. Sou a favor da diversidade cultural brasileira. Só não admito é a influência de uma arte americana de segunda classe.
A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio.


Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.

Vídeo hilário "A Conversão"




Ariano Suassuna analisa a banda Calipso




Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra sua morte através do que faço e do que escrevo. 

É claro que, objetivamente, eu sei que vou morrer. Não sei se você já notou, mas nenhum de nós acredita que morre, o que é uma bênção. 

A gente se porta a vida toda como se nunca fosse morrer, o que é muito bom. Porque se a gente for pensar na morte como uma coisa fundamental, inevitável e próxima, a gente vai perder o gosto de viver, vai perder o gosto de tudo. Eu digo isso procurando verbalizar uma inclinação que acho que é de todo mundo. A gente tem uma tendência a acreditar que não morre.

[Pensar que vai morrer] prejudica um pouco a qualidade de vida, e eu sou um apaixonado pela vida, amo profundamente a vida. Olhe que essa maldita tem me maltratado, mas eu gosto dela.

Eu não fui, como todos nós, eu não fui consultado antes de nascer, se eu queria ou não. Mas se a consulta me fosse feita hoje, eu queria nascer 100 vezes.



Eu não gosto de contar valentia antecipada, acho que a gente só pode dizer que não tem medo de alguma coisa depois de enfrentá-la. 

Agora, até onde eu vejo, eu não tenho medo da morte. Eu tenho pena de morrer sem ter realizado certas coisas. Por exemplo: se visse que não dava para terminar o romance que escrevo, aí teria muito pena de morrer.

Não tenho medo da morte. Na minha terra, a morte é uma mulher e se chama Caetana. E o único jeito de aceitar essa maldita é pensando que ela é uma mulher linda.




Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.


"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados".


 A grande fonte de sofrimento de minha vida é o fato de constatar que ela contradiz aquilo em que mais profundamente acredito, o remorso de saber que, por covardia e também por medo de ferir aqueles a quem amo, toda a minha vida é uma traição a Deus – ao Deserto e à pobreza que constitui meu sonho secreto.











"Carta para Ariano,
Quem te escreve agora é o Cavalo do teu Grilo. Um dos cavalos do teu Grilo. Aquele que te sente todos os dias, nas ruas, nos bares, nas casas. Toda vez que alguém,  homem, mulher, criança ou velho, me acena sorrindo e nos olhos contentes me salva da morte ao me ver Grilo. 
Esse que te escreve já foi cavalgado por loucos caubóis: por Jó, cavaleiro sábio que insistia na pergunta primordial. Por Trepliev, infantil édipo de talento transbordante e melancólicas desculpas. Fui domado por cavaleiros de Sheakespeare, de Nelson, de Tchekov. Fui duas vezes cavalgado por Dias Gomes. Adentrei perigosas veredas guiado por Carrière, por Büchner e Yeats. Mas de todos eles, meu favorito foi teu Grilo.
O Grilo colocou em mim rédeas de sisal, sem forçar com ferros minha boca cansada. Sentou-se sem cela e estribo, à pelo e sem chicote, no lombo dolorido de mim e nele descansou. Não corria em cavalgada. Buscava sem fim uma paragem de bom pasto, uma várzea verde entre a secura dos nossos caminhos. Me fazia sorrir tanto que eu, cavalo, não notava a aridez da caminhada. Eu era feliz e magro e desdentado e inteligente. Eu deixava o cavaleiro guiar a marcha e mal percebia a beleza da dor dele. O tamanho da dor dele. O amor que já sentia por ele, e por você, Ariano.
Depois do Grilo de você, e que é você, virei cavalo mimado, que não aceita ser domado, que encontra saídas pelas cercas de arame farpado, e encontra sempre uma sombra, um riachinho, um capim bom. Você Ariano, e teu João Grilo, me levaram para onde há verde gramagem eterna. Fui com vocês para a morada dos corações de toda gente daqui desse país bonito e duro. 
Depois do Grilo de você, que é você também, que sou eu, fui morar lá no rancho dos arquétipos, onde tem néctar de mel, água fresca e uma sombra brasileira, com rede de chita e tudo. De lá, vê-se a pedra do reino, uns cariris secos e coloridos, uns reis e uns santos. De lá, vejo você na cadeira de balanço de palhinha, contando, todo elegante, uma mesma linda estória pra nós. Um beijo, meu melhor cavaleiro. 
Teu,Matheus Nachtergaele"














Os causos de Ariano Suassuna



Ariano Suassuna no Programa do Jô - Completo - Parte 1


Ariano Suassuna no Programa do Jô - Completo - Parte 2



Ariano Suassuna no Programa do Jô - Completo - Parte 3



"Lápide" - por Ariano Suassuna



Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo 
nas pedras do meu Pasto incendiado: 
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado, 
com a Espora de ouro, até matá-lo.
Um dos meus filhos deve cavalgá-lo 
numa Sela de couro esverdeado, 
que arraste pelo Chão pedroso e pardo 
chapas de Cobre, sinos e badalos.
Assim, com o Raio e o cobre percutido, 
tropel de cascos, sangue do Castanho, 
talvez se finja o som de Ouro fundido
que, em vão – Sangue insensato e vagabundo — 
tentei forjar, no meu Cantar estranho, 
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

sábado, 26 de julho de 2014

O Significado do ॐ OM




 ॐ Essa sílaba única, Om, vem dos Vedas. Como uma palavra sânscrita, significa avati raksati – aquilo que lhe protege, lhe abençoa. 

É considerado o som mais próximo da palavra divina, e a origem de todas as demais. Segundo o Mandukya Upanishad, OM é aquele que existiu e existirá sempre. 

A sílaba OM é considerada por várias escolas, mestres e tradições o som primordial do Universo. 


Assim, pode-se afirmar que OM é o princípio, meio e fim. É a totalidade. É chamado na Índia por mátriká mantra, o som matriz matriarcal que tudo originou. Nos Vedas, é definido como “aquele que tudo inclui, a origem e o fim do Universo”.

Portanto, Nele o universo se cria, se conserva e se dissolve. É o som-semente que desenvolve o centro de força da “Terceira Visão”, responsável pela intuição, meditação e pelos fenômenos da telepatia e clarividência.



É o primeiro dos símbolos sagrados na Índia que possui a força de ser a descrição visual do som cósmico, do qual toda a matéria e o espaço são originados. No seu som monossilábico, contém Brahman ou o universo inteiro em sua energia. O universo inteiro significa não somente o universo físico, mas também a experiência dele. 

Deste modo, o OM é fundamental na cultura Hindu, e seu símbolo é a primeira figura que toda a criança deve desenhar no início de sua educação.

Ele é, também, a primeira evocação que é cantada para evocar os deuses numa oração. Seu motivo pode ser visto em pórticos, portões, templos, livros em geral, textos religiosos, em berços de recém nascidos e em roupas cerimoniais, numa grande variedade de cores e com muitos tipos de enfeites.

Podemos vê-lo como um equivalente à luz branca, em que nele pode ser encontrado todas as cores do arco-íris. Na tradição Hindu Om é a palavra de afirmação solene e respeitoso acordo .



OM é a contração da palavra SOHAM e é, assim, o Som Primordial, o sopro vital, o som de vida. Ele equilibra o Ser dando-lhe todo o seu poder estabelecendo a harmonia entre os diversos veículos do homem integral nas suas três divisões fundamentais (corpo, mente e espírito).

Por outro lado, sendo o som mais puro que existe, ele regenera o homem a todos os níveis e situa-o no plano divino. OM é, por excelência, o som universal de meditação, aquele que dá progressivamente acesso às mais altas realizações espirituais.




Dentro do símbolo há os cinco elementos do Universo – terra, fogo, ar, água e éter. Confome o mestre hindu Pranavopanishad, o A é nirman (criação de tudo), é Brahma, o criador e a Terra. U é shiti (conservação do Universo), é Vishnu, o preservador. O espaço M é Pralaya (transformação do Universo), é Shiva, o dstruidor e a iluminação. Observe que na existência tudo é regido por estas três energias: criação, preservação e destruição.

Avati Raksati - aquilo que lhe protege, lhe abençoa. Como se dá essa proteção? É um mantra e é um nome do Senhor. 





O nome do Senhor lhe protege através da repetição do próprio nome. Pelo nome você reconhece o Senhor. E, portanto, é reconhecimento em forma de oração. 


Uma compreensão profunda sobre este símbolo místico revela que é composto de três sílabas combinada em uma, não como uma mistura física mas como uma combinação química.

Na verdade em Sânscrito a vogal 'o' é constitucionalmente um ditongo composto de a + u; por isso OM é representativamente escrito como AUM.


Apropriadamente, o símbolo do AUM consiste de três curvas (curvas 1, 2 e 3), um semicírculo (curva 4) e um ponto.



A curva maior 1 simboliza o estado de vigília, neste estado a consciência é voltada para o interior através dos portões dos sentidos.

O tamanho grande significa que este é o estado mais comum ('maioria') da consciência humana.
A curva de cima 2 mostra o estado de sono profundo ou estado de inconsciência.

Este é um estado onde quem dorme não deseja nada nem passa por nenhum sonho.
A curva do meio 3 (que se localiza entre o sono profundo e o estado de vigília) significa o estado de sonho.

Neste estado a consciência do indivíduo é voltado para o interior e o sonhador contempla uma visão encantadora do mundo atrás das pálpebras dos olhos.

Estes são os três estados da consciência de um individuo, já que o pensamento místico Indiano acredita que a realidade manifestada inteira se origina desta consciência, portanto estas três curvas representam o fenômeno físico .



O ponto (4) significa o quarto estado da consciência, conhecido em Sânscrito como turiya.

Neste estado a consciência não parece nem extrínseca nem intrínseca, nem os dois juntos.
Significa o voltar para a quietude de toda existência relativa e diferenciada. Este estado quieto total, pacífico e bem-aventurado é o alvo absoluto de toda atividade espiritual.

Este estado Absoluto(não-relativo) ilumina os outros três estados. 



Finalmente, o semi círculo simboliza Maya e separa o ponto das outras três curvas. Deste modo, é a ilusão de maya que nos previne da realização dos mais altos estados de bem-aventurança. O semi-círculo é aberto no topo e não toca o ponto. Isto significa que este estado mais alto não é afetado por maya.
Maya só afeta o fenômeno manifestado.

Este efeito é quem previne o investigador de alcançar seu alvo final, a realização do Um, do onisciente, do não-manifesto, do princípio Absoluto.

Desta maneira, a forma de OM representa tanto o não-manifesto e o manifesto, o númeno e o fenômeno.

Sendo um mantra, ele é repetido, e, portanto, torna-se uma prece. O Senhor é o protetor e o provedor; aquele que abençoa é o Senhor; o Senhor é na forma de bênção. 

Repetido Om, você invoca o Senhor naquela forma específica. Então, dessa maneira, Om lhe protege. Portanto, ele é fiel a seu nome. É o Senhor que lhe protege, e não o som.

O Senhor é Um e não-dual. Isso é o que dizem os Vedas. O que existia antes, o que existirá depois e o que existe agora. 


Tudo isso, sarvam, é realmente Om. Tudo o que existe é Om. Tudo o que existiu é Om, e também tudo o que existirá depois, no futuro. Passado, presente e futuro, incluindo o tempo e tudo o que existe no tempo - tudo isso é Om. Aquele Om é Brahman. 

Portanto, o Senhor é não-dual, e esse não-dual é Um. A sílaba é também uma e não-dual, significando que tudo está dentro dela. E tudo está dentro de Om.


Como um som sagrado também, a pronúncia das três sílabas AUM é aberto para uma rica análise lógica.

O (A) simboliza o estado de vigília, e assim, o estado de sonho (simbolizado por U), situa-se entre o estado de vigília (A) e o estado de sono profundo (M). Na verdade um sonho nada mais é do que um componente da consciência da vida em vigília formada pela inconsciência do sono.


A é um mátra, U é outro e M mais outro. Brahman é sarvam (tudo) e também está na forma de três. Brahman em estado causal, como súkshma prapañcha, o mundo sutil, e o sthúla, o mundo físico. O corpo físico é chamado de sthúla, assim como o universo físico.




Dentro desse corpo físico existe outro mundo. É o mundo do nosso prana que mantém este corpo vivo e inclui a mente e os sentidos. É sutil, pois está dentro desse corpo físico, não visível, mas sua presença não se perde. Portanto, o que mantém esse corpo vivo, sem o qual estaria morto, isso é súkhma. 

Quando sthúla e súkshma estão juntos, então existe vida. Quando súkshma não está presente, esse corpo físico fica inerte. 

Dessa maneira, temos o Senhor nos três níveis: no nível físico, sutil e causal. Na nossa vida diária também temos três estados distintos de experiência: o acordado, o sonho e o sono profundo. 

No sono profundo o indivíduo está na forma causal. No sonho você se identifica com o súkshma (sutil), sua própria mente. A mente está acordada e existe uma experiência de sonho e um mundo de sonho. 

E você ainda identifica-se com o corpo físico e tem então o estado acordado. Então temos três estados de experiência e três mundos. Isso constitui o indivíduo enquanto ser acordado e todo o mundo físico, o ser que sonha e todas as experiências sutis e o causal, no sono profundo. São três e completam tudo o que existe a nível individual e total.


Além da natureza tríplice do OM como um som sagrado está a quarta dimensão invisível que não pode ser distinguida pelos nossos restritos órgãos dos sentidos como nas observações materiais.
Esta quarta dimensão é indescritível, silêncio total que segue a elocução do OM.

Uma quietude de todas as manifestações diferenciadas, ou seja, um estado pacífico , bem-aventurado e não-dual. Na verdade este é o estado simbolizado pelo ponto na iconografia tradicional do AUM.

Geralmente, cantamos Om no início e no final de qualquer coisa. Om representa um início auspicioso.

O simbolismo tríplice do OM é compreensível para a maioria de nós humanos 'ordinários' , percebidos tanto no nível intuitivo quanto objetivo . Isto é responsável pela popularidade e aceitação geral.

Por este símbolo se estender sobre o espectro inteiro do universo manisfestado, faz com que seja uma fonte verdadeira de espiritualidade.




De acordo as ciências espirituais Indianas, Deus primeiro criou o som e destas frequências sonoras veio o mundo do fenômeno. 

Nossa existência total é constituída destes sons primordiais, que dão origem aos mantras quando organizados por um desejo de se comunicar, manifestar, invocar ou materializar.

É dito que a própria matéria se originou do som e o OM é o mais sagrado de todos eles.


O OM (ॐ) é o ponto de ligação de um ponto qualquer com todo o resto universo, isto é, não só representa esse momento de paz como também representa o silêncio que une dois mundos diferentes. 



É a sílaba que precede o universo e da qual os deuses foram criados. É a sílaba "raiz" (mula mantra), a vibração cósmica que mantém unidos os átomos do mundo e dos céus.



Mantra da paz universal - OM SHANTI OM


" Como muitos outros mantras, este começa com a palavra" Om ". Considera-se que Om é o som original , o som do Universo de que todos os sons vêm. 
A segunda parte do mantra, Shanti , significa " Paz", tão simples. É um belo significado e também um som bonito . Isso é interpretado como a paz no corpo , fala e mente ( todo o nosso ser ) ou como um desejo de paz individual , coletiva e universal.


Deva Premal - Om Namo Bhagavate

OM NAMO BHAGAVATE  (do sânscrito): é um dos mantras de evocação de Krishna. 
OM é a vibração interdimensional que interpenetra a tudo e a todos.
NAMO: Saudação ou reverência ao poder divino.
BHAGAVATE: Respeito ao Senhor.
Quando alguém faz esse mantra completo, evoca Krishna como homem que também viveu aqui na Terra e sabe das dificuldades enfrentadas por todos.