quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ateus e Agnósticos


No cenário épico do embate entre religião e ciência vários termos surgem. Dentre tantos, é relevante considerarmos pelo menos alguns bem polêmicos, agnosticismo e ateísmo, que muitas vezes, confundem-se no senso comum.

É bastante comum a confusão entre ambos termos, sendo eles, bem diferentes. Basicamente enquanto os Ateus negam totalmente a existência de Deus, os Agnósticos ficam, digamos, em cima do muro, não acreditando e nem desacreditando.


O que a palavra Ateu significa? Ateu é uma palavra oriunda do grego antigo que quer dizer “A Theos.” No grego moderno a tradução de Theos é simples, Theos significa Deus, então a tradução mais simples de o que é um Ateu seria “Aquele que nega a Deus.” Porém, qualquer pessoa que estudou um pouco de grego sabe que o significado das palavras não se limita a uma tradução simples, o significado das palavras gregas é muito mais amplo e representa muito mais coisas do que o limitado vocabulário português.

 Theos significa muito além de Deus, ele engloba todo o lado místico e espiritual. A noção de alma e espírito do cristianismo cai ali. A noção de espírito e entidades espíritas também está representada nessa palavra. A própria “energia do mundo” que os druidas antigos cultuavam cai na noção de Theos. Resumidamente, Theos seria tudo aquilo que não pode ser percebido pelos nossos cinco sentidos. Theos é o místico, o espiritual, o duvidoso, e o metafísico. Dessa forma, podemos chegar a conclusão de que Ateu não é somente a negação de Deus, mas sim a negação de tudo o que está além de nossos sentidos.


Já agnóstico vem de “A gnosis”. Gnosis (de forma simplificada) seria conhecimento. O agnóstico afirma que é impossível conhecer. É uma postura de dúvida. O Agnosticismo pode acreditar ou não em Theos, mas sempre irá manter uma postura de dúvida perante todas as coisas que estão ao redor dele. Pode-se chegar a duvidar até mesmo da existência do mundo real. Até mesmo as “crenças” de um ateísta podem ser questionadas, uma vez que a única comprovação que ele possui são os sentidos. Agnóstico é o que duvida. Ele não ignora o conhecimento, ele só compreende que nunca poderá entendê-lo. Pode ser resumido pela frase de sócrates que diz: “Só sei que nada sei.”

Então, podemos considerar o Ateu como a pessoa que nega a existência de Deus (Theos), e acredita que a única coisa que exista seja o mundo sensível.

O Agnóstico é aquele que possui a dúvida sempre presente em sua vida. Ele não consegue “crer” em nada, uma vez que não tem certeza de nada. Para ele os sentidos não são tão confiáveis assim.




“Os grandes espíritos sempre sofreram oposição violenta das mentes medíocres. Estas últimas não conseguem entender quando um homem não se submete sem pensar aos preconceitos hereditários e usa a inteligência com coragem.”

— Albert Einstein

OS SEM RELIGIÃO:

Ambos, tanto o ateu como o agnóstico não estão ligadas a nenhuma religião específica, podendo ser chamados de “sem religião” ou “não-religioso”. Nesse grupo encontram-se quatro principais vertentes, que se diferenciam principalmente pela postura filosófica: os dois já citados (ateus, agnósticos) e os deístas e os espiritualistas.


Ateus – negam a existência de qualquer Deus e da veracidade de qualquer religião teísta. Os ateus podem ser materialistas, não acreditam na alma humana, nem qualquer outro tipo de coisa que não seja material, ou podem ser espiritualistas, negando a existência de Deus mas podendo eventualmente aceitar certas idéias imateriais como a alma humana ou a reencarnação.




Agnóstico – entendem que as questões metafísicas (ou transcendentais) não são passíveis de análise pela razão humana. O agnóstico se exime das questões religiosas, preferindo ficar neutro. Ou seja, ele não “rejeita”, nem “aceita”, apenas isenta-se deste tipo de questão.



Deístas – acreditam na existência de um Ser Superior (ou Deus), e defendem que a existência de Deus pode ser compreendida por intermédio da razão. Contudo, os deístas, geralmente, não seguem qualquer religião denominacional. Para o deísta, as pessoas devem assumir a responsabilidade pelos seus atos, e procurarem a felicidade nesta vida terrena, ao invés de aceitarem os tormentos das injustiças sociais em prol de uma vida eterna de caráter duvidoso. Os conceitos de “inspiração” e “revelação divina” não são negados, mas o deísta entende que estes acontecimentos são pessoais e específicos para quem os recebeu – se realmente os recebeu.


Espiritualistas  Há também aqueles que se auto intitulam espiritualistas. Isto é, pessoas conscientes do mundo espiritual, pessoas que possuem fé numa inteligencia criadora, na energia universal, pessoas que sentem que todos estão interconectados, interligados a uma fonte comum. Para os espiritualista o divino, o sagrado, não está fora, não pode ser almejado ou idealizado, a essência divina está "dentro" de todos  nós.




Os espiritualistas, ao contrario dos religiosos, não seguem regras, dogmas, nem rituais. A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior. É algo a ser reacessado na lucidez de sua consciência expandida. Os espiritualistas acreditam na transcendência do ego, possuem a consciência de que somos um fenômeno transcendente à vida efêmera em que hoje estamos inseridos. Possuem consciência de que há uma força maior que rege o universo, e do qual somos uma partícula mínima em meio às outras muitas partículas, mas que juntos fazemos "funcionar" esse grande conglomerado de energias e entidades que é o Universo. 





O mundo está repleto de doutrinas estéreis, sistemas filosóficos e teorias teológicas desfasadas da realidade e dos anseios do homem.


Há excesso de palavras, um ruído constante e destruidor. É pela síntese e não por uma despropositada e imensa teorização, que somos imediatamente instados a uma prática produtiva. As maiores verdades filosóficas só são realmente grandes, quando podem ser vivenciadas. 



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Pesquisador decifra 10 palavras do livro mais misterioso do mundo



Um pesquisador (Stephen Bax) firma ter decodificado 10 palavras do famoso manuscrito Voynich.


O manuscrito, composto por 204 páginas em pergaminho, está cheio de texto escrito num alfabeto desconhecido e contém desenhos elaborados que descrevem uma variedade de temas, incluindo figuras femininas nuas, ervas medicinais e até símbolos do Zodíaco.

O texto medieval foi descoberto em 1912, e tem desafiado explicações até agora. Stephen Bax, professor de linguística da Universidade de Bedfordshire, na Inglaterra, afirma ter conseguido decifrar 10 palavras do manuscrito e pode ler um punhado de itens no texto.

Bax afirma ter descodificado palavras como coentro, heléboro e zimbro ao lado de desenhos de plantas no texto misterioso. De igual forma, ele diz que traduziu a palavra Touro escrita ao lado de uma ilustração das Plêiades, um aglomerado de estrelas na constelação de Touro.





“Eu insisti na ideia de identificar os nomes no texto seguindo as abordagens históricas que já decifraram com sucesso hieróglifos egípcios e outros manuscritos misteriosos “, disse Bax em um comunicado.

“O manuscrito tem um monte de ilustrações de estrelas e plantas”, acrescentou Bax. “Eu fui capaz de identificar algumas delas com os seus nomes ao olhar para manuscritos medievais de ervas em árabe e outros idiomas.”

O manuscrito Voynich é considerado o livro mais enigmático da história. Não é um manuscrito qualquer. É o mais misterioso manuscrito do mundo. Um livro cujo conteúdo é incompreensível até hoje. Estima-se que tenha sido escrito por volta de 1400 por um autor desconhecido através de uma linguagem incompreensível. 
Descoberto em 1912, o Manuscrito Voynich é também conhecido como o livro que ninguém pode ler.


Muitos pesquisadores tentaram “descriptografar” as 204 páginas do manuscrito, mas até agora nenhuma palavra sequer havia sido decifrada. Diversas técnicas foram utilizadas pelos maiores especialistas do mundo, sem sucesso.

Ao longo de sua existência registrada, o manuscrito Voynich tem sido objeto de intenso estudo por parte de muitos criptógrafos amadores e profissionais, incluindo alguns dos maiores decifradores norte-americanos e britânicos ao tempo da Segunda Guerra Mundial (todos os quais falharam em decifrar uma única palavra). 

Esta sucessão de falhas transformou o manuscrito Voynich num tema famoso da história da criptografia, mas também contribuiu para lhe atribuir a teoria de ser simplesmente um embuste muito bem tramado – uma sequência arbitrária de símbolos…
O manuscrito foi até mesmo investigado por uma equipe de proeminente ‘quebradores de códigos’ da Segunda Guerra Mundial, os quais já tinham decifrado complexas mensagens enviadas por seus inimigos, mas no caso do manuscrito, fracassaram.

Embora muitos tenham chegado à conclusão de que o manuscrito seja uma fraude, um recente estudo apresentado na publicação Plos One, sugere que o manuscrito possa na verdade ser uma mensagem genuína.





Cientistas dizem ter encontrado padrões linguísticos reais dentro do texto. O manuscrito, que foi datado do início dos anos 1400, desapareceu dos olhos públicos até 1912, quando um negociante de livros antigos chamado Wilfrid Voynich o adquiriu, bem como outros livros de publicações de segunda mão na Itália.

Uma das características do livro é que ele foi escrito sem pontuação. Ao todo, existem 170 mil caracteres. São cerca de 35 mil palavras ao todo. O misterioso alfabeto utilizado no manuscrito é único. Foram reconhecidas entre 19 a 28 possíveis letras, que não possuem nenhuma ligação com nenhum alfabeto conhecido. Outra característica marcante é a total ausência de erros ortográficos, como rasuras (palavras riscadas), diferentemente de todos os outros manuscritos antigos já encontrados.

Mas não somente de palavras o manuscrito é composto. Existem inúmeros figuras, um pouco mais fáceis de serem entendidas. O livro foi dividido em 5 seções principais:
I –  possui ilustrações de mais de 110 plantas desconhecidas, contudo há uma planta muito semelhante à um girassol, que passou a existir na Europa Ocidental somente a partir de 1492.
II – representa a astronomia e astrologia, cujos 25 diagramas se referem a estrelas e signos do zodíaco.
III – possui muitos desenhos de mulheres, geralmente imersas até os joelhos em estranhos vasos que possuem um escuro fluído.
IV – possui desenhos de frascos semelhantes à antigos recipientes de farmácias. Há ainda alguns desenhos de pequenas raízes e ervas medicinais.
V – Não há imagens, somente texto, e prossegue nas últimas páginas do manuscrito.


Ainda existem muitos debates em torno da data do manuscrito. Uma análise realizada através de radiação infravermelha revela uma assinatura legível bastante apagada: Jacobi a Tepenece. A assinatura faz referência à Jacobus Horcicki, alquimista falecido em 1622. Jacobus recebeu o título de Tepenece somente em 1608, ou seja, o manuscrito só pode ter sido feito após esse ano.

Contudo, análises feitas recentemente sugerem que o manuscrito tenha sido escrito em período relativamente curto entre 1404 e 1438, aumentando ainda mais o mistério.
“É tão próximos do que conhecemos, mas tão distante do que podemos decifrar”, foi a conclusão de um dos especialistas que tentou descriptografá-lo.

O manuscrito Voynich agora está em uma biblioteca de livros raros na Universidade de Yale. A datação por carbono provou que ele remonta ao século 15, e pesquisadores acreditam que foi escrito na Europa Central. Embora alguns estudiosos tenham sugerido que o livro seja uma fraude, outros dizem que o padrão das letras e palavras sugerem que foi escrito em uma linguagem real ou, pelo menos, uma cifra inventada. 

Bax observa que o manuscrito ainda está muito longe de ser compreendido, mas mantém a esperança de que outros linguistas vão trabalhar para decifrá-lo. Por enquanto, ele acha que o livro é “provavelmente um tratado sobre a natureza.”


Veja abaixo um excelente documentário exibido pelo History Channel sobre o tema:

vídeo: Jonas S. marques

Fonte:http://misteriosdomundo.com/


Para assistir o vídeo de Bax, é só ativar as legendas:

 Voynich - a provisional, partial decoding of the Voynich script