quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ouroboros



A Ouroboros ou Oroboro é uma criatura mitológica em forma de serpente, minhoca, cobra ou dragão que engole a própria cauda formado um círculo e, por isso, simboliza o ciclo da vida, a eternidade, a mudança, o tempo, a evolução, a fecundação, o nascimento, a morte, a ressurreição, a criação, a destruição, a renovação. 

Além disso, muitas vezes, Ouroboros está associado à criação do Universo.


Segundo o Dictionnaire des symboles, o ouroboros simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém as ideias de movimento, continuidade, auto fecundação e, em consequência, eterno retorno.




Albert Pike, em seu livro, Morals and Dogma [p. 496], explica: "A serpente, enrolada em um ovo, era um símbolo comum para os egípcios, os druidas e os indianos. É uma referência à criação do universo".


A forma circular do símbolo permite ainda a interpretação de que a serpente figura o mundo infernal, enquanto o mundo celeste é simbolizado pelo círculo.

Noutra interpretação, menos maniqueísta, a serpente rompe uma evolução linear, ao morder a cauda, marcando uma mudança, pelo que parece emergir num outro nível de existência, simbolizado pelo círculo.

Para alguns autores, a imagem da serpente mordendo a cauda, fechando-se sobre o próprio ciclo, evoca a roda da existência. A roda da existência é um símbolo solar, na maior parte das tradições. 

Ao contrário do círculo, a roda tem certa valência de imperfeição, reportando-se ao mundo do futuro, da criação contínua, da contingência, do perecível.


O ouroboros costuma ser representado pelo círculo. O que parece indicar, além do perpétuo retorno, a espiral da evolução, a dança sagrada de morte e reconstrução.



Geralmente, nos livros antigos, o símbolo vem acompanhado da expressão "Hen to pan" (o um, o todo). Remete-se assim, mais uma vez, ao tema da ressurreição, que pode simbolizar o “novo” nascimento do iniciado.


Origem do Ouroboros:



O nome vem do grego antigo: οὐρά (oura) significa "cauda" e βόρος (boros), que significa "devora". Assim, a palavra designa "aquele que devora a própria cauda". 

Sua representação simboliza a eternidade. Está relacionado com a alquimia, que é por vezes representado como dois animais míticos, mordendo o rabo um do outro.

Por outro lado, estudiosos afirmam que a origem etimológica do termo “Ouroboros” vem do hebraico, na qual “ouro”, significa Rei, e “ob” significa serpente.

Figura mitológica e muitas vezes religiosa (conexão entre os homens e Deus), o Ouroboros está presente em muitos textos antigos do Egito, da Grécia, da Índia, do Japão e ainda é encontrado na cultura dos astecas, povos pré-colombianos que viviam na península de Iucatã, uma vez que o Deus-serpente, conhecido como a “Serpiente Emplumada” ou "Quetzálcoatl" surge mordendo a própria cauda. 

No geral, em diversas culturas, Ouroboros, representado de forma circular, faz referência à criação do Universo, e pode simbolizar a continuidade, o tempo, o eterno-retorno e o renascimento na Terra.


Em relação a certos ensinamentos do budismo tibetano (como dzogchen e mahamudra), pode-se esboçar uma maneira específica para vivenciar (em estado meditativo) este ato de "morder a própria cauda". Por exemplo, ao perceber-se num estado mental atípico (além das formas habituais) procurar olhar dentro de si.

No budismo, a Ouroboros simboliza o olhar para si como forma de evoluir espiritualmente, marcado pela ausência de início e fim. 



Para o gnosticismo hiperbóreo "as serpentes, representadas no CADUCEU DE MERCÚRIO (entrelaçadas em um bastão) e no OUROBOROS (devorando a própria cauda), simbolizam a alma elevada, extasiada no nirvana, luminosamente entelequiada". 

Por sua vez, na alquimia é usado como um norteador das estações do ano, dos céus, a partir da representação da serpente que devora a própria cauda, simbolizando, dessa forma, a energia cíclica da vida, a unidade primordial, a totalidade do mundo.

Ademais, Ouroboros é o símbolo do Deus Romano Janus (Deus do início, das entradas e das escolhas); da serpente bíblica do Jardim do Éden; do símbolo chinês do Ying e Yang e na mitologia nórdica a serpente, “Jormungandr”.

Em muitas religiões africanas, a serpente representa um figura sagrada e “Ouroboros” faz referência ao Semideus “Aidophedo”, aquele que morde a própria cauda. Na Índia, Ouroboros é representado pelo dragão circulando a tartaruga que suporta os quatro elefantes que seguram o mundo, simbolizando dessa forma, o força da criação. 


Na yoga o Ouroboros representa a energia Kundalini, ou seja, o poder divino. Não obstante, no gnosticismo, esta cobra simboliza a alma do mundo bem como a eternidade.

Símbolos & Signos

Entre tantos símbolos relacionados, o Ouroboros é um dos que apresenta maior hipótese de significados. Isto porque há outras representações iconográficas contidas e associadas ao próprio Ouroboros.

A serpente, que nos textos canônicos está associada às aspectos maléficos, como no livro Gênesis, na maior parte das culturas pré-cristãs, é um símbolo de sabedoria. Partindo do princípio que o Ouroboros é um símbolo pré-cristão, pode-se supor que este conceito de sabedoria é predominante.

Mas, pode-se também interpretar que o ato de engolir a si mesma, é uma interrupção do ciclo humano em uma busca evolutiva do espírito noutros planos. Por outro lado, pode significar a auto-destruição através do ato de consumir a própria carne e até mesmo a auto-fecundação. Ainda, o fato de encontrar-se na forma circular é um arquétipo representativo de movimentos ininterruptos e pode representar também o Universo. 


Além da interpretação de que a serpente atua nas esferas inferiores (Inferno), enquanto o círculo representa o Reino Divino. Em outras situações, o animal tem duas cores distintas. Neste caso, provavelmente, uma referência a Yin e Yang, ou pólos masculino e feminino, dia e noite, bem e mal, e outros paradoxos da natureza.

Sob uma perspectiva alquímica, o Ouroboros é representado na figura de dois animais míticos engolindo um a cauda do outro; não sendo, neste caso, necessariamente, uma serpente. 

Segundo o Uractes Chymisches Werk (Leipzig – 1760), "alimenta este fogo com fogo, até que se extinga e obterás a coisa mais estável que penetras todas as coisas, e um verme devorou o outro, e emerge esta imagem". Esta descrição alquímica é uma alusão ao processo de separação do material em dois elementos distintos.

Porém, de uma forma mais ampla, o Ouroboros é uma representação dos ciclos reencarnatórios da alma humana. 

Na obra Magic Symbols de Frederick Goodman é citado "serpente...  o símbolo da sabedoria dos verdadeiros filósofos" e "O Tempo, do qual apenas a sabedoria brota".


Atualmente, o Ouroboros é comumente encontrado em amuletos esotéricos, na simbologia maçônica e na teosofia. 


Porém, também está presente no selo dos Estados Unidos da América, posicionado acima da águia bicéfala. Ainda, é muito comum encontrá-lo em monumentos funerários, fazendo alusão, mais uma vez, aos ciclos da vida.









13 comentários:

  1. Muito bom,, gostei...

    ResponderExcluir
  2. Parabéns. Muito bom o conteúdo é a explicação. ☺

    ResponderExcluir
  3. Ótimo conteúdo, tem alguns erros de ortografia no texto mas fora isso parabéns.

    ResponderExcluir
  4. ADORO ESSE BLOG.SEMPRE ENCONTRO RESPOSTAS NO MOMENTO EXATO. ESSA SIMBOLOGIA É MUITO PERIGOSA EM MÃOS ERRADAS. AGRADECIDA AOS GRANDES MESTRES DA HUMANIDADE E DO COSMO

    ResponderExcluir
  5. Em Questão, bem curioso o fato que ainda persiste, quem criou a " Cobra " ou " Dragão ", pois, é a ideia de algo além da Terra. Curiosidades, curiosidades e mais curiosidades. De Fato a vida é Magnífica !

    ResponderExcluir
  6. O ourobouros é também um símbolo do orixá Oxumarê no candomblé ketu, originário do Benin e da Nigéria, na África Ocidental: ele é a cobra-arco-íris (terra/céu) que morde a própria cauda. Ele é o orixá das dualidades da existência, do movimento constante e renovadores, dos ciclos e do equilíbrio das forças da natureza. Essa característica dual e cíclica se manifestam nos seus filhos, sempre atrás de se renovar, se equilibrar e evoluir.

    ResponderExcluir
  7. Oxumarê é concebido assim no candomblé:

    https://goo.gl/images/QM64Mx

    PS:como gostei do artigo e ele falou de várias culturas, quis dar uma contribuição nacional para enriquecê-lo.

    ResponderExcluir
  8. Acho que o mundo é realmente algo natural ... Algo assim tão Medonho tambem so poderia ser criado por alguem la nao muito certo ...

    ResponderExcluir
  9. Parabéns. Gostei muito do trabalho descrito.

    ResponderExcluir
  10. Nada na vida acontece por acaso! Achar este blog neste momento tão difícil e complicado de minha vida, foi uma benção! Gratidão imensa do fundo do meu coração. Sempre adorei o símbolo do ouroboros e as cobras em geral (para mim representam a sabedoria). Adorei os esclarecimentos acima. E o blog em geral!!!

    ResponderExcluir
  11. Muito bom...esclarecedor

    ResponderExcluir