sábado, 1 de novembro de 2014

O ALTO PREÇO DO MATERIALISMO




Não importa quanto as tecnologias de mapas e GPS avancem, encontrar a felicidade nunca será uma tarefa fácil. Mais: nunca haverá só um caminho possível.


O curioso é que algumas pessoas têm uma facilidade muito grande em associar a felicidade com bens materiais, de forma que “quanto mais coisas eu tenho, mas feliz eu sou”. Será mesmo?




Longe de ser apenas um apelo ativista contra o consumismo, contemplar os efeitos do materialismo é um tema diretamente relacionado ao equilíbrio emocional e ao bem-estar, mais especificamente ligado ao equilíbrio conativo.

“O termo conação se refere às nossas faculdades de desejo e vontade. O equilíbrio conativo, um elemento crucial da saúde mental, se expressa quando os nossos desejos nos conduzem à felicidade, nossa e dos outros”, como explica o Prof Alan Wallace 

Um dos livros mais notáveis publicados sobre este assunto é “The High Price of Materialism” do psicólogo Tim Kasser”.

Kasser descreve detalhadamente as nossas necessidades psicológicas, que motivam nosso comportamento, dentro destes grupos: segurança, proteção e sustento; competência, eficácia e auto-estima; conexão com outras pessoas; e autonomia e autenticidade.

A partir disso, Kasser explica como os valores materialistas nos levam a um estilo de vida e a uma forma de experienciá-la que falham em satisfazer nossas necessidades e em trazer significado e qualidade à nossa vida.

“O problema dos valores materialistas é que, uma vez incorporados ao nosso sistema de valores, tornam-se o ideal pelo qual lutamos e mensuramos nossa competência e o nosso próprio valor. Como resultado, estamos constantemente nos avaliando com base em parâmetros cada vez mais inatingíveis e nos tornamos cada vez mais insatisfeitos com o que conquistamos.”


Contemplar todos esses pontos pode ser também fundamental para todas as nossas relações.

Segundo o estudo, pessoas materialistas são mais propensas a serem deprimidas e insatisfeitas com a vida, em grande parte porque acham mais difícil ter gratidão pelo que elas têm. Pessoas materialistas tendem a ser centradas nelas mesmas, e apenas nelas.

A fixação a aquisição material não apenas mina a nossa felicidade como também distorce a forma como nos relacionamos com as outras pessoas. Kasser comenta a esse respeito: “quando as pessoas colocam grande ênfase em consumir e comprar, ganhar e gastar, pensar no valor monetário das coisas, e pensar em coisas durante grande parte do tempo, podem mais facilmente começar a tratar pessoas como coisas”.



O livro de Tim Kasser parece ir na contramão, mas na realidade reflete uma tendência que está ocupando um espaço crescente: a generalização da insatisfação com o fato de nos matarmos de trabalhar para resultados que não nos satisfazem.

“Quando olhamos a nossa cultura contemporânea de consumidor é claro que as pessoas são constantemente bombardeadas com mensagens de que as necessidades podem ser satisfeitas adquirindo-se os produtos adequados. 

“À medida que acumulamos mais e mais bens, nós não ficamos mais felizes. Nós simplesmente aumentamos o nosso ponto de referência”, disse ele. É como se nos acostumássemos muito rápido a um novo padrão de vida. E, assim, imediatamente passamos a querer algo mais.


Você se sente inseguro na estrada ou na sua casa? Compre o pneu adequado, ou a fechadura. 

Preocupado se vai morrer jovem? Coma este cereal e faça o seguro com esta empresa, por prudência. 

O seu gramado está feio em comparação com o do vizinho? Compre este cortador de grama e tal fertilizante. 

Não consegue o namoro? Compre estas roupas, este shampoo, e este desodorante. 

A sua vida carece de aventuras? Tome estas férias, compre este carro esporte utilitário, ou assine tal revista. 


As sociedades de consumo também providenciam muitos modelos de papel social, sugerindo que uma alta qualidade de vida (ou seja, satisfação de necessidades) ocorre quando alguém atingiu com sucesso objetivos materiais. 

Heróis e heroinas de culturas de consumo são no conjunto ricos, bonitos, e frequentemente famosos. Essas são as pessoas, nos dizem, que têm sucesso, cujas vidas nos devemos nos esforçar por imitar e emular. 

Em face destas mensagens que glorificam o caminho do consumo e da riqueza, todos absorvemos e internalizamos de certa maneira culturas materialistas. Ou seja, incorporamos mensagens de uma sociedade do consumo nos nossos sistemas de valores e de crenças. 


Estes valores então começam a organizar as nossas vidas ao influenciar os objetivos que perseguimos, as atitudes que temos para determinadas pessoas e objetos, e os comportamentos que adotamos.”

A pesquisa de Kasser, no prestigioso MIT, se concentra na avaliação do custo humano do desvio sistemático dos nossos valores e dos nossos comportamentos para a aquisição de bens materiais, gerando frustração que por sua vez gera insegurança e reforço do comportamento consumista.

O ponto de partida é conhecido: dizer que “o dinheiro não traz a felicidade” é uma bobagem verdadeira, pois para pessoas que não têm acesso ao essencial, mais dinheiro significa mais conforto, e uma vida mais satisfatória, coisa bastante óbvia. 

Mas também o inverso é verdadeiro, pois a partir de um certo nível de consumo, da ordem de 10 mil dólares de renda anual per capita (ou seja, algo como 3,3 mil dólares mensais para uma família de 4 pessoas), o aumento de renda já não muda grande coisa no sentimento de satisfação com a própria vida.

Um quadro interessante mostra que entre 1956 e 1998, o nível de renda americano em dólares de 1995 passou de cerca de 7 mil para cerca de 21 mil dólares, ou seja, triplicou, mas a porcentagem de pessoas que se disseram felizes (very happy) permaneceu impressionantemente estável, em torno de 30% da população. 

Kasser relata resultados semelhantes na Europa e no Japão.


Mas o essencial das pesquisas de Kasser está centrado no confronto entre valores que as pessoas nutrem, e a autoavaliação sobre a satisfação com a vida que levam. 

Basicamente, as pessoas que centram os seus valores no sucesso material, na compra de bens, na aparência externa e na popularidade, apresentam sistematicamente indicadores mais baixos num conjunto de avaliações que envolvem desde autoestima até uma série de distúrbios psicológicos.

Muito interessante é o fato de nos questionários apresentados em detalhe no livro, aparecer uma clara diferenciação entre pessoas que buscam satisfação de certa forma “fora” de si mesmas, por meio de bens, imagem projetada, dinheiro, e pessoas que buscam maior satisfação na riqueza cultural, nos relacionamentos próximos e numa certa autenticidade, indicando maior construção “interna” da sua qualidade de vida, na linha da auto-realização. 

Estes últimos apresentam sistematicamente indicadores mais elevados de satisfação, menor frequência de distúrbios emocionais e mentais e assim por diante.

É fácil ser superficial e irresponsável nesta área. Mas a realidade é que Kasser fez a lição de casa, trabalhou décadas em sucessivas pesquisas, e tanto a riqueza das pesquisas como o confronto com pesquisas semelhantes de outros países indicam claramente que corrermos cada vez mais rápido para termos cada vez mais coisas, constitui simplesmente um impasse em termos da prosaica qualidade de vida.


Neste vídeo, Tim Kasser descreve sobre sua pesquisa a respeito do materialismo e valores, que impacto tem sobre nós como consumidores e sobre nosso estado de bem estar, felicidade e comportamento social. 

Trata-se de um excelente resumo de seu trabalho, que, com certeza, encorajará você a conhecer mais sobre seu tão relevante trabalho.

“Pesquisas mostram consistentemente que quanto mais as pessoas valorizam objetivos materialistas, mais baixas são sua felicidade e sua satisfação pessoal. Depressão, ansiedade e abuso de drogas também tendem a ser mais altos”. 

Essa e outras importantes histórias estão no vídeo “Alto Preço do Materialismo“, onde o psicólogo americano Tim Kasser, PhD pela Universidade de Rochester (EUA), dá detalhes de como a cultura consumista materialista acaba com o bem-estar das pessoas, apesar de vender justamente o contrário. 


Uma vida para ter coisas e buscar salários mais altos e cada vez mais bens "não só consome os limitados recursos da Terra, mas torna as pessoas menos felizes e menos inclinadas a ajudar os outros".

"A porcentagem de estudantes que acreditam ser muito importante ou essencial desenvolver uma "filosofia de vida significativa" diminuiu de mais de 80% no final dos anos 1960 para cerca de 40% no final dos anos 1990. 

Ao mesmo tempo, a porcentagem que acredita ser muito importante ou essencial "estar muito bem financeiramente" subiu de pouco mais de 40% para mais de 70%. A máquina de fabricar valores da sociedade é eficaz."

Nesta animação o psicólogo Tim Kasser discute como a cultura do consumismo prejudica o nosso bem-estar e aponta para soluções que prometem um mundo justo, sustentável e mais saudável.




Reflita e entenda; porquê a sociedade está em um processo deliberado de Idiotização e Desumanização em massa.

O processo faz parte de uma agenda política e, embora alguns tenham acordado, a maioria pensa que esse processo se dá apenas por meio da mídia. Na verdade, são implementados com mais vigor nos ambientes feitos para educar: escolas e universidades.

Uma geração idiotizada e robotizada pela própria “inteligência”. Todos estão a serviço de um sistema de marionetes; são quase todos iguais e fazem quase todos as mesmas coisas.







O vídeo é uma tradução feita por Bruno Bártulich para o original em inglês “The High Price of Materialism“, criado pelo Center for a New American Dream, uma ONG americana dedicada à causas ecológicas e a um novo estilo de vida com valores não-materiais. 


A animação desenhada é do estúdio Squid and Beard, formada pela dupla Rob Douglas e JJ Cohoon.





Fonte:http://equilibrando.me/2013/04/10/o-alto-preco-do-materialismo/
http://dowbor.org/2006/02/the-high-price-of-materialism-o-alto-preco-do-materialismo-2.html/

2 comentários:

  1. Mais uma vez muito bom post, parabéns!
    Há tempos vi este filme, a História da coisas (https://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw), em que comenta algo parecido ao texto postado, principalmente a pesquisa sobre felicidade. Quem sabe não daria um mote para uma próxima postagem?
    Tota Maia

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  2. Caro Tota,
    Agradecemos muito sua participação!
    Sugestão anotada!
    Abraços...

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