domingo, 2 de novembro de 2014

LUZES DO MUNDO - RUDOLF STEINER


Rudolf Steiner nasceu em Kraljevec, na Áustria, em 1861, e viveu seus primeiros anos em uma paisagem magnífica, cercada de montanhas. 

Seu pai era maquinista e esperava que o filho se tornasse um engenheiro. Por influência paterna, cursou Ciências Exatas no Instituto de Tecnologia de Viena. 

Mas foi durante os estudos técnicos, na Alemanha, que passou a ter contato com as ideias filosóficas de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e de outros pensadores. 




















Aos 22 anos, Steiner foi contratado para organizar os escritos de Goethe. Ao mesmo tempo em que editava e catalogava as obras do filósofo alemão, começou a desenvolver sua própria linha de pensamento, a Antroposofia, e sua teoria pedagógica, a Pedagogia Wadorf. 

Após um período de vivência em Berlim, Alemanha, no qual sobreviveu como escritor de uma revista literária, Steiner ininterruptamente aderiu a uma trajetória de conferencista e escritor, desenvolvendo a Ciência Espiritual Antroposófica, ou Antroposofia. Inicialmente a expôs ligado à Sociedade Teosófica e, desligado desta, no que fundou sob o nome de Sociedade Antroposófica.

Em 1884, ele escreveu sua obra mais conhecida: A Filosofia da Liberdade. 

Por fim, em 1913, Steiner se mudou para Dornach, na Suíça, onde construiu a sede da Sociedade Antroposófica, por ele fundada. E foi nessa localidade que ele morreu, em 1925.





Em Dornach construíram a sede da Sociedade Antroposófica, denominada Goetheanum onde está atualmente a Escola Superior Livre de Ciência Espiritual. O primeiro Goetheanum foi destruído por um incêndio em 1922. Foi reconstruído e tem participação importante na obra de Steiner como um grande centro de contribuições para os campos do Conhecimento Humano. 


A Sociedade Antroposófica e as Escolas Waldorf foram fechadas pelos nazistas, que queimaram os livros de Steiner (a propósito, ele sofreu deles um atentado no início do nazismo em München - Munique - o que resultou na transferência da sede do movimento antroposófico para a Suíça). 

A Antroposofia e suas iniciativas práticas eram também proibidas na União Soviética, que confiscava os livros de Steiner em sua fronteira até a abertura de 1989; desde lá têm surgido inúmeras escolas Waldorf em países do leste Europeu.

Em 1921 a Dra. Ita Wegman fundou a primeira clínica antroposófica, em Arlesheim, ao lado de Dornach, e que subsiste até hoje com seu nome. Na clínica, Steiner e Wegman já recomendaram o uso de atividades artísticas como terapia, o que foi o germe da terapia artística antroposófica. 

Ela foi desenvolvida mais tarde pelos seus continuadores, sendo aplicada sob forma de pintura, modelagem, arte da fala, musicoterapia, euritmia curativa, massagem rítmica, etc. O movimento médico-terapêutico antroposófico é, depois da Pedagogia Waldorf, talvez o que teve mais sucesso. 


Em paralelo com a Medicina, houve o desenvolvimento de uma farmacêutica antroposófica, produzida principalmente por dois laboratórios, a Weleda e a Wala. Eles seguem inúmeras indicações de medicamentos dados por Rudolf Steiner, bem como resultados de pesquisas recentes. 







Steiner, entre outras obras, dedicou-se principalmente aos campos da Organização Social, Agricultura, Arquitetura, Medicina, e Pedagogia; também Farmacologia e no tratamento de crianças com a Síndrome de Down, dentro da Pedagogia Curativa.

Oferecendo alternativas além das condições materiais de soluções de todos os problemas dos quais tratou, Steiner obteve reconhecimento mundial. Em todos os continentes surgiram centros de atividades antroposóficas como desdobramentos práticos da Ciência Espiritual por ele desenvolvida.


Em suas obras, Rudolf Steiner cita vários educadores e pensadores alemães. A principal fonte de inspiração dele foi sem dúvida alguma o intelectual Johann Wolfang von Goethe (1749-1832). 

A identificação possivelmente ocorreu porque o filósofo, tal como Steiner, compartilhava seu entusiasmo pela ciência sem, no entanto, se portar como um materialista. 






Ciência Espiritual

A Antroposofia é uma filosofia e uma prática que foi erigida por Rudolf Steiner. Ele a apresenta como um caminho para se trilhar em busca da verdade que preenche o abismo historicamente criado desde a escolástica entre fé e ciência. 

Na visão de Steiner, a realidade é essencialmente espiritual; ele queria treinar as pessoas para superar o mundo material e entender o mundo espiritual através do eu espiritual, de nível superior. Há um tipo de percepção espiritual que opera de forma independente do corpo e dos sentidos corporais.

Steiner coloca que, ao se pensar sobre o pensar começamos a fazer acesso a uma consciência diferente da cotidiana. A primeira experiência que podemos ter de um conceito que não encontra correspondente nas percepções do mundo é a vivência do próprio Eu. É a primeira instância de uma experiência no puro pensar. 



A partir daí muito mais pode ser vivenciado no puro pensar, vários conceitos que não encontram correspondentes em percepções físicas, mas para isso Steiner diz ser necessário ampliar a capacidade de nossa consciência e apresenta exercícios para tal.

Pode-se resumir a Antroposofia de Steiner como um modo de alcance de um conhecimento supra-sensível da realidade do mundo e do destino humano. 

Mas, o conteúdo desse resumo é complexo e remete a um estudo de extremas profundidade e disciplina, aliadas a um método de exercícios metódicos precisos, com o intuito de revelar no homem o divino que neste reside adormecido. 

A Antroposofia, o corpo de conceitos derivados da Ciência Espiritual, coloca o Antrophós (Homem) como participante efetivo do mundo espiritual através de seus corpos superiores, tornando assim evidente no mesmo o conceito do Theós (Deus).

A Ciência Espiritual é o meio de experiência consciente direta com o mundo espiritual, não se tratando, portanto, de uma forma de misticismo. 

É denominada ciência pois seus resultados podem ser verificados por qualquer um que se dispuser a se preparar neste sentido por meio do trabalho interior. Trata-se, por isso, de um conhecimento exato possível de ser acessado pelo pensar, desde que ele seja desenvolvido para tal pelo trabalho diário (exercício de concentração, revisão da memória, ação pura, percepção pura, etc).

Antroposofia:






Steiner definiu a antroposofia como "um caminho de conhecimento para guiar o espiritual do ser humano ao espiritual do universo." 

O objetivo do antropósofo é tornar-se "mais humano", ao aumentar sua consciência e deliberar sobre seus pensamentos e ações; ou seja, tornar-se um ser "espiritualmente livre".

Antroposofia (palavra derivada do grego anthropós, homem, e sophia, sabedoria) é uma filosofia de vida que reúne os pensamentos científico, artístico e espiritual numa unidade e que responde às questões mais profundas do homem moderno sobre si mesmo e sobre suas relações com o universo.

A Antroposofia é um método de conhecimento que aborda o ser humano em seus níveis físico, vital, anímico e espiritual, e mostra como essas naturezas, absolutamente distintas entre si, atuam em constante inter-relação. 

Trata-se de uma Ciência que se interessa pelos processos físicos abordados pelas ciências naturais e também por todos aqueles processos que não podem ser materialmente mensuráveis. 

Esta abrangente e organizada compreensão do ser humano e de seus relações com o Cosmos trouxe um substancial enriquecimento a todos os campos práticos da sociedade, contribuindo, com suas descobertas, para uma vida humana mais íntegra.

Steiner ministrou vários ciclos de palestras para médicos, a partir dos quais surgiu um movimento de medicina antroposófica que se espalhou pelo mundo e agora inclui milhares de médicos, psicólogos e terapeutas, e que possui seus próprios hospitais e universidades médicas. 






A antroposofia possui seus detratores. Os críticos designaram-na como um culto com similaridades em relação aos movimentos da Nova Era. 

Não existe culto dentro da Antroposofia mas, mesmo se existisse, seria um que fortemente enfatiza a liberdade individual. 

Ainda, alguns críticos sustentam que os antropósofos tendem a elevar as opiniões pessoais de Steiner, muitas das quais são estranhas às visões das religiões ortodoxas, da ciência e das humanidades, ao nível de verdades absolutas. Se existe alguma verdade nesta crítica, a maior parte da culpa pertence não a Steiner, mas a seus seguidores. 

Steiner freqüentemente estimulou seus seguidores a testarem tudo o que ele dizia, e em muitas ocasiões, até mesmo escreveu e implorou a eles que não tomassem nada do que dissesse com base na fé ou autoridade.


Outras vertentes práticas da antroposofia incluem: a arquitetura orgânica (a sede da Sociedade Antroposófica Geral — veja Seção "Ligações externas", o Goetheanum, em Dornach, Suíça, é uma amostra dessa arquitetura), a agricultura biodinâmica, a educação infantil e juvenil (pedagogia Waldorf), a farmácia antroposófica, que é uma extensão da homeopática (Wala, Weleda, Sirimim), a nova arte da euritimia ("o movimento como verbo e som visíveis"), e a pedagogia curativa e terapêutica social, em que se destacam os centros denominados Vilas Camphill.


A Pedagogia Waldorf




Mais do que uma concepção de ensino, o filósofo, educador e artista Rudolf Steiner  criou uma linha de pensamento que enxerga o homem além do material. 

É a Antroposofia, que prega o conhecimento do ser humano aliando fé e ciência. Sua Pedagogia é um reflexo dessa forma de pensar, que sobrevive há um século. Ideias defendidas por ele, como a de que todos carregam uma bagagem das vidas passadas, às vezes afastam os educadores, temerosos de que o ensino seja contaminado pelo exoterismo. Não é preciso comungar da visão espiritual de Steiner para tirar benefício desse modo de ver a Educação. 

A Pedagogia Waldorf, desenvolvida por ele, é aplicada em escolas específicas. São cerca de 800 ao redor do mundo. Tudo começou quando o diretor de uma fábrica em Stuttgart, na Alemanha, pediu que Steiner o ajudasse na fundação de uma escola para os filhos dos funcionários. A empresa chamava-se Waldorf-Astoria - daí o nome dado ao método de ensino, nascido em 1919.


No livro A Educação da Criança Segundo a Ciência Espiritual, Steiner declara: "Não são, pois, as sentenças morais nem os ensinamentos da razão que atuam nesse sentido sobre a criança, mas apenas o que os adultos fazem em sua redondeza de maneira visível". 

A primeira coisa que a criança deve aprender ao entrar na escola é o que foi fazer lá. Steiner sugere o seguinte: "Vocês vieram aqui para aprender coisas que os adultos são capazes de fazer e vocês ainda não, como escrever". 

Na Educação Infantil, Steiner vê a importância de estimular a imaginação. Não se deve oferecer brinquedos industrializados, que já vêm prontos. 


Steiner combate a Educação massificada e valoriza as características individuais. Ele adota o conceito de quatro temperamentos básicos, descritos inicialmente pelo grego Hipócrates (460-377 a.C.), para explicar por que crianças em estágios similares de desenvolvimento reagem a estímulos de formas diferentes. 

Na sua concepção, a melancólica não consegue fazer uso do próprio corpo, a fleumática tende a permanecer acomodada em seu interior, a sanguínea é cheia de vida e leve e, por fim, a colérica é aquela que tenta se impor em todas as ocasiões que compõem sua vivência. 

Steiner ressalta sempre que a criança é educada "de alma para alma", ou seja, a do professor não pode desprezar a do estudante.







Segundo a Antroposofia, cada elemento, substância e ser vivo sobre a face da Terra fazem parte de um conjunto harmônico que respira como um verdadeiro cosmo vivo. 

Esse cosmo possui um aspecto sensível, visível e mensurável com o qual nos relacionamos através de nossos sentidos e que compreendemos racionalmente através da nossa ciência acadêmica, mas também possui um conjunto de forças não visíveis, o seu aspecto imaterial ou supra-sensível. 






Para a Ciência Espiritual de Rudolf Steiner, esse campo supra-sensível é tão real e passível de ser estudado, quanto o mundo material. O ser humano ocupa uma posição muito peculiar dentro dessa cosmovisão. Ele é considerado uma imagem condensada desse mundo ao seu redor. Um microcosmo em permanente interação com o macrocosmo material e espiritual.

Steiner morreu em 30 de março de 1925 em Dornach. Toda sua obra foi publicada, incluindo seus livros e cerca de 6.000 palestras, compreendendo mais de 350 volumes.










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