terça-feira, 28 de outubro de 2014

O Gato e A Espiritualidade



Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. 

Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. 

O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. 


Relaciona-se com a essência. 

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. 

A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. 

Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. 


É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. 

Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. 

Nada diz, não reclama. Afasta-se. 

Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. 


Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. 

O gato vê mais e vê dentro e além de nós. 

Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. 

O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. 

É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. 


O gato é um silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. 

O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. 

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. 


Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! 

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga.

Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. 

Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. 


Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. 

O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. 

Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. 

Lição de saúde sexual e sensualidade. 

Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. 

Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. 


Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. 

Lição de salto. Lição de silêncio. 

Lição de descanso. Lição de introversão. 

Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. 

Lição de religiosidade sem ícones. 

Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. 

Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. 

O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem.


O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, - normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali.


Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, pois ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele. 

O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta. 

No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. 

Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. 

Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. 


"O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final."






Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausman
http://pensamentosubliminar.blogspot.com.br/2014/01/o-gato-e-espiritualidade.html

4 comentários:

  1. Em um de seus Livros, Paulo Coelho cita a "Tradição do Gato" em um Mosteiro Budista, mas deu á entender que essa tradição não tinha fundamento, vejo agora que ele não conhecia a "Mistica do Gato"...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Luiz Lima , Ví o mosteiro do gato saltitante em um documentário , os monges levantavam a mão e o gato pulava sobre ela (eles estavam sentados claro).Obrigado por este post sobre os gatos ! Ótimo ! Parabéns pelo blog !

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