quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ANGKOR - A CIDADE MITO DO CAMBOJA



A maior cidade medieval do mundo, Angkor, escondida na selva profunda do Camboja, revelou grande parte de seus mistérios aos cientistas graças à tecnologia laser. 

Essa fascinante cidade perdida foi descrita pela primeira vez no diário do explorador francês Henri Mouhot, que ficou deslumbrado com sua descoberta, em 1858. 

Desde então, se tornou um mito escondido, uma Atlântida na selva, e, recentemente, a ciência conseguiu ampliar o conhecimento em torno de sua história.


Angkor é uma região do Camboja que serviu como sede do Império Khmer, que floresceu aproximadamente entre o século IX e o século XIII. 

A palavra "Angkor" é derivado do Sânscrito nagara, que significa "cidade". O período Angkoriano começou em 802 d.C., quando o monarca Khmer Hindu Jayavarman II declarou-se como um "monarca universal" e um "deus-rei", até 1431, quando invasores Ayutthayan (Tailandês) saquearam a capital Khmer, fazendo a sua população migrar para a zona sul de Phnom Penh.

As ruínas de Angkor estão localizadas em meio a florestas e terras ao norte do Lago Grande (Tonle Sap) e ao sul dos montes Kulen, próximo à moderna Siem Reap, e são consideradas como um Patrimônio Mundial da UNESCO. 


Na área de Angkor foram encontradas mais de mil ruínas de templos, variando em escala de pilhas de escombros até o imponente templo Angkor Wat, considerado o maior monumento religioso do mundo e um dos tesouros arqueológicos mais importantes do planeta.

Muitos dos templos de Angkor foram restaurados e, juntos, compõem o sítio mais significativo da arquitetura Khmer. O sítio de Angkor recebe mais de dois milhões de visitantes anualmente.


Em 1586, António da Madalena, um frade Capuchinho português foi o primeiro visitante ocidental a chegar a Angkor. 

Em 2007, uma equipe internacional de pesquisadores usando imagens de satélite e outras técnicas modernas concluiu que Angkor tinha sido a maior cidade pré-industrial do mundo, com um elaborado sistema de infra-estrutura se conectando à uma área urbana de pelo menos 1.000 quilômetros quadrados, a partir dos templos já conhecidos no seu núcleo. 

A rival mais próxima de Angkor, a cidade maia de Tikal, na Guatemala, tinha entre 100 e 150 quilômetros quadrados de área total.

Apesar de sua população ainda ser um tema de pesquisa e debate, recentemente foram identificados sistemas agrícolas na área de Angkor que poderiam ter sustentado até um milhão de habitantes.

Aproveitando a redemocratização do país, a Unesco, ao qualificar o conjunto de templos como Patrimônio Mundial em 1992, abriu as portas para novas fontes de doações que pudessem cobrir os gastos necessários com as restaurações. 

Cooperações bilaterais imediatamente foram criadas e instituições alemãs, francesas e japonesas começaram a trabalhar com o governo cambojano para recuperar as ruínas.

Cinco apsaras esculpidas em uma das paredes internas de Angkor.

Duas apsaras em uma parede exterior do templo. Todas as janelas eram ornadas com pilares finamente trabalhados.

Um longo baixo-relevo na entrada de Angkor ilustra as batalhas épicas do hinduísmo.

Em duas décadas, Angkor Wat passou de um lugar misterioso tomado pela floresta a uma das atrações turísticas mais importante da Ásia, tão admirável como o Taj Mahal na Índia ou a Grande Muralha na China. 

Hoje, quase dois milhões de visitantes chegam ao vilarejo de Siem Reap para descobrir as estruturas elegantes de um complexo de centenas de templos e pagodas que se espalham por uma área de 150 quilômetros quadrados.

Um de seus templos mais impressionantes, Angkor Wat, foi construído em torno de 1150 e é quatro vezes maior do que o Vaticano. 

Angkor Wat – ou "cidade templo", em sânscrito - é maior que qualquer catedral medieval e protegida por um fosso. 

O templo ergue-se nas regiões alagadiças no centro do Camboja. Sua altura é duas vezes maior que a da Torre de Londres, representando um dos maiores projetos de engenharia da história - não apenas pelo tamanho, mas por ter sido construído sobre água.


Angkor Wat flutua sobre um pântano sustentado por diversas galerias subterrâneas. O local foi construído ao longo de 35 anos (muitas catedrais europeias levaram mais de 200 anos e são muitas vezes menor que Angkor Wat).


O que quase ninguém sabe é que esse templo era cercado por uma cidade de quase 1 milhão de habitantes. 


Angkor Wat é o principal templo do complexo. Rodeado por uma muralha de 3,6 km de extensão, Angkor é considerado o maior monumento religioso do mundo. Pesquisadores concluíram que existem mais pedras aqui – e mais elaboradas – do que nas Grandes Pirâmides do Egito.

O templo Angkor Wat é o principal representante da arquitetura angkoriana, sendo a sua mais refinada realização, e é também a ultima construção realizada sob influência puramente hinduísta. 

O que levou seu rei a construir esse magnifico templo foi a insegurança causada pela forma como chegou ao poder - usurpando o trono do tio aos 14 anos. Pretendendo consolidar-se como legítimo rei, Suryavarman II, no começo do século XII, foi orientado por seus conselheiros e iniciou a construção do templo: a arquitetura e a arte são em diversas culturas uma forma de um rei provar ser o escolhido pelos deuses para reinar. Construir um templo é uma das maneiras de os reis Khmer demonstrarem seu poderio, por isso existem mais de 700 templos espalhados pelo Camboja.


Torre de Angkor Wat

Além do povo, o rei requisitou arquitetos, filósofos, poetas e profetas neste projeto, para que sua alma fosse direto para o paraíso com a construção do templo. Sua escala é divina, reproduzindo na terra o mundo dos deuses em ricos detalhes. A concepção do templo é baseada no Monte Meru, a morada dos deuses, que estaria localizada em um dos cinco montes ao norte do Himalaia. Por isso, no centro fica a torre principal, rodeada por cinco torres – com formato de flor de lótus - que se elevam a 65 metros dos pântanos.

Edificado na primeira parte do século 12 como um santuário hinduísta dedicado a Vishnu, Angkor transformou-se no século seguinte em um templo budista e continua até hoje a ser um local de veneração. 

Angkor representa o coração e a alma do Camboja: é o principal símbolo do país. O desenho do templo está no centro da bandeira nacional azul e vermelha. O perfil do conjunto com suas torres estava presente até mesmo na bandeira vermelha revolucionária adotada durante os regimes comunistas de 1975 a 1989.


Templo Ta Prohm - Angkor Wat


Angkor  Thom

O orgulho que os cambojanos sentem pela majestosa construção tem fundamento. Na época de sua construção, antes de 1150, a Europa vivia um período medieval obscuro e nenhum castelo ou templo no Ocidente chegava aos pés do que era Angkor.

Os detalhes da decoração impressionam até hoje os visitantes. Uma das singularidades é a presença de mais de 3 mil esculturas nas paredes mostrando as apsaras. Cada uma destas ninfas celestiais possui um desenho particular, mas todas apresentam traços em comum: pulseiras, braceletes e colares requintados, uma cintura bem desenhada e seios redondos e perfeitos. Pesquisadores identificaram 37 penteados diferentes.



Agora, uma equipe internacional de cientistas, liderada por Damian Evans, da Universidade de Sydney, desenhou um mapa preciso de uma área de 370 km² ao redor de Angkor Wat – o que foi uma tarefa difícil, dadas as dificuldades óbvias apresentadas pelo terreno selvagem e pelas perigosas minas deixadas pela guerra civil cambojana.

Porém, o esforço foi recompensador: com raios lasers posicionados em um helicóptero, os pesquisadores encontraram paisagens urbanas na selva, com templos, trilhas e aquedutos complexos. 

Imagem produzida através de Raio Laser











Dessa forma, reconstruíram a história da cidade pedida, que teve seu apogeu no final do século XII, quando foi transformada em uma metrópole de 1.000 km², depois de ser a capital do poderoso Império Khmer, que dominou a região durante séculos. 

Em seus tempos de glória, que duraram três séculos, os governantes de Angkor ordenaram a construção de templos descomunais.

E como essa cidade imponente chegou ao fim? 

As causas foram as mudanças climáticas no Sudeste Asiático no final da era medieval. Também pode ser observado, através da tecnologia laser, o enorme dano causado pelas inundações, o que deu início a um processo de deterioração incontrolável. 

No século XV, os reis Khmers abandonaram a cidade, que foi apodrecendo à medida que era devorada pela selva. Agora, a tecnologia e a ciência devolvem ao presente um tesouro precioso do passado.



Um comentário:

  1. Gratidão pelas informações! Gostaria muito de informações quanto a livros ou artigos com maiores informações sobre a história e descobertas deste Templo. laliguarda@hotmail.com

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