sábado, 13 de setembro de 2014

SANTO DAIME


O Santo Daime é um culto cristão surgido no estado brasileiro do Acre, no início do século XX. Seu fundador foi Raimundo Irineu Serra, chamado por seus contemporâneos de Padrinho Irineu e por seus seguidores de hoje de Mestre Irineu.


O movimento religioso do Santo Daime começou no interior da floresta amazônica, nas primeiras décadas do século XX, com o neto de escravos Raimundo Irineu Serra.


Foi ele que recebeu a revelação de uma doutrina de cunho cristão, a partir da bebida Ayahuasca (vinho das almas),  denominada Santo Daime. 



Segundo o próprio Mestre Irineu, ele recebeu essa Doutrina através de uma aparição de Nossa Senhora da Conceição, em uma das primeiras vezes que tomou a bebida, na região de Basiléia, Acre. 

Os hinos do Mestre, que ele começou a receber a partir do começo da década de 30, trouxeram uma forte ênfase nos ensinos cristãos e uma nova leitura dos Evangelhos à luz do Santo Daime, para afirmar, nos tempos de hoje, os mesmos princípios de Amor, Caridade e Fraternidade humana.

O Santo Daime congrega em seus sistemas de rituais e crenças elementos provenientes das tradições indígenas, do catolicismo popular, do espiritismo kardecista, do esoterismo europeu, das religiões afro-brasileiras e do universo da Nova Era. 

Existem duas principais “linhas” ou ramificações que se auto-designam como Santo Daime, o “Alto Santo” e o “Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra”, ou CEFLURIS. Ambos situam sua origem num mesmo fundador, Raimundo Irineu Serra, conhecido como “Mestre Irineu".




O chá de ayahuasca, conhecido popularmente como “Santo Daime”, é consumido por comunidades indígenas da Amazônia há pelo menos 300 anos.


Relatos históricos dão conta de mais de 70 grupos que usavam a ayahuasca – e suas mais de 40 diferentes denominações – nos países ao longo da Amazônia (Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela e Bolívia). O uso nas tribos estava relacionado ao xamanismo, às práticas de cura e aos mitos de origem dos grupos.

Mas foi só nos anos 30, quando o seringueiro brasileiro neto de escravos Raimundo Irineu Serra (1892-1971), o mestre Irineu, fundou a doutrina do Santo Daime, que a bebida passou a ter seu uso incorporado à religião a qual teve o nome vinculado.

Foi mestre Irineu que adaptou o uso da bebida, antes utilizada de forma terapêutica pelos xamãs indígenas, aos cultos, que incorporam elementos do xamanismo caboclo, do catolicismo, do esoterismo e do espiritismo.

Atualmente, estima-se em cerca de 50.000 o número de seguidores da doutrina no Brasil e no mundo. Há igrejas legalmente instituídas em quase todos os estados brasileiros e em países como Espanha e Holanda, além de grupos que celebram os cultos da doutrina em países como Canadá, Inglaterra, Suécia, República Tcheca, Austrália, Estados Unidos, Japão, Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela(Ilha Marguerita) e Portugal.



O Santo Daime posteriormente, de origem a duas novas igrejas. Após uma revelação, um dos discípulos do mestre Irineu, Daniel Pereira de Matos, fundou a Barquinha, igreja mais restrita ao Acre, que tem elementos africanos mais fortes. 

Em Rondônia, outro daimista, José Gabriel da Costa, fundou a União do Vegetal (UDV). Existem hoje, cerca de cinco mil pessoas ligadas à União Vegetal (UDV) em diversos locais do país. Seus participantes ingerem o chá em sessões noturnas quinzenais regulares, em sessões anuais e datas comemorativas cristãs. Essa doutrina poderia ser denominada como cristianismo espiritualista, com influências orientais e de outras religiões


Nestes contextos, a ayahuasca é um sacramento. Em geral, o Santo Daime, a Barquinha e a UDV combinam elementos culturais diversos, como o cristianismo -particularmente o catolicismo de origem popular-, as religiões afro, o esoterismo de origem européia e as tradições espíritas kardecistas, além do xamanismo indígena. Há uma série de categorias comuns, como a ideia de "luz", "força", "mirações" (visões proporcionadas pela ayahuasca), mas cada grupo tem a sua própria doutrina e ritual.



No final da década de 70, muitos jovens de classe média brasileira, a caminho das ruínas de Machu Picchu, conheceram o chá no Acre e se converteram à religião, que migrou da Amazônia para os grandes centro urbanos, como Rio, Brasília e Florianópolis.

Durante a década de 80, segundo a antropóloga Beatriz Labate, o Santo Daime e a União do Vegetal abriram suas primeiras igrejas nos Estados Unidos e Europa.

Os primeiros seguidores de Mestre Irineu no início de sua caminhada no Santo Daime eram pessoas que chegavam em procura de cura para doenças -  físicas e espirituais. No ínicio eram bem poucos, e o próprio Mestre costumava dizer que "quanto menos somos, melhor passamos". 

Dizia também que "o Daime é para todos, mas nem todos são para o Daime", o que explica que tanta gente tenha chegado sem ter se incorporado às fileiras daimistas. 

O QUE É AYAHUASCA ?




Ayahuasca, nome quíchua de origem inca, refere-se a uma bebida sacramental produzida a partir do cipó de jagube e as folhas da chacrona; a bebida contém DMT, uma substancia psicodélica que pode causar alucinações. A Secretaria Nacional Anti-Drogas permite sua utilização, porém restrita a ambientes religiosos.

A Ayahuasca é também conhecida como Vegetal pela União do Vegetal, chá do Santo Daime, ou como o Vinho da Alma (Aya=Alma, Huasca=Vinho), é utilizada em diversos grupos religiosos com objetivo de se atingir um estado ampliado de consciência. Neste estado é possível uma comunhão e uma integração intensa com o Cosmos, com a Natureza e com o Criador. 




O chá da Ayahuasca vem sendo utilizado milenarmente por índios da América do Sul, como instrumento espiritual e ritual, com extrema religiosidade. No século passado surgiram seitas não-indígenas, que passaram a fazer uso do chá. Essa utilização vem aumentando desde a liberação do uso da Ayahuasca para fins religiosos no Brasil.

Existem milhares de relatos de experiências alcançadas com o uso da Ayahuasca, tais como: sentimentos intensos de felicidade, visões, compreensões da psicologia humana, reestruturação da família, estados de êxtase espiritual, samadhi, viagens astrais,  libertação de drogas como o cigarro, a bebida e outros casos de sucesso com recuperação de dependentes de drogas químicas.

Ayahuasca não é droga, não cria dependência, não provoca estados alucinatórios desequilibrados, nem há perda de consciência, pelo contrário, o sentimento é de total controle, maior lucidez mental, controle do corpo, sabe-se perfeitamente onde se esta e o objetivo da experiência, que deve sempre ser orientado por um dirigente responsável através de um grupo religioso sério e legalmente constituído.

Cerca de vinte minutos após a ingestão da Ayahuasca a consciência se altera, mudando as ondas cerebrais. Normalmente ocorre redução da freqüência respiratória, diminuição do metabolismo, da pressão sanguínea etc. e com isso aumenta-se a sensibilidade auditiva, olfativa, da visão e do tato. 




Neste nível a capacidade paranormal aflora espontaneamente, despertando os neurônios, aumentando a capacidade intelectual e criativa. 

Por vezes ocorre um estado chamado de ‘limpeza’, que é o nome dado ao processo de descondicionamento de antigas couraças, musculares e psíquicas; a "magia" está na oportunidade de se entender o porquê e o quê está sendo descondicionado, tanto no plano físico, como no plano do corpo astral e mental.

O resultado é a pacificação gradual da personalidade e da mente, diminuindo a ansiedade e o medo, equilibrando o sistema nervoso - razão e emoção – permitindo desta forma que o cérebro passe gradualmente de estados Beta (atividade normal) para ondas Allfa (relaxamento) e chegando aos profundos estados Teta, onde ocorrem as experiências de êxtase místico-espiritual.



São freqüentes os relatos de sensações de comunhão com o sagrado, fusões com o cosmos e metamorfoses. As pessoas sob o efeito da Ayahuasca costumam narrar visões deslumbrantes de arabescos coloridos, seres mágicos, cidades encantadas, animais, paisagens, e muitos outros. Além disso, é comum serem relatadas modificações nas percepções de tempo e espaço. 

Naturalmente isto faz com que aumente o nível de criatividade, de inteligência e de equilíbrio, dando à pessoa um inegável aumento de sua auto-estima, uma vez que ela se torna mais intuitiva, mais perceptiva, começando a vencer barreiras no aprendizado das coisas que antes tinha dificuldades, ampliando suas possibilidades de atuação na vida e na relação com o próximo.




Diversos estudos realizados pelas entidades que comungam a Ayahuasca certificam que os usuários se tornam pessoas equilibradas, com saúde, ótima memória, possuem facilidade de aprendizado, maior paz de espírito, um profundo respeito pela natureza, e buscam de forma equilibrada promover a paz e a harmonia entre os povos.

Seu uso se expandiu pela América do Sul e outras partes do mundo com o crescimento de movimentos religiosos organizados, sendo os mais significativos o Santo Daime,  a União do Vegetal, a Barquinha, além de dissidências destas e grupos (núcleos ou igrejas) independentes que o consagram em seus rituais.

Origens:




A utilização de substâncias naturais que potencializam a percepção é uma prática milenar presente em várias culturas. Historicamente sabe-se que o uso de plantas de poder sempre teve a finalidade de alterar a maneira cotidiana de entender as coisas, estabelecendo uma ponte entre os homens e as suas divindades.

Diversos povos indígenas, que vivem desde a região da Amazônia até o sul dos Andes, fazem uso ritualístico de várias substâncias alucinógenas. A Ayahuasca, especificamente, é utilizada por cerca de 72 tribos distintas da Amazônia, dentre elas destacam-se os Kaxinawá, Yaminawa, Sharanawa, Airopai, Baranara, dentre muitas outras de cultura xamã. 

Os índios Brasileiros Ashaninkas tomam Ayahuasca nos rituais xamânicos há muitos anos. Para eles a bebida permite contato com parentes mortos e também dá acesso aos ensinamentos de Deus. Crianças, mulheres grávidas e idosos tomam o chá em rituais de cura. 




A proposta básica destes e de diversos outros grupos é atingir o autoconhecimento através de experiências de tipo místico-espiritual, onde por meio de visões e estados de expansão da consciência chega-se a um estado de integração total com o cosmos, com a natureza e com o Criador.

Enteógeno:

A primeira vista este chá normalmente é classificado pela sociedade como ‘droga’ ou ‘alucinógeno’. 



Os que classificam a Ayahuasca como ‘alucinógeno’ também cometem impropriedade conceitual, segundo o antropólogo norte-americano Gordon Wasson. Ele distingue ‘estados alterados de consciência’ ou ‘alucinações’ de ‘estados ampliados de consciência’ – sendo estes alcançados com a ingestão de Ayahuasca em contexto religioso, sob a supervisão de um dirigente responsável. 

Para alguns pesquisadores, a classificação da Ayahuasca como "alucinógeno" é uma imprecisão, pois a mesma não causa perda do contato com a realidade - como pressupõe o termo - mas sim um grau ampliado de percepção que permite a compreensão daquela realidade com maior clareza ou transcendência.




Nesse sentido, pesquisadores da área de Etnobotânica têm proposto a classificação da Ayahuasca como "Enteógeno", ou seja, substância que "gera uma experiência de contato com o divino", causando uma sensação generalizada de aproximação com o Sagrado e facilitando o autoconhecimento e o aprimoramento do ser humano.

Até o momento, ninguém jamais conseguiu demonstrar qualquer afirmação negativa contra o uso ritualístico da Ayahuasca ou mesmo que contrarie o que sempre foi afirmado, que a mesma utilizada em contexto religioso, é benéfica à saúde física e espiritual do ser humano.


Feitio



O feitio é cerimônia ritual em que se produz a bebida enteógena utilizada no culto do Santo Daime. As duas plantas com que é preparado o santo daime são:

• O banisteriopsis caapi, conhecido popularmente como jagube, mariri, entre outras denominações, e 
• A psicotria viridis, popularmente rainha ou chacrona.

O jagube é batido com marretas de madeira, e depois de as folhas do arbusto rainha haverem sido limpas, os dois são cozidos em água. Esse primeiro cozimento é retirado e colocado em outra panela com uma nova quantidade de jagube e rainha. Após esse segundo cozimento está pronto o daime.

No feitio os homens batem o jagube, e cuidam de seu cozimento; as mulheres, cuidam das folhas. 

O ritual de preparo do chá é realizado na última lua nova do mês, recaindo em um fim de semana, quando então é feita a limpeza das plantas. Em seguida, prepara-se a infusão a partir dessas plantas (iniciando o cozimento da folha e do cipó em camadas alternadas), indo ao fogo três vezes, representando o firmamento do sol, lua e estrela. Em seguida, ocorre a ingestão junto aos cânticos dos hinos.





Atualmente são inúmeras as igrejas de Santo Daime no Brasil e no mundo. Em quase todos os estados da federação brasileira encontram-se igrejas, centros e "pontos", pequenos grupos que comungam desinstitucionalizadamente a bebida sagrada. 

O Santo Daime, ao contrário de outras igrejas, não possui uma autoridade central. Cada igreja possui seu responsável e, caso a igreja possua filiais, o responsável pela matriz passa a ser a autoridade central daquele núcleo e suas células. A liturgia daimista originalmente concebida por Mestre Irineu passou por algumas transformações em algumas igrejas, o que hoje permite reuni-las (não separá-las) em dois grupos:

Centros de Iluminação Cristã


Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo (AC)


Igrejas alinhadas ao programa litúrgico original de Mestre Irineu, conhecidas no meio daimista como "Alto Santo", menção ao bairro riobranquense onde está o CICLU (Centro de Iluminação Cristã Luz Universal), igreja que foi presidida pelo Mestre-fundador, que testemunhou seu legado litúrgico quando de seu falecimento. Em tais igrejas, a liturgia original deixada por Mestre Irineu e a comunhão soberana do Santo Daime (ayahuasca) como sacramento se dá sob princípios exclusivamente cristãos.


Centros Ecléticos


“Céu do Mapiá”, localizado no município de Pauiní, Amazonas


Igrejas alinhadas ao programa litúrgico concebido pelo Padrinho Sebastião Mota de Melo e conduzido por seu filho e sucessor, o Padrinho Alfredo Gregório de Mello, no qual a comunhão do Santo Daime como sacramento soberano se dá sob princípios cristãos, de religiões orientais e abarca elementos da Umbanda em alguns trabalhos.

O CEFLURIS é a principal organização responsável pela expansão nacional e internacional da doutrina daimista, contando atualmente com cerca de 40 igrejas no Brasil, além de centros em países como Estados Unidos, Japão, Espanha, Holanda, Portugal, Itália, Grécia, Inglaterra, País de Gales, França, Suíça e Alemanha. 

Sebastião Mota Melo, conhecido como “padrinho Sebastião”, é considerado como a principal liderança do CEFLURIS. Esta organização foi criada em 1974 a partir de uma ruptura com o “Centro de Iluminação Cristã Luz Universal” (CICLU), igreja fundada por Raimundo Irineu Serra e que após a morte deste ficou sob a direção de Leôncio Gomes. 

Em 1983 um grupo de pessoas liderado por Sebastião Mota fundou o “Céu do Mapiá”, localizado no município de Pauiní, Amazonas. Esta atualmente é a sede do CEFLURIS, tendo uma importância central para esta organização. 




Apesar de tanto o Alto Santo como o CEFLURIS serem conhecidos com Santo Daime e terem uma série de semelhanças em seus sistemas de crenças e rituais, há também importantes diferenças. Entre estas diferenças, destaca-se a introdução de alguns rituais, tais como os de Cura e Estrela, instituídos durante a vida de Sebastião Mota Melo, e os de São Miguel e Mesa Branca, mais recentes, estando ligados à atual direção do CEFLURIS, cujo presidente é Alfredo Gregório de Melo.



SANTO DAIME NO COMBATE À DEPRESSÃO




Estudo de pesquisadores da Unifesp e da USP indica que a ayahuasca pode ter efeitos terapêuticos em casos de depressão.


No experimento, os pesquisadores administraram soluções com dosagens variadas, além de placebo, a roedores. A estrutura cerebral de cada grupo foi comparada. Os cientistas concluíram que no cérebro dos animais que tomaram ayahuasca houve diferentes níveis de produção de neurotransmissores – noradrenalina, dopamina e serotonina.

Os neurotransmissores propagam estímulos entre os neurônios. Após a ação, eles são recaptados ou destruídos por enzimas. A ayahuasca inibe as enzimas e concentra os neurotransmissores nas fendas sinápticas, fazendo com que eles tenham uma ação mais prolongada, o que potencializa suas ações.

“Já se sabia que alguns componentes da ayahuasca poderiam agir como antidepressivos. Mas não era sabido que eles alteravam a liberação de neurotransmissores em áreas cerebrais específicas”, afirma Maria da Graça Naffah Mazzacoratti, do departamento de bioquímica da Unifesp, que participou da pesquisa.

O estudo é pioneiro em mostrar que a ayahuasca age de formas peculiares no hipocampo (área relacionada a aquisição de memória) e na amígdala (ligada a emoções).



Para Dartiu Xavier da Silveira, professor de psiquiatria da Unifesp e um dos responsáveis pelo estudo, alguns dos achados sugerem que o ayahuasca possa vir a ser um recurso para outras doenças, como dependência química e ansiedade.

“Os tratamentos dessas doenças não funcionam para todos os pacientes. Cerca de um terço dos pacientes não melhora com nenhum antidepressivo disponível.”



DOCUMENTARIO NATIONNAL GEOGRAPHIC TABU BRASIL AYAHUASCA.






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