terça-feira, 9 de setembro de 2014

Crônicas de Narnia - Seria Aslam uma metáfora a Jesus Cristo?


As Crônicas de Nárnia possuem figuras com significados muito mais amplos do que se pode imaginar na primeira leitura. Lewis sabia como as crianças têm imaginação ampla e pronta para mais novidades do que os adultos, por isso designou as Crônicas a elas. 

Nos livros não é comentado claramente o verdadeiro significado de qualquer cena ou personagem, apesar de Lewis ter confirmado algumas alegorias ou metáforas em cartas aos seus fãs. 

Ao contrário de muitos adultos, as crianças logo percebem o que Clive Staples Lewis queria transmitir. 

Este fato ocorre porque elas estão com suas mentes mais abertas a novidades e informações, além de nunca esperem algo do livro e permitirem que o mesmo transmita tudo a elas. 

Na naturalidade da infância, muitas acabam associando em Aslam a figura de Cristo. O Leão de Nárnia, Aslam, é o único personagem que aparece em todos os sete livros das Crônicas, em alguns livros como personagem central, e em outros como personagem secundário.


Toda a história dos acontecimentos de Nárnia está diluída em seus sete volumes. Desta maneira, o leitor de C.S. Lewis só conhece a verdadeira importância do Leão Aslan conforme lê os livros, um a um. 

O personagem criado pelo autor irlandês na fábula é a personificação de um criador supremo. Foi ele quem trouxe a vida para Nárnia, bem como definiu quem seriam os animais falantes e quais seriam as leis daquela terra.

É um leão-falante, filho do Imperador do Além Mar (este que faria o papel de Deus, reforçando o papel de Aslam como Cristo), que geralmente vive nos bosques de Nárnia e sempre ajuda os narnianos quando estão ameaçados ou com grandes problemas. 


É caracterizado como o guardião constante, protetor e ajudante de Nárnia, assim como protetor das crianças do nosso mundo. 

Apresenta ser um leão muito amoroso, fazendo com que as crianças aproximem-se dele sem medo algum, mas é também muito rígido quando é preciso.


Aslam também é criador de Nárnia como narrado em O Sobrinho do Mago, criando toda a terra através de seu canto, e trouxe seu fim ao destruí-la. 


Aslan talvez seja o personagem mais complexo da saga, já que podem ser feitas muitas interpretações de seu papel em Nárnia. Cabe a Aslan, também, perdoar o irmão traidor, na história contada no livro que virou filme. 

Ele também morreu e logo em seguida ressuscitou quebrando a Mesa de Pedra em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa. Estes pontos destacam um paralelo entre esse personagem e a história de Jesus Cristo. 




Inúmeras referências mitológicas também são encontradas nos contos sobre Nárnia. Influências celtas, vindas da Irlanda, país natal de Lewis, são outras que podem ser notadas na obra.

Mas o maior destaque da história, certamente está na caracterização de Aslam. Aslan é uma criatura de extrema inteligência e bondade. Conhecedor das leis que regem Nárnia, cabe a ele combater a Bruxa. No entanto, não é ele quem governa essas terras. Ele deixa os habitantes terem livre arbítrio para escolherem o que devem ou não fazer ao conduzir suas vidas.


Em sete livros da série, Aslam aparece para livrar Nárnia de ameaças e perseguições de tiranos que geralmente usurpavam o trono e castigavam o país; mas para isso usava sua sabedoria, autoridade, e seus magníficos poderes-sobrenaturais. 

O autor diz que Aslam é uma visão alternativa de Cristo e mostra que esta seria supostamente uma forma que Jesus assumiria se fosse até um país fantástico como Nárnia. Por isso quase sempre o que Aslam faz ou diz ao longo das histórias possui paralelos cristãos.



Aslam, em Nárnia, aparece para salvar seu povo e morre em lugar de Edmundo, salvando-o de seu erro, a traição, e revertendo a Magia profunda. 

Até mesmo os momentos antes de serem aprisionados, a tortura e humilhação são iguais entre os dois personagens. 

Depois de morrer, Aslam também voltou à vida para ajudar seu povo na guerra e depois também sumiu. 

Segundo muitos leitores e cristãos, Aslam seria uma metáfora para Jesus pois os valores e atos praticados por Aslam são semelhantes ao de Cristo.



O armário “mágico” simboliza a presença oculta e misteriosa do mundo espiritual, que, embora ilimitado, pode ser de alguma maneira contido no nosso mundo natural. 


Nárnia é enorme, mas cabe dentro do armário naquele quarto abandonado. O Céu é ilimitado, mas parece poder ser contido, de alguma maneira, no espirito de  todos os seres. É na parte inexplorada da casa, naquele quarto abandonado, que se abre o mundo de Nárnia. É no interior de cada ser, que o Verbo divino nasce.




As características principais do reino de Nárnia, com seus castelos, cavaleiros e seus reis nomeados por Aslam, simbolizam os reinos cristãos que existiram na Idade Média, quando os reis atribuíam sua autoridade à submissão a Cristo, simbolizado na Igreja.



Outra possível referência cristã é a sua transfiguração em cordeiro no livro "A viagem do Peregrino da Alvorada", que seria indubitavelmente uma alusão a Jesus Cristo. Curiosamente essa forma se mostra no País de Aslam, com o qual podemos estabelecer um paralelo com o Paraíso, onde Jesus é constantemente declarado como "o Cordeiro", conforme é descrito.

O afastamento de Aslam no final simbolizaria a Ascensão de Cristo que voltou para o Pai. O fato do leão não ser “domesticado” simbolizaria a liberdade de Cristo em relação às instituições religiosas: “o Espírito sopra onde quer”. 

Em A Última Batalha, as semelhanças bíblicas são ainda maiores. Já no início do livro, vemos o que seria o Anti-Cristo, representado pelo jumento Confuso, influenciado pelo macaco Manhoso. 

Depois da destruição de Nárnia, Aslam cria a Verdadeira Nárnia e leva as criaturas boas para lá, o que segundo os cristãos, lembra mais uma passagem bíblica, o Apocalipse em que Jesus virá e levará os justos para o céu (a Nova Jerusalém), o paraíso.



O fim da história ainda reserva uma surpresa, acompanhada do velho professor, a pequena Lucy espia para dentro do armário, ansiosa por reencontra-se com Aslam. O velho professor diz: “Ele voltará, um dia. Até lá fiquemos de olhos abertos”.

Paganismo




Ao longo do tempo, Lewis recebeu críticas enviadas por alguns cristãos fundamentalistas e organizações cristãs, que entendem que As Crônicas de Nárnia possa ser uma “ferramenta com paganismo e ocultismo”, por possuir temas considerados hereges como, principalmente, a representação antropomórfica de Jesus Cristo como um leão, no caso Aslam. 

Em cada história, Lewis empregou um significado bíblico, conhecido como “Paralelos Cristãos” ou mesmo “Temática Cristã”, na qual a história faz referência a acontecimentos bíblicos, o que tem sido considerado paganismo por usar ‘a palavra de Deus‘,  em histórias ficcionais. 




Esta polêmica retrógrada agravou-se ainda mais, por causa do emprego de criaturas mitológicas reunidas à estes paralelos cristãos, pois algumas Igreja Cristãs, mais conservadoras, acreditam que histórias e seres mitológicos são hereges. 

Lewis alegou dizendo que através de contos ficcionais, com seres e criaturas mitológicas, os leitores, no caso o público infanto-juvenil, aprenderiam um pouco mais sobre o Cristianismo imposto em As Crônicas de Nárnia.



Liam Neeson, o ator que dá voz a Aslan, nega que seu personagem, isoladamente, representa Cristo. Neeson disse que: "Aslan, também simboliza Maomé, Buda e todos os grandes líderes espirituais e profetas ao longo dos séculos".

O leão de uma simples história para crianças ou o símbolo de toda uma fé? 

Aslam é um personagem diferente para muitos, mas Lewis, que também era escritor de teologia, mostrou, pelas semelhanças e imagens usadas, que quis apresentar aos seus leitores aquele mesmo personagem que tanto intriga nosso mundo.


Um comentário:

  1. Ah meu Deus!!!!!!

    Nossa usaram o nosso blog,como apoio para fazer este post ;-; emocionei!!!!!!

    apaixonadasporpalavrasoficial.blogspot.com

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