sábado, 2 de agosto de 2014

OS MISTÉRIOS DA MENTE




Todo ser humano tem um lado filósofo, traz consigo um conjunto de noções sobre o que significa ser dotado de consciência e vontade própria, além da relação que ele e a humanidade em geral guardam com o universo em que vivem.

Há um entendimento compartilhado sobre as relações mente-cérebro que parte da compreensão de dois tipos de acontecimentos distintos. De um lado, os acontecimentos que pertencem ao mundo físico externo e que percebemos pelos sentidos, e, de outro, os que acontecem na nossa mente e temos acesso pela atenção consciente, introspecção e vida interior.

A mente e seus processos sempre foram tão misteriosos e fascinantes para o homem quanto o próprio universo. Mas, de um modo relativo, faz pouco tempo que o estudo da mente se tornou um campo da ciência experimental. 





No século 19, muita coisa se esclareceu sobre a natureza dos processos mentais, as origens da vida emocional e vário tipos de comportamento. E à medida que surgiam noções novas, as teorias antigas e simplistas foram sendo substituídas por indagações cada vez mais complexas.


René Descartes (1596-1650) definiu o pensamento como o conjunto dos processos mentais conscientes: pensamentos intelectuais, sentimentos, sensações e vontade. Achava que a mente trabalhava sempre, até durante o sono. Fez uma divisão completa e total entre o espírito e o corpo, bem mais drástica do que a divisão de Platão (427-347 a.C.), que pelo menos atribui a sensação ao corpo. 

Além disso, Descartes prestou um serviço inestimável por atribuir à mente todos os processos.

Mas o homem ainda se pergunta: O que é a mente? Será que os mistérios vão desaparecer quando entendermos o funcionamento da complexa estrutura anatômica que chamamos de sistema nervoso? Ou a mente tem os seus próprios segredos?



A Mente para os Filósofos:


A concepção que os antigos gregos tinham da mente era bem simples: ela era o órgão que se relacionava apenas com as idéias puras. Platão negava, do modo mais explícito, haver alguma ligação com a sensação. A seu ver, a sensação era a função do corpo inferior, sendo este destituído de qualquer atividade intelectual.

Já Aristóteles (384-322 a.C.) respeitava bem mais o corpo, achando que ele era governado por poderes psíquicos dignos da atenção dos filósofos, poderes relacionados com movimento e sensação. Tão precárias eram suas noções de anatomia que, para ele, a sede física da vida mental era o coração, e não o cérebro, não obstante ter antecipado o pensamento moderno com a crença de que a matéria viva era misteriosamente animada por poderes psíquicos.

Para Aristóteles, há uma hierarquia dos seres vivos baseada na capacidade de conhecimento. Nos animais, que só têm sensibilidade, há pouco conhecimento. Nos seres humanos, que têm memória e faculdades intelectivas, as quais permitem experimentar, ou seja, fazer ciência, a possibilidade de conhecer é infinitamente superior. 


Os Primeiros cristãos admiravam mais Platão do que Aristóteles, e em toda a Idade Média considerava-se que a alma pertencia a Deus e o corpo, a Satanás. Apenas a alma podia conhecer a verdade de Deus. 

Apenas dois mil anos depois de Aristóteles, outro grande filósofo reabriu a velha questão com um novo espírito de investigação.





Foi o francês René Descartes. A mente ativa de Descartes abarcou todos os ramos do conhecimento de seu tempo: matemática, fisiologia, mecânica e filosofia. Cristão devoto, sua filosofia foi uma tentativa corajosa de reconciliar os métodos científicos com a fé em Deus, harmonizar a teoria mecanicista do mundo com a aceitação de que este era criação de Deus. Procurou usar métodos científicos para provar verdades sobre o espírito e a matéria. Daí sua famosa máxima: “Penso, logo existo”; isto é, a existência do espírito não era uma doutrina revelada, mas fato fácil de observar.

Para Descartes, uma ideia é verdadeira quando ela se apresenta a nossa intuição com todas as características da evidência. Sendo clara em si mesma, é dotada de um grau de certeza, e não tem necessidade do filtro da razão, imposto pela dúvida metódica. 

O conhecimento da mente era ainda concebido como uma acumulação de “idéias” estáticas, embora as sensações já estivessem incluídas como parte dele. Era como se a mente fosse vista como um depósito que, de repente, era encontrado repleto de todos os tipos possíveis de objetos. 


Vídeo: Descartes


Há dois mil anos, o estadista e filósofo romano Lúcio Sêneca (3 a.C.-65 d.C.) declarou: “O homem é um animal que pensa”. E ao longo dos tempos os psicólogos continuaram a indagar: O que é o pensamento?


Segundo o filósofo John Locke, as nossas primeiras idéias nos vêm à mente através puramente dos sentidos ou percepção sensorial. Para ele, a reflexão é uma espécie de sentido interno que ocorre quando a mente passa a se deter consigo mesma, em face das percepções sensoriais capturadas no mundo externo.

A mente, então, avançaria em progressão, das idéias mais simples às mais complexas, constituindo assim a própria reflexão. Locke chega mesmo a sugerir que a mente é uma espécie de folha de papel em branco (tabula rasa, em Latim), onde todo o conhecimento está por ser escrito, desenhado, construído, constituído, sempre a partir da experiência.




Já para Kant, a mente deve criticar a si mesma, estabelecendo um limite para o seu raio de ação. Ele acha que a mente tem uma tendência para ir além dos seus limites, havendo necessidade de se impor um controle. Há, no ser humano, um impulso instintivo de ultrapassar o âmbito da experiência verificável para formular conjecturas hipotéticas e doutrinas metafísicas. 

Para Kant, o conhecimento se torna modulado pela mente humana. O mundo, os entes, as coisas estão ali, mas o olhar e o pensar humanos é que dão forma a este mundo.


“Nada há na mente que não tivesse passado pelos sentidos, exceto a própria mente”. - Kant

O filosofo Bergson define a mente como energia pura, o élan vital ou impulso vital, responsável de toda a evolução orgânica. propõe que procuremos apreender a consciência direta e imediatamente em sua riqueza qualitativa e essencialmente distinta dos objetos e eventos materiais.

"Se a mente é a matéria, para que serve a consciência?”  - Henri Bergson 
Para Bérgson, a intuição é o instinto da inteligência. Ele acha que não podemos afirmar a superioridade da inteligência em relação ao instinto: existem coisas que somente a inteligência é capaz de buscar, mas por si só não encontrará nunca; somente o instinto poderia descobri-la, mas não as buscará nunca.




"O olho vê somente o que a mente está preparada para compreender." - Henri Bergson 

A Mente para as Ciências:


Anatomistas e fisiologistas têm revelado a estrutura detalhada do sistema nervoso e os meios pelos quais funciona. Médicos estudam os efeitos de lesões e doenças, e, de suas observações sobre a mente anormal, chegam a conclusões sobre a mente normal. Psicólogos realizam experimentos sobre o comportamento e a percepção de homens e animais. 



Constroem-se máquinas eletrônicas para imitar, até onde é possível, os processos de pensamento, e com eles já aprendemos alguma coisa quanto à aprendizagem e memória. Com os sistemas mais complexos que quase diariamente estão sendo inventados, iremos certamente aprender mais sobre outras funções superiores desse fascinante fator da vida, que é a mente.

Então, o que é a mente? Para alguns cientistas, ela é apenas uma sucessão de representações criadas através de sistemas visuais, auditivos, táteis e, muito frequentemente, das informações fornecidas pelo próprio corpo sobre o que está acontecendo com ele — quais músculos estão se contraindo, em que ritmo o coração está batendo e assim por diante. Em resumo: a mente é um filme sobre o que se passa no corpo e no mundo a sua volta do qual temos plena consciência.

A questão da consciência ocupa hoje um lugar privilegiado porque a biologia em geral, e a neurociência em particular, alcançaram notável êxito em decifrar segredos da vida. 

É possível que se tenha aprendido mais sobre o cérebro e a mente na década de 90 - a década do cérebro - do que durante toda a história da psicologia e da neurociência.


O médico alemão que se fez filósofo, Wilhelm Wundt (1832-1920), usando suas técnicas e métodos, expandiu suas investigações para muito além do campo da sensação pura. Começou a identificar uma série de funções mentais bem semelhantes àquelas em que o homem baseara suas primeiras alegações de superioridade sobre outros animais. 

Para Wundt,  o estudo da mente, deriva-se da experiência consciente do Homem – a consciência – e foi no seu laboratório, em Leipzing que procurou conhecer os elementos constitutivos da consciência, a forma como se relacionam e associam. 

Desta forma, Wundt contrapõe-se a um dualismo entre mente e corpo,  eliminando a ideia de uma mente substancial, em prol de uma definição que a entende como uma existência ativa e em constante desenvolvimento.


Com as recentes descobertas, entretanto, o interesse demonstrado por especialistas - e também por leigos - em questões relacionadas ao psiquismo vem ganhando cada vez mais impulso. Muitos tentam mesmo explicar o que há poucos anos era tido como inexplicável. Os mais céticos consideravam o tema impossível de ser abordado do ponto de vista científico: a mente como um todo e os fenômenos a ela relacionados - como o pensamento, a memória e a própria consciência.



Os problemas da filosofia da mente e das ciências da cognição são hoje em dia extremamente estimulantes por procurarem estudar fenômenos que até há pouco tempo eram considerados além do alcance da ciência.


No prefácio de seu volumoso livro "Como a mente funciona", o psicólogo e lingüista canadense Steven Pinker avisa: "Não entendemos como a mente funciona". E cita o também lingüista americano Noam Chomsky, para quem nossa ignorância pode ser traduzida em "problemas e mistérios". 

"Quando estamos diante de um problema, podemos não saber a solução, mas temos insights, acumulamos conhecimento crescente sobre o tema e temos uma vaga idéia do que buscamos. Porém, quando nos defrontamos com um mistério, ficamos ao mesmo tempo maravilhados e perplexos, sem ao menos uma idéia de qual seria sua explicação." 


Para Pinker, a mente humana é vulnerável a enganos e ilusões. Nossas impressões sobre quão violento e cruel é um determinado episódio devem-se à nossa memória, que sempre é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos ou vivenciamos algo.



Quais as ferramentas de que dispõem os cientistas para se aventurar nessa imprevisível caminhada? 

Desde o momento em que se debruçaram sobre o assunto, apropriaram-se de recursos mais sofisticados a cada dia. 

Apesar do peso de nossa oceânica ignorância, temos encurtado as distâncias com velocidade cada vez maior. Avanços tecnológicos estão mais e mais disponíveis. Em linhas gerais, render-se ao fascínio dos mistérios e empenhar-se em desvendá-los para tomar mais confortável a existência de grande número de pessoas, são hoje o grande desafio dos estudiosos das ciências da mente.



Alguns neurocientistas alertam para não confundir a mente com o cérebro. Segundo eles: O corpo e o cérebro de todas as pessoas podem ser observados por outros; a mente, no entanto, é observável apenas por seu dono. 

Explicam ainda: Várias pessoas podem fazer as mesmas observações a respeito de um corpo ou cérebro de alguém, mas não é possível que uma delas faça uma observação direta comparável sobre a mente desse alguém. O corpo e o cérebro são públicos, expostos, externos e inegavelmente objetivos. A mente é privada, oculta, interna e inequivocamente subjetiva.

Técnicas empregadas para estudar o cérebro incluem exames sofisticados e a medida de padrões de atividade neuronal. Os neurocientistas afirmam que a exaustiva compilação dessas informações resulta em correlatos de estados mentais, mas nada que se pareça a um estado mental efetivo. 




Para eles, a observação detalhada de matéria viva conduz, portanto, não à mente, mas tão somente aos detalhes da matéria viva. 

A compreensão de como é gerada a sensação do "eu", marca da consciência mental - a sensação de que as imagens em minha mente são minhas e se formam de acordo com minha perspectiva -, parece estar longe de acontecer.

Seguindo essa premissa fica claro que elucidar o surgimento da mente consciente, depende da existência dessa mesma mente consciente. Levar adiante uma investigação usando o próprio instrumento que está sendo investigado torna tanto a definição do problema, como a maneira de solucioná-lo especialmente complexas. 

Dado o conflito entre o observador e o observado, dizem, é provável que o intelecto humano não esteja à altura da tarefa. 




"Os cientistas começaram a notar nos anos 90 e 2000, que a mente inconsciente não é algo que se acessa com psicoterapia ou introspecção. Não é algo que está escondido de nós por razões emocionais. Como a neurociência tem demonstrado, ninguém vai conseguir acessar o seu inconsciente olhando para si mesmo, pensando e falando. Não é assim que a mente opera." - Leonard Mlodinow



Experimentos que vêm sendo realizados por cientistas há anos conseguiram mapear a existência de atividade cerebral antes que a pessoa tivesse consciência do que iria fazer. Ou seja, a mente já sabia o que seria feito, mas a pessoa ainda não. 

Seríamos como computadores de carne - e nossa consciência, não mais do que a tela do monitor. Um dos primeiros trabalhos que ajudaram a colocar o livre-arbítrio em suspensão foi realizado em 2008. 

O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.




O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Vírginia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais de nossa mente, também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. 

Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. 

Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como a mente traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.


"Ao compreender a mente em nível mais profundo, nós a veremos como o mais complexo conjunto de fenômenos biológicos da natureza, e não como um mistério de natureza desconhecida."  - António Damásio

O português António Damásio é um dos maiores nomes da neurociência na atualidade. Radicado nos Estados Unidos desde a década de 70, e professor da University of Southern California, em Los Angeles, onde dirige o Instituto do Cérebro e da Criatividade, ele conduziu pesquisas que ajudaram a desvendar a base neurológica das emoções, demonstrando que elas têm um papel central no armazenamento de informações e no processo de tomada de decisões.


"Ao longo desses anos todos, o estudo sobre a estrutura do cérebro avançou muito e ajudou a entender melhor certas operações, como a memória e a consciência. Além disso, por meio das minhas pesquisas pude perceber a importância das emoções e dos sentimentos na construção do nosso raciocínio. Para ter o que chamamos de consciência básica é preciso ter sentimentos. Isto é, é preciso que o cérebro seja capaz de representar aquilo que se passa no corpo e fora dele de uma forma muito detalhada. É daí que nasce a rocha sobre a qual a mente forma sua base e se edifica."

No vídeo abaixo, Antonio Damasio,  expõe em palestra ao TED a sua proposta sobre o que permite que existam mentes conscientes como as nossas. 

A mente consciente seria o resultado de um self (perspectiva subjetiva) no foco da mente. Para responder ao mistério da mente consciente, Damasio explica que precisamos entender como a mente é construída  no cérebro e somo o self é construído.


Para tradução, ativar legendas em português



Vídeo: António Damásio - Entrevista Exclusiva (Fronteiras do Pensamento)




A Mente para os Espiritualistas:

Por natureza, há no homem o desejo pelo conhecimento, e esse desejo pode ser satisfeito, em, parte, pelas ciências ou outras formas de conhecimento intuitivo. Somente a virtude da sabedoria, entretanto, satisfaz plenamente a este anseio profundo do homem. 



Para os espiritualista, a mente não pertence ao cérebro e o cérebro não explica a mente, embora exista uma interação entre os dois. A mente é uma entidade independente, é uma segregação cerebral. O cérebro é o meio que expressa a inteligência no mundo material. 

O cérebro só age segundo suas limitações mecânicas, físicas e corporais, enquanto a Mente é livre para voos que superam as fronteiras concretas, ou materiais. No entanto, somos todos tragados pelo ardil da mente. A mente cria, ilude, engana. A mente MENTE!




"Se nos identificamos com a mente criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras. Essa tela se situa entre você e o seu eu interior, entre você e o próximo, entre você e a natureza, entre você e Deus." - Eckhart Tolle

Por isso, a maioria dos estudiosos da mente humana faz da inteligência um atributo do cérebro. Há uma diferenciação significativa entre a pesquisa acadêmica voltada para os aspectos materialistas, e a espiritualidade. 

Na perspectiva teórica materialista a mente é alguma coisa muito concreta, espacial, lógica, objetiva, física, absoluta. Já na perspectiva espiritualista ela é vista como alguma coisa mais abstrata, temporal, subjetiva, metafísica e, portanto, relativa.



Enquanto a ciência humana faz da mente o excretor da inteligência, a espiritualidade considera a mente um obstáculo a ser transposto.  É importante que a espiritualidade e a Ciência se complementem, até porque, as leis do mundo espiritual e as leis do mundo material são faces de uma realidade comum, - a vida.


Em pleno século XXI,  os cientistas já compreendem a estrutura e as funções do cérebro, mas nada sabem sobre como as identidades se formam dentro dele. Ou de que modo as experiências moldam essa identidade ou de como nos reconhecemos. Ter conhecimento sobre as funções cerebrais ainda não confere aos humanos, crédito suficiente para serem autoconscientes. 

Ser autoconsciente é uma conquista diária. Significa saber que algo dentro de todos os seres - que não é local - faz uso dessa incrível máquina cerebral. Significa saber, invariavelmente, que a consciência, que é a local, permeia o  cérebro trazendo a qualidade das ações, pensamentos e sentimentos, transcendendo todos os parâmetros neuro/psicológicos conhecidos. 



Para os espiritualistas, o conhecimento da mente não é um objetivo, não é um fim último. Significa apenas conhecer a nossa limitação de momento a momento. Uma mente que não percebe a sua própria limitação, nunca pode experimentar a verdade; mas se a mente está cônscia de sua limitação, sem condenação, sem justificação, se está completamente cônscia de sua limitação, verá como vem uma libertação da limitação, e nessa liberdade revela-se a verdade.

A mente não é apenas uma parte de nós não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também, as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz. E esse ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior, que é inseparável do Ser. Isso faz com que a mente crie um falso eu interior que projeta uma sombra de medo e sofrimento sobre nós.





"É essa atividade do “eu” que está causando males e sofrimentos, tanto em nossas vidas individuais como em nossa existência como grupo e como nação. E só podemos pôr fim a tudo isso se compreendermos inteiramente os processos de nossa mente." - Krishnamurti 

Vídeo:  Krishnamurti - A mente é escrava.


Para os espiritualistas, a mente é algo a ser transcendido. Isso não significa destruir a mente, mas, sim, conectá-la a alguma coisa maior. Transcender  significa usá-la como veículo necessário, através do qual as grandes verdades podem ser transmitidas. Alma e espírito incluem o corpo, as emoções e a mente; não os eliminam.


"Existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, este é apenas um aspecto diminuto da inteligência. Percebemos que todas as coisas realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar."  - Eckhart Tolle

Vídeo : A origem do ego - Eckhart Tolle


Enfim, o desafio que constitui a compreensão do funcionamento mental em todas essas esferas, permanece um mistério. Ainda estamos longe de desvendá-lo, mas não resta dúvida de que os primeiros passos foram dados.


A grande lacuna que devemos transpor em nosso conhecimento da mente, continua sendo esta: de que maneira conseguiremos transcender o "eu" da mente, para que possamos transformar nossa consciência?

Vídeo: Nossa busca pela consciência - Flavio Siqueira







3 comentários:

  1. Excelente documentário! O melhor que alguma vez vi ...parabéns!

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  2. grande mistério a mente humana, ainda a muito a ser desvendado.

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  3. ESVAZIANDO A LIXEIRA DA MENTE E PROTEGENDO OS ARQUIVOS IMPORTANTES
    O primeiro método que usei para me livrar das coisas que não gostava em mim foi escrever numa folha de papel tudo aquilo de que eu não gostava e que eu não queria para minha vida. Depois de fazer isso, rasgava e, enquanto rasgava, me sentia aliviado como se estivesse descartando aqueles “arquivos” de ressentimentos.
    Assim que esvazia a mente virtualmente, pegava ... http://marcelonazar.blogspot.com.br/p/esvaziando-lixeira-da-mente-e.html

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