sábado, 16 de agosto de 2014

O UNIVERSALISMO ESPIRITUAL




O processo de globalização tem um alcance muito além da economia. Como um sistema total, que incorpora elementos sociais e políticos, essa transição mundial foi colocada em marcha por diversas forças históricas e filosóficas. Neste contexto, a espiritualidade encontra-se na dianteira e no centro da busca por um novo paradigma internacional.

Em nenhum outro lugar isto é mais evidente do que na reorientação filosófica em direção ao universalismo espiritual — a ideia que todas as religiões e fés são simplesmente caminhos divergentes que eventualmente levam ao mesmo objetivo final.



A ideia de universalidade está mais ligada à livre expressão religiosa e espiritual do que com norma ou dogma religioso. Neste sentido pode-se afirmar ser o Universalismo, uma força antagônica ao fundamentalismo, de caráter mundial e que se expande a cada dia. Suas características são diametralmente opostas às do fundamentalismo religioso.

Os universalistas representam o primeiro passo da “espiritualidade” (o processo individual) como uma proposta emergente de natureza inserida socialmente, aberta ao diálogo, tolerante e libertadora.

Se uma teologia mundial ou uma "convergência" religiosa é parte do processo de globalização, podemos ver prenúncios dessa mudança hoje? 

O Universalismo Espiritual



Muito se fala sobre o Universalismo Espiritual e falam como sendo algo utópico, algo muito além e muito distante de nossa realidade. 

Mas será que o Universalismo Espiritual está tão distante assim? Faz-se necessário demonstrar que essa transição no pensamento está ocorrendo agora.


"Não importa se você é cristão, ou budista, ou muçulmano, ou judeu. Somos todos iguais. Todas as religiões são caminhos para Deus."



Não há dúvida que o contexto religioso/cultural/histórico cristão do mundo ocidental está sob severa pressão. 

O pluralismo espiritual, outro termo que denota o universalismo religioso, se inseriu no tecido da sociedade que antigamente era reconhecida como predominantemente baseada no cristianismo. Assim, a confusão parece reinar de igual forma nos púlpitos e nos bancos das igrejas.

No continente americano, na Europa e nas nações ocidentalizadas da Oceania, o fenômeno do universalismo religioso parece derivar do movimento da contracultura do fim dos anos 60 e início dos anos 70. 

Foi durante aquele tempo que o status quo da sociedade foi questionado e desafiado por uma geração que se rebelou abertamente contra as normas e padrões tradicionais.



Espiritualmente falando, foi naquela época que nasceu o moderno Movimento de Nova Era, que ajudou a definir o rumo para o pensamento pós-moderno atual. (O pós-modernismo é definido como uma trajetória cultural que rejeita os valores ocidentais e os parâmetros convencionais e aceita o relativismo, o pluralismo e a interdependência.).

As raízes do pluralismo religioso ocidental são muito mais profundas. De fato, os fundamentos da mentalidade pós-moderna e universalista atual podem ser rastreados até diversos fatores filosóficos e sociais de centenas de anos atrás. 


A ideologia do Universalismo Espiritual se baseia em teorias orientais e na ideia de que o indivíduo, ao invés de aderir com exclusividade a qualquer credo, sistema, doutrina, fé, religião, instituição, mestre ou movimento, deve fazer sua síntese pessoal de tudo o que se relaciona à espiritualidade – uma síntese de Ciência, Filosofia e Religião.

Entre os pressupostos mais importantes do Universalismo, temos: as religiões são criações humanas e não imposições divinas; nenhuma corrente de pensamento pode monopolizar as verdades relativas ou absolutas; há muitos caminhos para se atingir a realização espiritual, dentro e fora das religiões; a ética (amor incondicional, fraternidade) é mais importante que a fé escolhida; não há alguém que possa ser considerado o “melhor” guru ou mestre espiritual da humanidade; tudo o que contribui para o esclarecimento espiritual e da consciência é válido e relevante, merecendo respeito e avaliação sem preconceito.


"O Universalismo religioso aparece neste início de século como um dos desafios mais fundamentais para a teologia. Trata-se de um novo paradigma  que  vem convocar a teologia a retomar de forma viva a sua dimensão hermenêutica. A teologia passa a reconhecer e afirmar a riqueza e o sentido que a pluralidade das religiões alcança no misterioso plano divino para a humanidade. Seguindo esta linha de reflexão, o pluralismo religioso vem acolhido positivamente, pois expressa “todas as riquezas da sabedoria infinita e multiforme de Deus"

"A teologia  encontra-se diante de um desafio fundamental que pode ser traduzido como a acolhida do pluralismo religioso enquanto valor irredutível e irrevogável. Trata-se de um novo horizonte para a teologia, um singular e essencial paradigma que provoca uma profunda mudança na dinâmica da autocompreensão teológica no tempo atual. O pluralismo religioso deixa de ser compreendido como um fenômeno conjuntural passageiro, um fato provisório, para ser percebido na sua riqueza como um pluralismo de princípio ou de direito".  -Teólogo Faustino Teixeira


O Pluralismo Religioso é a crença de que toda religião pode ser entendida como verdadeira. Cada uma proporciona um encontro genuíno com o Supremo. 

A pessoa que aceita o pluralismo religioso não é necessariamente praticante de uma religião, mas sim de uma filosofia religiosa. Através do universalismo ou pluralismo, ela tem a possibilidade de experimentar diversas práticas religiosas, sem medo ou culpa, e buscar o  crescimento espiritual seguindo suas próprias intuições.

A visão universalista pretende garantir a liberdade humana para o Terceiro Milênio. Não se trata de “desagregar” a religião, mas, pelo contrário, recolocá-la em seu devido lugar na alma humana, como o veículo de “reintegração”, de “religação” do Ser com sua Consciência Universal. 

Esta tendência já é marcante, pelo menos nos continentes americanos e parte da Europa, e não há como voltar atrás. 


O Movimento Unitário-Universalista:



Pequeno em número e relativamente novo como uma religião, o Unitário-Universalismo (UU) é uma igreja organizada que permite que fiéis de todas as formações espirituais se unam na busca pela sabedoria universal.

Com relação à sua abrangência geográfica, a religião UU é encontrada majoritariamente nos Estados Unidos, com mais de 1.000 congregações espalhadas pelo país. Existem igrejas unitário-universalistas em outros países, porém tipicamente são pequenas e isoladas em comparação com o cenário que existe nos EUA.

Embora o Movimento Unitário-Universalista tenha sido criado nos fundos de duas congregações cristãs hereges, a Igreja Universalista (que acreditava na salvação universal) e a Fé Unitária (que rejeitava as doutrinas da trindade e do pecado), o UU atual não adere a credos, dogmas e doutrinas. 

Essencialmente, a fé unitário-universalista cria um espaço de "crença positiva" para as pessoas de todas as religiões se reunirem e adorarem em tolerância, com o objetivo de trazer paz à família humana.

Com esta visão de unidade na diversidade, o movimento UU se apresenta como um modelo para a harmonia e progresso da humanidade, vendo a igreja como uma síntese de vários sistemas de crenças e "jornadas espirituais". 

Alguns Unitários-Universalistas são não-deístas e não acreditam que falar de Deus é útil. A fé de outros Unitários-Universalistas em Deus pode ser profunda, embora também entre eles, falar de Deus por vezes é evitado. 

Para eles, a palavra Deus está muito desgastada. Com bastante freqüência, a palavra parece referir-se a uma espécie de vovô do céu ou a um super-feiticeiro. 

Para evitar confusão, muitos Unitários-Universalistas preferem falar em “reverência pela vida” (nas palavras de Albert Schweitzer, um unitário), o espírito do amor ou da verdade, o sagrado, o divino. Muitos também preferem esse vocabulário porque ele é inclusivo; é usado com integridade por membros deístas e não-deístas.


Seja qual for a posição teológica, os Unitários-Universalistas em geral acreditam que os frutos da crença religiosa importam mais do que as crenças na religião – ou mesmo em Deus. Portanto, geralmente eles se referem mais aos frutos: gratidão pelas bênçãos, aspirações dignas, a renovação da esperança e o trabalho em prol da humanidade.

Sobre Jesus, Ele foi, e ainda é para muitos UUs, um exemplo, alguém que mostrou o caminho do amor redentor, em cujo espírito qualquer um pode viver generosamente e abundantemente. 



Muitos honram Jesus, e muitos honram outros mestres professores das gerações passadas e presentes, como Moisés ou o Buda. Como resultado, famílias de tradição mista podem encontrar um solo comum na irmandade UU sem comprometer suas crenças.

Entre os Unitários-Universalistas, ao invés de salvação, eles mencionam a ânsia e  experiência de crescimento pessoal, aperfeiçoamento da sabedoria, força de caráter e dons de intuição, compreendendo a paz interior e exterior, a coragem, a paciência e a compaixão. 

Essa abertura para todas as expressões espirituais permite que o adepto da UU veja cada religião como detentora de um elemento da verdade, e que a igreja UU atue como um catalisador para o desenvolvimento pluralista. 

Escrevendo sobre o sistema unitário um ano antes da fusão com a denominação universalista, o autor Jack Mendelsohn coloca esta dimensão inter-religiosa em foco:



"É muito atraente pensarmos em nós mesmos como uma ponte para as muitas religiões do mundo. Afinal, não temos mitos especiais a defender, nem credos a impor. Estamos abertos para tudo o que é eticamente melhor nas religiões do mundo e, por meio da liberdade, da razão e da tolerância, nos sentimos preparados para extrair de cada uma das grandes fés, seus fervores morais." 

Entretanto, o unitário-universalista busca um prêmio ainda maior: "Afirmar a unidade do universo, a unidade da família humana, a unidade da verdade já descoberta e da que ainda está por descobrir, a validade universal da livre investigação e o nascimento do homem universal."

Logicamente, para que esse "homem universal" possa surgir, o pluralismo espiritual precisa se desenvolver como um padrão político e cultural. 

O Unitário-Universalismo (UU) busca afirmar e promover:


  • O valor e a dignidade próprios de cada pessoa;
  • A justiça, a igualdade e a compaixão nas relações humanas;
  • A aceitação uns dos outros e o estímulo ao crescimento espiritual em nossos grupos;
  • Uma busca livre e responsável pela verdade e pelo sentido;
  • O direito de consciência e o uso do processo democrático dentro de grupos e na sociedade em geral;
  • A meta de uma comunidade mundial de paz, liberdade e justiça para todos;
  • O respeito pela rede interdependente da existência, da qual fazemos parte.

O Movimento Unitário-Universalista também apoia as posições ambientalistas centradas na Terra, soluções de gestão internacional para o aquecimento global e a legalização de alguns narcóticos tidos como ilícitos, entre uma infinidade de outras questões sociais "progressistas".  



O pluralismo espiritual também se tornou um tipo de ponto de manifestação sociopolítico, levantando o estandarte da tolerância espiritual como norma para o público e, ao mesmo tempo, rejeitando dogmaticamente o fundamentalismo religioso. 

O ativismo e o pluralismo unitário-universalista são reconhecidos e aplaudidos dentro dos círculos acadêmicos progressistas, bem como no círculo da justiça social.

Consequentemente, não é incomum encontrar grupos de estudos do unitário-universalismo nos campus universitários e ver essa filosofia adaptada nos cursos de artes liberais. A Escola Teológica de Harvard, uma das mais proeminentes escolas de graduação nos EUA, tem uma longa associação com a religião unitária e recentemente abriu vagas para professores no curso de Estudos Unitário-Universalistas. 

Embora a Igreja Unitário-Universalista seja numericamente insignificante, ela exerce um papel importante em modificar a percepção da sociedade com relação à religião e à espiritualidade.

A religião Bahá'í 




Com muito mais aderentes do que o Movimento Unitário-Universalista, e com uma abordagem inegavelmente global, a fé Bahá'í precisa ser mencionada como uma importante contribuição para o universalismo espiritual.

A religião Bahá'í surgiu na Pérsia e tem origem no Islamismo, porém se transformou em uma religião independente com suas próprias revelações especiais. Em comparação com as outras religiões que existem no mundo, o movimento Bahá'í é relativamente novo, pois surgiu nos anos 50 e 60.

Os seus ensinamentos enfatizam a unidade da humanidade, e consideram que os fundadores das grandes religiões mundiais são Mensageiros Divinos, que trouxeram ensinamentos adequados às necessidades e maturidade de diversos povos, em diferentes momentos da sua história. 



Entre estes Mensageiros - designados como "Manifestantes de Deus" - encontram-se Krishna, Buda, Abraão, Moisés, Zoroastro, Cristo, Maomé, e mais recentemente o Báb e Bahá'u'lláh. Além disso, cada uma dessas figuras religiosas e suas várias mensagens são vistas como caminhos legítimos para a salvação e são parte de um plano maior para o progresso da civilização.


Os seguidores da religião Bahá’í são conhecidos como "Bahá’ís". Esta palavra deriva do árabe "Bahá", que significa "glória" ou "esplendor".

Um dogma central do Bahaísmo é a crença que todas as religiões têm uma origem comum. Como uma fé organizada, ela "reconhece a unicidade essencial das grandes religiões do mundo." 




Templo Bahá´í em Nova Delhi, Índia. Este templo têm 9 portas simbolizando as religiões divinas trazidas por Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Jesus, Maomé, O Báb e Bahá´ú´lláh


As Escrituras Baha’is consideram que o ser humano possui uma alma racional, e que isso lhe confere a capacidade única de reconhecer o seu Criador e compreender a relação da humanidade com Deus. 

Considera-se que todos os seres humanos têm o Dever de reconhecer Deus através dos Seus Manifestantes, e obedecer aos seus ensinamentos. 

Através do reconhecimento e obediência aos Manifestantes de Deus, serviço à humanidade e oração (meditação, contemplação) regular, o indivíduo consegue desenvolver as suas potencialidades espirituais.

Quando uma pessoa morre, a alma entra num novo mundo onde o desenvolvimento espiritual conseguido durante a existência no mundo material se torna a base dessa nova etapa da sua existência.

O ensinamento principal de Bahá'u'lláh pode resumir-se na frase "A terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos". 

Uma das tarefas da Comunidade Bahá’í é demonstrar que a unidade da humanidade não é uma utopia mas um objetivo viável. 


Encostas do Monte Carmelo, onde está 'cravado' o Santuário do Báb, local sagrado.

Apesar de contar apenas com seis milhões de crentes em todo o mundo, os seus membros proveem de praticamente todas as nações, grupos étnicos e culturas da Terra; a unidade existente entre os Bahá’ís são uma demonstração do efeito prático dos ensinamentos de Bahá’u’lláh.


Nos ensinamentos de Bahá'u'lláh existem outros princípios que merecem destaque:

  • O abandono de todas as formas de preconceito;
  • A igualdade de oportunidade entre homens e mulheres;
  • O reconhecimento da unidade e relatividade da verdade religiosa;
  • A eliminação dos extremos de pobreza e de riqueza;
  • A obrigatoriedade de educação para todas as crianças;
  • A livre e independente pesquisa da verdade;
  • O estabelecimento de uma comunidade mundial de nações;
  • A harmonia entre ciência e religião;
  • A adaptação de uma língua auxiliar internacional.



Este atributo religioso universal também foi expresso na Declaração Bahá'í de 1993 à Comissão dos Direitos Humanos da ONU:

"... a revelação religiosa é contínua e progressiva e que, desde o início da história humana, Deus periodicamente enviou educadores divinos ao mundo para guiar a humanidade. O aparecimento desses educadores divinos — Krishna, Buda, Zoroastro, Abraão, Moisés, Cristo, Maomé e, em nossa época atual, o Bab e Baha'u'llah — significa a fundação de uma nova religião, porém nenhuma dessas religiões é realmente nova; cada uma delas é um estágio do desenvolvimento da mesma verdade religiosa que procede do mesmo Deus." 

O endosso da fé Bahá'í ao universalismo espiritual deriva de seus ensinos a respeito de um vindouro sistema de um mundo unificado, completo com um governo internacional, uma única moeda global e uma fé universal.

Prevendo o tempo quando o mundo será pacificamente gerenciado por uma entidade centralizadora, econômica, política e religiosa, estabelecida em grande parte por meio do trabalho da comunidade Bahá'í — a fé Bahá'í apoiou consistentemente esforços internacionais, como a criação da Liga das Nações. 

Quando a Organização das Nações Unidas foi fundada, a fé Bahá'í abraçou esse novo organismo como o veículo principal para a governança global. Hoje, a Comunidade Internacional Bahá'í (CIB) — que representa a religião na comunidade mundial — defende abertamente essa visão planetária. No processo, a Comunidade se tornou um dos mais veementes proponentes do fortalecimento da ONU.


Jeffery Huffines, um representante da CIB e membro do Comitê de Organizações Não-Governamentais Religiosas na ONU, foi igualmente franco: "Há um claro reconhecimento na ONU que, se a religião é parte do problema, então também precisa ser parte da solução." 

A solução, segundo a religião Bahá'í, somente pode ser encontrada por meio de um padrão global e politicamente aceitável de pluralismo religioso. Esta é a mensagem que, graças em grande parte à Comunidade Internacional Bahá'í, está sendo ecoada pelos corredores da ONU.


Casa Internacional de Justiça, em Haifa, Israel



Vários são os críticos da religião Bahá'í, que se opõem veementemente  a união de qualquer tipo de religião, com a política mundial.  

Além disso, muitos defendem que a Comunidade Bahá’í pretende claramente instaurar uma ordem mundial, baseada em seus preceitos. A criação de um governo global é uma incumbência espiritual que eles têm.

Seu envolvimento nos assuntos da governança global é inegável, com um histórico que pode ser rastreado até o nascimento da Organização das Nações Unidas.

É no Oriente Médio e, particularmente em Israel, que a religião Bahá'í está especialmente focada.

Segundo alguns teólogos, a partilha da Terra Santa foi distribuída da seguinte forma: um território palestino, um estado judeu e a fé Baha´’i recebeu o Monte Carmelo como prêmio. 

Com a ajuda de doações via Unesco, a fé Bahai´i investe no monte Carmelo, constrói os santuários Bahá’is e a Casa Internacional de Justiça que por sua vez controla todas as agências da ONU através de representantes da comunidade mundial Bahá’i no ECOSOC – (Conselho Econômico e Social da ONU), o segundo órgão mais importante da ONU após o Conselho de Segurança. 

O objetivo jurado da fé Bahá'í, a incumbência espiritual de criar o governo mundial, demonstra amplamente a razão por que essa religião pouco conhecida está tão interessada em se entrincheirar dentro da comunidade internacional. 

As implicações são extraordinárias: Com uma sede internacional em um complexo deslumbrante de edifícios — incluindo uma Casa Internacional de Justiça — localizada no Monte Carmelo, tudo com vínculos especiais na Organização das Nações Unidas, e uma agenda interfé firmemente estabelecida centrada na unificação global, a fé Bahá'í pode ditar as "regras" da humanidade.





Unitário-Universalismo e a Comunidade Bahá'í — todos exerceram um papel histórico e contemporâneo em remodelar os valores e atitudes ocidentais em direção ao universalismo espiritual. Contudo é importante salientar que a tolerância às crenças religiosas, não pode recair no fundamentalismo de uma "nova crença".

Robert Muller, ex-assistente do Secretário-Geral da ONU, levando o pluralismo espiritual ao seu objetivo final,  disse:

"... somos todos unidades cósmicas. É por esta razão que as religiões nos dizem que somos divinos. Somos energia divina... está em suas mãos decidir se a evolução neste planeta continuará ou não." 




Compreendendo como a sociedade está adotando o universalismo espiritual, o solo em que ele cresceu e o quadro grande que apresenta, é imperativo entender o tempo em que vivemos.



Há uma tendencia evidente em extrair o que há de melhor em cada uma das crenças. Não se detendo muito em escrituras sagradas, dogmas ou rituais,  o universalismo espiritual caminha para uma convivência pacifica com todos os credos, em prol da humanidade. Viver o universalismo é saber retirar de cada filosofia ou religião o seu melhor aspecto, suprimindo, é claro, qualquer sombra de falso moralismo e de preconceitos.



Para os universalistas a unica verdade aceitável e plausível é a que traz benefícios ao planeta. A crença em Deus, ou em uma ordem divina que envolva toda a criação, pode estar explícita em uma forma de viver a fé, ou em atitudes cotidianas da pessoa, independentemente da manifestação da sua adesão a esta ou àquela crença ou religião.

Há no ser humano uma religiosidade natural, independente de adesão a credos ou dogmas. 

Distinto é o que ocorre quando surgem as religiões, que se colocam como “mediadoras” entre o ser humano e o Divino. Quando há mediação, há interesses, há dominação. 

Quando existem várias religiões dentro de uma mesma sociedade, pode surgir o diálogo inter-religioso, que é o oposto ao fundamentalismo. Neste diálogo, ocorre um crescimento, uma tolerância, uma aceitação das diferenças. Desenham-se espaços para a ação em comum, de pessoas crentes em diversas fés ou credos.


Para alguns críticos, uma das falácias mais claras do universalismo é que, independente de quão frequentemente o mantra do pluralismo seja repetido, todas as religiões não são a mesma coisa.

Dizer que todas as religiões são iguais é como dizer que nenhuma religião existe, e que a verdade, da mesma forma, não pode ser "verdade".


Resta lembrar que o Universalismo se opõe claramente a qualquer visão fundamentalista que pregue uma verdade absoluta dentro de qualquer doutrina particular. Ninguém detém a posse de qualquer verdade absoluta ou relativa. 

O que existe é o autogoverno do indivíduo em consonância com a ética universal, buscando o “seu” caminho próprio, sem o comando de terceiros ou de instituições sacerdotais.

À medida que o mundo evolui, que a tecnologia inova, que a sociedade se modifica, que as questões sociais, ambientais e de direitos humanos se tornam a ordem do dia, as visões universalistas, destituídas de preconceitos, tendem a ser bem aceitas por boa parcela da humanidade, pois seus meios são o amor incondicional e a não-violência.

“O discurso sobre Deus só pode ser universal, ou seja, significativo para todos os seres humanos, se em seu núcleo, traduz um discurso sobre um Deus sensível ao sofrimento dos outros” - Teólogo Johann B. Metz 



Vídeo: COMPREENDI - Texto: Beta Maia



Fonte:http://lyvrearbitrio.blogspot.com.br/2012/10/compreendendo-o-universalismo-religioso.html
http://www.uua.org/
http://povodebaha.blogspot.com.br/
http://www.espada.eti.br/bahai.asp

Um comentário:

  1. muito bom artigo pra quem quer se ispiritualizar um movimento assim e o melhor ,de todos pq pega o bom de cada religiao , nenhuma religiao e a verdade , a verdade e uma parede onde cada religiao e oum tijolo vc tem q entender e aceitar toda parede pra alcansar a verdade

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