sábado, 30 de agosto de 2014

CODEX GIGAS


O Codex Gigas ou Livro Gigante foi criado no início do século XIII, presumivelmente no mosteiro beneditino de Podlažice na Boêmia (atual República Tcheca), e agora está preservado na Biblioteca Nacional da Suécia, em Estocolmo. 

É o maior manuscrito medieval do mundo, tendo sido considerado, na época, a oitava maravilha do mundo, devido ao seu impressionante tamanho. 

Com seus 92 cm de altura, 50 cm de largura e 22 cm de espessura, pesando aproximadamente 75 kg, sua capa é de madeira revestida por couro com ornamentos metálicos; e atualmente, se mantém constituída por 310 folhas de velino (pele de bezerro, de acordo com algumas fontes) havendo indícios de quê algumas folhas teriam sido retiradas por motivos desconhecidos. 



O Codex Gigas – em sua tradução livre, Livro Gigante – é o maior manuscrito medieval existente no mundo. Não se sabe quem o fez, nem se conhecem as razões de as páginas terem sido removidas, embora se pense que algumas delas pudessem conter as regras monásticas dos beneditinos. O documento passou a ser chamado de Bíblia do Diabo devido às ilustrações contidas em seu interior.

Há quem acredite que os textos faltando continham informações sinistras demais para serem lidas, e por isso foram removidos. Além disso, durante os seus vários séculos de existência, o Codex Gigas mudou de mãos várias vezes, e até sobreviveu — com alguns danos irreparáveis — a um incêndio, o que também poderia explicar o desaparecimento de algumas de suas páginas.

Uma nota na primeira página indica os monges do mosteiro beneditino de Podlažice, localizado perto de Chrudim e destruído durante o século XV, como os primeiros proprietários do codex. A reduzida dimensão deste mosteiro e a aparente escassez de recursos humanos e materiais faz levantar dúvidas sobre a sua capacidade de produção de uma obra desta dimensão.

Os registros nele contidos terminam no ano de 1229. A ausência de qualquer referência à morte do rei da Boêmia, Ottokar I, ocorrida em Dezembro do ano seguinte, sugere que a data mais provável para a sua conclusão é o final do ano de 1229 ou o início de 1230.

Devido a dificuldades financeiras do mosteiro de Podlažice, o codex foi mais tarde penhorado aos Cistercienses do mosteiro de Sedlec. A mesma nota na primeira página estabelece que em 1295 o códice voltou à posse dos beneditinos, após ter sido comprado pelo mosteiro de Břevnov. 


De 1477 a 1593, foi conservado na biblioteca de um mosteiro em Broumov até ter sido levado para Praga em 1594 para fazer parte da coleção de Rodolfo II.

No fim da Guerra dos Trinta Anos, em 1648, a coleção completa foi saqueada pelo exército sueco e, de 1649 a 2007, o manuscrito foi mantido na Biblioteca Nacional da Suécia.

Em 24 de Setembro de 2007, após 359 anos, o Codex Gigas voltou a Praga, a título de empréstimo, e esteve exposto na Biblioteca Nacional Checa até Janeiro de 2008.

O Codex Gigas,  é basicamente uma enciclopédia que possui um conteúdo muito abrangente, que vai da história judaica – “Antiguidades Judaicas” e “Guerras dos Judeus” de Flávio Josefo. –, ao “Etymologiae” de Isidoro de Sevilha – constatada como a primeira enciclopédia do ocidente, com uma compilação extensa dos mais variados assuntos. -, toda a versão Vulgata Latina da Bíblia, não incluindo Atos e Apocalipse; e até uns relatórios medicinais, além de outras anotações.



Pequenos textos completam o manuscrito: alfabetos, orações, exorcismos, um calendário com as datas de celebração de santos locais e registo de acontecimentos relevantes, e uma lista de nomes, possivelmente de benfeitores e de monges do mosteiro de Podlažice. Todo o documento está escrito em latim.

O manuscrito contém figuras decoradas (iluminuras) em vermelho, azul, amarelo, verde e dourado. As letras maiúsculas que iniciam os capítulos estão elaboradamente decoradas com motivos que, frequentemente, ocupam grande parte da página. 



O Codex tem um aspecto uniforme pois a natureza da escrita não é alterada em toda a sua extensão, não evidenciando sinais de envelhecimento, doença ou estado de espírito do escriba. Isto levou a que se considerasse que todo o texto foi escrito num período de tempo muito curto e pelo mesmo escriba. No entanto, atendendo ao tempo necessário à marcação das guias de delimitação das linhas e das colunas, à escrita do texto, e ao desenho e pintura das ilustrações, os peritos acreditam que o livro teria levado mais de 20 anos a ser concluído.


Segundo os especialistas, o livro realmente parece ter sido escrito por uma única pessoa, mas o habilidoso escriba deve ter levado mais de 20 anos para concluir o trabalho. Além disso, uma pequena dedicatória — “Hermanus Inclusus” ou “Herman, o recluso” ou ainda “Herman, o enclausurado” —, ao final do manuscrito também dá algumas pistas sobre a suposta condenação do monge.

Lenda:


Segundo a lenda, o escriba foi um monge que quebrou os votos monásticos e foi condenado a ser murado vivo. A fim de evitar esta severa sanção, ele prometeu a criação, em uma única noite, de um livro que glorificaria o mosteiro para sempre e que incluiria todo o conhecimento humano. Perto da meia-noite, ele teve a certeza que não conseguiria concluir esta tarefa sozinho e, por isso, fez uma oração especial, não dirigida a Deus, mas ao arcanjo banido, Lúcifer,o Satanás, pedindo-lhe que o ajudasse a terminar o livro em troca da sua alma. O monge vendeu, assim, a sua alma ao diabo. Assim o manuscrito do monge foi concluído e acrescentada uma imagem do diabo como agradecimento pela sua ajuda.


Apesar desta lenda, o codex não foi proibido pela Inquisição e foi analisado por muitos estudiosos ao longo dos tempos.

Considerava-se por muito tempo que esta versão de condenação ao emparedamento do monge era verdadeira, devido à interpretação precipitada da palavra Inclusus, como sendo emparedamento. Segundo  estudos, a palavra latina que foi traduzida como emparedado, na verdade significava entre paredes, na clausura. O que para um monge significa ficar isolado do resto do mundo e se dedicando exclusivamente a escrever a sua obra. Na verdade foi reconsiderada esta tradução como sendo "recluso". 


Seria um monge que foi condenado, ou se condenou à reclusão no mosteiro para realizar o trabalho de uma vida. Se reforça essa versão pela "dedicatória" encontrada no final do livro: hermanus inclusus, ou "Herman, o recluso" ou "Herman, o enclausurado"

Usando técnicas de perícias policiais, os especialistas analisaram a tinta, compararam as letras e o padrão de escrita e concluíram que uma única pessoa escreveu o livro por completo.


O tempo estimado foi de que seriam necessários cinco anos de trabalho ininterrupto, já que para reproduzir uma linha, o especialista leva 20 segundos, uma hora por página. Em uma conta simples o resultado é de 5 anos para completar o livro.

De acordo com eles,  estudando a rotina da vida monástica, que inclui várias missas e tarefas, eles concluíram que a obra demorou cerca de 20 anos para ser escrita. Com as análises feitas, toda a superstição e lendas caíram por terra e chegou-se à conclusão que o livro foi obra de muitos anos de trabalho de um monge anônimo, inteiramente dedicado à sua obra.

As imagens:



A Cidade Celestial está representada em camadas, cada uma com muitos edifícios e torres (provavelmente torres de igreja), atrás de paredes vermelhas. A Cidade Celestial está emoldurada por duas torres altas. A imagem parece ser um símbolo de esperança e salvação.

Na página seguinte, a figura do Diabo é representa e esta sequência parece ter sido deliberadamente planejada para mostrar as vantagens de uma vida boa e os inconvenientes de uma má. O retrato do diabo, é a mais famosa imagem do Códex Gigas e a causa do “apelido” do livro: Bíblia do Diabo. A imagem apresenta o Diabo sozinho, em uma paisagem vazia, emoldurado por duas grandes torres. Ele se mostra com os braços levantados, tem apenas quatro dedos nas mãos e pés, e usa um arminho que realça sua posição como o príncipe das trevas.


Céu e terra são as únicas representações literais do codex através de duas imagens circulares , na abertura do Gênesis, ilustrando o início da Criação. Chama a atenção que na expressão “In Principio”, falta a letra “I”.   




Sobre o Codex Gigas:

Um códice é uma espécie de conjunto de páginas encadernadas, com um “toque sangrento”, que substitui os pergaminhos. Codex é muitas vezes traduzido do inglês como “código”, que pode ser parte da razão de um significado um pouco mais misterioso que os códices em geral.


No sentido acadêmico, um códice simplesmente refere-se a um livro escrito à mão, muitas vezes contendo ilustrações nas margens dos textos ou separados dele.



O Codex Gigas contém cinco textos longos, bem como toda a versão Vulgata Latina da Bíblia, não incluindo Atos e Apocalipse. Os escritos são separados em uma ordem incomum, com números colocados no meio dos textos “religiosos”. O manuscrito começa com o Antigo Testamento, e é seguido por duas obras históricas de Flávio Josefo, que viveu no primeiro século dC: “Antiguidades Judaicas” e “Guerras dos Judeus”.



Depois de Josefo, o Codex apresenta a enciclopédia mais popular da Idade Média, “Etymologiae” de Isidoro de Sevilha, que viveu no século VI, na Espanha. Seguido por uma coleção de trabalhos médicos, obras médicas de Hipócrates, Teófilo e outros - estes são seguidos pelo Novo Testamento.

O último dos textos longos  é uma crônica "Chronica Boemorum" (Crônica dos Boêmios), de Cosmas de Praga. 

Pequenos textos completam o manuscrito: O primeiro texto, antes da imagem da cidade celestial, é um trabalho em penitência. O segundo, após o retrato diabo, seria um texto para exorcizar os maus espíritos. 

Depois da página que exemplifica a imagem do diabo, existem citações para afastar os maus espíritos e doenças.
Nestas páginas encontram-se conjurações e duas magias, provavelmente concebidas como proteção contra o diabo e não uma invocação, devido à sua justaposição com a página anterior.



Uma eliminação intencional, com supostas conexões místicas, é a imagem da Cidade Celestial colocada antes do demônio e dos feitiços. A falta de conteúdo adicional faz parecer que a imagem do diabo está presente apenas como um símbolo e não como um objeto de decoração.



O livro mais importante do cristianismo é a Bíblia . Os outros textos do Codex Gigas foram cuidadosamente escolhidos para acompanhá-lo, porque juntos eles forneceram informações sobre a história judaica ( Josefo ), o conhecimento universal (Isidoro ), medicina e história local ( Cosme ).







“O Grande livro“, é descrito por historiadores que o estudam como “O livro mais fascinante, peculiar, bizarro e inexplicável já escrito", na verdade o Códice exerce uma atração quase sobrenatural. Hoje, o magnetismo desse livro continua tão forte quanto antes, embora ele seja mantido permanentemente na Suécia, em 2007 depois de quase 400 anos o livro voltou para sua terra natal.





O Codex foi, durante muito tempo envolto em uma série de histórias sobre destruição, guerras e epidemias. Conhecido como “Bíblia do diabo”, o livro foi objeto de desejo de líderes religiosos e imperadores, foi cobiçado por homens poderosos, roubado como espólio de guerra, e mantido em segredo por um Santo imperador romano. O código inspirou medo e obsessão por sua posse. É a única bíblia com uma figura do demônio no centro, e há alguns anos teve seus segredos analisados por um grupo de cientistas.

Abaixo o documentário completo da Nacional Geographic, sobre os estudos com o CODEX GIGAS:


Acionar o tradutor de legendas



Narrado em portugues




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