quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A LOUCURA É CONTAGIOSA?



A LOUCURA É CONTAGIOSA? Por incrível que pareça a resposta é sim se levarmos em conta o fenômeno psicológico chamado histeria coletiva.

A histeria coletiva é um fenômeno antigo. Também é conhecida como doença psicogênica de massa. Caracteriza-se por um grupo de pessoas apresentarem sintomas, perturbações ou reações semelhantes, de forma solidária a qualquer fato, imaginário ou exagerado. É mais comum apresentar-se em pessoas que dividem o mesmo espaço físico, como empresas ou escolas, mas pode acontecer também em qualquer lugar.

A histeria coletiva é uma espécie de explosão de sentimentos, de vontades reprimidas, que é disparada em várias pessoas ao mesmo tempo.


"O material recalcado vem disfarçado sob a forma de um sintoma corpóreo. É uma espécie de teatro corporal".

A histeria em massa, é um distúrbio psicológico em que um grupo de pessoas passa a ter, ao mesmo tempo, um comportamento estranho ou adoecer sem uma causa aparente.  

O grupo vivenciando a mesma experiência, começa ficando cada vez mais ansioso e tende a perder o controle sobre atos e emoções, além de apresentarem sintomas de hipersensibilidade dos sentidos, como tato, olfato, paladar etc. Mesmo que tudo isso seja coisa da cabeça, os "histéricos" chegam a apresentar sintomas como náusea, tontura, fraqueza, desmaio e falta de ar.




O fenômeno psicogênico de massa é comumente encontrado em contextos de fanatismo religioso, como o transe generalizado nos terreiros de Umbanda, ou a histeria em cadeia dos supostos "exorcismos" de algumas igrejas evangélicas.






* Segundo Tania Jandira Ferreira :"Não existem transes generalizados em Terreiros de Umbanda. Existem incorporações. Fanatismo Religioso e histeria são outra coisa.
Essa forma de julgar transe mediúnico como histeria foi uma forma de antigos psiquiatras descaracterizarem a incorporação das religiões afro brasileiras como um sintoma histérico e não como um fenômeno transpessoal.


Isso foi coisa de preconceito religioso, que a ciência hoje já baniu a muito tempo de sua história. Mediunidade não é loucura e nem transe é fanatismo religioso."







De acordo com Robert Bartholomew, um sociólogo que já estudou mais de 600 casos de histeria em massa em todo o mundo - a começar pelos registros deixados desde o ano de 1566 - as mídias sociais (atuais) são como as extensões de nossos olhos e ouvidos, o que parece acelerar e estender o alcance da histeria em massa mundo afora. 

Ainda segundo Bartholomew "Histerias epidêmicas que nos períodos anteriores estariam auto-limitadas em geografia, agora estão livres e com amplo acesso ao globo em segundos", e completou que "é uma crença, que é o poder aqui, e a tecnologia apenas amplifica a crença, e ajuda a espalhar mais facilmente".

Gravura de Henricus Hondius sobre esboço de Pieter Brueghel, o Velho, que testemunhou um caso de praga de dança.  Na imagem, três mulheres vítimas são socorridas por homens


Um dos casos mais conhecido, chamado de “a praga da dança”, foi o ocorrido em Estrasburgo, no ano de 1518 quando centenas de pessoas dançaram até cair de exaustão ou mesmo morrer. 

O fenômeno teve início quando uma mulher, Frau Troffea, começou a dançar sem parar por cerca de 4 dias. Em uma semana, mais de trinta pessoas haviam se juntado a ela. Em um mês, já eram aproximadamente 400 dançarinos nas ruas.

A "praga" tomou conta das ruas da cidade francesa e se tornou um problema para a nobreza e a burguesia, que consultaram os médicos da época. 

Após as causas astrológicas e sobrenaturais (que eram levadas a sério) serem excluídas, os especialistas chegaram à conclusão que o problema era natural, causado por "sangue quente" (para a medicina ortodoxa da época, poderia ocorrer um aquecimento do cérebro que causaria loucura). 



As autoridades encorajaram as vítimas a permanecerem dançando, pois acreditava-se que isso os faria voltar ao normal. Portanto, foram contratados músicos, construiu-se dois salões e  um palco de madeira, com o objetivo de manter as pessoas dançando.

Infelizmente, a cura não veio. Muitas dessas pessoas morreram após manifestar sintomas de exaustão, desmaiando, tendo ataques cardíacos ou derrames.

Até hoje, não se sabe qual o motivo dessas pessoas terem começado a dançar descontroladamente. Fica uma lição com a epidemia de dança. Por mais sobrenatural e inacreditável que o caso pareça, ele é um fenômeno psicológico que "nos lembra da inefável estranheza do cérebro humano".

Antes do século XX, casos de histeria coletiva ocorriam com uma certa frequência em contextos religiosos. Conventos, em especial, eram ambientes prolíficos para surtos.



Em janeiro de 1692, Elizabeth Parris (9 anos) e Abigail Willams (11 anos), começaram a ter convulsões, espasmos violentos e a gritar incontrolavelmente. Depois de uma visita de um médico local, foram diagnosticadas como vítimas de bruxaria. Isso fez com que outras crianças da comunidade de Salém também começassem a manifestar os mesmos sintomas.

Ao final de fevereiro, a escrava da família Parris, chamada Tituba, fora acusada junto com outras duas mulheres, Sarah Good e Sarah Osborn, de serem responsáveis pela bruxaria. As três foram trazidas a julgamento. Tituba, tentando se salvar, agiu como uma espécie de informante, disse que havia outras bruxas na cidade e que o diabo caminhava entre os moradores da cidade. O caos estava instaurado.

O medo de bruxaria durou mais ou menos um ano. Cerca de vinte pessoas foram mortas. Um dos poucos homens foi Giles Corey, que morreu segundo o costume medieval de ser comprimido por rochas em uma tábua até morrer, levando ao total 3 dias para que isso ocorresse. Mais de 150 pessoas foram presas.



O lugar no qual as condenações eram levadas a cabo ficou conhecido como Colina da Forca, na vila de Salém.

Mais tarde, o juiz Samuel Sewall, responsável pela caçada, confessou que as sentenças foram um erro.



Em 1938, uma adaptação de A Guerra dos Mundos foi transmitida pela rádio Columbia Broadcasting System, no entanto, não foi recebida da forma esperada.

Dirigido e narrado por Orson Welles, o episódio foi ao ar em meio à tensão dos momentos que antecediam a II Guerra Mundial. Alguns ouvintes não sabiam que a narração se tratava de uma leitura de peça de ficção e, ao ligarem o rádio no meio da transmissão, acreditaram que aquilo se tratava de um boletim de notícias.


Até o final da tarde, o que era apenas ficção havia se tornado realidade: milhares de pessoas tomaram as ruas de cidades como Nova York e Nova Jersey, em pânico com a suposta guerra que havia começado. A polícia levou horas para acabar com a confusão, que virou noticiário em todo o mundo.



Uma história bizarra de histeria coletiva ocorreu na Tanzânia. Inexplicavelmente, uma piada contada dentro de um colégio interno fez com que a população de diversas cidades na região de Tanganyika tivesse crises de riso incontroláveis.

O fato ocorreu no ano de 1962 e, por mais incrível que possa parecer, só terminou 18 meses depois de ter começado. Segundo pesquisadores, os alunos entraram em crises de riso após ouvir a piada, transmitindo a histeria para seus pais, que a transmitiram para moradores de áreas próximas.

As risadas causaram diversos sintomas derivados do próprio riso incontrolável, como dores, desmaios, problemas respiratórios, erupções cutâneas e até mesmo ataques de choro.



Em novembro de 2007, uma misteriosa doença começou a afetar as alunas do internato Villa de las Niñas em Chalco, próximo à Cidade do México. 

A escola dirigida por freiras católicas, é uma das dez na Ásia e na América Latina comandada por uma instituição de caridade chamada World Villages for Children (Aldeias Mundiais para Crianças); As garotas, de 12 a 17 anos, apresentaram sintomas estranhos: dores musculares, de cabeça, além de náusea, vômito, febre e paralisia muscular. 

Depois que as meninas voltaram para a escola, das férias natalinas, a doença se espalhou ainda mais, 600 das 3,6 mil meninas da escola apresentaram sintomas. Ninguém conseguia explicar o que estava deixando as adolescentes doentes, e as autoridades da saúde pública foram chamadas.

A estranha "epidemia", que chegou até a imprensa através dos testemunhos de cinco professores da instituição, desaparecia quando as meninas saiam do colégio.

Após uma série de exames, inspeções nas instalações da escola e entrevistas com algumas meninas afetadas, os médicos concluíram que o responsável era um distúrbio psicológico. Oficialmente, seu nome é distúrbio psicogênico em massa, também chamado de histeria coletiva, reação psicossomática ou histeria em massa.

Na esperança de descobrir o causador da doença e de obter mais informações sobre esse ataque específico do distúrbio psicogênico em massa, 20 médicos e psicólogos começaram a entrevistar as meninas que ainda estavam doentes ou que tiveram a doença.



Em 2010, uma escola no interior do Ceará teve suas aulas interrompidas após um caso de surto coletivo. Dezenas de alunos entre 12 e 19 anos diziam ver o espírito de um estudante que havia morrido. 

Vários adolescentes entravam em um tipo de transe ao estar dentro da escola, o que fez com que um boato de que a instituição seria assombrada surgisse. Psicólogos, parapsicólogos e até mesmo um padre foram chamados para conversar com os alunos e explicar o que estava acontecendo.

Elas se debatiam, desmaiavam e diziam ver o espírito de um ex-aluno que morreu há sete anos. Após os episódios, os estudantes foram levados para a emergência de um hospital. Em um dia 25 alunos foram atendidos. “Chegaram com um quadro de histeria, basicamente, gritando, se debatendo, exibindo um alto grau de agressividade”, revelou o médico.


Mesmo com a ajuda dos profissionais, os casos de desmaios e sintomas semelhantes a convulsões só aumentaram, o que fez com que a escola tivesse que ser fechada por um período. Após o intervalo, o caso aparentemente se resolveu, assim como começou o fenômeno desapareceu.


O distúrbio psicogênico em massa é um fenômeno comum, embora pouco se tenha ouvido falar dele. A doença geralmente se caracteriza pelo aparecimento misterioso de uma série de sintomas sem causa aparente e ocorre com freqüência em comunidades isoladas. A histeria coletiva pode se espalhar quando existe um medo de exposição a uma doença, associado a um ambiente estressante e fechado.




Bem mas o que vem a ser histeria? Segundo Freud, a histeria é uma psiconeurose cujos conflitos emocionais inconscientes surgem na forma de uma severa dissociação mental ou como sintomas físicos (conversão), independentemente de qualquer patologia orgânica ou estrutural conhecida, quando a ansiedade subjacente é 'convertida' num sintoma físico.

 Freud explica a histeria conversiva da seguinte maneira:


Na histeria conversiva haveria um conflito inconsciente, uma ansiedade que não consegue emergir para o consciente por mecanismos repressivos da própria mente (Superego) mas que contém uma energia que precisa se manifestar e acaba eclodindo como um sintoma físico que mantém uma relação simbólica com o conflito. 

Na histeria dissociativa, um estímulo é sentido de forma tão intensa que quebra a funcionalidade da própria mente, desequilibrando-a e levando a pessoa a atos dissociados da realidade que a cercam, por maior ou menor tempo. 

Então, na histeria, há uma tensão e sofrimento não verbalizados e o material recalcado vem disfarçado sob a forma de um sintoma corpóreo.

A sociedade ocidental sempre foi muito reprimida, principalmente na área sexual, portanto em cultos religiosos pessoas rodopiam, gritam, pulam, caem, riem, dançam e falam em línguas estranhas (que eles dizem que é língua dos anjos). Contudo a histeria coletiva também se manifesta em campos de futebol ou em shows de rock.




A histeria coletiva é uma coisa perigosa, vai desde vandalismo em manifestações públicas até linchamentos.




Precisamos ter consciência que somos seres altamente influenciáveis pelo grupo. Uns mais, outros menos, mas todos o são.




5 comentários:

  1. Há que se ter cuidado em colocar fenômenos religiosos como o citado : "O fenômeno psicogênico de massa é comumente encontrado em contextos de fanatismo religioso, como o transe generalizado nos terreiros de Umbanda...", como histeria. Não existem transes generalizados em Terreiros de Umbanda. Essa forma de julgar transe mediúnico como histeria foi uma forma de antigos psiquiatras descaracterizarem a mediunidade e a colocarem como um sintoma histérico. Isso é puro preconceito religioso que não tem conotação científica. Mediunidade não é loucura e nem transe é fanatismo religioso

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  2. Cara Tania Jandira Rodrigues Ferreira, Foi muito importante sua colocação nessa postagem.
    Embora o texto não seja nosso (o link da fonte de pesquisa encontra-se embaixo) é de nossa responsabilidade tudo o que divulgamos em nosso espaço. O Muito Além está longe de ser um BLOG preconceituoso, sempre abrindo as portas para todas as manifestações. Agradecemos muito sua colaboração e esclarecimentos.

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  3. O texto não é de vocês, eu vi a fonte, mas a edição sim. Se concorda com a minha colaboração, por favor, editem de novo e retirem o que não deveria estar aí. Abraços

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  4. Tania Jandira Rodrigues Ferreira
    Incrível como você só se refere a preconceito, quando o texto se refere a Umbanda. Agora, e a histeria dos evangélicos, nos supostos "exorcismos", não tem problema? Se o BLOG Muito Alem for atender sua solicitação, aí sim, vai se mostrar tendencioso.

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