quinta-feira, 10 de julho de 2014

Os perigos de Fukushima que todos devem saber



Em 2011, um terremoto provocou um tsunami que matou quase 16.000 pessoas no Japão e causou uns 210 mil milhões de dólares em danos. 

Quando uma planta de energia nuclear (Fukushima) foi atingida por um tsunami, começou a lançar materiais radiativos. 

Três anos mais tarde, existem sérias preocupações sobre os níveis de contaminação radioativa, não só no Japão, mas também no Oceano Pacífico e muito mais.

Segundo dados oficiais do início de fevereiro de 2014, em cerca de 250 mil crianças e adolescentes examinados foram encontrados 33 casos de câncer, ou seja, 13 ocorrências a cada 100 mil habitantes. A cifra é quase quatro vezes maior que a média mundial para todas as faixas etárias.


Mesmo assim, a administração de Fukushima não pretende publicar detalhes relevantes sobre os casos de câncer. 

Em vez disso, o assessor de saúde da administração municipal e principal especialista em tiroide do Japão, Shunichi Yamashita, tenta acalmar os ânimos: "Ainda não chegou a hora de se fazer qualquer afirmação. Para tal, ainda temos de esperar novos exames."





Não é a primeira vez que uma cidade é, de certa forma, esquecida.

Quatro dias após a explosão do reator, em 15 de março de 2011, veio a ordem de esvaziar Tsushima, no noroeste.

Os moradores foram então enviados para dentro de uma nuvem radioativa invisível e sofreram mais radiação do que se tivessem ficado em casa. As autoridades em Tóquio sabiam muito bem disso devido às previsões de computador. No entanto, elas se calaram, porque temiam pânico.


Devido a essa experiência traumática, a cidade coleta o máximo possível de dados sobre os efeitos radioativos, como diz o chefe do departamento de saúde local, Norio Konno. "Queremos manter o controle sobre a saúde de nossos moradores", afirmou.

Se alguém quiser pedir uma indenização da Tepco, então precisa de provas judiciais. Por esse motivo, a cidade adquiriu, por conta própria, um scanner corporal, que se encontra agora no assentamento de deslocados em Nihonmatsu. 

Todos os moradores com menos de 40 anos podem ser examinados, uma vez por ano, para constatar a presença de Césio 134 e 137. O Estado só oferece essa possibilidade apenas a cada dois anos.

"Diante de tantas incertezas e riscos, fica a pergunta: até onde estamos dispostos a destruir o planeta e correr riscos elevados para que possamos gerar recursos tecnológicos em abundância, em consonância à cultura do consumismo desenfreado?"  - Fábio Bettinassi 




A radioatividade causa efeitos de longa duração no meio ambiente, além de problemas de saúde para os seres humanos. Para que se tenha uma ideia de quanto tempo pode durar a contaminação, a cidade ucraniana de Chernobyl é até hoje uma cidade fantasma, mesmo tendo passado mais de 25 anos desde o acidente nuclear que, em 1986, provocou a morte direta de 30 funcionários e contaminou toda a vida da região.


Este processo de contaminação do meio ambiente acontece em cadeia. 

A partir do momento em que o solo é contaminado, toda a vegetação que nele crescer também será contaminada. Os animais que se alimentarem desta vegetação também sofrerão as consequências da radioatividade, muitas vezes desenvolvendo doenças e anomalias diversas. 

Trata-se, portanto, de uma forma de contaminação perversa e invisível. O solo não fica infértil, mas tudo o que nasce dele carrega consigo a radioatividade. Se levarmos em conta que a contaminação pode durar décadas, é fácil imaginar o nível de impacto ambiental e as consequências para a vida nas regiões afetadas.

Além do solo, a água contaminada também propagará a radioatividade por onde passar, afetando desde peixes até a vegetação de rios e mares, favorecendo uma série de desequilíbrio nos organismos que compõem estes ecossistemas.




O vídeo abaixo é impressionante, as imagens do documentário produzido pela VICE News, do Canadá, mostram o que, verdadeiramente, está acontecendo depois das tragédias naturais ocorridas em Fukushima, no mês de março de 2011, e que mais tarde culminou no acidente nuclear de Fukushima Daiichi.

O documentário ¨Playing with nuclear Fire¨, apresentado pelo jornalista canadense, Shane Smith, foi produzido para saber a verdade, sobre as providências que o governo japonês e a TEPCO (Tokyo Electric Power Company) estão tomando em relação dessa, que é uma das maiores crises nucleares ocorridas em todos os tempos. 

O enviado especial da VICE, Vikran Gandhi, encontrou vários problemas e, que indicam mistérios envolvendo todo o processo de limpeza do local e com a segurança da população que habita a região nas proximidades dos reatores nucleares. 


O jornalista descobre a comercialização de produtos contaminados que foram entregues aos mercados da região, e fez com que o agricultor cometesse suicídio, depois de descobrir tudo.

A reportagem, também conta sobre as 250 toneladas de terra e as milhares de toneladas de águas contaminadas em razão do acidente, que até hoje o governo japonês e a companhia elétrica responsável, não sabem o que fazer com todos esses resíduos nucleares. 

E, em suas investigações realiza uma comparação com as medições do governo e da Tepco e com os seus medidores Geiger, que chegaram vinte vezes a mais de níveis de césios radioativos.


Mas o mais sério e preocupante, além de assustador é o depoimento do físico americano Michio Kaku, que revelou sobre os milhares de tanques que armazenam as águas contaminadas. Segundo ele, existem infiltrações. 

E, cerca de 300 toneladas de água estão sendo infiltradas direto na terra, e que podem ser espalhados até ao oceano. E todos os problemas foram negados pelo governo e pela Tepco.

Em um trecho, as filmagens mostram quando os funcionários da Tepco, expulsam toda a equipe da VICE e um funcionário do Ministério de Economia, Comércio e Indústria, que acompanhou o membros da equipe e lhes garantir a segurança na área da Fukushima Daiichi.  








Fonte: http://www.qssma.com.br/fukushima/



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