sábado, 19 de julho de 2014

ISOLAR-SE DO MUNDO


Quem nunca sonhou em jogar tudo pro alto e ir atrás do que se acredita? Quem já se pegou preso na rotina compulsiva do dia-a-dia, e já se questionou se as modernidades não atrapalham mais do que ajudam? 
Mas será que viver fora do sistema é possível? Levar uma vida isolada de tudo e de todos, vivendo exclusivamente das dádivas de nossa natureza, ainda é viável para o ser humano?
Estas pessoas escolheram isolar-se do mundo:  

Christopher McCandless, o homem que inspirou o filme 'Into the Wild' ( Na natureza Selvagem).


Conheça vários casos de pessoas que trocaram a civilização pela natureza.

Christopher McCandless tinha um futuro promissor: licenciado na Universidade de Emory, vinha de boas famílias e preparava-se para seguir Direito. Aos 22 anos, parecia ter o mundo nas mãos. 

Mas não era este “mundo” que ele queria. Farto de uma sociedade cada vez mais materialista, Chris largou tudo e partiu sozinho para as regiões selvagens do Alasca. Sobreviveu durante 112 dias, até acabar por morrer à fome no dia 18 de Agosto de 1992.

A história do homem que inspirou o filme ‘Into the Wild’ (Na natureza Selvagem) está longe de ter sido a única. 

Corria o ano de 1845 e o filósofo Henry David Thoreau já criticava a mesma sociedade de consumo que tanto atormentava Chris. 

No século seguinte, mais precisamente em 1929, Noah John Rondeau sentiu o mesmo e decidiu deixar a cidade de Nova Iorque para ir viver sozinho para os altos picos de Adirondack. 

Em 1990, Timothy Treadwell partiu com a namorada para o Parque Nacional Katmai. Passou 13 Verões entre os ursos, que considerava serem bem melhores que os humanos. Acabou por ser devorado por um.


Vamos conhecer estas histórias de pessoas que decidiram isolar-se do mundo. Há mais ou menos anos, por períodos mais ou menos curtos, todos eles tiveram uma coisa em comum: em determinada altura, ficaram simplesmente fartos de viver em sociedade. 

Christopher McCandless


Chris McCandless, famoso personagem do filme “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild) fez o que muitos sonham e outros criticam. Ele largou tudo que tinha: seu diploma, seu carro, sua família e até sua conta bancária. Foi com uma mala em busca do grande sonho de se isolar no Alaska.

Em 1990, Christopher McCandless terminou o curso na Universidade de Emory, doou todo o seu fundo universitário (cerca de 18 mil euros) à organização Oxfam e escreveu uma última carta aos pais. De seguida, conduziu em direcção a Atlanta, deixou o carro numa floresta, queimou todo o dinheiro que tinha e escreveu no seu diário: “Eu não preciso de nada. Eu consigo sobreviver apenas com a natureza.”

Com apenas 22 anos, Christopher McCandless decidiu abandonar a civilização. Adotou o nome de Alexander Supertramp e durante dois anos viajou pelo México e Estados Unidos - até decidir aventurar-se pelas regiões selvagens do Alasca. Com pouco mais do que uma máquina fotográfica e uma espingarda, Chris sobreviveu durante 112 dias, até acabar por morrer à fome no dia 18 de Agosto de 1992. Só foi encontrado algumas semanas depois.

Inspirado pelos seus diários, verdadeiros registos da sua aventura, pouco tempo depois o jornalista Jon Krakauer publicou na revista ‘Outside’ a história de McCandless. Em 1996 escreveu o livro ‘Into the Wild’, transposto para os cinemas em 2007 pela mão do realizador Sean Penn. 

Quando decidiu embarcar na sua aventura, Christopher McCandless adotou o nome de Alexander Supertramp. Durante os dois anos seguintes, viajou pelo México e Estados Unidos. O seu sonho, porém, era uma “odisseia pelo Alasca” – e foi exatamente esse o destino que marcou no mapa.

Foi visto vivo pela última vez em Abril de 1992 por Jim Gallien, que lhe deu carona para Stampede Trail. Na mala, “Alex” não tinha mais do que 4 quilos e meio de arroz, alguns livros, uma máquina fotográfica, uma espingarda de calibre 22 e várias caixas com cartuchos. Gallien ainda tentou dissuadi-lo, mas em vão: McCandless estava determinado em deixar a civilização. Estava farto de uma sociedade hipócrita e materialista. Ainda assim, aceitou um par de botas, duas sandes de atum e um pacote de batatas fritas.


Ao longo da viagem, McCandless foi escrevendo continuamente no seu diário. No início de Maio encontrou um autocarro abandonado, usado antigamente pelos caçadores como abrigo. “Liberdade total”, escreveu. “A minha casa é a estrada.”

 Mas o sonho de uma “odisseia pelo Alasca” estava prestes a tornar-se num pesadelo. Era cada vez mais difícil encontrar comida. A sua alimentação era à base de esquilos, aves, gansos, e às vezes um alce que conseguia caçar; à parte disso, ia colhendo batatas e cogumelos selvagens, e bagas. Começou a perder peso muito rapidamente. A 30 de Julho, escreveu: “Extremamente fraco. Culpa da semente de batata. Esfomeado. Perigo.” O mais provável é que tivesse ingerido uma semente envenenada. Sem conseguir ir muito longe para procurar comida, a 5 de Agosto escreveu: “Estou encurralado na selva.”

Cada vez mais fraco, Christopher McCandless acabou por morrer à fome. Uma das últimas coisas que fez foi tirar uma fotografia a si próprio. Com um sorriso corajoso no rosto, posou para a câmara com a sua última nota no diário numa mão, e a outra levantada a despedir-se. No dia 12 de Agosto, escreveu pela última vez no diário: “Lindos mirtilos.” De acordo com a autópsia, terá morrido dias depois, a 18 de Agosto.

Poucas semanas depois, mais precisamente no dia 6 de Setembro de 1992, o seu corpo foi encontrado já em decomposição por um caçador da região. De acordo com os registros do seu diário, Christopher sobreviveu 112 dias na selva.


Chris, já no final da vida escreve: “Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus abençoe a todos”. O jornalista Jon Krakuer decidiu escrever o livro que virou filme por se identificar com a historia de Chris. Ele também era teimoso, desapontou os pais e não suportava as características de autoridade existentes.
Vejam o vídeo:A emocionante história do jovem Christopher McCandless






Henry David Thoreau


  
"Fui para os bosques viver de livre vontade para sugar todo o tutano da vida…

Para aniquilar tudo o que não era vida

E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!"

Henry David Thoreau nasceu a 12 de Julho de 1817 em Concord, uma cidade de Massachusetts, nos Estados Unidos da América. 

Naturalista, filósofo e crítico do desenvolvimento, Thoreau foi um ávido crítico da sociedade capitalista da época. 

Em 1845, tinha então 27 anos, decidiu abandonar tudo e partir para o meio da floresta, num terreno que pertencia ao poeta e escritor Ralph Waldo Emerson, amigo de longa data. Nas margens do lago Walden, Thoreau construiu uma cabana, e passou a viver do que a terra lhe dava. 

Queria "viver deliberadamente", defrontar-se "apenas com os fatos essenciais da existência, em vez de descobrir, à hora da morte, que não tinha vivido."


Os dois anos que viveu na floresta deram origem ao livro ‘Walden ou A Vida nos Bosques’, uma das suas obras mais famosas de sempre. Publicado em 1854, o livro é um manifesto poético contra a civilização industrial que ganhava cada vez mais força nos Estados Unidos. 

Durante toda a sua vida, Thoreau opôs-se ao capitalismo, à sociedade de consumo, à guerra e à devastação ambiental. 

Acreditava que devia ganhar apenas o necessário para sobreviver, e chegou a ser preso por não pagar impostos – recusava a ideia de dar dinheiro aos Estados Unidos, uma vez que não queria financiar nem a escravatura nem a guerra.


Era o regresso a uma vida mais simples. No meio da floresta e com poucas ferramentas ao seu alcance, Thoreau aprendeu a sobreviver sem a ajuda de ninguém. Construiu a sua própria casa e os seus móveis. Apesar de entender pouco de agricultura, começou a cultivar alguns alimentos e chegou até a fazer o seu próprio pão.

Nunca chegou a ser um verdadeiro eremita: durante os dois anos em que esteve isolado da sociedade fez e recebeu visitas. Porém, procurava encontrar na solidão as respostas para o que era afinal a sociedade, e do que precisamos realmente para sobreviver. As suas conclusões? Pouco. Muito pouco. Uma vida simples e humilde é viável em termos financeiros, constatou. Em todo o ano de 1845, Thoreau sobreviveu com pouco mais de 800 euros. 

Timothy Treadwell




Nascido em Nova Iorque, Timothy Treadwell estudou no colégio Connetquot. Era um aluno mediano: não tinha nem notas muito boas nem muito más. 

Quando entrou na adolescência, envolveu-se com o álcool e as drogas, alegadamente depois de perder um papel na série de sucesso ‘Cheers – Aquele Bar’ para Woody Harrelson.

Depois de quase falecer com uma overdose de heroína nos anos 80, Treadwell foi encorajado por um amigo a ir para o Alasca observar os ursos. Foi amor à primeira vista: mais tarde, o jovem admitiu que foi o relacionamento com os animais que o libertou das drogas.

Em 1990, partiu com a namorada Amie Huguenard, para o Parque Nacional Katmai, no Alasca. Durante 13 Verões, o casal viveu totalmente isolado com os ursos. No último dia no acampamento, porém, um problema inesperado obrigou-os a prolongar a sua estadia. Acabaram por ser mortos e parcialmente devorados por um (possivelmente dois) urso-pardo pouco tempo depois. 


Uma câmara de vídeo registou os sons dos seus últimos momentos de vida, porém o áudio nunca foi divulgado ao público. A história de Treadwell deu origem ao documentário ‘O Homem Urso’, realizado em 2005 por Werner Herzog.

Timothy Treadwell nunca conseguiu adaptar-se à vida em sociedade. Anti-social, “trocava” várias vezes de personalidade, usou drogas durante vários anos e mostrava-se incapaz de lidar com as suas fraquezas. Subitamente, encontrou nos ursos uma inocência que não conseguia detectar na vida em civilização que admitia desprezar.

Ambientalista fervoroso, o jovem americano fez tudo o que estava ao seu alcance para proteger os animais – deu palestras e participou em programas de televisão, sempre com o objetivo de proteger os ursos e os habitats naturais em geral, para além de discutir a sua experiência com eles.


Estava prestes a abandonar o parque, em Outubro de 2003, quando teve um desentendimento com a companhia aérea. Acabou por decidir ficar mais tempo, até porque achava que os ursos que tinha avistado durante o Verão já estariam a hibernar. 

Apercebeu-se mais tarde que estava enganado: nas suas últimas filmagens, Timothy gravou um urso a mergulhar várias vezes no rio, à procura de um pedaço de salmão já morto. Nesses registos, o jovem admitiu que não se sentia muito confortável com a presença dos animais.

Porém, nada parecia fazer prever a tragédia que se avizinhava. No dia 5 de Outubro de 2003, por volta da meia-noite, Timothy falou com o seu sócio que estava em Malibu. Tudo parecia estar bem: o americano não referiu qualquer problema com os ursos. No dia seguinte, Treadwell e Huguenard foram encontrados mortos pelo piloto que os ia buscar ao acampamento. 

O cenário era devastador: os seus corpos estavam desmembrados e desfigurados. Enquanto tentavam recuperar os restos mortais do casal, os guardas do parque dispararam sobre dois ursos que os tentaram atacar. A necropsia revelou partes de corpos humanos, como dedos e membros.

Abaixo, trailer do docudrama de Werner Herzog "O Homem Urso", baseado na vida de Timothy Treadwell






 Noah John Rondeau




1929. Aos 46 anos, Noah John Rondeau decidiu deixar a cidade de Nova Iorque de vez. 

Dizia-se “não muito satisfeito com o mundo e as suas novas tendências”, e queria deixar de viver em sociedade. O destino? Os altos picos de Adirondack. A partir desse dia, Noah passou a designar-se como Presidente da cidade de Cold River (População 1). 

Nunca chegou a ser uma verdadeiro eremita: não tinha problemas em receber visitas, e até gostava de tocar violino para elas. Nos Invernos mais rigorosos, de vez em quando um avião passava pela área para deixar cair pelos ares alguns mantimentos para o ajudar a sobreviver. 

Ainda assim, o americano era totalmente auto-suficiente – chegou a estar 381 dias seguidos sem sair da “sua” cidade. 

Durante a Segunda Guerra Mundial,  Rondeau  já estava na casa dos 60 anos, um grupo de visitantes confundiu-o com um desertor. Achavam que ele teria escondido na floresta para não ir para a guerra. A propósito desta questão, no dia 4 de Agosto de 1943 o americano escreveu uma carta para o ‘Record-Post’. 




“Eu nunca fui para Cold River para fugir de nada. O que podem dizer é que, entre 1930 e 1940, fugi do fracasso do sistema laboral americano. Não conseguia tirar o suficiente da civilização para viver como em Cold River”, escreveu. 

“Eu não apareci pela primeira vez em Cold River no dia em que Pearl Harbor foi bombardeado. O que eu estou fazendo em relação à guerra pode não parecer nada, mas é tudo o que eu consigo fazer, é o que eu estou fazendo, e é isto – sou auto-sustentável.”

No final da década de 40 e início da década de 50, Rondeau apareceu em vários espectáculos. O primeiro foi o ‘National Sportsmen's Show’, no ano de 1947. O Departamento de Conservação estava de tal forma determinado em levá-lo a Nova Iorque que mandou um helicóptero buscá-lo. 

Em 1950, o Departamento de Conservação fechou a área de Cold River ao público depois do ‘Big Blowdown’, uma forte tempestade que provocou chuvas e ventos fortes durante vários dias. 

Apesar de ter sido obrigado a mudar de casa, continuou a viver na zona, até de morrer de velhice em 1967. Nunca viu o seu último desejo cumprido: ser enterrado no seu eremitério. Os seus restos mortais permanecem até hoje no cemitério de North Elba.


Reclusos por opção:

Abandonar tudo é uma fantasia que muitas pessoas têm, mas, para alguns, fantasiar não basta. Por uma razão ou outra – o desejo de paz em um mundo cada vez mais frenético, a tentativa de fugir da invasão da tecnologia ou a necessidade de um lugar isolado para se recuperar de um problema de saúde.


"Algumas pessoas têm necessidade de fugir do relacionamento social. Outras podem ter criado um estilo que evita o apego na infância, provocando uma necessidade de provar a si mesmas que não precisam de ninguém". Seja qual for a razão, elas se sentem obrigadas a realizar a fantasia, buscando o tipo de solidão que só se encontra nos locais mais remotos. explica a psicóloga e escritora Elaine N. Aron, autora de "The Undervalued Self" (O ser desvalorizado).

O desejo de extrema solidão pode ter origens mais simples, ela comentou: "Talvez elas queiram ter uma experiência mística. Isso não pode ser considerado doença". 

Nick Fahey:



Nick Fahey vive há 16 anos em uma ilha no arquipélago de San Juan, ao norte de Puget Sound, no Estado de Washington, onde sua única companhia é um cavalo quarto de milha de 26 anos.

Fahey, de 67, mora em uma cabana construída no terreno de cerca de 400 mil m² de floresta que pertence a sua família desde 1930. Ele não tem geladeira, mas conta com a energia elétrica gerada por painéis solares, assim, pode carregar seu celular.




Há pouco conforto material, mas ele é dono de seus dias. "O tempo é um dos luxos de se morar aqui", afirma. Com exceção de cortar madeira para queimar e de cuidar da própria sobrevivência – ocasionalmente faz uma viagem até as ilhas vizinhas ou ao continente para vender a madeira ou comprar gêneros alimentícios –, está livre para fazer o que quer. 



Em geral, passa os dias perambulando pela ilha rochosa e tomando café com chicória. "Não me preocupo com o que visto ou deixo de vestir."



Fahey se mudou para a ilha em 1994, anos depois de ter se divorciado. Sua filha Anna, de 36 anos, vai visitá-lo uma vez por mês, e seu filho, Joe, de 39, que mora na França, vai para lá todos os anos. 

Há uns poucos habitantes do outro lado da ilha, mas Fahey prefere não ter contato com eles. Uma vez por semana vai até Anacortes, a 18 quilômetros de distância de barco, para visitar o pai, de 99 anos, que está em um asilo, e para ver a namorada, Deborah Martin, de 56, com quem tem um relacionamento há 15. "Somos independentes, e acho que é por isso que funciona, em parte", diz ela.

Roger Lextrait:



Para Roger Lextrait, viver em isolamento parece atraente, depois de uma vida agitada como dono de restaurante em Portland, Oregon.

Lextrait foi o único habitante do atol de Palmyra, em um arquipélago no norte do Pacífico a mais de 1.600 km ao sul do Havaí, de 1992 a 2000. 


Ele foi parar lá com 40 e poucos anos, depois de cerca de 12 velejando ao redor do mundo, depois de um divórcio e da venda de dois restaurantes. A experiência deveria durar alguns meses, mas Lextrait ficou oito anos. 

Parte da atração foi que "o tempo não importava -às vezes eu perdia a conta do ano", ele disse. "Era muito mágico." 



Ele decidiu partir quando "foi atacado pela solidão". Voltou do isolamento e achou o mundo um lugar diferente. "Eu não tinha ideia de que o telefone celular existia, fiquei perdido." 


Edward Griffith-Jones:



Edward Griffith-Jones, um britânico de 27 anos, passou o último ano vivendo em uma cabana que ele construiu em um parque nacional na Suécia. 

Foi sua maneira de ser ambientalmente responsável, disse. 

"É um momento muito interessante para encontrar outro modo de vida. As pessoas usam muito a palavra 'sustentável', especialmente quando fazem negócios, e ela não significa nada." 

Em suas raras viagens à cidade, ele procurava alimentos não estragados nas latas de lixo. "Vivemos em um mundo onde tudo é muito especializado. 


Cabana construída por Edward Griffith-Jones no parque nacional da Suecia

Hoje as pessoas não sabem fazer nada, não sabem sobreviver", disse, falando de um telefone celular na floresta. "Eu não sou completamente autossuficiente, mas estou aprendendo." 


Recentemente, porém, Griffith-Jones deixou a floresta, após decidir que o estilo de vida não era tão sustentável quanto ele esperava e, principalmente, porque "não havia mulheres dispostas a morar lá". 



David Glasheen:



David Glasheen, comparou sua experiência de viver sozinho a "ir à Lua". 

"Tudo o que você já aprendeu não significa nada até você chegar a um lugar como este", disse Glasheen, que vive na ilha Restoration, diante do litoral norte da Austrália, com seu cachorro. Ele está lá desde 1993. 

O que, na verdade, o levou a fazer esta escolha, optar por este modo de vida, foram as decepções: o fim de um casamento e perda de sua fortuna com o crash da bolsa de Nova York em 1987. 

Esses dois fatores foram o que bastaram para o empresário de Sidney abandonasse o meio corporativo e se voltasse para a vida em que o simples lhe bastava. 



O ex-milionário não quer nem pensar em voltar para a casa, aliás, sua casa já é ali mesmo, na ilha deserta na costa noroeste da Austrália, desde 1993, quando decidiu se mudar definitivamente para lá. 


Para garantir a sua sobrevivência, David Glasheen, vive da pesca de peixes e caranguejos, e da coleta de bananas, cocos e frutas nativas. Ele também cultiva seus vegetais. David revelou que se considera o cara mais sortudo do mundo. Disso ninguém duvida.




Mas engana-se quem pensa que o jovem senhor que irá completar neste ano de 2014 apenas 69 aninhos, abandonou totalmente os hábitos que tinha no continente. O que lhe dá prazer ele ainda continua tendo como hábito, o que é o caso da cervejinha que ele não dispensa. 

O diferencial é que não é mais preciso ir ao supermercado para buscar uma, basta, no momento em que sentir sede, ir à cozinha e preparar uma “loira gelada” ao seu gosto. E para não passar os dias em total solidão, David não dispensa a companhia de seu fiel companheiro, o cachorro Quase.




"Eu só queria a ideia de uma vida menos estressante", disse.  Estar atualizado não é algo que o preocupe...e, na verdade, quem se preocuparia, se pudesse viver com estes coqueiros à volta e mergulhar nestas águas cristalinas? 

Abaixo, um pequeno vídeo sobre o estilo de  vida de David Glasheen.






Danila Tkachenko:

Por 3 anos, o fotógrafo russo Danila Tkachenko registrou a vida de pessoas que decidiram viver longe do restante da civilização ao migrar para locais inabitados do interior da Rússia e da Ucrânia. 
Longe de ser somente mais um passeio a trabalho, a viagem proporcionou ao fotógrafo uma incrível experiência ao conhecer pessoas que decidiram viver em completa solidão, morando em casas no meio da floresta.

“Você pode descrever suas condições de vida?

Danila: Você pode ver que tipo de personalidade a pessoa tem só de olhar para a sua casa. Há aqueles que constroem palácios inteiros usando materiais disponíveis na floresta. Algumas cavernas ocas, outros constroem cercas e até pontes. O trabalho é uma parte muito importante de suas vidas.”


Para encontrar estas pessoas, Danila teve de fazer uma pequisa profunda, já que esses nômades deixavam poucas pistas de seu paradeiro. Ao consultar prefeituras, jornais locais e fazendeiros das regiões, o fotógrafo conseguiu alcançá-los e mostrar o seu interessante estilo de vida através de um ensaio fotográfico.

“O que eles comem?


Danila: Algumas pessoas caçam, outros cultivar seu próprio alimento. Comem bagas e cogumelos. Se você conhece a floresta bem o suficiente, ela vai te dar muita comida. Mas eles também têm a opção de viajar para as aldeias vizinhas para fazer trocas com os habitantes.” 

Neste ensaio, o fotógrafo também registrou suas casas. Confeccionadas com barro, palha, dentro de cavernas ou com madeira da floresta, todas foram construídas com as próprias mãos e são agora a residências destas pessoas que vivem imersas em meio a natureza. 

Em entrevista para a revista Vocativ, o russo contou um pouco sobre como teve a ideia de fotografar os eremitas.


“Meu pai viveu na floresta como um eremita por cerca de três anos, mas depois voltou à viver na cidade. Eu estava interessado em ver como uma pessoa escolhe cortar relações com o mundo exterior para tentar se aproximar mais de si mesmo. É uma questão de olhar para a sua identidade real. Quando conheci essas pessoas, eu estava interessado em ver como eles se comparam a mim como um morador da cidade. 



Cerca de cinco anos atrás, estava caminhando pelas montanhas de Altai , quando me perdi e tive que passar cerca de um mês sozinho. Foi uma experiência muito difícil e importante para mim, e é por isso que decidi explorá-la ainda mais.”

São essas as pessoas mais felizes do que aquelas que vivem na cidade?


A felicidade é algo muito pessoal. Mas eles parecem viver em harmonia consigo mesmos e com o mundo ao seu redor. Eles são muito parecidos com crianças. Se eles estão tristes ou felizes, eles vão compartilhar isso com você, porque eles não têm o habito de usar máscaras sociais que as pessoas que vivem em um ambiente civilizado usam. Eles não têm padrões sociais para seguir e são pessoas muito sinceras e abertas.” 


Eric Valli:



O fotógrafo francês Eric Valli realizou uma incrível série de fotografias que fazem parte de um projeto que exigiu alguns anos de sua vida. 

Off The Grid é composto por uma série de imagens de pessoas que decidiram viver em harmonia com a natureza, longe da moderna e predatória civilização.

O conceito do projeto, assim como a ideologia dos fotografados nos lembra bastante o longa-metragem dramático Into The Wild, filme de 2007, dirigido por Sean Penn. 
Into The Wild (Na Natureza Selvagem) é baseado no livro de Jon Krakauer, que retrata a verdadeira história de Cristopher McCandless, um jovem recém formado que busca experiências únicas em sua vida e abandona todo o materialismo cotidiano. 

Nesse excelente filme, o personagem influenciado por suas leituras que vão de Tolstoi a Thoreau, busca a comunhão com a pura e selvagem natureza para então atingir a almejada liberdade. 

No Off the Grid, Eric Valli encontrou esses “Supertramps” que optaram por viver em lugares remotos, pessoas que não querem mais fazer parte dos problemas que a sociedade cria e não resolve. 

Então o aventureiro fotógrafo passou alguns anos seguindo quatro deles, buscando a harmonia natural nos mais deslocados cantos dos Estados Unidos da América. Confira abaixo a série de imagens das triunfantes pessoas que abandonaram os centros sociais e foram viver em meio a natureza.










Antoine Bruy:


Entre 2010 e 2013, o fotógrafo francês Antoine Bruy viajou por regiões montanhosas e remotas da Europa, como os Cárpatos e Pirineus, e registrou pessoas e comunidades que vivem isoladas da sociedade.

Segundo Bruy, são pessoas que procuram estilos de vida alternativos, com melhor energia, alimentação, economia e autonomia social.

Scrublands é uma série que retrata indivíduos únicos que optaram por deixar a civilização e viver suas vidas em meio a natureza.


"Desde 2010, viajei por toda a Europa para compreender homens e mulheres que fizeram a escolha radical de viver longe das cidades, dispostos a abandonar seu estilo de vida, baseado em desempenho, eficiência e consumo. 
As pessoas e lugares retratados nas minhas fotos mostram vários exemplos que eu acho que não devem ser vistos apenas a nível político, mas o mais importante, como uma experiência irrefutável. 

Estas são, de certa forma, as respostas espontâneas às sociedades, que esses homens e mulheres deixaram para trás. Este projeto de documentário é uma tentativa de fazer uma espécie de panorama contemporâneo e dar de volta um pouco de magia para a nossa civilização moderna."



Vincent era um estudante de matemática. Ele tem vivido em Ramounat durante os últimos 7 anos.



Eles tomaram a decisão consciente de abandonar seu estilo de vida anterior, abrir mão de confortos urbanos por uma existência mais eco-sustentável.

Eles escolheram uma forma mais calma e simples de vida que depende da natureza.




Bruy espera continuar este projeto, elogiando a beleza do estilo de vida dessas pessoas. Ele atualmente tem planos de expandir o projeto para os Estados Unidos, especificamente para as Montanhas Apalaches.

O interesse do fotógrafo surgiu em 2006 quando fazia um mochilão pela Austrália. Na ocasião, Bruy entrou em contato com programas voluntários para trabalhar em fazendas orgânicas.






Fonte:http://zelmar.blogspot.com.br/2013/08/estas-pessoas-escolheram-isolar-se-do.html
http://www.jardimdomundo.com/fujam-para-colinas-homens-e-mulheres-que-abandonaram-cidade-para-viver-como-eremita/
http://www.publistorm.com/off-the-grid-a-vida-longe-da-sociedade/

7 comentários:

  1. Com certeza amigo, um otimo post. Gostei muito do seu artigo.
    Em foco uma frase muito bonita que me chamou a atenção. Junto de muitas outras...
    "...cortar relações com o mundo exterior para tentar se aproximar mais de si mesmo."

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  2. Assisti hoje Na natureza Selvagem e percebi que no final ele vê que a felicidade tem que ser compartilhada... tem que está em sociedade... mesmo que afastado de tudo... tem que ter mais alguém...

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  3. Adorei!!!!Assisti o filme e já me aventurei na juventude e digo que foi a melhor experiência da minha vida!

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  4. Alguém afim de sair do sistema como eu ?

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