sábado, 7 de junho de 2014

O LIVRO DE MIRDAD



Ao abrir O Livro de Mirdad, o leitor inicia uma viagem, na qual corre sérios riscos de ser transformado. Muito pouco conhecida fora dos meios esotéricos, essa obra do libanês Mikhail Naymy (1889-1988) é considerada uma das mais perfeitas traduções em prosa literária da espiritualidade.

O Livro de Mirdad é o mais conhecido livro do escritor libanês Mikhail Naimy. Ele conta a história da "Arca", um templo construído a mando de Noé para que os homens não esquecessem dos motivos que levaram Deus a provocar o Dilúvio.

Muito sinteticamente, narra a história da chegada de um estranho ao mosteiro A Arca, localizada no mais alto ponto das Montanhas Alvas, no Pico do Altar, que teria sido construído por ordem do lendário Noé. 

O templo deveria ser uma imitação arquitetônica da arca original e deveria ser cuidado, sempre, pelo mesmo número de passageiros da arca original: nove. Quem optasse por entrar na Arca passaria o resto de suas vidas nela, e quando um viesse a falecer, a primeira pessoa que batesse a porta exigindo tomar seu lugar, deveria ser aceita imediatamente.

Isso aconteceu por muitos anos até que um dos monges faleceu e o primeiro homem que se apresentou para tomar seu lugar foi um mendigo e o Monge Superior resolveu não aceitá-lo na Arca, a não ser como servo.

Em princípio rejeitado pelo Superior do mosteiro, Mirdad ficou em silêncio durante sete anos, mas no oitavo resolveu falar, e o que tinha para falar é a sabedoria e a essência do Livro de Mirdad. Ele próprio, o estranho, o servo, o protagonista: Mirdad.


Este é um livro que faz refletir, independente de credos e religiões. Independente se você acredita na Arca de Noé ou não. É uma história que aborda temas para se pensar, coisas a respeito do próprio ser humano.



“É absolutamente verdadeiro que o livro se desvia do dogma cristão comum. E se desvia também de todos os dogmas estabelecidos sejam eles religiosos, filosóficos, políticos ou de qualquer espécie. E por que há de ser um dogma assim tão sagrado e imutável? Poderá algum dia a Verdade ser encerrada em determinadas palavras e nenhuma outra? É exatamente nisso que está a razão de ser deste livro…” M. Naimy


Mikhail Naimy,  conforme prova seu trabalho neste livro, pode trazer à humanidade as palavras de Cristo, ditas a seus discípulos no monte, brotadas do coração, plenas de riqueza de conhecimento iluminado. 

Em nossos tempos de trevas e degeneração, de ódio cego e de iminente autodestruição, "O Livro de Mirdad" é um archote de luz universal para a humanidade buscadora. Escrito numa linguagem clara, poética, de ricas imagens múltiplas, irradiante de suavidade, amor compreensivo, ele dá prova da fonte original da qual o autor testemunha.

"Mirdad: O Amor é a Lei de Deus. Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem."


O Livro de Mirdad é um dos muitos textos que têm sido legados à humanidade desde o princípio e que pertencem à doutrina universal. Sendo assim, ele também traz a assinatura da Verdade Vivente.
O Livro de Mirdad foi escrito para aqueles que buscam uma resposta às eternas questões fundamentais como: quem sou, de onde venho e para onde vou? Nele, Naimy faz-nos reconhecer que as respostas para estas perguntas podem ser encontradas aqui e hoje. Este livro contém uma mensagem da Luz e indica o caminho para essa Luz.


Num mosteiro, que antes se chamava A Arca, no alto de um pico da montanha, surge um estranho jovem. Sucedem-se surpreendentes revelações que são o testemunho de uma sabedoria viva, atemporal e impossível de classificar em rótulos. 

“Certa manhã, exatamente no momento em que a escuridão começava a dissolver-se na Luz, sacudi dos olhos os sonhos da noite e, empunhando o meu bordão e sete pães, parti para a Escarpa. O suave alento da noite que expirava, o pulso rápido do dia que nascia, uma ânsia de enfrentar o mistério do monge prisioneiro e a ânsia, ainda maior, de libertar-me de mim mesmo, ainda que fosse por um só momento, pareciam pôr asas nos meus pés e dar vivacidade a meu sangue. Iniciei a jornada com um cântico no coração e um firme propósito na minha alma”. 


Começa assim o início de uma escalada à montanha que ameaça ser um mergulho nas profundezas do próprio Ser mais interior. 

O Autor, Mikhail Naimy, nasceu em 17 de outubro de 1889, em Baskinta, uma aldeia no Líbano central, no sopé da montanha Sannine, a 1.500 m de altura, de onde se pode avistar o lado oriental do Mar Morto. 

Era o terceiro filho de uma família greco-ortodoxa de cinco filhos e uma filha. Após o ensino fundamental em Baskinta, numa das muitas escolas missionárias que foram nessa região pela Sociedade Real Russo-Palestina, ingressa, em 1902, no Instituto de Formação de Professores, em Nazaré. 

Em 1906, recebe uma bolsa para o Seminário Teológico em Poltava, na Ucrânia, onde estudou até 1911. Em 1911, Naimy vai para os Estados Unidos, para estudar literatura e direito na Universidade de Washington, em Seattle, onde fica até 1916. 

Após terminar os estudos, muda-se para Nova Iorque. Aí encontra Khalil Gibran e funda, com ele e outros imigrantes libaneses e sírios, a famosa “Pen Society”, cujo objetivo era levar a literatura árabe para uma nova época, onde poderia desenvolver-se de maneira pura, fresca e moderna. 

Em 1932, um ano após a morte de seu melhor amigo e companheiro, Khalil Gibran, e depois de 20 anos de permanência nos Estados Unidos, Naimy decidiu voltar definitivamente para o Líbano. 


Ao retornar à propriedade da família em El Chakroub, no sopé da majestosa montanha Sannine, um local onde a natureza tem uma beleza encantadora, Naimy decide dedicar o resto da vida a desenvolver sua mensagem espiritual, que se evidencia de maneira notável na sua obra O Livro de Mirdad, escrita em inglês, e traduzida por si para o árabe. 

"O Livro de Mirdad é o livro que eu mais estimo. Mirdad é um personagem fictício, mas cada declaração e ato de Mirdad é imensamente importante. Ele não deve ser lido como um romance, mas como uma escritura sagrada, talvez a única escritura sagrada". - OSHO


Publicado pela primeira vez em 1948 em Beirute, Líbano, com uma nova edição em 1954 em Bombaim, Índia, seguida de outra em 1962 na Inglaterra, onde continua a ser publicado regularmente. 

Novas traduções continuam a surgir em todas as principais línguas orientais e ocidentais. Naimy escreveu quase 53 obras de diversos gêneros literários conseguindo sempre unificar realismo e espiritualidade. 


"Embora concebido e escrito em inglês, ele não se destina exclusivamente ao público de língua inglesa, nem pretende causar um choque ou alarme aos fiéis de qualquer crença, mas sacudir a humanidade que se acha entregue à letargia dogmática, prenhe de ódio, luta e caos". M. Naimy

Naimy morreu em casa, aos 99 anos, em 28 de fevereiro de 1988. Teve um funeral de Estado e foi enterrado no interior do sopé da montanha Sannine (a Escarpa Rochosa). Na sua lápide em forma de cruz está gravada uma citação de seu livro Solilóquio ao Pôr-do-sol: "Sou a tua criança, ó Senhor, e esta terra bela, rica e abundante, em cujo seio me puseste a dormir, é somente o berço de onde engatinho para ti."


"O amor é a única libertação do apego. Quando você ama tudo, não está preso a nada.
... O homem aprisionado pelo amor de uma mulher e a mulher aprisionada pelo amor de um homem estão ambos sem condições de receber a preciosa premiação da liberdade. Mas o homem e a mulher que, graças ao amor, tornaram-se uma só pessoa, inseparáveis, indistinguíveis, estão bastante qualificados para receber o prêmio". de O Livro de Mirdad, de Mikhail Naimy


O Livro de Mirdad,  é um dos famosos livros que não fazem parte de nenhuma escola de sabedoria ou filosofia em particular, mas que tem o teor de cânone por sua inspiração dita divina. 

O trecho abaixo traz as palavras de Mirdad sobre Deus e a postura do homem em relação a ele, até então predominantemente separatista, inferiorizada, pobre, ritualística e, nas palavras do próprio Mirdad, "cega e ingrata". 

Pelo verbo feroz e direto, mas principalmente pelo teor anti-dogmático, O Livro de Mirdad é considerado por muitos uma quebra de paradigma e um daqueles livros capaz de mudar a direção de muitos caminhos pessoais.
“ORAÇÃO”, DO LIVRO DE MIRDAD [TRECHO, PAGS 124-125]

Por Mikkhail Naimy

Deus não vos dotou de nenhuma fração de Si – pois ele é indivisível; – mas de toda sua divindade, indivisível, impronunciável. Ele vos dotou a vós todos. Que maior herança podeis vós aspirar? E quem ou o que vos impede de vos apossardes dela senão a vossa própria timidez e cegueira?


E em vez de serem gratos por essa herança e em vez de procurarem os meios de tomarem posse dela, alguns homens – cegos e ingratos! – fazem de Deus uma espécie de quarto de despejo ao qual levam suas dores de dentes e de barriga, seus prejuízos nos negócios, suas brigas, suas vinganças e suas noites de insônia.

Enquanto outros fazem de Deus sua casa do tesouro onde esperam encontrar o que desejam, toda vez que cobiçam a posse de todos os pechisbeques deste mundo.

Há ainda outros que fazem de Deus uma espécie de seu guarda-livros particular. Pretendem que Deus deva não só manter em dia as contas de suas dívidas, mas também cobre o que lhes é devido, conseguindo sempre um grande saldo em favor deles.

Sim, são muitas e diversas as tarefas que os homens exigem de Deus. No entanto, poucos se lembram de que se isso estivesse a cargo de Deus, ele as executaria sozinho e não precisaria de homem algum para incitá-Lo a fazê-las ou Lhas recordar.

Por acaso relembrais a Deus das horas em que deve nascer o sol ou pôr-se a lua?

Lembrais a Deus de fazer brotar da terra o grão de milho naquele campo?

Tendes que lembrá-Lo para que aquela aranha acolá teça a sua teia?

Precisais lembrá-Lo dos filhotes do pardal naquele ninho ali?

Por acaso tendes de lembrá-Lo das inúmeras coisas que enchem este infinito universo?

Por que fazeis pressão, com vossos insignificantes seres, em Sua memória? Sois menos favorecidos em Sua vista do que os pardais, o milho e as aranhas? Por que, como eles, não recebeis os vossos presentes e não vos ocupais com vossas tarefas sem muito alarido, sem dobramentos de joelhos, e extensão de braços e sem ficardes ansiosos a espiar o amanhã?

E onde está Deus para que preciseis gritar nos seus ouvidos os vossos caprichos e as vossas vaidades, vossos louvores, vossas queixas? Não está ele em vós e em tudo ao redor de vós?

Não está o Seu ouvido muito mais próximo de vossa boca do que o está vossa língua do vosso céu da boca?


Basta a Deus sua divindade, da qual tendes a semente.

Se Deus, tendo-vos dado a semente de Sua divindade, tivesse que cuidar dela ao invés de vós, qual seria a vossa virtude? E qual será o trabalho de vossa vida? E se vós não tiverdes trabalha algum a executar, mas Deus precisar executá-lo para vós, que sentido terá, então, a vossa vida? E de que valerão todas as vossas preces?

Não leveis a Deus as vossas inúmeras preocupações e esperanças. Não Lhe peçais para abrir as portas das quais Ele vos deu as chaves. Mas buscai-as na vastidão de vossos corações, pois na vastidão do coração se encontra a chave de todas as portas. E na vastidão do coração estão todas as coisas pelas quais tendes sede e fome, sejam do bem ou do mal!.

Um poderoso exército aguarda o vosso chamado e atenderá imediatamente ao vosso mais leve apelo. Quando devidamente equipado, sabiamente disciplinado e corajosamente comandado, poderá saltar eternidades e destruir todas as barreiras que se opuserem ao seu ideal. Quando mal equipado, indisciplinado e timidamente comandado, ele ficará vagando inutilmente ou se retirará com rapidez diante do menor obstáculo, arrastando atrás de si a mais negra derrota.

E não é outro, esse exército, ó monges que aqueles diminutos corpúsculos vermelhos que estão agora, silenciosamente, a circular em vossas veias; cada um deles um milagre de força, cada um deles um registro completo e exato de toda vossa vida e de toda Vida, nos seus mais ínfimos pormenores.

É no coração que este exército se reúne, pois o coração é que faz o seu treinamento. Eis porque é o coração tão famoso e tão reverenciado. Dele brotam as vossas lágrimas de alegria e de tristeza. A ele acorrem os vossos temores da Vida e da Morte. Vossos anseios e vossos desejos são o equipamento deste exército. Vossa Mente é que o disciplina. Vossa Vontade, seu instrutor e comandante.”


“Noite passada estive lendo o Livro de Mirdad. É tão forte e tão belo que não pude parar de ler por horas. De repente senti uma mudança em minha respiração, me encontrei à beira das lágrimas e eu não sabia se era tristeza, desespero ou êxtase, ou os três ao mesmo tempo. Tentei descobrir lendo outra vez aquelas palavras, mas me dei conta de que minha mente não capturava o sentido apenas com  olhar. Como é possível que palavras que a mente não consegue entender possam nos tocar tão profundamente?” OSHO

Vídeo:
O Livro de Mirdad: Capítulo 27 - A Verdade deve ser pregada a todos





12 comentários:

  1. "O Homem continua a ser homem, tanto quando vivo como quando morto, até que ele compreenda sua unicidade com o Um. " Livro de Mirdad
    MUITO BOM!!

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  2. Congratulo-me com seu blogger por repassar de modo tão atrante o conteúdo de 'O Livro de Mirdad'... "Certa madrugada de 1965, acordei com a percepção clara de existir um Grande Trabalho em prol da libertação da humanidade, do qual participa obreiros de variados níveis de consciência. E orei pedindo que, embora cônscio da limitação e cegueira humanas, ansiava poder colaborar em algum segmento dessa Grande Obra... Antes mesmo do café da manhã, um companheiro de jornada espiritual procurou-me com rascunhos da tradução de ‘O Livro de Mirdad’. Mikhail Naimy cedera os direitos autorais à Escola Espiritual da Rosacruz Áurea, que o editaria pela primeira vez no Brasil. O aluno era Dieno Castanho, professor de inglês, tradutor e revisor de livros, e precisava de alguém que o ajudasse na revisão... Eu desconhecia a obra, e quis saber sobre o conteúdo, e passou-me o capítulo 11. E li: “O Amor é a Lei de Deus’: “Viveis para que aprendais a amar. Amais para aprender a viver. Nenhuma outra lição é exigida do homem”... As palavras repercutiram fundo em meu coração e os olhos marejaram-se de lágrimas. 'Soube' de imediato ser a resposta à prece daquele nascer do dia. Jamais podia imaginar que aprenderia tudo o que, muitos anos mais tarde, possibilitaria executar a tarefa espiritual de partilhar esse e outros textos de ensinamentos universais, em nossos bloggers!" (Campos de Raphael).

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    1. Carlos Campos de Raphael
      Ficamos honrados com sua visita a nosso espaço.
      Nosso Blog também tem como missão partilhar esse o outros textos com toda a sabedoria do universo, que de uma forma ou de outra, chega em nossas mãos.
      Abraços,
      Muito Além

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    2. Quem me pode dizer onde posso comprar o livro

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    3. Na livraria Saraiva. Custa uns R$ 65,00

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  3. Meu livro de cabeceira há quase três décadas.

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    1. Pode dizer-me onde posso adquirir o livro de Mirdad? Muito obrigada

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  4. Não conheço o livro .
    Primeira vez que entro neste blog.
    Vou procurar onde posso encontrar o referido livro .
    Paz Profunda .

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  5. Não conheço o livro .
    Primeira vez que entro neste blog.
    Vou procurar onde posso encontrar o referido livro .
    Paz Profunda .

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  6. Como e onde posso adquirir o livro,. meu nome Maria Silvéria dos Mártires
    mariasmartires@hotmail.com

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  7. Olá, eu comprei na livraria Saraiva on line ... $65

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  8. Impressionante! Esclarecedor! Grandes autores: Gibran e Naimy.

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