sexta-feira, 18 de abril de 2014

Encontramos outra Terra no Universo


Desde a descoberta do primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol, em 1995, a humanidade estava à espera deste anúncio. Finalmente ele chegou, com toda pompa e circunstância, num artigo publicado no periódico científico “Science”: encontramos um planeta praticamente idêntico à Terra orbitando outra estrela numa região que o torna capaz de abrigar água líquida — e vida — em sua superfície.

Kepler-186f: planeta foi analisado pelos telescópios Gêmeos Norte, de oito metros, e Keck II, de dez metros, ambos instalados em Mauna Kea, no Havaí.


Astrônomos anunciaram a descoberta de um planeta que é quase o mesmo tamanho da Terra e orbita sua estrela na zona habitável, isto é, na distância certa de sua estrela para ter água líquida em sua superfície. Não se sabe efetivamente como essa "Terra" é, mas isso mostra que estamos chegando perto e mais perto de encontrar outra Terra, e esta é a melhor aposta que temos encontrado até agora.

O anúncio foi feito na tarde de 17/04/2014 numa entrevista coletiva conduzida pela Nasa. O planeta orbita uma estrela chamada Kepler-186 e tem, segundo as estimativas, praticamente o mesmo diâmetro da Terra — 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 130 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela. Ou seja, um ano lá dura mais ou menos um terço do que dura o nosso.

Ele recebeu nome provisório de Kepler-186f e fica na constelação do Cisne, a cerca de 500 milhões de anos luz da Terra. 

Segundo a Nasa, os cientistas já encontraram outros planetas em zonas habitáveis. Mas eles são pelo menos 40% maiores do que a Terra. E entender sua composição é um desafio para a ciência. "A descoberta de Kepler-186F é um passo significativo no sentido de encontrar mundos como o nosso planeta Terra", disse Paul Hertz, diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa durante coletiva de imprensa.


O planeta foi analisado pelos telescópios Gemini North, de oito metros, e Keck II, de dez metros, ambos instalados em Mauna Kea, no Havaí.

"É extremamente difícil detectar e confirmar planetas do tamanho da Terra, e agora que encontramos um, queremos encontrar mais", disse em uma teleconferência Elisa Quintana, pesquisadora do Instituto para a Busca de Inteligência Extraterrestre (SETI).

"As observações de Keck e de Gemini combinadas com outros dados e cálculos numéricos nos permitem acreditar 99,98% que Kepler-186f é real", declarou Thomas Barclay, do Instituto de Pesquisa Ames, da Nasa.

Em fevereiro, a agência espacial americana anunciou que o telescópio Kepler, que orbita a 149,5 milhões de quilômetros da Terra há cinco anos, tinha acrescentado 715 exoplanetas à lista de mil corpos que orbitam estrelas a uma distância que torna possível a existência de água e, portanto, de vida.

A busca de planetas similares à Terra é uma das maiores aventuras na pesquisa espacial, e embora já tenham sido detectadas centenas de planetas do tamanho do nosso e outros menores, eles circulam em órbitas próximas demais de suas estrelas para que haja água líquida em sua superfície.

O Kepler-186f é o quinto e mais afastado de um sistema de cinco planetas, todos com tamanho parecido com o da Terra.


Kepler-186F orbita sua estrela uma vez a cada 130 dias e recebe dela um terço da energia que a Terra recebe do Sol. O brilho da sua estrela ao meio-dia na superfície do planeta é tão brilhante quanto o nosso Sol cerca de uma hora antes de anoitecer.

A intensidade e o espectro de radiação da estrela coloca o Kepler-186f na zona estelar habitável, ou seja, se o planeta tivesse uma atmosfera e água em sua superfície, como a Terra, essa água provavelmente existe em forma líquida.

A estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 500 anos-luz daqui. Um dos aspectos interessantes dessa descoberta em particular é que, além de estar na chamada zona habitável — região do sistema em que o planeta recebe a quantidade certa de radiação de sua estrela para manter uma temperatura adequada à existência de água líquida na superfície –, o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional. 


Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f, como foi batizado, teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra. Embora modelos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.

- Algumas pessoas chamam estes de “planetas habitáveis”, o que, claro, não temos ideia se de fato são – diz Stephen Kane, astrônomo da Universidade Estadual de San Francisco e líder da equipe internacional responsável pela descoberta, publicada na edição desta semana da revista “Science”. - Nós simplesmente sabemos que eles estão dentro da zona habitável, e que este é o melhor lugar para começar a procurar por planetas habitáveis.

"Nos últimos anos nós aprendemos que os planetas duas vezes maior que a Terra, tem tanta massa que eles têm uma espessa atmosfera de hidrogênio e hélio. Dessa forma eles se parecem com os gigantes gasosos que encontramos em nosso próprio sistema solar" diz Kane.

"Olhando para o tamanho do Kepler-186F, há uma pequena chance de que exista a atmosfera de hélio e gás. Mas as chances são muito maiores de que o planeta tenha uma superfície rochosa como a Terra."

Em 2002, Elisa Quintana, pesquisadora da Nasa, produziu uma série de simulações que mostravam que o sistema Alfa Centauri — o trio de estrelas mais próximos de nós, sem contar o Sol — podia abrigar planetas de tipo terrestre na zona habitável. 

Segundo a astrônoma Elisa Quintana, vai ser bem difícil conseguir mais detalhes sobre o nosso novo primo. “A luz da estrela é muito fraca para novos estudos, mesmo com grandes telescópios de última geração”, diz a cientista.


Trata-se de um momento histórico. A partir de agora, os astrônomos devem se concentrar cada vez mais na busca de outros mundos similares à Terra e a Kepler-186f, gerando alvos para futuras observações de caraterização — a efetiva análise da composição desses mundos e suas atmosferas –, em busca, quem sabe, de evidências de uma outra biosfera.


Planetas que orbitam em torno de estrelas fora do Sistema Solar não são novidade na astronomia. Só em zonas habitáveis, regiões onde as condições para a vida são mais favoráveis, há pelo menos 20 planetas já conhecidos. Mas, em comparação com outros, o Kepler-186f está em vantagem: não está nem muito perto, nem muito longe de sua estrela (assim como a Terra). O tamanho também conta. Planetas muito grandes normalmente são feitos de gás, como Júpiter. E, para os cientistas, é bem mais provável que exista vida em planetas sólidos. O Kepler-186f é só 10% maior que nós e, ao que tudo indica, também é rochoso.

Nosso planeta está prestes a ganhar muitas companhias. O próximo passo na busca de vida extraterrestre inclui analisar planetas gêmeos da Terra, como Kepler-186f. Assim, será possível medir as suas composições químicas em busca de indícios de que possa existir vida neles.



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