sábado, 15 de março de 2014

A HISTORIA DA BIBLIA



A Bíblia tem sido uma fonte de debates desde que Moisés trouxe do alto do monte Sinai os dez mandamentos entregues diretamente por intervenção divina. Há sempre aqueles que a adoram com fervor e fanatismo e aqueles que não acreditam em sua veracidade. Nada mal para o livro mais lido e distribuído ao redor de todo o mundo. Os segredos da Bíblia sempre despertaram curiosidade e interesse. Guardados a sete chaves, continuam instigando e levando a discussões polêmicas. A grande dificuldade, mesmo com o passar de tanto tempo, é conseguir respostas, juntar as peças para montar esse grande quebra-cabeça.

A Bíblia  é o texto religioso de valor sagrado para o Cristianismo e outras religiões, em que a interpretação religiosa do motivo da existência do homem na Terra sob a perspectiva judaica é narrada por humanos. É considerada pela Igreja como divinamente inspirada, sendo que trata-se de um documento doutrinário originalmente compilado pela Igreja Católica para orientação de suas doutrinas. Segundo a tradição, aceita pela maioria dos cristãos, a Bíblia foi escrita por 40 autores, entre 1445 e 450 a.C. (livros do Antigo Testamento) e 45 e 90 d.C. (livros do Novo Testamento), totalizando um período de quase 1600 anos. 



1- Origem e Formação da Bíblia:

A Bíblia foi escrita por aproximadamente 40 homens distintos uns dos outros, sendo alguns mestres e outros simples camponeses, em um período que totalizou cerca de 1600 anos. Provavelmente, a mais antiga parte escrita da Bíblia é o Cântico de Débora, que se encontra no livro dos Juízes (Jz, 5).O primeiro livro da Bíblia, Gênesis, foi escrito por volta de 1445 a.C. e o último livro, Apocalipse, por volta de 90 a 96 d.C. 

Quando os hebreus chegaram a Canaã, já havia na terra um certo desenvolvimento literário, como por exemplo, o alfabeto fenício (do qual se derivou o hebraico), que já existia no século XIV a. C. Os judeus chegaram lá por volta do século XIII a.C. Outro documento desta época é o calendário de Gezér, que data mais ou menos do ano 1000 a.C. É uma indicação de datas para uso dos agricultores. É o documento mais antigo encontrado na Palestina. 

Outro documento também muito antigo é o sarcófago do Rei Airam, que contém uma inscrição e foi encontrado nos séculos XIV ou XV a. C., em Biblos. Há ainda umas tabuletas encontradas em Ugarit (em 1929), onde estão escritos uns poemas semelhantes aos salmos, datando dos séculos XIV ou XV a. C.

Além destes, há outros documentos provando que já havia uma escrita na Palestina, antes dos hebreus chegarem lá. A inscrição do túmulo de Siloé (700 a. C.), explicando como foi feito; os "óstracon", de Samaria, onde há uma espécie de carta diplomática, são documentos que provam a continuidade de uma atividade literária. Em Juizes 8,14, o autor descreve um acontecimento ocorrido mais ou menos em 1100 a.C. 

A parte mais antiga da Bíblia remonta justamente deste tempo (1100 a.C.), quando a escrita ainda não estava bem definida, e é oral. Desde este tempo já se fora criando uma tradição, que existia oralmente e era transmitida aos novos pelos mais velhos nas reuniões que havia nos santuários. Por este tempo, só eram relatados os acontecimentos do deserto, do Sinai, da aliança de Deus com o povo. Mas os jovens queriam saber o que havia acontecido antes disto. Então foram sendo compostas as histórias dos Patriarcas. Mas, e antes deles, antes de Abraão? Passaram à história da criação do mundo. Por isso, se afirma que a parte mais antiga da Bíblia é o Cântico de Débora, no livro dos Juizes. A partir daí, fez-se um retrospecto didático-histórico.



2- A Propagação da Palavra Séculos Depois

a) A data e a autoria da Bíblia:
A Bíblia Sagrada narra a história um período de 1.600 anos [desde a criação do mundo, até o Apocalipse de João em 95dc, aproximadamente]; ela foi escrita por cerca de 40 autores, inspirados por Deus, que viveram em lugares e épocas diferentes, e não se conheciam; mesmo assim, nela não há nenhuma contradição.

b) As língüas originais:

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção apenas de alguns trechos escritos em Aramaico. O Novo Testamento foi escrito em grego.
As línguas originais da Bíblia são portanto: o hebraico, o aramaico (de origem comum ao hebraico) e o grego. 
Na época de Jesus a língua falada na Palestina era o aramaico, o hebraico era usado apenas na liturgia (nas sinagogas e no Templo). A língua oficial do “Império Romano” era o latim, mas, a língua falada pelo povo em todo Império era o grego coenê, disseminado por Alexandre o Grande durante as suas conquistas.
O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, porém, o aramaico foi encontrado em seções do livro de Daniel (2:4b-7:28) e Esdras (4:8-6:18; 7:12-26). Algumas excreções aramaicas também são encontradas em Gênesis (31:47) e Jeremias (10:11).

O Novo Testamento foi escrito em grego coenê, o hebraico também foi usado em certas passagens como João (5:2; 19:13, 17, 20; 20:16; Ap.9:11; 16:16).



3. Os Intérpretes - Profetas e Sábios

Durante muito tempo, os profetas foram os orientadores do povo de Deus. Os livros proféticos resumem os seus ensinamentos, e na sua maioria foram escritos só mais tarde, por seus seguidores. Somente por volta do ano 200 a.C. é que foram redigidos os livros proféticos. Os livros Sapienciais foram o resultado de um estilo literário que esteve em moda durante muito tempo, na época posterior ao exílio. São umas reflexões humanistico-religiosas. Passados os profetas, surgiram os sábios que raciocinavam sobre as coisas da natureza, tirando delas ensinamentos para a vida. Foram acrescentados aos livros sagrados nos últimos séculos a.C., sendo os mais recentes livros do AT.


4. A nova tradição da era cristã

O NT não foi escrito com a finalidade de ser acrescentado à Bíblia. No tempo de Cristo e dos Apóstolos, o livro sagrado era apenas o AT. O próprio Jesus Cristo se baseava nele em suas pregações. E Ele mandou apenas pregar, e não escrever. Foi quando uma nova tradição oral foi se formando. E após a morte de Cristo, os apóstolos saíram pregando.

Mas veio a necessidade de congregar outras pessoas para o anúncio, em vista do grande número de comunidades existentes. Então, começaram a escrever. Mais tarde, com a aceitação também de cidadãos estrangeiros nas comunidades, a mensagem precisou ser traduzida e adaptada. Além disso, o próprio povo necessitava de uma escrita (doutrina escrita) para se conservar una, após a morte dos Apóstolos. Esta redação, no início, era apenas de alguns escritos esparsos, que só depois de algum tempo foram juntos em livros. 

Exemplo disso está em Mc 2, uma série de disputas de JC com os Judeus, onde se vê claramente que foi recolhida de escritos separados. Também em João se lê: "Muitas outras coisas Jesus fez que não foram escritas..." (Jo 21,24) Isto significa que só foram escritas aquelas mensagens que teriam utilidade, conforme as necessidades momentâneas.

O evangelho de Marcos, o primeiro a ser escrito, data dos anos 60 ou 70 d.C.; os de Lucas e Mateus, são de 70 ou 80, o que significa que somente após uns 40 anos da morte de JC sua palavra começou a ser escrita. 0 Evangelho de João só foi escrito em torno do ano 100 d.C. 

Antigamente, se acreditava ser Mateus o autor do primeiro Evangelho. Mas a critica histórica mostra que o de Marcos foi anterior. Aliás, a respeito deste evangelho de Mateus, não se sabe ao certo quem é o seu autor. Foi atribuído a Mateus, apenas por uma tradição e também por uma praxe da época de se atribuir um escrito a alguém mais conhecido e famoso, para que a obra tivesse mais autoridade.



5- A montagem da Bíblia:

Ao longo dos anos, os arqueólogos foram encontrando, pouco a pouco, os rolos escritos em papiro [folhas de uma planta] e pergaminho [pele de animal] e juntaram-os como sendo um único livro.Todos os manuscritos originais do Antigo e do Novo testamento foram perdidos; os textos existentes hoje nas língüas originais são baseados em cópias dos documentos autênticos. Até pouco tempo atrás, o manuscrito completo do Antigo Testamento mais antigo era de 916dC. Em 1946, foram achados vários manuscritos desses livros em onze cavernas de Qumram [situado a 2 quilômetros do oeste do extremo norte do mar Morto]. A maior parte desses manuscritos é do primeiro século a.C. e do primeiro século d.C. Foram encontrados ali manuscritos quase inteiros, sendo os de Isaías os mais famosos, com partes de todos os livros do Antigo Testamento, menos de Ester. 

Além dos livros bíblicos, foram achados também fragmentos de livros apócrifos [obras literárias com conteúdo teológico, escritas na mesma época dos textos Sagrados, que não foram consideradas como inspiradas por Deus para fazerem parte da Bíblia] e de outros livros da seita dos Essênios [Seita do tempo de Cristo: Mais ou menos quatro mil homens que obedeciam rigorosamente a lei de Moisés. Uns moravam em cidades, porém a maioria vivia em grupos, no deserto de En-Gedi. Eles não são mencionados na Bíblia], que ali os escondeu. Esses manuscritos são de grande importância para o estudo do texto original do Antigo Testamento, como também para se recompor o panorama histórico da época do início Novo Testamento.




6- As primeiras versões:

No ano 382dC, começou a ser elaborada a Vulgata Latina [tradução para o latim] por Jerônimo, a pedido de Dâmaso, que era o papa daquela época; este trabalho somente foi concluído em 404dC. A primeira versão da Bíblia escrita em português, foi o Novo Testamento, traduzido por João Ferreira de Almeida em 1681.


7- A divisão em capítulos e versículos:

O primeiro texto hebraico do Antigo Testamento foi dividido em versículos entre os séculos IX e X a.C., por estudiosos judeus chamados de massoretas; eles concluíram este trabalho por volta de 1230aC. Em 1551, na frança, um impressor chamado Robert d'etiénne dividiu o Novo Testamento em versículos. Mas, no século XII, é que finalmente a Bíblia Sagrada foi totalmente divida em capítulos pelo teólogo inglês Stephen Langhton. 

Até o século XVI, as bíblias eram publicadas somente com a divisão em capítulos. Somente em 1560 é que foi publicada a primeira bíblia com os textos divididos em versículos [a Bíblia de Genebra, lançada na Suiça]. 

A primeira versão da Bíblia em português [o Novo Testamento, traduzido por João Ferreira de Almeida em 1681], já foi lançada dividida em capítulos e versículos. A divisão dos textos do Livro Sagrado foi criada para facilitar a memorização e a localização de cada trecho da Palavra de Deus, facilitando assim, nosso estudo e nossa meditação. 


8. Entendendo algumas dificuldades concretas

Durante o tempo anterior á escrita dos Evangelhos, havia apenas a pregação dos Apóstolos, recordando os fatos da vida de Cristo, todavia eram fatos esparsos, sem nenhuma preocupação com seqüência ou unidade. Por isso os Evangelhos, que foram esta pregação escrita, se contradizem em algumas datas, o que mostra a pouca importância dada à cronologia. Os fatos eram recordados e aplicados, conforme as necessidades. Assim, até entre os Evangelhos sinóticos, que seguiram a mesma fonte, há diversificações. Por exemplo, no Sermão da Montanha, em Lucas fala "bem aventurados os pobres"; e em Mateus, "bem aventurados os pobres de espírito". A diferença consiste no seguinte: Lucas deu um sentido social, mais importante para as comunidades gregas, para as quais escrevia. Mas o de Mateus destinava-se às comunidades judias e queria combater uma doutrina dos judeus que tinham uma idéia falsa de pobreza. Para eles, o próprio fato de a pessoa ser pobre, já lhe garantia a salvação, enquanto outra pessoa, pelo simples fato de ser rica, já estava condenada. Por causa disso ele escreveu "pobres de espírito".

Outro ponto de discordância é o caso da cura de um cego. Mateus diz "um cego, na saída de Jericó"; e Lucas "dois cegos, na entrada de Jericó". 0 fato da 'entrada' e 'saída' pode ser explicado pela existência de duas cidades chamadas Jericó. 0 fato de serem um ou mais cegos explica-se pelo seguinte: era comum naquele tempo os cegos formarem grupos em torno de um cego-lider; e o nome deste geralmente era o do grupo. No entanto, estes detalhes pouco importam ao evangelho. 0 seu interesse é a apresentação da mensagem (evangélion = boa nova).


9. A fonte comum

Os Evangelistas sinóticos se basearam no Evangelho de Marcos e noutra fonte, convencionada por fonte "Q", simbolizando os inúmeros escritos esparsos de que já tratamos. Espalharam cópias destes por outras partes do mundo. Lucas, Mateus, cada um em lugares diferentes, se inspiraram nos escritos disponíveis e inclusive no evangelho de Marcos, que na época já havia sido escrito. O fato do primeiro Evangelho ser atribuído anteriormente a Mateus se deve a uma afirmação de Eusébio de que Mateus escrevera a "logia" do Senhor em aramaico. 

Mas a crítica histórica provou que o Evangelho que conhecemos não traz apenas a "logia" do Senhor e não foi escrito em aramaico, e sim em grego. Portanto a noticia de Eusébio se refere a outro escrito, e não a este evangelho. Nada impede, porém, que tenha sido escrito por discípulos de Mateus e atribuído ao Mestre. Aliás, a respeito de "Evangelho", o primeiro a usar esta palavra para indicar as memórias dos Apóstolos foi S. Justino, em 130 d.C.


10. As Cartas

As cartas de Paulo foram enviadas para serem lidas em público. Em I Tes 5, 27 há uma alusão a isto. Havia também o intercâmbio das cartas, como se lê em Col 4,16: "mostrem esta carta para Laodicéia e tragam a de lá para vocês". Aos poucos as cartas foram colecionadas, e no fim do I século já se tem notícia delas, quando em II Ped 3,15 se lê: "...nosso irmão Paulo vos escreveu conforme o dom que lhe foi dado... " As cartas de Paulo foram os primeiros escritos do NT. Não se sabe quando os Evangelhos e elas foram acoplados, mas já no fim do I século estavam reunidos num só livro.

As Epistolas Católicas (universais) são chamadas assim por se destinarem à Igreja em geral, e não a tal ou qual comunidade, como fizera Paulo. Elas também se originaram da necessidade pastoral, e já no começo do II século estavam incorporadas aos outros escritos do NT. Os Atos dos Apóstolos podem ser considerados a continuação do terceiro Evangelho, pois também foi escrito por Lucas. E o Apocalipse de S.João, livro profético, foi acrescentado por último.

Nos escritos do NT, freqüentemente se encontram citações do AT. É que muitas vezes os Apóstolos queriam tirar dúvidas sobre certas passagens, que tinham falsa interpretação. Nas assembléias, eram lidos escritos do AT e do NT, para explicá-los. 




11. O Cânon Sagrado e o Concílio de Nicéia

Os evangelhos que estão na Bíblia fazem parte de um conjunto muito maior de evangelhos. Foram selecionados no primeiro concílio da Igreja Católica, o CONCÍLIO DE NICÉIA convocado pelo primeiro imperador católico Constantino que adotou o Cristianismo, uma doutrina que se propagava no mundo ROMANO dominado por volta do ano 300dc. Foi na verdade uma ação que teve fundo mais político do que realmente devocional. Até então os cristãos eram perseguidos e jogados aos Leões.

No século IV, a Igreja se reuniu em Concilio em Nicéia, e uma das tarefas era organizar o "cânon", ou a lista de livros sagrados considerados autênticos. Neste Concilio, os livros foram estudados e se investigou quais os que sempre foram lidos nos cultos e sempre foram considerados legítimos. E se estabeleceu a ordem ainda hoje conservada. O motivo pelo qual alguns livros foram postos em dúvida era a grande quantidade de livros apócrifos, que fazia com que se duvidasse dos verdadeiros. Havia muitos livros que os judeus não aceitavam. Então os Ss. Padres ponderaram os prós e contras e definiram a lista que foi aprovada.

A palavra “cânon” vem do termo grego “kanon” que significa “cana’, ou seja” uma vara reta “ou” um padrão de medida “. Daí deriva o significado secundário que se refere a uma regra ou padrão de conduta uma forma de lei. O sentido metafórico da palavra cânon é empregado para significar” aquilo que é conforme a regra ou medida “. 


Logo veio a ser utilizada significando um padrão de opinião e de conduta, sendo finalmente aplicada aos livros da Bíblia. Assim sendo, o cânon da Bíblia consiste naqueles livros considerados com méritos incluídos nas Sagradas Escrituras. Livros que foram medidos, foram declarados satisfatórios e aprovados pelos Pais da Igreja como tendo sido inspirados por Deus.



No ano de 324 Constantino era o único Senhor do Império Romano. A Igreja estava livre, enfim, das perseguições. Mas foi exatamente então que começaram a surgir problemas dentro da própria Igreja. Em Alexandria, um dos mais notáveis centros da Cristandade, explodira uma disputa teológica entre um padre chamado Árius e seu Bispo. 


Tomando Constantino conhecimento dessa discussão herética e do perigo iminente de cisão na Igreja, promoveu a convocação de um Concílio que se realizou na cidade de Nicéia da Bitínia, próxima de Constantinopla, em 325.

Como ficou na história, o Concílio foi um acontecimento impressionante, um dos grandes marcos da vida da Igreja. Acorreram Bispos da Ásia Menor, Palestina, Egito, Síria, e até Bispos de fora do Império Romano, ou seja, de todos os lugares onde a Cristandade tinha se estabelecido com vigor, como a longínqua Índia e a Mesopotâmia, além de delegados da África do Norte. O Papa Silvestre, Bispo de Roma que já estava ancião e impossibilitado de comparecer pessoalmente, mandara dois presbíteros como seus delegados. Estiveram presentes ao Concílio 320 Bispos, mais grande número de presbíteros, diáconos e leigos. Apoiado por um pequeno numero de presentes, foi redigido o Credo de Nicéia que confirmava a verdade em que a Cristandade unida, à exceção dos seguidores de Árius, sempre acreditara: Jesus Cristo, Deus Encarnado, é ponto fundamental do Cristianismo.

Após Constantino ter explicitamente ordenado o curso das negociações, ele confiou o controle dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo. O Imperador manipulou, pressionou e ameaçou os partícipes do Concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, e não em algum consenso a que os bispos chegassem. Dois dos bispos que votaram a favor de Arius foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte.


Mas a decisão da Assembléia não foi unânime, e a influência do imperador era claramente evidente quando diversos bispos de Egito foram expulsos devido à sua oposição ao credo. Na realidade, as decisões de Nicéia foram fruto de uma minoria. Foram mal entendidas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Árius. 

Posteriormente, 90 bispos elaboraram outro credo (O "Credo da Dedicação") em, 341, para substituir o de Nicéia. (...) E em 357, um Concílio em Smirna adotou um credo autenticamente ariano.

Portanto, as orientações de Constantino nessa etapa foram decisivas para que o Concílio promulgasse o credo de Nicéia, ou a Divindade de Cristo, em 19 de Junho de 325. E com isso, veio a conseqüente instituição da Santíssima Trindade.

A concepção da Trindade, tão incompreensível, oferecia grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia a Jesus, que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor recaia sobre a própria Igreja católica e assegurava o seu poder, exatamente como foi planejado por Constantino. Essa estratégia revela o segredo da adoção trinitária pelo concílio de Nicéia.


Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu (depois de ser batizado por um bispo arianista), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.


"O cânon foi estabelecido para unificar a fé cristã, delimitar o que era dito a respeito de Deus e seu Filho e para reforçar seus dogmas. Aqueles textos que, segundo a Igreja, não têm autoria de um apóstolo (caso dos evangelhos) ou têm conteúdo divergente do texto bíblico, não podem ser considerados sagrados", diz Jonas Lopes, doutor em Teologia e Ciências da Religião e pesquisador de textos apócrifos cristãos.


12-Religiões abraâmicas:

Abraão é um personagem bíblico citado no Livro do Gênesis a partir do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade.

As três principais religiões abraâmicas são, em ordem cronológica de fundação, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. O judaísmo considera-se como a religião dos descendentes de Jacó, um neto de Abraão. Ele tem uma visão estritamente unitária de Deus e o seu livro sagrado central para quase todos os ramos é a Bíblia Hebraica, como elucidado na lei oral. 

O cristianismo começou como uma seita do judaísmo no século I d.C. e evoluiu para uma religião separada, a Igreja Cristã, com crenças e práticas distintas. Jesus é a figura central do cristianismo, considerado por quase todas as denominações como de origem divina, tipicamente como a personificação de um Deus Trino.

A Bíblia Cristã é geralmente considerada a autoridade máxima, juntamente com a Sagrada Tradição em algumas denominações apostólicas, tais como o protestantismo, o catolicismo romano e a ortodoxia oriental. 

O islã surgiu na Arábia no século VII d.C., com uma visão estritamente unitária de Deus. Os muçulmanos (seguidores do islã) tipicamente apontam o Alcorão como a autoridade máxima de sua religião, como revelado e esclarecido através dos ensinamentos e práticas de um central, mas não divino, profeta, Maomé.

As três principais religiões abraâmicas têm certas semelhanças. Todas são monoteístas e concebem Deus como uma figura de um criador transcendente e a fonte da lei moral, e as características de suas narrativas sagradas partilham muitos dos mesmos valores, histórias e lugares, embora muitas vezes apresente-os com diferentes funções, perspectivas e significados. Elas também têm muitas diferenças internas com base em detalhes de doutrina e prática.


Judaísmo
Conta a História que : “A importância histórica dos hebreus encontra-se em sua religião: a primeira experiência monoteísta vitoriosa. Provavelmente influenciados pela reforma do faraó Aquenáton, pois naquele momento encontravam-se no Egito...”

Judaísmo é uma das três principais religiões abraâmicas, definida como a "religião, filosofia e modo de vida" do povo judeu.O judaísmo afirma uma continuidade histórica que abrange mais de 3.000 anos. É uma das mais antigas religiões monoteístas e a mais antiga das três grandes religiões abraâmicas que sobrevive até os dias atuais. Os hebreus/israelitas já foram referidos como judeus nos livros posteriores ao Tanakh, como o Livro de Ester, com o termo judeus substituindo a expressão "Filhos de Israel." Os textos, tradições e valores do judaísmo foram fortemente influenciados mais tarde por outras religiões abraâmicas, incluindo o cristianismo e o islamismo.



Cristianismo
Que herdou parte de sua doutrina e dogmas do judaísmo, acrescentando aos textos judaicos do Antigo Testamento, o Novo Testamento com a doutrina de Jesus.

Cristianismo é uma religião abraâmica monoteísta centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento. A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor. 


Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos, acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). A teologia cristã ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o caminho para o céu aos humanos; Os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos seus seguidores. 

Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma vida virtuosa, e tanto como o revelador quanto a encarnação de Deus. Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos.


Islamismo
Maomé, nascido na cidade de Meca na Arábia, entra em contato com a cultura judaico-cristã, e conta a lenda que inspirado por Deus e tendo como base de sua doutrina o Antigo Testamento escreve o Alcorão – o Livro Sagrado do Islã.

O Alcorão é um livro venerado por mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Os muçulmanos creem que suas escrituras sagradas é a palavra eterna e literal de Deus, que já existia no céu, e que foi revelada pouco a pouco ao profeta Maomé, em árabe, pelo anjo Gabriel, num intervalo de 23 anos. Por ser a revelação final de Deus depois de ter revelado a Tora a Moisés e os Evangelhos a Jesus, é considerada por alguns, a mais importante das escrituras sagradas.



As escrituras sagradas da bíblia são utilizadas por diversas religiões, com propósitos e contextos distintos:

As diversas igrejas cristãs possuem algumas divergências quanto aos seus cânones sagrados. Inclusive protestantes entre protestantes.

A Igreja Católica possui 46 livros no Antigo Testamento como parte de seu cânone bíblico. 
Os livros de Livro de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, I Macabeus e II Macabeus e as chamadas Adições em Ester e Adições em Daniel) são considerados "deuterocanônicos" (ou "do segundo cânon") pela Igreja Católica. Além disso, existem 27 livros no Novo Testamento.


As igrejas cristãs ortodoxas e as outras igrejas orientais, aceitam, além de todos estes já citados, outros dois livros de Esdras, outros dois dos Macabeus, a Oração de Manassés, e alguns capítulos a mais no final do livro dos Salmos (um nas Bíblias das igrejas de tradição grega, cóptica, eslava e bizantina, e cinco nas Bíblias das igrejas de tradição siríaca).

Os judeus têm o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio) como importante livro, o qual chamam de Torá.

O Alcorão, livro mais importante do Islã, possui várias passagens em coincidência com o antigo testamento.


Os Espíritas consideram a Primeira Aliança como um livro histórico, e têm sua doutrina fundamentada no Evangelho segundo o Espiritismo (que possui referências à passagens da Bíblia) e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

A diferença entre a Bíblia católica e a protestante:



Demoraram alguns séculos para que a Igreja Católica chegasse à forma final da Bíblia, com os 72 livros como temos hoje. Em vários Concílios, ao longo da história, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo, estudou e definiu o Índice (cânon) da Bíblia; uma vez que nenhum de seus livros traz o seu Índice. Foi a Igreja Católica quem berçou a Bíblia. Garante-nos o Catecismo da Igreja e o Concílio Vaticano II que: “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (Dei Verbum 8; CIC,120). Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica.” 
De fato, o Novo Testamento contém 27 livros tanto na Bíblia católica quanto na protestante: ele se inicia no Evangelho de Mateus e termina no Apocalipse. O número de livros do Antigo Testamento, porém, é destoante.
O cânon (lista) católico contém 46 livros e o protestante, 39. Neste, estão ausentes os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (Sirácida ou Sirac), I Macabeus e II Macabeus. Além disso, faltam alguns fragmentos dos livros de Ester e de Daniel.

Por que faltam estes trechos sagrados na Bíblia dos protestantes? A Igreja Católica, além das Sagradas Escrituras e da Tradição, está embasada também no Magistério. Este garante que o Evangelho transmitido e a fé professada são os mesmos ensinados por Cristo ao longo do tempo. Inicialmente, ele foi formado por pessoas escolhidas pelo próprio Jesus, os Apóstolos, cujos sucessores são, hoje, os responsáveis por confirmarem os irmãos e garantirem a guarda do depósito da fé.



A diferença ocorre porque durante a Reforma Protestante, Martinho Lutero e seus adeptos resolveram excluir os livros Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Baruque, Sabedoria de Salomão e Eclesiástico (ou Sirácida), que não deve ser confundido com o livro de Eclesiastes.

Durante a Reforma Protestante foi decidido que esses livros seriam banidos da Bíblia usada pelas igrejas que surgissem a partir dali pois eles haviam sido recusados pelos rabinos judeus como sendo sagrados, durante um Sínodo (espécie de Concílio) e seriam inconsistentes com a declaração de fé protestante.

Há também capítulos de livros que constam da Bíblia protestante que foram removidos, como os capítulos 13 e 14 do livro de Daniel e os versículos 4 a 16 do capítulo 10 do livro de Ester, assim como os capítulos 11 a 16 do mesmo livro. Existem ainda livros que são considerados apócrifos, e que não constam nem na Bíblia protestante, nem na católica.

Tanakh - A "biblia" Judaica


Tanakh ou Tanach é um acrônimo utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto principal de livros sagrados, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia judaica.

O conteúdo do Tanakh é equivalente ao Antigo Testamento cristão, porém com outra divisão. De acordo com a tradição judaica, o Tanakh consiste de vinte e quatro livros. 

A divisão refletida pelo acrônimo Tanakh está atestada em documentos do período do Segundo Templo e na literatura rabínica. Durante aquele período, entretanto, o acrônimo Tanakh não era usado, sendo que o termo apropriado era Mikra ("Leitura"). Este termo continua sendo usado em nossos dias, junto com Tanakh, em referência as escrituras hebraicas.

De acordo coma tradição dos judeus a Bíblia Judaica é composta de 24 livros que se agrupam em 3 conjuntos: A Lei ou Instrução (de Moisés), Os Profetas e Os Escritos. Os livros de 1 e 2 Samuel, são reunidos em um só livro, e 1 Reis e 2 Reis, também são considerados um só livro, assim como os 12 profetas "menores" estão em um só livro - "Os 12 profetas".

Esses vinte e quatro livros são os mesmos livros encontrados no Antigo Testamento protestante, mas sua ordem é diferente. A enumeração também difere: os cristãos contam esses livros como trinta e nove, pois contam como vários alguns livros que os judeus contam como um só.

O termo Velho Testamento, apesar de comum, é muitas vezes considerado pejorativo pelos judeus, pois pode ser interpretado como inferior ou antiquado. Já a expressão Bíblia hebraica é adotada por alguns estudiosos para indicar que existe uma equivalência entre o Tanakh e o Antigo Testamento, tentando evitar algum sectarismo.



Os Antigos Testamentos católico e ortodoxo contêm seis livros que não estão incluídos no Tanakh. Eles são chamados deuterocanônicos por ter tido sua canonicidade contestada por alguns dos Padres da Igreja, mas por fim foram decretados inspirados em concílio. Todavia, tais livros sempre fizeram parte da literatura hebraica, sendo estudados nas sinagogas, tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história de Israel, como é o caso de I Macabeus e II Macabeus, os quais narram a heróica resistência ao helenismo na Palestina.


Nas bíblias das Igrejas Católica Romana e Ortodoxas, Daniel e o Livro de Esther podem incluir material deuterocanônico que não está na Tanakh ou no Antigo Testamento protestante.



A Torah:
A palavra Torah tem dois sentidos na tradição judaica. No sentido lato,  a Torah é o modo de viver, ou “Toda a vastidão e variedade da tradição judaica”. É sinônimo de ciência, sabedoria, amor a Deus. Sem ela, a vida não tem sentido nem valor.


Em senso mais estrito, a Torah é o mais reverenciado e sagrado objeto do ritual judaico, o belo rolo manuscrito dos Cinco Livros de Moisés (a Bíblia, do Gênesis até o Deuteronômio) que se conserva na Arca da Sinagoga. A Torah foi escrita em hebraico, pelo profeta Moisés, no período entre 1506 e 1466 antes de Cristo.

O Livro da Lei (Sêfer Torah) foi escrito em um rolo de pergaminho, e até hoje existem muitas cópias do Livro da Lei (Sêfer Torah) em forma de rolo.

O Alcorão - Islâmico



O Islamismo é um sistema religioso fundado no início do século 7 por um homem chamado Maomé. Os muçulmanos seguem os ensinamentos do Alcorão e tentam seguir os Cinco Pilares.

No sétimo século, Maomé clamou ter recebido uma visita do anjo Gabriel. Durante essas visitas do anjo, as quais continuaram por cerca de 23 anos até a morte de Maomé, o anjo aparentemente revelou a Maomé as palavras de Alá (a palavra árabe usada pelos muçulmanos para “Deus”). Essas revelações ditadas formam o que hoje conhecemos de Corão ou Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. Islã significa "submissão", derivando de uma raiz que significa "paz". A palavra muçulmano significa "aquele que se submete a Alá".

Alcorão ou Corão é portanto a "biblia", o livro sagrado do Islã. Os muçulmanos creem que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad). A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.
É um dos livros mais lidos e publicados no mundo. É prática generalizada na maioria das sociedades muçulmanas que o Alcorão não seja vendido, mas sim dado.

O Evangelho segundo o Espiritismo:



O Evangelho segundo o Espiritismo (em língua francesa L'Évangile Selon le Spiritisme) é um livro espírita francês. De autoria de Allan Kardec, foi publicado em Paris em abril de 1864. É uma das obras básicas do espiritismo, e dentre elas a que dá maior enfoque a questões éticas e comportamentais do ser humano.


Nela são abordados os Evangelhos canônicos sob a óptica da Doutrina Espírita, tratando com atenção especial a aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosa como a da prece e da caridade.

Na introdução da obra, Kardec divide didaticamente os relatos contidos nos Evangelhos canônicos em cinco partes: os atos ordinários da vida de Jesus, os milagres, as predições, as palavras que serviram de base aos dogmas, e os ensinamentos morais. Segundo Kardec, se as quatro primeiras foram, ao longo da história, objeto de grandes controvérsias, a última tem sido ponto pacífico para a maior parte dos estudiosos.

Assim, é especificamente sobre essa parte que Kardec lança o olhar espírita. Longe de pretender criar uma "Bíblia espírita" ou mesmo de objetivar uma reinterpretação espírita desse livro sagrado, Kardec se empenha em extrair dos Evangelhos princípios de ordem ético-moral universais, e em demonstrar sua consonância com aqueles defendidos pelo espiritismo. 


A obra traz ainda um estudo sobre o papel de precursores do cristianismo e do espiritismo, como por exemplo Sócrates e Platão, analisando diversas passagens legadas por estes filósofos que demonstrariam claramente essa condição.


Os evangelhos apócrifos:



Etimologicamente, o termo “apócrifo” significa: “oculto”, “escondido”. É usado para designar os 14 ou 15 livros, ou partes de livros que, em algum tempo, foram colocados entre os livros do Velho e do Novo Testamento. Eles aparecem anexados nas versões Septuaginta e Vulgata Latina.
O vocábulo tem sido empregado de forma diferente por católicos e protestantes:

Para os protestantes “apócrifo” designa o conjunto de livros ou porções de livros que não fazia parte do cânon (lista de livros inspirados) hebraico;
Para os católicos “Apócrifo” se refere aos livros que os estudiosos protestantes chamam de pseudo-epígrafos.

Os Evangelhos apócrifos são livros que descrevem a vida de Jesus, mas que a maioria das igrejas cristãs consideram ilegítimos. Por isso, eles não entram no cânon - conjunto de textos considerados sagrados - da Bíblia. Além dos evangelhos, porém, há outros tipos de apócrifos que descrevem, por exemplo, a origem e o fim do mundo, como fazem o Gênesis e o Apocalipse bíblicos, respectivamente.



Ao contrário do que muitas organizações religiosas dizem, que os apócrifos seriam “escritos não inspirados”, portanto falsos, a verdade é que os apócrifos nada mais são do que documentos que não fazem parte do cânone bíblico judaico ou cristão – atual. Segundo Maria Helena de Oliveira Tricca – a compiladora da obra “Apócrifos, os Proscritos da Bíblia” – “Muitos dos chamados textos apócrifos já fizeram parte da Bíblia, mas ao longo dos sucessivos concílios acabaram sendo eliminados.”

É preciso lembrar também que foram os padres da “Santa Igreja” quem escolheram, sempre com muita briga, quais os evangelhos que eram “divinamente inspirados” e quais não eram.  O Concílio mais famoso, o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, foi realizado em Nicéia, uma província da Anatólia, Turquia. Neste concílio ocorreu a primeira seleção de quais os evangelhos seriam os canônicos e quais seriam apócrifos. 

Mesmo as bíblias cristãs evangélicas ou de outras vertentes cristãs, nada mais são que modificações da Bíblia como escolhida pelos primeiros padres. Algumas diferenças nas traduções, alguns textos a mais ou a menos, mas no fundo, baseadas nas mesmas Escrituras selecionadas pelos primeiros líderes da “Santa Igreja”. 

Por 2 mil anos, acreditamos que as únicas fontes sobre a vida de Jesus eram os 4 evangelhos canônicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas, nos últimos 50 anos, vimos que eles são apenas um pequeno exemplo entre vários textos que foram escritos nos primeiros séculos após a crucificação”, diz Elaine Pagels, professora de religião na Universidade de Princeton.




Existem pouco mais de 50 evangelhos apócrifos. Alguns são muito antigos; outros são descobertas recentes, como os escritos de Nag Hammadi (1945). Esses textos continham traduções originais do grego ao copto, que contêm evangelhos apócrifos chamados de Tomé e Felipe, um “Apocalipse de Paulo”, tratados teológicos e palavras atribuídas a Jesus.

Alguns especialistas, atendendo ao seu conteúdo, costumam classificar os evangelhos apócrifos em 4 grupos:

- Evangelhos da infância: narram o nascimento de Jesus e os milagres realizados durante a sua infância.

- Evangelhos de logia: são coleções de ditados e ensinamentos de Jesus, sem um contexto narrativo. 

- Evangelhos da Paixão e Ressurreição: tentam completar os relatos da Morte e Ressurreição de Jesus.

- Diálogos do Ressuscitado: recolhem ensinamentos do Ressuscitado a algum dos seus discípulos. 

Os apócrifos mais conhecidos são: “Evangelho de Pedro”, “Evangelho segundo Tomé”, os “Evangelhos da Infância de Tomé”, “Evangelho de Bartolomeu”, “Evangelho de Maria Madalena”, “Evangelho segundo os Hebreus”, “Evangelho de Taciano” (ou Diatessaron), “Evangelho do Pseudo Mateus”, “Evangelho Árabe da Infância”, “Evangelho da Natividade de Maria”, “Evangelho de Felipe”, “Evangelho de Valentino” (Pistis Sophia), “Evangelho de Amônio”, “Evangelho da Vingança do Salvador” (Vindicta Salvatoris), “Evangelho da Morte de Pilatos” (Mors Pilati), “Evangelho segundo Judas Iscariotes” e o “Protoevangelho de Tiago”.

Alguns evangelhos apócrifos são conhecidos há muito tempo. Outros foram descobertos recentemente, como no caso dos Papiros de Oxirrinco, procedentes da escavação arqueológica realizada pelos ingleses S. P. Grenfell e S. Hunt em 1897, na atual El-Bahnasa (Egito).



O mais importante acontecimento recente no campo dos escritos apócrifos ocorreu com a descoberta, por parte de camponeses – em um povoado egípcio chamado Nag Hammadi, em dezembro de 1945 –, de cerca de mil páginas em papiro: 53 textos divididos em códigos, cuja antiguidade remonta provavelmente ao século IV d.C.

Às vezes, os apócrifos proporcionam detalhes que descrevem a sensibilidade dos cristãos dos primeiros séculos ou que confirmam os dados contidos nos evangelhos canônicos. Ainda que não contenham fontes escriturísticas de primeira mão, os evangelhos apócrifos podem ser úteis para confirmar alguns dados relatados pelos quatro evangelistas. Em outros casos, o valor dos apócrifos consiste em refletir a mentalidade do ambiente em que se originaram.


Por exemplo, o “Evangelho de Pedro”, composto em meados do século II, oferece, ainda que com detalhes estranhos, uma descrição do momento preciso da Ressurreição de Cristo. O relato reflete a necessidade que as pessoas tinham, especialmente os cristãos ligados à figura de Pedro, de imaginar o momento que transformaria para sempre suas vidas e que constituiria o centro da sua fé.

“Os líderes da Igreja queriam que o Novo Testamento fosse uma guia do que os fiéis deveriam aprender. Por isso, os 4 evangelhos oficiais são livros óbvios, claros. Os textos proibidos, não. Eles são místicos, inesperados, paradoxais, mais próximos à cabala judaica. São para iniciados que querem se aprofundar na fé”, diz Elaine Pagels.






*Todas as informações contidas nessa postagem, possuem cunho meramente informativo, são resultado de pesquisas sobre o assunto. Para maior aprofundamento, seguem as fontes:

Créditos:


18 comentários:

  1. a bíblia hoje perdeu sua virtude. hoje ela é o deus da religião. a religião deturpou tudo de bom que tem na bíblia, sendo assim ela é o deus sem vida da religião. mas o Deus da verdade luta dia e noite para mudar tudo isso, ela não para nunca, e foi pensando e fazendo sua vontade que ele já começou a derrubar o mito bíblia e para isso é fácil para quem quiser, e muito vão ficar assustado, pois começou em 1840 na Alemanha por um homem simples, e agora já tem até em português no Brasil para acabar de vez com este deus fraco que se tornou a bíblia, para tanto basta procurar na internet por NEOTEOSOFIA e quem sabe uma nova missão para começar o reino milenar da paz já não começou...... é para quem é livre de preconceitos....

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  2. A biblia é apenas um livro altamente manipulado, para atender as conveniências de uma epoca!!

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  3. Infelizmente a falta de leitura dos pvos do planete e a falta de conhecimento teorico e até cientifico leva um monte de gente a acreditar na biblia em deuses e essa coisa todo eu queria que tudo isso fosse verdaxe mas basta estudar u, pouquinho que sou a historia da biblia e das religioes que vc percebe o quanto isso tudo foi manipulado para interesses pessoais da epoca e até atual basta um pouco de discernimento e u a mente aberta para ente der o que estoj falando veja que nem se quer falei de vida fora da terra cosmo ou ufo ai e que a coisa co,plica ainda mais

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  4. o que nao queremos admitir e que a Biblia confronta o nosso eu!

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  5. Deus se revelou primeiramente pela boca dos profetas no AT, e depois no NT se fazendo carne e habitando entre nós falou-nos pessoalmente por Jesus Cristo, o emanuel = Deus Conosco. Somente um cego não enxerga que a Biblia é confiável, porque é Deus que nos fala, porque alguem que mente, levaria esta mentira até o fim e ponto de morrer por nós? Claro que não, porque Jesus (Deus) é o caminho, a verdade e a vida!

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  6. So observo os crentes sem fundamentos para discussão... De um livro que se diz que não pode se retirar uma vírgula ou acrescentar a mesma, já se foram alterados tantas vezes

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  7. So observo os crentes sem fundamentos para discussão... De um livro que se diz que não pode se retirar uma vírgula ou acrescentar a mesma, já se foram alterados tantas vezes

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  8. A bíblia é uma mistura da Palavra de Deus e do homem. O próprio Deus e o próprio homem, admitem isto.Está escrito nele mesmo, porém as verdades que estão escritas sobre nós mesmos mostram que estamos no caminho errado da evolução e nos mostram, também, o caminho certo dado por alguém que conhece todos os caminhos da evolução de um espírito e quer nos mostrar o caminho certo. Ele teve um trabalho tremendo para definir uma forma de viver em sociedade, já que não existe um só no universo, mas para que todos evoluam, ao mesmo tempo, é necessário que todos sigam a mesma regra (mesmos direitos e mesmos deveres). Temos que admitir nossos erros e destruí-los, não os praticando mais, e termos prazer em ações que, mesmo não nos agradando, sejam amadas e praticadas de forma respeitosa e obediente às regras criadas por este ser evoluído.
    Quem busca Deus querendo mudar de verdade, encontrará, neste livro, o que interessa para evoluir. Quem obedecê-lo, estará obedecendo a um professor bondoso e justo, pois seus ensinamentos mostram o respeito mútuo entre todos e porque Ele é considerado um ensinador do que precisamos aprender para evoluir. Ele até nos concede a sua casa quando não precisarmos mais do nosso corpo para evoluir, mas na casa casa dos outros, temos que respeitar a forma do dono viver. Não é verdade?
    Que Deus possa vos iluminar a mente com discernimentos de união e não com discernimentos de discussão. Nós queremos a verdade e não quem é o mais certo!
    Isto não é uma disputa, mas uma busca necessária e muito importante para as nossas vidas!
    Um abraço à todos e perdão por vos incomodar!

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    1. Só li verdades. Concordo plenamente com você.

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    2. Sábias palavras.O Livro Sagrado, nos ensina a olhar o nosso EU. Somos todos iguais, perante à um só Criador.

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  9. Estou começando a estudar a origem da bíblia, o evolucionismo, o criacionismo e tudo mais agora, por isso não posso dar uma aula. Até poderia falar do conteúdo da bíblia que domino mais, mas prefiro só falar o seguinte, não me importo se o que esta na bíblia é verdade ou não (me refiro aos milagres), me importo sobre o que ela ensina e o que ela relata sobre o sacrifício de Jesus e se eu acredito que ele se sacrificou por nós? Sim. Acredito nos milagres que a bíblia relata que ele fez? Sim, mas essa é a minha opinião e se eu estiver errada, o que tem? O importante para mim não é saber se ele fez tudo aquilo e sim que eu sei que Ele é capaz de fazer tudo aquilo. Acredito que Ele possa ressuscitar um morto, curar doenças, e tudo mais, pois acredito em um Deus onipotente que deu legalidade a Jesus Cristo. Vces que falam mau da biblia sabem pelo menos do que ela fala? De Jesus. E o que Jesus ensina? Sobre o amor. Se as pessoas realmente seguissem a bíblia o mundo seria melhor, mas o ser humano é egoísta e quem vê isso relaciona Deus com o ser humano falando que Ele é vingativo ou falando que se Deus existe pq tem tanta maldade no mundo, mas vejam bem, Deus não tem nada a ver com isso, Ele nos deu o livre arbítrio e escolhemos não seguir os seus ensinamentos, então preferimos culpar a Deus do que nós mesmos para justificarmos a mundo horrível que nós vivemos. Só tenho 16 anos e não tive tantas experiencias com Deus, mas se eu contar as poucas experiencias que já tive e as coisas que eu já vi e ouvi dos milagres de Deus calaria a boca de muito ateu e não, não estou te julgando por não acreditar, mas sim dizendo um fato, nem tudo nesse mundo pode ser explicado. Acredito que tenha muito mais além da bíblia, inclusive com a igreja católica que quando estava no poder pegou os manuscritos encontrados e até hoje não disponibilizaram para a população o pq eu não sei e fico indignada que muitas pessoas nem saibam desses manuscritos, que nas missas falam da palavra, mas não falam aonde esta o capitulo nem o versículo para acompanharem (não sei se são em todas as igrejas católicas que isso acontece), que muitas pessoas não saibam nem ao menos do próprio Apocalipse. Confiam cegamente no que as outras pessoas falam e não buscam, é como ficar na eterna ignorância. Para deixar claro não estou sendo preconceituosa com o catolicismo, só estou dando a minha opinião e sim, eu sou contra eles não disponibilizarem informações como se eles fossem "destinados" a guardar aquilo ou só eles fossem "dignos" de saber "de tudo". Tudo isso, a bíblia, os manuscritos foram deixados para nós, o povo e não para uma certa igreja, só espero que algum dia as pessoas descubram isso.
    Só queria falar que eu acredito que Deus possa fazer tudo o que esta na bíblia, pois acredito que Ele pode tudo e as pessoas que retiraram ou acrescentaram alguma coisa da bíblia que se entendam com Ele, eu vou procurar conhecer mais e me aproximar mais de Deus. Não falo tão bem, me desculpem se falei alguma besteira e que Deus abençoe todos vces

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  10. A todos a paz de Cristo.
    Quero esclarecer que a algum tempo atrás a igreja católica disponibilizava a leitura do dia nos bancos(parecido com um pequeno jornal)com a redução dos custos e visto que a maioria não levava para casa, foi sendo dispensado e para acompanhar deve-se levar a bíblia e
    pedir antes da missa as leituras do dia com os responsáveis, outra solução é comprar a liturgia diária na casa paroquial(já vem com as leituras do ano todo).
    Na questão dos manuscritos, nem todos pertencem a igreja alguns pertencem a museus, mesmo assim se quiser ter acesso aos manuscritos pode acessar o site online do Vaticano e estará disponível, agora se você for um estudioso e quiser ter contato direto, pelo menos até onde eu sei, aí sim poderá ter acesso pessoalmente aos manuscritos do Vaticano.
    Como Católica não poderia deixar de postar meu comentário sobre o Concílio de Nicéia.
    Aqui se afirma que Constantino foi convertido e teve forte influência sobre as decisões, hora se ele era convertido como pode agir como ditador e não como um verdadeiro Cristão? E se os pais da Igreja estavam presentes como eles seriam fiéis as doutrinas de Cristo se, se deixassem ser submetidos a influência de um imperador e suas ideias? Como poderiam negar os ensinamentos de Cristo? Não seriam mais dignos dele, baseado nessa afirmação do blog hoje os protestantes em geral teriam que fazer um concílio para uma nova bíblia e escolher entre todos os outros manuscritos não escolhidos pelos pais da Igreja. Fico com os ensinamentos do Doutor Scott Hahn que fez um estudo sério da igreja primitiva e converteu-se de pastor a fiel da Igreja Católica.
    Espero que minhas palavras não soem com ar de superioridade, quero apenas colocar esta opção de conhecimento para estudo da verdade de quem a esteja procurando.
    “Todo aquele que divide Jesus é um
    anti-cristo” (1 Jo 4,3)

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  11. OLÁ AMIGOS? AQUI E O PMW.MARCENEIRO@GMAIL.COM QUE MARAVILIA ESTE BLOGGER. TEMOS AINDA HOMENS, CAPAZ DE LEVAR, CONHESIMENTO PARA TODOS, SE FIRMAREM NA VERDADE. SEMPRE TENHO FALADO, A BIBLIA, E O UNICO LIVRO, QUE RESISTE TODOS OS ATAQUES DE BESTAS FERAS, CHAMADAS HOMEMS, CEM TEMOR DE DEUS. LIVRO SAGRADO, QUE NUNCA EMVELHECE. PALAVRA VERDADEIRA, QUE SO NOS TRAZ VIDA EM ABUNDANCIA.....

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  12. Nossa as pessoas se deicham levar por uma "historia" o que é contado na bliblia nunca foi verdade e nunca será! Muitos e muitos anos de mentira e as pessoas ainda acredita em tamanho absurdo. Pode me criticar fanaticos! Mas essa e pura verdade, nunca teve prova alguma dos acontecimentos que mostra na biblia.
    Eu acredito naquilo que e presente ou seja naquilo que eu possa ver, nao existe inferno nao existe céu, todos que estudaram sabe das numerosa descobertas e provas do que ja aconteceu no passado mas mesmo assim continuam julgando os outros.

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    1. Querido Amigo! Não vejo a bíblia como uma história, estudo este livro a 40 anos, ele é fantástico. É uma janela aberta de onde vejo novos Horizontes e uma perspectiva de vida promissora. Você com certeza não quis ser feliz com este fanatismo, segundo sua visão. Esta janela esta fechada pra você. Que pena! Vai morrer apenas com um "adeus para nunca mais". Adeus então! Aos que crê eu digo "até breve"

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  13. Minha pergunta foi: Quem uniu os livros da bíblia sagrada e quando? Para isso o que lí aqui foi sem dúvida muito além. Parabéns ao postador por ter mostrado um trabalho árduo, mas fantástico.

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