quinta-feira, 30 de maio de 2013

MARIA E AS ROSAS DE JERICÓ


MARIA E AS ROSAS DE JERICÓ

Estória para crianças... E adultos!

Mary Teresa MacIsaac. (www.arautos.org)


Era uma fria madrugada. 
As estrelas brilhavam intensamente no firmamento e a Lua deitava sua luz aveludada sobre a cidade de Belém, envolta num profundo silêncio. 
Iluminada pelo luar, uma figura prateada emergia dentre as sombras. Era um varão de idade madura guiando uma mula, sobre a qual cavalgava com elegância uma jovem senhora com seu filho pequeno nos braços.


Seguindo pela rua que contornava internamente as muralhas de Davi, logo chegaram a uma velha portinhola que conduzia ao exterior. José, o chefe desta família, se deteve por um momento e disse à sua esposa, Maria:
- Não temos tempo a perder. Se minha senhora concordar, avançaremos, sem pausa, até onde nos seja possível antes do pôr do Sol. Herodes já decretou a morte de todos os meninos da comarca, e sua ordem deve ser executada sem demora.
Maria fez uma profunda vênia de assentimento e acrescentou com nobre expressão de tristeza:
- A viagem ao Egito será muito longa. Fazei o possível, meu amado esposo, para que o Menino não sofra com o percurso. A estrada até Jericó é tortuosa e muito árida. Jesus dorme bem protegido por finos cobertores. Viajemos sem sobressaltos, vos rogo, para que seu sono seja tranquilo e prolongado.
Com virginal delicadeza, Nossa Senhora levantou o tecido que cobria a face do Menino adormecido e ambos O adoraram em silêncio antes de partir.
Após algumas horas de percurso, o Sol fazia-se sentir inclemente sobre os areais. O vento, em lugar de trazer frescor, arrastava a areia causticante. A jornada foi árdua: atravessaram vales estéreis e colinas desprovidas de vegetação, bordejadas por ressequidas rochas. Em certo momento, o caminho começou a descer e apareceu ao longe Jericó, qual um oásis de verdura e fertilidade.
A vista da histórica cidade trouxe à lembrança de Maria, o milagre ali operado pelo Altíssimo, quando as trombetas de Josué derrubaram as muralhas e deram a vitória ao povo judeu. 
Muitos séculos haviam se passado desde que por sete dias eles circundaram aquelas maciças paredes, com os sacerdotes à frente, portando a Arca da Aliança.
Jericó recebia agora, no entanto, não mais as hostes de Josué, mas o Menino-Deus, apresentando-se com uma terna criança sentada no colo de sua Mãe... Quão profundos eram todos estes mistérios!
Ao chegarem, a tarde já tinha caído. As portas da cidade estavam fechadas e certamente não seriam abertas para acolher uma família de humildes viajantes... 
José decidiu, então, que descansariam ali mesmo, à beira de um palmeiral. O terreno era árido, mas não estava longe do Jordão, facilitando-lhes a obtenção de água para refrescar-se.
O ocaso, naquele momento, tomou colorações feéricas. À medida que o céu alternava de celeste para lilás, de lilás para dourado e de dourado para azul real, a natureza parecia regozijar-se. Ao contrário do que seria natural, os campos que circundavam Jericó reverdeciam à medida que as luzes se tornavam mais tênues. Flores desabrochavam em pleno crepúsculo, pássaros ainda cantavam e uma leve brisa, desta vez fresca e confortadora, agitava os cabelos do Menino Jesus, que se comprazia batendo as mãozinhas e sorrindo alegremente.

Uma vez escolhido por José o local para o descanso, Maria se dispôs a descer da cavalgadura. Segurou o Filho com delicadeza e ao apoiar o pé no chão ressequido sentiu um agradável e macio frescor. No exato lugar onde pisara havia crescido um tufo de delicadas folhas verdes que parecia dar-lhes, a Ela e ao Menino, as boas vindas àquela terra. Outros semelhantes pontilhavam graciosamente pela área escolhida por José para acamparem.
Donde saíram aquelas plantinhas de um verde tão lustroso e brilhante? 
Alguns minutos atrás, naquele chão esbranquiçado não havia o menor sinal de vida. Apenas estavam ali algumas esferas enrugadas de folhas secas, trazidas de não sei onde pelo vento. 
Eram chamadas Rosa de Jericó, plantas misteriosas que, embora possam aparentar estar mortas durante anos, são capazes de renascer ao entrar em contato com a água.
O ocorrido ali, entretanto, foi algo de extraordinário. Sôfregas por prestar homenagem ao seu Criador. Dir-se-ia que indignadas pela crueldade de Herodes - aquelas plantinhas apressaram-se em reviver para acolher, vicejantes, o Cristo Encarnado e sua Mãe Santíssima. E durante toda a vida terrena do Salvador, elas continuaram a marcar com seu frescor o local onde a Sagrada Família pousara aquela noite, como testemunho da alegria da natureza pela vinda de Cristo a este mundo.
Todavia, passaram-se os anos e Jesus expirou na Cruz, entregando-Se ao Pai como vítima. Ovelha imolada por nos. 
As rosas de Jericó, então, secaram e morreram com Ele. E quando, depois de três dias, Cristo ressuscitou triunfando sobre a morte e abrindo para nós as portas do Céu, com Ele renasceram aquelas singelas plantas, simbolizando a glória da natureza pela Ressurreição do Senhor.


Rosa de Jericó (Selaginella lepidophylla)

A Rosa de Jericó, também conhecida como Flor da Ressurreição ou Planta da Ressurreição é uma planta do deserto que cresce no Oriente Médio e na América Central. Durante longos períodos de tempo estas plantas vivem em regiões desertas, crescendo e reproduzindo-se como qualquer outra planta, até o meio ambiente deixar de lhes favorecer uma existência saudável. Quando chega esse momento, as flores e as folhas secas caem e os galhos secos encolhem-se, formando uma bola. As plantas retiram as suas raízes do solo e permitem ao vento transportá-las pelo deserto, até chegarem novamente a um sítio úmido onde podem continuar a crescer e a propagarem-se. 
A bola volta a abrir-se totalmente e a soltar as suas sementes, que germinam. Assim que entram em contacto com água, as jovens plantas de aspecto seco começam rapidamente a florescer. Pode dizer-se que estas plantas “sentem” o que fazem durante este processo, visto que não se mantêm necessariamente no primeiro sítio onde param, mas investigam o local para verificarem se é adequado ao seu crescimento. Ali podem ficar, e crescer, ou então se mudam várias vezes.


Com suas pequeninas flores brancas, tendo em média quinze centímetros de altura e aparência frágil, ela demonstra uma espécie de defesa diante da ausência total de chuvas. 
Nesse período as suas folhas caem e seus ramos se contraem, curvando-se para o centro, adquirindo uma forma esférica, capaz de abrigar as sementes e protegê-las da aridez dos desertos.
Assim, mesmo frágil e ressequida, ela continua como “peregrina”, devido à quase inexistência das suas raízes, o que facilita seu deslocamento. Transformada em “viajante incansável”, ela é conduzida pelo vento do deserto, que tem a força de arrancá-la do solo e arrastá-la por áreas distantes, período no qual ela permanece seca e fechada, podendo até parecer totalmente sem vida por alguns meses. 
Entretanto, ao chegar à fase anual das chuvas ou bastando algum contato com a umidade, a Rosa de Jericó estende suas folhas, espalha suas sementes e retorna à vida, mostrando sua beleza. 
De acordo com a lenda os viajantes daquela área narravam que o vento arrancava a Rosa de Jericó do chão todas as vezes que Jesus se dirigia para orar no deserto. Ao transportá-la até bem próximo ao Mestre ela realizava seu desejo que era o de oferecer um pouco de água a Jesus para aplacar sua sede.
Chegando aos seus pés, ela suavemente fazia sua oferta a Jesus e este com as pontas dos seus dedos levava algumas gotinhas d’água aos lábios. 
Comovido pelo gesto da rosa de compartilhar sua água, naquele ambiente arenoso e de temperatura elevada ele agradecia, bendizia a planta e seguia seu caminho.


Postagem idealizada por Cecy (Lazzuly Blue)
Realização: Corações em Unidade Muito Além


segunda-feira, 27 de maio de 2013

O QUE SOMOS EM VERDADE !










Sobre a Iluminação - Adyashanti


Sobre a Iluminação - Adyashanti 

"Iluminação é apenas não se perceber através do ego. 
É não ver a vida, ou qualquer coisa, você mesmo, a vida, seu tênis, o cachorro, o gato, qualquer coisa, a partir do ego. 
É não ver o mundo, e tudo o mais através da distorção que chamamos de ego, é permanecer na pura consciência. 
É por isso que é chamado de Estado Natural. 
Vejam que Estado Natural, não é através de lente alternativa, mas é sim a ausência de qualquer lente projetada sobre a realidade. 
É a dissolução de todas as distorções. 
É isso que é a Iluminação, a percepção sem distorções. Aquilo que percebemos, como sendo pensamentos, emoções, ou uma situação qualquer, relacionamentos, qualquer coisa é percebida diretamente e não pelas lentes do ego.
É isso que é Iluminação. 
Claro que existem compreensões profundas a partir disso. Ver através do véu é o poder realmente Ver, é a percepção além das histórias. 
A maioria das pessoas acreditam que Iluminação é um Satori eterno. Uma iluminação eterna, um Despertar eterno.Uma experiência infinita. 
Mas não é uma experiência infinita e nem tem nada a ver com experiência infinita. 
Essa compreensão lhe dará mais profundidade de percepções e compreensões de que o sonho existe. 
É apenas uma clara visão de que a realidade pode ser vista diretamente, sem as lentes do ego. 
Isso é iluminação. 
E é muito bom, se perceber a Realidade sem as lentes do ego. 
É alegria, é paz e é o fim da sua busca. 
Não é que você encontrou alguma coisa, exceto sanidade. Não é que você atingiu alguma coisa, além daquilo que você sempre foi. 
Isso é Nirvana: Ver as coisas como elas realmente são. Logo, quando você vê as coisas como elas realmente são, naturalmente elas são boas. 
A natureza real das coisas está além dos pensamentos, é puro vazio, vacuidade. É não-existência.
A natureza de tudo é insubstancial. 
E Essa visão é além da dimensão da consciência. 
Pela perspectiva da Iluminação tudo está além da dimensão da consciência. 
Faz sentido para vocês? 
O ego, (e a maioria das pessoas vive pelas lentes do ego - daí o termo egoico ) mas existe essa dimensão que é além da dimensão egoica onde a pura percepção está lá, acontece sem interferências. 
Aquilo que o ego chama de inimigos, nessa dimensão não existem. 
Aquilo que você chama de dualidade, nessa dimensão não existe. 
Aquilo que se chama auto-imagem não existe tão pouco, uma vez que não se percebe onde começa e termina esse Self, já que ele é Tudo; aquilo que o ego chama de "eu" nada mais são que os pensamentos a respeito dele. 
Logo, alcançar a dimensão além da mente, o ego pode estar presente, os pensamentos e tudo o mais permanecem, sem problemas, e serão visto como tal, pensamentos, que passam. 
Não se precisa preocupar com isso, deixe-os vir. 
Eles fazem parte da existência. 
A Consciência os percebe, sem nenhum problema. Permanecer na Consciência de tudo, esse é o ponto. 
Em geral, espiritualidade é associada a um estado alterado de consciência, algo extraordinário. 
Você pode ficar repetindo o nome de Deus por cinco horas, você terá um estado alterado de consciência, você se sente diferente; Existem várias práticas que podem alterar seu estado de consciência. 
Mas a coisa engraçada é que Iluminação não tem a ver com nada disso. 
Iluminação é a ausência de qualquer estado alterado de consciência. 
A Consciência não precisa de nenhuma alteração para Ver aquilo que É. 
Aquilo que é, não precisa de nenhuma alteração de consciência para ser percebido.
A alteração de consciência é necessária para se ver algo que é mais do daquilo que realmente É. 
Ou seja, criações além do Um. 
Logo no momento que no Zen chamamos de Satori ou iluminação, na iluminação se enxerga como o ego desaparece, e com ele todas aquelas projeções ilusórias que criavam as divisões. 
Isso é o Despertar. 
E o que acontece hoje, amanhã, daqui a um ano, não importa, a percepção da Verdade, a experiência permanece.(...)
O que é realmente importante no Satori, é como o ego vem abaixo. 
Aquilo que você acreditava, confiava, vivia, desaba. 
A orientação mais importante que vemos a partir da visão egoica dual, é que percebamos que existe algo que mantém tudo isso; e que o ego é em si mesmo, um grande gasto de energia, e que mesmo não sendo verdadeiro, ele emerge dessa fonte constantemente até seu fim. 
Esse ego é mantido aceso como uma brasa, ele é alimentado instante a instante. 
A verdadeira disciplina espiritual é não alimentar esse ego, é não colocar mais energia nessa divisão egoica. 
Apenas isso, nada mais.” 

Adyashanti é um professor espiritual norte-americano. Por 14 anos ele estudou Zen com professores da linhagem de Shunryu Suzuki. Aos 25 anos ele começou a experimentar uma série de transformações de despertar espiritual. Seis anos depois ele foi convidado por sua professora, Arvis Justi, a ensinar. Desde então dá palestras e escreve livros sem estar vinculado a nenhuma tradição Zen específica.