quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TERREMOTO QUE CAUSOU ACIDENTE DE FUKUSHIMA AFETOU GRAVIDADE TERRESTRE


O satélite GOCE da Agência Espacial Europeia revelou algo impressionante agora, no inicio de dezembro de 2013.

Segundo estudos, o terremoto que atingiu o Japão em março de 2011 e que causou um tsunami e o acidente nuclear de Fukushima, afetou também o campo gravitacional da Terra, deixando sua marca na gravidade do planeta – mostrando o poder devastador da movimentação das placas tectônicas, divulgou a Agência Espacial Europeia (ESA).

O terremoto causou estragos além de estruturas criadas pelo homem. O satélite GOCE da Agência Espacial Europeia mediu uma mudança significativa na gravidade da Terra após o terremoto, e antes de voltar à Terra em 11 de novembro.

Vista aérea da Usina Nuclear de Fukushima: catástrofe deixou marca na gravidade do planeta, a qual os cientistas seguem estudando para quantificar


O satélite GOCE permitiu detectar que a catástrofe deixou “uma marca” na gravidade do planeta, a qual os cientistas seguem estudando para quantificar, explicou a ESA.

“Estamos trabalhando com uma equipe interdisciplinar para combinar os dados do GOCE com outras informações para obter uma imagem melhor da ruptura no campo de gravidade em relação a que temos agora”, declarou Martin Fuchs, cientista do Instituto de Pesquisa em Geodetecção da Alemanha (DGFI). A ESA lembrou que há meses o satélite GOCE já havia “sentido ondas sonoras no espaço” que provinham desse terremoto de nove graus na escala Richter.

“O equipamento mapeou as pequenas diferenças na gravidade de diferentes regiões do planeta durante quatro anos, mas nenhum cientista esperava que ele registrasse mudanças durante esse tempo. Contudo, o mapa mudou em 11 de março de 2011.

“As diferenças na gravidade são causadas por falta de homogeneidade e a diferença na distribuição do material no interior do planeta. Os terremotos causam mudanças no solo dos oceanos e mudam os níveis do mar, o que afeta a gravidade, como ocorreu no Japão.



As análises mostraram, com dados revistos e muito precisos, que o terremoto de 9,0 graus na escala Richter que atingiu o leste do Japão na ilha de Honshu no dia 11 de março de 2011, afetou a gravidade.

Os cientistas descobriram que grandes terremotos não só deformam a crosta terrestre, mas também causa perturbações e mudanças na gravidade. Existe uma série de razões pelas quais os valores de gravidade variam. De acordo com o estudo, isso é consequência do material no interior da Terra que é heterogênio e desigual.

A Física nos mostra que a gravidade não é uma constante. Essa suposição é conhecida e difundida por inúmeros professores. O estudo mostrou que a força da gravidade varia dependendo da distribuição desigual do material do centro da Terra.

Os terremotos sob os oceanos, como o que ocorreu no Japão, podem alterar a forma do fundo do mar. Isso desloca água e altera o nível do oceano, que por sua vez, altera a gravidade.

O satélite, que já não orbita mais o planeta, ficou sem combustível e reentrou na atmosfera da Terra, desintegrando-se. Apesar de não existir mais, os cientistas estão apenas começando a analisar a grande quantidade de dados que ele deixou.

Informações do GOCE estão sendo usadas para entender como os oceanos transportam grandes quantidades de calor ao redor do planeta e desenvolvem um sistema de referência de altura global, por exemplo.

A missão já tem uma nova luz sobre diferentes aspectos da Terra - da densidade atmosférica e os ventos, para mapear a fronteira entre a crosta e o manto superior, e para entender os processos geodinâmicos que ocorrem nestas camadas muito abaixo dos nossos pés.


Os resultados do GOCE são consistentes com as observações do satélite Graça NASA-alemão, que é projetado para medir as mudanças ao longo do tempo. Isto sugere que os dados GOCE serão importantes para melhorar os modelos e, portanto, contribuir para a nossa compreensão de terremotos.

O satélite GOCE revolucionou o estudo ao conseguir captar, em tempo real, as mudanças na gravidade. Ao que tudo indica, a mudança foi influenciada por deformações em rochas subterrâneas. Os impactos internos foram tão fortes que ondas sonoras, referentes aos movimentos tectônicos, foram capturadas pelo satélite.

Na imagem abaixo, vemos áreas de força gravitacional reduzida (azul) e aumentada (amarelo) ao redor do epicentro do terremoto (indicado pela “bola de praia” amarela e branca). 


Os pesquisadores ainda não sabem se essa mudança é permanente ou reversível e quais seriam os problemas que podem ocorrer após essa mudança. Mais estudos serão necessários para responderem essas perguntas.


O satélite GOCE foi lançado em 2009 e coletou dados para mapear a gravidade da Terra com bastante precisão. Por mais que geralmente imaginamos a gravidade como uma constante (uma suposição bem conhecida por estudantes iniciantes em Física), a força varia regionalmente devido à distribuição desigual de material na profundidade da Terra. O satélite recebeu a tarefa de medir a variação para produzir um mapa gravitacional detalhado:



O que os pesquisadores não esperavam era que o GOCE conseguisse capturar uma mudança gravitacional em tempo real. Mas o terremoto de 2011, o quinto mais forte já registrado, mudou formações rochosas subterrâneas e alterou a forma do leito do mar, mudando a força gravitacional na costa do Japão. Ele foi tão poderoso que instrumentos no satélite até registraram ondas sonoras emanando do movimento tectônico.

Comparação com o mapa gravitacional completado um ano antes do terremoto, onde o Japão está em um plano gravitacional relativamente uniforme:


Em relação ao satélite, após um breve período de preocupação no mês passado quando cientistas afirmaram não conseguir prever com exatidão onde ele cairia, o GOCE cruzou os céus sobre a Sibéria, os oceanos Pacífico e Índico, e a Antártida, queimando completamente no processo. Ele nos deu um entendimento claro da gravidade da Terra – uma força da qual ele não conseguiu escapar.




Fonte: http://www.esa.int/Our_Activities/Observing_the_Earth/GOCE/Earth_s_gravity_scarred_by_earthquake

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