terça-feira, 8 de outubro de 2013

CIA admite existência da Área 51


Alvo clássico de teorias de conspiração envolvendo alienígenas e tecnologias secretas, a Área 51 sempre despertou a imaginação de muitas pessoas. Agora, pela primeira vez, a famosa base militar foi revelada em um documento da CIA, a agência de inteligência norte-americana.

Localizada no deserto de Nevada, a base militar norte-americana popularmente conhecida como Área 51 “não existia” oficialmente até 1994. Porém, é sabido que ela começou a ser construída na década de 50, sendo utilizada com grande frequência entre os anos 60 e 80. Por muito tempo, a Area 51 permaneceu “oculta” da grande maioria, mas em 1988 um satélite soviético fotografou a base. Várias publicações adquiriram as fotos e as publicaram.


Pela primeira vez em mais de 60 anos de especulações - que chegaram a gerar uma cultura nos Estados Unidos - a CIA enfim reconheceu a existência de uma base com este nome. Fica de fato em Nevada, onde por décadas o governo escondeu um programa de espionagem aérea.

A Area 51 nos remete à pensamentos de conspirações do governo, aeronaves  secretas e tecnologias alienígenas. Fatos, mitos e lendas caminham juntos de tal forma que se tornou difícil separar a realidade da ficção. O que exatamente acontece nessa instalação? Por que o governo reconheceu e negou alternativamente sua existência até a década de 90? Por que o espaço aéreo acima dela é tão restrito que mesmo aeronaves militares são proibidas de voar? E o que ela tem a ver com Roswell, no Novo México?

A base faz fronteira com um lago seco chamado Groom. A oeste está o NTS. A cidade mais próxima é Rachel, a 40 quilômetros da Area 51. 

Algumas informações cruzadas reveladas por ex-funcionários do local dão indícios de como funciona a base militar secreta do governo. O local abrigaria um complexo subterrâneo, totalmente blindado contra ataques externos e sinais de frequência.

O sistema informatizado é composto por computadores de última geração e com um sistema operacional próprio, evitando que desconhecidos tentem invadir a rede da base. O complexo abriga uma série de veículos militares, além de grandes hangares e área de projetos onde são desenvolvidas e testadas novas aeronaves.


A própria base ocupa somente uma fração de sua área de mais de 27 mil hectares. Ela consiste de grandes hangares, uma portaria, algumas antenas de radar, algumas instalações para hospedagem, uma confusa entrada, escritórios, pistas e abrigos. Os abrigos são prédios projetados para que as aeronaves possam se mover rapidamente sob a cobertura quando os satélites passam acima delas.

Ainda há a possibilidade de que o que é visto na superfície é somente uma pequena parte da verdadeira instalação. Há supostos “andares” no subsolo que se assentam sobre o topo de uma base subterrânea em forma de labirinto. 
Alguns declaram que a instalação subterrânea tem até 40 níveis que são ligados via pistas subterrâneas a outros locais em Los Alamos, White Sands e Los Angeles. 

Então, o que se passa no interior nessa base? De acordo com a Força Aérea, o propósito da instalação é “o teste de tecnologias e treinamento de sistemas para operações críticas para a eficácia das forças militares dos EUA e para a segurança dos Estados Unidos.” 

Todas as especificações quanto à instalação e os projetos em andamento de lá eram altamente confidenciais. O que se sabe é que a Força Aérea, a CIA e Lockheed usaram a base como um palco para vôos de teste de aeronaves secretas e experimentais, também conhecidas como aeronaves pretas. A base serviu como a instalação de desenvolvimento e teste para a tecnologia de ponta de aeronaves a partir do avião espião U-2 até o caça invisível F-117A.

Até então, a base e suas atividades internas eram (são) altamente confidenciais. A base é circundada por centenas de quilômetros de paisagem desértica vazia. A Força Aérea tem terras reservadas do uso público para ajudar a manter a base oculta de olhares curiosos. 

       Robert Lazar

No final da década de 80, o físico Robert Lazar, funcionário da base, fez revelações polêmicas sobre a Área 51, sobre as quais muitas das teorias propagadas se apoiam nos dias de hoje. Ele descreveu em detalhes a infraestrutura do local, antes mesmo de o governo norte-americano confirmar a sua existência.

Cerca de dez anos depois, imagens de satélite comprovaram que as descrições de Lazar estavam corretas. Posicionamento de hangares, pistas de pouso e o relato de que a base militar de fato existia serviram para alimentar outra parte das afirmações do físico, que até hoje aguardam por confirmação.

Bob afirmou que um dos trabalhos que fazia no local era uma espécie de engenharia reversa aplicada a naves espaciais alienígenas. Traduzindo: Lazar relatou que um dos projetos secretos do local consistia em desmontar naves desconhecidas, capturadas pelos militares norte-americanos, para entender a lógica de funcionamento de sua tecnologia, tentando fazê-las funcionar novamente.

“As naves que examinei não possuíam juntas aparentes, solda, parafusos ou rebites”, declarou em entrevista a um programa de televisão de Los Angeles. As coincidências quanto à parte externa do local fizeram com que muitos acreditassem serem verdadeiras as explicações quanto ao trabalho feito no local. Verdade ou mentira, o fato é que nenhuma das hipóteses foi confirmada até hoje.



As fronteiras da Área 51 não são cercadas, mas são marcadas com mastros cor de laranja e placas de aviso. As placas informam que tirar fotografias não é permitido e que ultrapassar a propriedade resulta em multa. As placas também sinalizam essa sóbria nota: "a segurança está autorizada a usar força letal contra as pessoas que insistirem em ultrapassar os limites"

Grupos de homens que não parecem ser militares patrulham o perímetro. Esses guardas provavelmente são civis contratados, que se camuflam em meio ao deserto. 
Suas instruções são evitar contato com intrusos, se possível, e agir meramente como observadores e dissuadores. Se alguém parecer suspeito, esses homens ligam para o xerife local para que ele cuide do suspeito. Às vezes, eles se confrontam com invasores, supostamente confiscando qualquer filme ou outro dispositivo de gravação e intimidando-os. 

Às vezes, helicópteros dão apoio adicional. Há rumores de que os pilotos de helicóptero ocasionalmente usam táticas ilegais como sobrevoar bem baixo sobre os invasores para intimidá-los.


Outras medidas de segurança incluem sensores fincados ao redor do perímetro da base.   Esses sensores detectam movimento e podem até discernir entre um animal e um ser humano.  


Existe ainda a teoria de que uma aeronave alienígena teria caído em Roswell, Novo México, e o governo enviou os escombros e um corpo para a Área 51 para exames e estudo. Alguns vão até mais longe, declarando que a instalação tem níveis subterrâneos e túneis que a conectam a outros locais secretos, e que ela contém depósitos cheios de tecnologia alienígena e até mesmo espécies alienígenas. 
Representantes da Força Aérea negaram publicamente que alienígenas tivessem alguma coisa a ver com a Área 51. 

Agora em agosto de 2013, a Universidade George Washington divulgou uma lista de arquivos usados pelos EUA durante a Guerra Fria. Na lista, há o mapa da região hiper-secreta da Area 51, que fica no meio do deserto do Nevada, a 200 km de Las Vegas.

O documento, no entanto, não revela nenhuma informação a respeito de naves ou seres alienígenas. Ele contem 400 páginas que descrevem sobretudo um programa de criação de aeronaves espiãs como o U-2 e Oxcart, entre 1954 e 1974. O texto não revela nada sobre o uso da Área 51 após esse ano.
De acordo com o relatório, essas aeronaves voavam alto demais para a época e podiam ser facilmente confundidas com OVNIs.

A ideia era apenas construir aeronaves não tripuladas capazes de fotografar alvos a longas distâncias. A Força Aérea e a Lockhead, então, desenvolveram uma embarcação que podia equipar câmeras de alta resolução e deram a ela o nome de U-2.


Só que eles precisavam de um lugar para guardar o U-2, e foi em meio às buscas que encontraram uma antiga pista próxima ao lago Groom que fora usada na Segunda Guerra por pilotos da artilharia.

Os documentos, obtidos pela Universidade George Washington, incluem a primeira referência oficial conhecida sobre o lugar, criado por uma ordem do presidente americano Dwight Eisenhower em meados da década de 1950.
Em abril de 1955 os oficiais militares que planejavam o desenvolvimento de um avião-espião sobrevoaram o deserto de Nevada na busca de um local adequado para os testes secretos e avistaram o que parecia ser uma pista de aterrissagens em um salitral chamado Groom Lake, segundo os documentos recém divulgados.

A área tinha sido usada durante a Segunda Guerra Mundial como um polígono para a artilharia aérea e se escolheu o lugar para o teste dos aviões-espião U-2 e a instrução de seus pilotos.

Os primeiros ocorreram em agosto de 1955, com o U-2, e nesse lugar foram testados outros aviões-espião como o A-12 e o D-21.

Os aviões-espião U-2, cujo propósito era o de espionar a União Soviética e seus aliados, ainda são utilizados pela Força Aérea americana.

Esses relatórios, até agora confidenciais, cobrem o programa de projeto, desenvolvimento e testes dos aviões-espião dos Estados Unidos desde a era da Guerra Fria, quando Eisenhower aprovou o uso de um salitral no sudoeste de Nevada para os testes do avião U-2, capaz de voar a grande altura e de cobrir distâncias muito longas.

A existência da "Área 51" não foi um segredo, mas o fato de que o governo nunca tenha reconhecido sua existência e que ali se realizassem missões de teste com aviões cuja estrutura não tinha precedentes gerou um sem-fim de teorias da conspiração, incluindo a existência de tecnologia de origem extraterrestre.

Outra teoria sobre a "Área 51" sustentou que os cientistas americanos fizeram na área experimentos de tolerância à radiação em prisioneiros de guerra japoneses, antes do lançamento em 1945 das primeiras bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

           Chris Pocock
Boa parte do material divulgado pela Universidade George Washington já era conhecido para os estudiosos como o autor britânico Chris Pocock que, em um comentário distribuído pela própria universidade, assinalou que "quase toda a informação agora revelada já estava em meus livros".
"Mas o fato de que a 'Área 51' seja mencionada em um documento agora disponível para o público é notável", acrescentou Pocock.



A área no deserto de Nevada permanece cercada e seu espaço aéreo é vedado às aeronaves civis.

Os documentos divulgados incluem várias referências à "Área 51", com um mapa, assim como os nomes de todos os pilotos de missões de U-2 com datas e rotas dos voos sobre a União Soviética.

Ainda que todos soubessem da existência da base, essa foi a primeira vez que a CIA a chamou explicitamente de “Área 51”, o nome que consta na mitologia popular. “Não existe um lugar chamado Área 51”, disse em 1995 um advogado da Força Aérea após uma visita judicial causada por várias demandas de funcionários do complexo que denunciaram doenças respiratórias causadas pela exposição a materiais tóxicos. O membros da base se referiam ao lugar como “o rancho”. 



Documentário DD videos - NBC News

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