quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Afinal, o Que É a Vida?



Sempre que procuramos por vida fora da Terra, buscamos por ela exatamente como a conhecemos. Talvez por isso a tarefa de encontrá-la tenha se mostrado muito complicada. Afinal de contas, o que é a vida?

Ainda não possuímos uma definição correta da vida. Geralmente, ela é identificada por meio da presença do DNA em algo. Segundo um novo estudo, essa ideia está completamente equivocada. 

Ela pode limitar a buscar por vida alienígena em outros mundos, além de incluir objetos que certamente não são vivos nessa classificação, como uma placa de Petri repleta de DNA autorreplicante.

A definição mais aceita é de que a vida é um estado caracterizado pela capacidade de apresentar metabolismo, desenvolvimento, reação a estímulos e reprodução. Mas a maioria dos cientistas afirma que essa não é uma definição satisfatória.

“Acredito que seja um erro tentar definir o que é a vida, pois nós temos somente um exemplo, a da própria Terra. Pode ou não existir formas desconhecidas de vida espaço afora”, disse Carol Cleland, cientista da Universidade do Colorado.

Mas, como identificar formas de vida extraterrestres, se não conseguimos definir "vida"?

Aristóteles fez a primeira tentativa de definir a vida, a descrevendo como algo que cresce, se mantém e se reproduz. Mas essa definição exclui as mulas, que são estéreis, enquanto inclui coisas como o fogo, por exemplo.

Caracterizá-la como algo que tem o metabolismo, habilidade de consumir energia para se mover, e excretar resíduos também não é uma boa definição. Carros podem fazer isso, por exemplo.


A vida na Terra é normalmente dividida em dois grupos principais: as formas de vida celular, que incluem árqueas, bactérias, plantas e animais, e formas de vida não celulares, como os vírus.

Encontrar uma boa definição para a vida pode não ser tão importante, disse o astrobiólogo Chris McKay. É muito melhor ter uma ideia do que a vida é feita, segundo ele. Hoje, sabemos que a vida é formada por moléculas orgânicas complexas.

“Neste momento, estamos nos concentrando na busca de vida que seja idêntica a nós, com as mesmas moléculas”, disse Chris McKay.

Durante muito tempo, pesquisadores recriaram as condições primordiais da Terra, onde a vida surgiu. No famoso experimento de Miller-Urey, em meados dos anos 1950, os pesquisadores simularam a composição química dos oceanos da jovem Terra. Como resultado, os aminoácidos (blocos primitivos de vida) surgiram.

Mas como esses aminoácidos podem se transformar em simples formas de vida, para depois se tornarem complexas?

“Na tentativa de explicar como a vida surgiu, as pessoas têm se concentrado em um problema de química, como se criar vida fosse como fazer um bolo, com ingredientes e instruções a serem seguidas”, disse Paul Davies, físico teórico e astrobiólogo da Universidade do Arizona. “Essa estratégia não capta a essência do que é a vida”.

Segundo um grupo de pesquisadores do qual Davies faz parte, não deveríamos tentar recriar as condições de vida que surgiram na Terra há 3,7 bilhões de anos atrás, mas sim utilizar as maiores diferenças no modo como os seres vivos guardam e processam informações para desvendar o mistério da origem da vida.

De acordo com os pesquisadores, a principal diferença entre um ser vivo e um não-vivo é o fato de que os seres vivos possuem fluxos de informações que correm para dois lados, em termos de complexidade. 

Por exemplo, quando tocamos algo quente, como o ferro de passar de roupa, as moléculas de sua mão sentem o calor e enviam essas informações para o cérebro, que as interpreta e ordena para as moléculas da mão se afastarem do ferro.

Tanto as bactérias quanto os chimpanzés apresentam esse fluxo de mão-dupla, mas qualquer coisa que não seja viva não apresenta.



Outra diferença entre os seres vivos e não-vivos é que os vivos armazenam e leem informações em diferentes locais físicos. Por exemplo, os códigos do DNA carregam instruções para a vida, mas outra parte da célula, denominada ribossomo, interpreta tais instruções em ações dentro da célula. 

Contudo, há uma exceção: de acordo com essa classificação, qualquer instrumento eletrônico, como um computador ou smartphone, também pode ser considerado um ser vivo.

O modelo recém-criado por hora não prevê nova moléculas que podem originar vida em outros planetas, mas define um comportamento necessário que algo precisa ter para ser considerado vivo.


Caracterizar a vida é de suma importância para identificá-la em outros lugares do universo, uma possibilidade que agora existe além do domínio da ficção científica. Chris McKay disse que, se existe vida em algum outro lugar, seria um sistema material evoluindo através de mutações, reproduções e da seleção natural, algo não muito diferente daquilo que chamamos de vida na Terra.


Em que pese nossos atuais avanços científicos, a vida é um processo que continua sem uma definição precisa como demonstrou claramente o grande físico austríaco e Prêmio Nobel, Erwin Schröndinger em seu livro “O que é a Vida”, publicado em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial. O homem, através da astrobiologia e ciência espacial, procura sinais de vida em alguns astros do sistema solar como no planeta Marte, em Europa satélite de Júpiter e em Titã e Enceladus, satélites de Saturno. 
Erwin Schrödinger definiu a vida baseando-se na segunda lei termodinâmica, que diz que a entropia, ou desordem, de um sistema fechado aumenta ao longo do tempo. Schrödinger a definiu como algo que diminui ou mantém a sua entropia. No entanto, esta definição não é correta porque inclui os cristais, que resistem a entropia formando retículos altamente estruturados.


É imperioso saber que o conceito de vida envolve estruturas elementares, caso das bactérias e, ou, em geral, estruturas extremófilas. Extremófilos são organismos que sobrevivem ou até mesmo demandam condições tão extremas para sobreviver que inviabilizariam a presença de formas de vida conhecidas. Eles sobrevivem em ambientes como gêiseres, fontes de água quente, em vapor d’água e até em lugares impensáveis com elevada radioatividade, em aparente contradição com ambientes considerados amenos para o desenvolvimento da vida. 

Considerando, pois os aspectos acima delineados, chegamos facilmente à conclusão lógica e racional, que o fator vida é abundante no universo. Sendo assim, por analogia, o longo caminho evolutivo para um ser pensante, é pura questão de tempo.

Por mais simples que possa parecer, ainda é muito difícil para os cientistas definirem vida com clareza. Muitos filósofos tentam defini-la como um "fenômeno que anima a matéria".
De um modo geral, considera-se tradicionalmente que uma entidade é um ser vivo se exibe todos os seguintes fenômenos pelo menos uma vez durante a sua existência  :
Desenvolvimento: passagem por várias etapas distintas e sequenciais, que vão da concepção à morte.
Metabolismo: absorção, transformação, armazenamento, e excreção de energia, quer atrelada à matéria, quer não;
Crescimento: absorção e reorganização cumulativa de matéria oriunda do meio; com excreção dos excessos e dos produtos "indesejados".
Movimento: em meio interno (dinâmica celular), acompanhada ou não de locomoção no ambiente.
Reprodução: capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria.
Resposta a estímulos: capacidade de "sentir" e avaliar as propriedades do ambiente e de agir seletivamente em resposta às possíveis mudanças em tais condições.
Evolução: capacidade das sucessivas gerações transformarem-se gradualmente e de adaptarem-se ao meio.

"O processo da vida, contudo, pode ser definido. Não há dúvida de que os organismos vivos possuem certos atributos que não são encontrados da mesma maneira em objetos inanimados. Diferentes autores salientaram diferentes características, mas não pude encontrar na literatura uma lista adequada de tais propriedades" - Ernst Mayr



UM CELEIRO DE VIDA

A astronomia nos mostra que a explosão de uma estrela supernova derrama no espaço os elementos que vão formar novas estrelas e planetas. Elas disseminam pelo espaço cósmico os elementos químicos pesados como o silício, carbono, ferro e níquel entre outros. 

O universo é, pois um celeiro de vida. Descortinando a pluralidade dos mundos habitados proposta inicialmente pelos antigos gregos e mais tarde por Giordano Bruno (1550-1600) e Camille Flammarion (1842-1925), o homem do século espacial volta-se sobre si mesmo, observando que seu planeta, sua existência e suas conquistas nada representam na história do universo. Perante ele somos um grão de poeira no deserto. Mesmo um grão de poeira talvez esteja superdimensionado. 

A descoberta dos exoplanetas em numero cada vez maior conduziu recentemente a uma ‘assustadora’ previsão de que pode haver no universo mais planetas do que estrelas! Não obstante, ainda indo mais além, potentes redes de radiotelescópios, continuam programas de enviar mensagens na expectativa de, em um futuro que eles acreditam não muito distante, receber uma resposta: também estamos aqui !

Das telas de ficção para a realidade, será certamente o maior acontecimento do milênio! Esta nova visão do cosmos graças às pesquisas nas áreas da astronomia e ciência espacial, transformou a maneira de pensar do homem moderno, possibilitando assumir uma postura mais honesta e humilde. 

Afinal, o que somos nós perante tudo isso? No contexto final, podemos dizer que a astronomia é a única ciência que alarga nossos horizontes, nossa maneira de pensar, permitindo vislumbrar a efemeridade da vida e responder as três perguntas que mais aguçam o espírito humano: de onde vim, onde estou e para onde vou.


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