domingo, 22 de setembro de 2013

LUZES DO MUNDO - JORGE AMADO


JORGE AMADO - O POETA DO AGRESTE

Jorge Amado nasceu na fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna. Filho do "coronel" João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado, foi com apenas um ano para Ilhéus, onde passou a infância. Mudou-se para Salvador, onde passou a adolescência e entrou em contato com muitos dos tipos populares que marcaria sua obra.

Aos 14 anos, começou a participar da vida literária de Salvador, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que (juntamente com os do Arco & Flecha e do Samba) desempenhou importante papel na renovação das letras baianas. Entre 1927 e 1929, foi repórter no "Diário da Bahia", época em que também escreveu na revista literária "A Luva".

Estreou na literatura em 1930, com a publicação (por uma editora carioca) da novela "Lenita", escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Seus primeiros romances foram "O País do Carnaval" (1931), "Cacau" (1933) e "Suor" (1934).


Jorge Amado bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro (1935), mas nunca exerceu a profissão de advogado. Em 1939, foi redator-chefe da revista "Dom Casmurro". De 1935 a 1944, escreveu os romances "Jubiabá", "Mar Morto", "Capitães de Areia", "Terras do Sem-Fim" e "São Jorge dos Ilhéus".

Em parte devido ao exílio no regime getulista, Jorge Amado viajou pelo mundo e viveu na Argentina e no Uruguai (1941-2) e, depois, em Paris (1948-50) e em Praga (1951-2).

Voltando para o Brasil durante o Segunda Guerra Mundial, redigiu a seção "Hora da Guerra", no jornal "O Imparcial" (1943-4). Mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário "Hoje" (1945). Anos depois, no Rio, participou da direção do semanário "Para Todos" (1956-8).


Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro, por São Paulo, tendo participado da Assembléia Constituinte de 1946 e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Nessa condição, foi responsável por várias leis que beneficiaram a cultura. De 1946 a 1958, escreveu "Seara Vermelha", "Os Subterrâneos da Liberdade" e "Gabriela, Cravo e Canela".

Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras (sucedendo Otávio Mangabeira). Na década de 1960, lançou as obras "Os Velhos Marinheiros" (que compreende duas novelas, das quais a mais famosa é "A morte e a morte de Quincas Berro d'Água"), "Os Pastores da Noite", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tenda dos milagres". Nos anos 1970, vieram "Teresa Batista Cansada de Guerra", "Tieta do Agreste" e "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".


Suas obras foram traduzidas para 48 idiomas. Muitas se viram adaptados para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão e até as histórias em quadrinhos, não só no Brasil, mas também em Portugal, França, Argentina, Suécia, Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Itália e EUA.

Seus últimos livros foram "Tocaia Grande" (1984), "O Sumiço da Santa" (1988) e "A Descoberta da América pelos Turcos" (1994).


Além de romances, escreveu contos, poesias, biografias, peças de teatro, histórias infantis e até um guia de viagem. Sua esposa, Zélia Gattai, é autora de "Anarquistas, Graças a Deus" (1979), "Um Chapéu Para Viagem" (1982), "Senhora Dona do Baile" (1984), "Jardim de Inverno" (1988), "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). O casal teve dois filhos: João Jorge, sociólogo e autor de peças infantis; e Paloma, psicóloga.


Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma mangueira em sua casa.




“Só Gabriela parecia não sentir a caminhada, seus pés como que deslizando pela picada muitas vezes aberta na hora a golpes de facão, na mata virgem. Como se não existissem as pedras, os tocos, os cipós emaranhados. A poeira dos caminhos da caatinga a cobrira tão por completo que era impossível distinguir seus traços. Nos cabelos já não penetrava o pedaço de pente, tanto pó se acumulara. Parecia uma demente perdida nos caminhos. Mas Clemente sabia como ela era deveras e o sabia em cada partícula de seu ser, na ponta dos dedos e na pele do peito. Quando os dois grupos se encontraram, no começo da viagem, a cor do rosto de Gabriela e de suas pernas era ainda visível e os cabelos rolavam sobre o cangote,  espalhando perfume. Ainda agora, através da sujeira a envolvê-la, ele a enxergava como a vira no primeiro dia, encostada numa árvore, o corpo esguio, o rosto sorridente, mordendo uma goiaba.” Gabriela Cravo e Canela - Jorge Amado 

AS MULHERES DE JORGE AMADO:
GABRIELA



Do livro Gabriela, Cravo e Canela (1958)

Sensualíssima, expulsa do sertão nordestino pela seca, a retirante Gabriela, exalando cravo e canela, chega a Ilhéus nos anos 1920 e começa a trabalhar como cozinheira no bar de Nacib, o Vesúvio. Prendada, Gabriela ganha o patrão com o tempero de seus vatapás e acarajés e também pelo aroma do seu espírito livre, meio bicho, meio mulher, tão diferente das senhoras da sociedade local. Apaixonados, eles logo se casam, mas Gabriela não se adapta aos limites de um relacionamento formal.


" (...) Dormida numa cadeira, os cabelos longos espalhados nos ombros. Depois de lavados e penteados tinham-se transformados em cabeleira solta, negra, encaracolada. Vestia trapos, mas limpos, certamente os da trouxa. Um rasgão na saia mostrava um pedaço de coxa cor de canela, os seios subiam e desciam levemente ao ritmo do sono, o rosto sorridente.”

DONA FLOR



Do livro Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966)
Florípedes Paiva compensa em um casamento o que falta no outro — desfruta da paixão e do erotismo vividos ao lado do boêmio Vadinho e da calmaria e da segurança trazidas pela relação com o farmacêutico Teodoro. Após a morte do primeiro, Dona Flor se casa com o segundo.

"Pequena e rechonchuda, de uma gordura sem banhas, a cor bronzeada de cabo-verde, os lisos cabelos tão negros a ponto de parecerem azulados, olhos de requebro e os lábios grossos um tanto abertos sobre os dentes alvos. Apetitosa, como costumava classificá-la o próprio Vadinho em seus dias de ternura, raros talvez  porém inesquecíveis.”

TEREZA BATISTA



Do livro Tereza Batista Cansada de Guerra (1972)

Órfã e vendida por um parente a um fazendeiro, Tereza Batista, aos 13 anos, é estuprada e mantida cativa. As provações enfrentadas tão precocemente ajudarão a moldar sua personalidade de mulher valente e decidida – e que detestava ver homem batendo em mulher. Uma das mais famosas heroínas de Jorge Amado, ela acaba por assassinar seu algoz e, mais adiante, apaixonar-se.


"Difícil para Tereza foi aprender a chorar, pois nasceu para rir e alegre viver. Não quiseram deixar mas ela teimou, teimosa que nem um jegue essa tal Tereza Batista. Mal comparado, seu moço, pois de jegue não tinha nada afora teimosia; nem mulher macho, nem Paraíba, nem boca suja – ai, boca mais limpa e perfumosa! –, nem jararaca, nem desordeira, nem puxa-briga; se alguém assim lhe informou, ou quis lhe enganar ou não conheceu Tereza Batista. Tirana só em tratos de amor; como já disse e reafirmo, nasceu para amar e no amor era estrita. Por que então a chamaram de Tereza boa de briga? Pois, meu compadre exatamente por ser boa de briga, igual a ela não houve em valentia e altivez, nem coração tão de mel. Tinha aversão a badernas, nunca promoveu arruaças mas, decerto pelo sucedido em menina, não tolerava ver homem bater em mulher.”

TIETA



Do livro Tieta do Agreste (1977)

Fogosa e namoradeira, Tieta é expulsa de casa e da cidade quando sua irmã revela ao pai o que ela apronta na rua. A protagonista retorna a Santana do Agreste 25 anos depois, em condições bem diferentes: rica e influente na política, traz junto o progresso para o lugarejo no interior da Bahia. A família acredita que sua vida mudou graças ao casamento com um industrial de posses, mas com o tempo a verdade aparece – Tieta se reergueu graças ao trabalho como prostituta e cafetina em São Paulo.


"O homem a derruba sobre as folhas dos coqueiros, suspende-lhe a saia, arranca-lhe a calçola, trapo sujo. De joelhos sobre ela, enterra o chapéu na areia para que não voe e se perca, abre a braguilha. A menina o deixa fazer e quer que ele o faça."


VÍDEO ARQUIVO N  DA GLOBO NEWS, UM  BREVE E MARAVILHOSO DOCUMENTÁRIO COM  JORGE AMADO . 





FILME-  TIETA DO AGRESTE  BASEADO NO ROMANCE DE JORGE AMADO.





FILME DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS , BASEADO NO ROMANCE DE JORGE AMADO





FILME - GABRIELA CRAVO E CANELA, BASEADO NO ROMANCE DE JORGE AMADO




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