quarta-feira, 14 de agosto de 2013

NA GRAÇA E NO ENCANTO DA DANÇA INDIANA.



Movimentos exóticos, gestos vigorosos e uma profunda relação com o divino: descubra por que a dança indiana é muito mais do que uma expressão artística.


 Um meio exercitar-se, uma maneira de se divertir, uma ferramenta de sedução. No imaginário ocidental, a dança cumpre todos esses papéis. Porém, do outro lado do planeta, essa prática vai muito além do plano físico, pois é considerada como o caminho que leva ao divino. 

Para os hindus, a dança é capaz de transformar a personalidade do dançarino e levá-lo ao êxtase, o que faz com que ele amplie a compreensão sobre sua própria natureza. Na Índia, a dança sempre foi vista como uma forma de aflorar os sentimentos mais íntimos do homem, por isso é originalmente compreendida como uma das formas mais ancestrais de magia. “Para que um dançarino crie esse magnetismo e encante o público, ele precisa, primeiramente, encantar a si mesmo, dominando sua mente e seu corpo”. 



Embora uma antiga lenda hindu diga que a dança é uma dádiva do deus Brahma aos humanos, tal prática é tradicionalmente relacionada ao deus Shiva (também chamado de Senhor da Dança), a divindade mais popular da Índia. Em geral, ele aparece dançando ou em movimento no meio de uma roda de fogo – elemento da natureza ao qual está associado. Sua dança, denominada tandava, simboliza o eterno movimento do universo. Com o pé direito, Shiva esmaga a cabeça de uma figura bestial – a ignorância – e com o pé esquerdo faz um movimento ascendente, indicando a liberação espiritual.


Dança em louvor a Shiva , a peça se chama-se Dundubhi Natyam




 Dos templos aos palcos


Essa ligação intrínseca entre a dança e o divino confere à prática um caráter altamente sagrado. Retratando diferentes aspectos culturais do povo indiano, a dança é realizada como uma oferenda, como parte dos rituais religiosos diários ou como um importante gesto de devoção. “Um gesto da dança indiana mostra uma espiritualidade que não aparece em nenhuma outra forma de arte”.



Durante séculos, as apresentações de dança indiana foram restritas aos templos hindus, onde eram realizadas pelas maharis, ou servas de deus. Devotas do deus Shiva, elas eram oferecidas ainda meninas aos templos por seus pais, sendo consideradas esposas da divindade. De fato, elas se casavam com o Senhor da Dança em uma cerimônia semelhante ao casamento tradicional indiano.

No século 11, as maharis descobriram que podiam viver em melhores condições nas luxuosas casas da aristocracia em troca de favores sexuais aos membros das cortes. Com as esposas de deus transformadas em concubinas de sacerdotes, senhores feudais e reis, sua antiga dança foi banida da Índia e chegou muito perto de se perder no tempo.

Isso só não aconteceu porque, com a ausência das dançarinas, alguns meninos passaram a se apresentar como elas. “Graças a essa classe de jovens que se vestiam como meninas, os chamados gotipuas, a dança sobreviveu e pôde ser resgatada mais tarde”.

bailarina Rukimini Devi.

Mesmo assim foram necessários séculos e séculos para que essa arte voltasse a ganhar espaço – e respeito – no universo artístico do país. O movimento de resgate e reconstituição das danças clássicas indianas começou em 1936, sob o comando da bailarina Rukimini Devi.

Unida a um grupo de artistas interessados a fazer ressurgir o brilho dessa tradição, Rukimini baseou-se nos ensinamentos de velhos mestres e em um importante tratado de dança, música, teatro e literatura, o Natya Shastra – escrito por volta do século 1º a.C., pelo sábio Bharata Muni, para orientar os bailarinos indianos no renascimento dessa tradição.

A partir da compilação de inúmeras manifestações da dança indiana, surgiu o estilo conhecido como Bharata Natyam, hoje o mais popular no país. Seguindo os preceitos do sábio Bharata Muni, ele deixou de ser uma prática templária e ganhou os palcos da Índia.


Estilo - Bharata Nathyan 

O estilo mais popular De grande beleza visual e apelo espiritual, o bharata natyan é um dos estilos indianos mais praticados no Oriente e conhecidos no Ocidente. Considerada um meio de conectar o homem ao sagrado, mesmo nos dias de hoje não é iniciada sem que o bailarino peça permissão para a terra para bater com os pés no chão, saúde todos os deuses e ofereça flores a Brahma. 









Por ser uma expressão cultural que une diferentes formas de arte, essa prática também passou a despertar, no público, o prazer de contemplar a vida como uma totalidade. As raízes sagradas do Bharata Natyam surgiram há mais de dois mil anos e diz-se que é o estilo clássico mais fiel em relação às regras enunciadas no Natya Shastra. Simultaneamente, ele requer do praticante vigor e graça, equilíbrio e flexibilidade, além de grande perseverança e senso de ritmo. Saltos, giros e posturas de equilíbrio também compõem o exigente aparato técnico desse estilo.


Bailarino Natarani ,Ahmedabad


Conhecida como um dos berços da dança oriental, a Índia possui centenas de estilo folclóricos e sete clássicos, as quais são praticadas a partir de dois tipos fundamentais de manifestações: Nirita, dança puramente técnica que objetiva o prazer estético e é baseada nas belas esculturas dos templos e em difíceis padrões rítmicos; e Niritya, dança representada, também conhecida como Abhinaya, na qual o bailarino narra histórias mitológicas do panteão hindu, por meio de um rico gestual simbólico (mudras) e de um vasto sistema de codificação corporal.








COREÓGRAFO E BAILARINO , REVANTA SARABHAI
Revanta Sarabhai

Seja qual for o estilo, a dança indiana requer muita disciplina física e mental. Além do intenso treinamento, o bailarino deve dedicar-se à meditação, jejuar, evocar o sagrado e, acima de tudo, ser devoto a ele. A Padam é uma vitrine para as habilidades emotivas de um dançarino e sua imaginação para comunicar os pensamentos por trás da letra de uma canção, geralmente uma canção de amor.Como as letras se repetem, o bailarino interpreta-los em inúmeras formas. 
Este Padam foi criado para Revanta por Mallika Sarabhai, música composta por Jayan Nair e T. Palanivelu coreografado por Revanta Sarabhai, com a orientação de Mallika Sarabhai & Maheshwari Nagarajan .
Este desempenho foi gravado no Natarani, Ahmedabad, como parte do "Celebrando o mundo da dança" festival em março de 2012.





DANÇA CLÁSSICA INDIANA - KATHAK





Um comentário:

  1. "Quando eu almejo trazer luz a essas situações, a escuridão é automaticamente dissipada. Que hoje eu me lembre de trazer luz ao invés de lutar contra a escuridão."
    Brahma Kumaris/Que sincronia....
    Claudia Sampaio

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