quarta-feira, 21 de agosto de 2013

GANESHA - O GUARDIÃO DA SABEDORIA


Símbolo de superação, Ganesha é a divindade a quem os hindus recorrem para evocar sucesso em suas empreitadas.

Ganesha é o primeiro Deus a ser reverenciado em todos os rituais Hindus. Está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Ganesha é o Deus que remove todos os obstáculos, ele é o protetor de todos os seres. Ele também é o Deus do conhecimento. Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização. Sua figura revela um significado profundo e necessita ser desdobrada.

Quatro braços e cabeça de elefante. A aparência de um monstro não condiz com a bondade e graciosidade de Ganesha – o “senhor de todos os seres” – filho de Shiva, “a realidade suprema”, e da deusa da beleza, Parvati.

Ganesha é o deus removedor dos obstáculos, guardião do conhecimento, senhor da inteligência e da sabedoria. Segundo os hindus, quem segue seus ensinamentos alcança, em primeiro lugar, o equilíbrio. As demais graças – saúde, sucesso, prosperidade e riqueza – são consequências da sabedoria suprema.

A função de Ganesha é ser o escrivão dos céus. Na cultura hindu, é preciso recorrer primeiro a ele antes de orar para as outras divindades. Seus devotos também fazem preces ao deus antes de realizarem qualquer atividade do dia a dia – seja ela o início de uma aula, de um dia de trabalho ou uma viagem.

O motivo disso é a crença de que, rezando para Ganesha, a pessoa será capaz de superar uma obstáculo ou problema, por mais instransponível que ele pareça. Essa dádiva oferecida pelo deus torna seus seguidores ricos, seja espiritualmente, seja materialmente. “Os hindus acreditam piamente na força de Ganesha, por isso apelam ao deus constantemente, sobretudo em certas datas do calendário deles”, diz o teólogo José Murilo Haidar, um estudioso das culturas orientais.

O ano religioso dos hindus segue o ciclo lunar. Os meses são divididos de acordo com as fases da lua. A metade luminosa – para nós, lua crescente e cheia – traz energia positiva. Na fase obscura, lua minguante e nova, as possibilidades de fracasso aumentam. Nessa fase, as orações à Ganesha são feitas com mais ardor.

Não por acaso, a fase luminosa do mês é conhecida como “fase de Ganesha”, um período indicado para o início de novos projetos. 



A lenda de Ganesha:

O deus Shiva tinha muitas esposas. Uma delas destacava-se pela beleza: Parvati. Apaixonada por Shiva, era uma mulher extremamente devotada. O deus, por sua vez, retribuía a afeição.

Por ela, Shiva deixava, inclusive, de se entregar a um de seus maiores prazeres: viajar. Ele gostava das montanhas, especialmente as inacessíveis para pessoas comuns, aonde ia montado em sua vaca branca Nandi.

Nesses lugares, o deus chegava a atingir estados meditativos superiores. Quando isso ocorria, nem terremotos eram capazes de despertá-lo.

Embora sentisse falta das viagens, seu amor por Parvati o impelia a ficar com ela. Percebendo isso, Parvati o incentivou a viajar novamente. Shiva, então, concordou com a idéia e partiu. Ao sair, ele não sabia, porém, que Parvati esperava um filho seu.

Anos depois, quando finalmente levantou de sua posição de lótus, Shiva retornou. Parvati havia realizado uma transformação na casa. Ele não só estranhou a casa, como o rapaz que estava na propriedade.

Impaciente e desnorteado, de forma rude, Shiva ordenou ao rapaz que abrisse o portão. O garoto não o fez e, diante da insistência de Shiva – e sem saber que o homem era o seu pai – sacou a espada. Em fúria, Shiva despertou seu terceiro olho e, em segundos, o rapaz foi decapitado.

Ao ouvir gritos, Parvati correu e viu a pior cena de sua vida. Aos prantos, ela abraçou o corpo do filho e descarregou sua dor contra Shiva que, ao se dar conta do que aconteceu, foi acometido por tristeza e desespero profundos.

Para reparar seu erro, o deus teve a idéia de capturar o primeiro animal que encontrasse e colocar sua cabeça no corpo do filho para trazê-lo de volta à vida. Encontrou um elefante bebê e realizou a troca. De volta à vida, o rapaz, que até então se chamava Ganapati, passou a ser conhecido como Ganesha.


Insatisfeita com a aparência do filho, Parvati pediu ao deus Brahma que desse ao menino outra aparência. Para satisfazê-la, Brahma determinou, então, que Ganesha se tornasse o deus da sabedoria.

Significado de sua origem:

Como todas as lendas encerram dentro de si um significado maior, vamos desdobrar a simbologia da história de Ganesha. Primeiro conta os Puranas que Ganesha tem um corpo físico “criado” por Parvati, símbolo da matéria perecível, ou seja que é humano. Mostra que ele não conhece o pai - Shiva, a realidade Suprema. Quando Parvati solicita sua proteção ele a obedece incondicionalmente (cuida a matéria, é apegado a ela). Quando seu pai chega, luta com ele (não quer perder a individualidade) não o reconhece, mas luta com bravura, quer cumprir o seu dever. O pai admira sua coragem, mas não podendo deixá-lo vencer, corta a sua cabeça (ego, mente, arrogância) e ele morre. Parvati zangada com a morte do filho mostra a matéria não querendo perder seu “nome e forma”. Shiva coloca uma nova cabeça no filho que renasce pelas mãos de Shiva, nasce do supremo. Parvati ficando contente com as promessas de Shiva de que seu filho será reverenciado no início de todos os rituais e cerimônias e, antes de qualquer empreendimento mostra que a perda da individualidade é o ganho do absoluto, da plenitude. O sábio vence todos os desafios, luta com bravura, remove todos os obstáculos e depois morre, perde a cabeça para ganhar uma nova dada por Shiva, o absoluto.

Simbologia:


Ganesha tem uma enorme cabeça de elefante, imensa para um corpo de menino indicando sua capacidade intelectual e a firme dedicação ao estudo das escrituras. Ganesha é o Sábio. Ganesha tem na fronte o Vibhuti e um pequeno tridente indicando que é filho de Shiva - o Senhor da disciplina e da aniquilação da ignorância, indica também, que o sábio tem sempre em mente o Ser Supremo.

As enormes orelhas e a cabeça de elefante representam os dois primeiros passos para a auto realização - “Sravanam”, escutar o ensinamento e “Mananam”, refletir sobre ele. A tromba representa “Viveka”, a capacidade de discriminação entre Nitya, o eterno e ilimitado, e Anitya, o não eterno. O intelecto do homem comum está sempre preso entre os pares de opostos (as presas), o Sábio não é mais afetado por esses pares de opostos (frio-calor, prazer-dor, alegria-tristeza,etc) tendo atingido um estado de equanimidade , representado por uma das presas quebrada. O Sábio nunca esquece sua verdadeira natureza (memória de elefante).

A barriga enorme representa sua capacidade de engolir, digerir e assimilar todos os obstáculos, assim como o ensinamento escutado. O ratinho que fica aos seus pés simboliza o Ego e seus desejos com sua voracidade e cobiça, freqüentemente roubando mais do que pode comer e estocando mais do que pode lembrar. O Sábio tem o desejo sob total controle, por isso o ratinho olha para cima e aguarda sua permissão para comer os objetos dos sentidos. No dia de Ganesha é aconselhavel não olhar para a lua, pois conta os puranas que a lua riu de Ganesha voando pelo céu em seu veículo o ratinho(corpo). A lua representa o ignorante rindo do sábio. Esta imagem representa o Sábio tentando passar sua sabedoria infinita através de seus equipamentos finitos(corpo e mente).
Ganesha possui quatro braços que são utilizados na ação de destruir os obstáculos:




A mão superior direita carrega uma machadinha - Ishvara na forma de Ganesha (senhor dos obstáculos) decepa os apegos aos objetos como fonte de felicidade e a falsa identificação com o corpo , elimina os obstáculos para que possamos ter uma mente tranqüila e possibilitar o conhecimento.

A mão superior esquerda leva um laço e ou um lotus - Com o laço ele prende a atenção na verdade, na realidade suprema, ou seja no Eu absoluto. O Lotus é a natureza pura, absoluta e imaculada.

A mão inferior direita abençoa com Abhãya Mudrã - Estra mudrã abençoa com prosperidade e destemor. Freqüentemente encontramos um Japa-mala, mostrando que esta prosperidade está na forma de Japa (repetição de um mantra) a mais eficaz técnica de preparação da mente.

A mão inferior esquerda oferece Modaka - Modaka é um doce de leite e arroz tostado que representa a satisfação, a plenitude que se alcança com um caminho de disciplina e auto conhecimento.




Cabeça: sabedoria, inteligência, ponderação; a importância dos pensamentos grandiosos. Na sua testa, o tridente de Shiva simboliza força em relação ao tempo-espaço.

Orelhas: concedem o poder para ouvir a verdade espiritual (e também o menor ruído, o que funciona como proteção.

Olhos: concentração.

Presa: indica sua vida dupla: metade humana, metade animal. Isso ajuda a superar qualquer dificuldade.

Boca: fale pouco e com sabedoria.

Barriga: proeminente, expressa os bons e maus momentos que todos passam na vida, mas, de modo geral, representa a prosperidade.

Mão esquerda: segura uma corda - faz com que atraia seus objetivos.

Mão direita: palma visível (simboliza a proteção suprema) ou pode segurar uma machadinha (símbolo da destruição dos desejos).

Pernas: esteja no mundo, mas não se deixe corromper por ele.

Tromba: símbolo da eficiência e adaptabilidade (e da fertilidade).

Rato: astúcia e a força de vontade (para controlar os desejos).

Para evocar Ganesha
Cores: amarelo, laranja, vermelho
Dia da semana: quarta-feira
Oferendas: arroz, frutas, goiabada, mel, queijo (moedas e flores)



Ganeshotsav



O festival, também conhecido como Ganeshotsav ("festival de Ganesha") é observado no Hindu mês de Bhaadrapada, a partir da shukla chaturthi (quarto dia do período de lua crescente). A data geralmente cai entre 19 de agosto e 15 de setembro. O festival tem a duração de 10 dias, terminando em Anant Chaturdashi (décimo quarto dia do período de lua crescente). Embora comemorado por toda a Índia, é mais elaborada em Maharashtra, Andhra Pradesh, Karnataka e Goa. Fora da Índia, é comemorado amplamente no Nepal e pelos hindus, nos Estados Unidos, Canadá, Ilhas Maurícias, Singapura, Tailândia, Camboja, Birmânia e Fiji.











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