sábado, 20 de julho de 2013

CIVILIZAÇÃO INCA - UM IMPÉRIO PERPETUADO




Para entendermos um pouco da civilização INCA que foi uma das mais complexas e poderosas da humanidade, precisamos voltar no tempo e conhecer sua historia. A civilização Inca é um dos troncos de sabedoria planetária, que demonstra seu esplendor silenciosamente através dos séculos por meio de sua arquitetura, sua arte e ciência.

Situado em uma área compreendendo as regiões da Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Peru, o Império Inca compôs uma grande civilização que chegou a ter quinze milhões de integrantes. Segundo alguns estudos, os incas atingiram essa marca impressionante no curto prazo de duas décadas. Composta majoritariamente por índios da etnia quíchua, a civilização inca se formou inicialmente em torno da região da cidade peruana de Cuzco.


A partir do século XIII, depois do colapso de seu reino, o povoado de Taypiqala começou a reestabelecer-se no vale do rio Huatanay, organizando-se através de um processo que deu origem à fundação do Estado de Cuzco, que teve como seu primeiro governador, o Inca Manco Cápac. Atribue-se a ele a unificação das tribos pré-incaicas dispersadas na região de Cuzco (que ao reunirem-se formaram a dinastia dos Urin Cuzco) e a expulsão das populações inimigas. No século XIV, a sucessão dos governos incas estreitou os vínculos entre as chefias tribais subordinadas à Cuzco, entrelaçando os interesses e necessidades de cada um, com base num sistema de reciprocidade entre o estado inca e seus participantes.


MITOS E DITOS

A mitologia inca diz que o sol enviou seu filho, Manco Capac e Mama Ocllo, filha da lua, sua mulher e irmã, para uma Terra caótica e escura. Eles chegaram erguendo-se das águas do lago Titicaca e, em busca de um lugar para estabelecer seu reino, seguiram em direção noroeste, até o vale do rio Huatanay. Ali, Manco revirou a terra com seu cajado, encontrou solo espesso e fértil e chamou o local de Cuzco ("umbigo do mundo"). A cidade se tornou o centro do poder, da religião e da cultura inca.


Por volta do século XV os incas estabeleceram um processo de expansão territorial que buscou os planaltos encravados entre as montanhas andinas e as planícies do litoral Pacífico. Sob a tutela do imperador Pachacuti Yupanqui, outras populações foram militarmente subordinadas ao poderio inca. Com isso, a civilização passou a tomar a feição de um grande império. O início de Tahuantinsuyo, o maior estado da América do Sul pré-colonizada, foi fruto da vitória das etnias de Cuzco, atual Peru, sobre os estados chancas, durante os conflitos de 1438. O Inca Pachacútec dividiu o território em quatro regiões ou suyus, ao fundar o Tahuantinsuyo, que em quéchua significa as quatro divisões, o que deu origem ao modelo imperial em que se baseou o estado Inca.


O período de máxima expansão do Império Inca ocorre a partir do ano 1450 quando chegou a cobrir a região andina do Equador ao centro do Chile, com mais de 3000 quilômetros de extensão.

Ao contrário do que muitos pensam, o termo inca não era utilizado pelos integrantes do império para se definirem como pertencentes a tal povo. A expressão inca era exclusivamente empregada por uma elite que dominava politicamente o território. Para a grande parte da população, o termo inca – que na língua quícha significa “filho do sol” – só era empregado para designar o imperador.

“O Inca” era a mais importante autoridade política entre o povo inca. Venerado como o descendente do deus-sol Inti Raymi, o imperador era o principal guardião de todos os bens pertencentes ao Estado, incluindo a propriedade das terras. Os terrenos cultiváveis eram divididos em três parcelas distintas: a terra do Inca, destinada ao rei e seus familiares; a terra do deus-sol, controlada pelos sacerdotes; e a terra da população.

Para formarem tão vasto império, os incas contaram com a confluência de vários povos que anteriormente ocuparam toda essa região. A organização do governo imperial se deu a partir de uma série de vitórias militares capaz de subjulgar outros povos. O imperador inca era considerado um descendente do sol e, mediante essa condição divina, era o grande responsável pela criação das leis.

Para sustentar a elite do Estado, o governo inca contava com a produção agrícola dos ayllus, comunidades camponesas espalhadas por todo o território. Sendo o território andino marcado por vários acidentes geográficos, os incas tiveram que construir uma extensa malha de estradas com mais de quinze mil quilômetros. Além de escoar a produção agrícola, tais estradas foram de grande importância para o comércio e o trânsito de informações.

A religiosidade dos incas era marcada pela adoração de vários elementos da natureza, como o sol, a lua, o raio e a terra. No sistema de valores da religião inca, todos os benefícios alcançados deveriam ser retribuídos com algum tipo de sacrifício que expressava a gratidão dos homens. Por esse fato, observamos que os incas organizavam vários rituais onde os sacrifícios, inclusive de humanos, eram comuns.

Dentre os mistérios desse povo, o que se consegue se descobrir é muito mais do que uma simples civilização bem organizada de forma social, hierárquica e econômica. Sua sabedoria transcende séculos e culturas.



A devoção às divindades, exemplificadas pelos inúmeros templos e os rituais sagrados, marcam a divisão de uma crença entre o bem e o mal, sendo o bem representado por tudo aquilo que era importante para o homem na época, em decorrência da agricultura, como a chuva e a luz do sol, e o mal, presente nas forças negativas, como a seca e a guerra.

Os incas acreditavam que as entidades divinas viviam na natureza, considerando as montanhas, as rochas e os riachos como lugares sagrados. Além disso, acreditavam que estes objetos naturais possuíam alma, aos quais dedicavam oferendas e sacrifícios.

A trilogia andina é baseada em três animais sagrados que estão associados aos níveis espirituais, sendo o Cóndor, o guardião do mundo de cima, do macrocosmo, representa a visão com amplitude, à elevação espiritual; o Puma, guardião do mundo dos homens, o real, representa a coragem, a força e está ligado ao trabalho; e por último, a Serpente, guardiã do mundo dos mortos, da terra em sua essência, representa a sabedoria e está ligada ao amor.

Para os incas, e talvez para todos nós, é o conjunto de forças e características de cada mundo que deve estar presente na vida do homem para a contemplação do equilíbrio, da sabedoria, do desenvolvimento, do amor e da elevação.

A mitologia e religião do povo Inca está apresentado ao mundo pelos olhos de, principalmente, Gracilaso de La Vega (1539-1616), um mestiço, filho de um conquistador espanhol com uma princesa Inca, em cuja obra observa-se o prisma católico-europeu, repleto de conceitos e qualificativos usados para descrever culturas pagãs.

Não obstante, a precisão matemática das associações realizadas frente as forças e manifestações da Natureza demonstram o profundo conhecimento que possuíam da natureza e dinâmica psíquica do Homem.
Para interligar as cidades que integravam o Império Inca, uma série de estradas em pedra foi construída com o objetivo de facilitar a comunicação e o deslocamento entre as pessoas. Vale ressaltar que as cidades incas contavam com vários projetos arquitetônicos complexos que incluíam a construção de palácios, fortalezas, e templos com dimensões surpreendentes.

No século XVI, momento que marca a chegada dos espanhóis à América, a civilização inca sofria com uma série de conflitos de ordem interna. Aproveitando dessa instabilidade, os colonizadores europeus empreenderam um violento processo de dominação.


Um dos colonizadores que tiveram grande papel nesse processo de dominação dos incas foi Francisco Pizarro. Ao entrar em contato com os incas, Pizarro estabeleceu uma série de alianças militares com povos locais que rivalizavam com o império. Iniciado em 1532, o processo de conquista se encerrou em 1572 com a prisão e morte de Tupac Amaru, o último imperador inca.

Viracocha

Quando adentramos na parte da sabedoria Inca que trata do conhecimento da dinâmica psíquica do Homem nos assombramos ao contemplar o significado antropológico que guarda o Deus Viracocha.
Os princípios cósmicos associados a esta divindade demonstram o profundo conhecimento por parte de povo Inca acerca da formação do homem autêntico auto-criado e da gênese psíquica humana.
Viracocha é o Deus que surge das profundezas do lago Titicaca, das imensas águas da vida Inca, à semelhança do Salvo das Águas do antigo testamento, para criar o Sol, à Lua e às estrelas.
As demais manifestações divinas de Viracocha nos conduzem a apreensão de sua Natureza, forças manifestas apenas nos estados mais elevados da consciência Humana.

Viracocha é: Callya, o sempre presente; Pachayachachic, o instrutor do mundo; Illa, a luz; e Tici, o início, ou melhor, o iniciador.
Pachayachachic, o instrutor do mundo, nos remete às manifestações mitológicas já expressas em outras culturas de elevado conhecimento da Natureza Humana como o Prometeu grego, quem rouba o fogo dos deuses e entrega-o aos homens e Osiris, quem instrui o povo Egípicio nos mais distintos ofícios.
Illa, a luz, que no mundo das formas permite enxergar as realidades das coisas e no mundo psíquico permite-nos enxergar e dirigir as forças que governam o Homem. Sabiamente declara Samael Aun Weor, “… luz e consciência são no fundo o mesmo fenômeno… luz e consciência obedecem as mesmas leis crescendo e minguando exatamente da mesma forma… o que distingue os Homens uns dos outros é o seu grau de consciência. O que distingue os sois é seu grau de radiação”.


Callya, por sua vez, indica que é esta a força que mais conhece o Homem, pois o acompanha, está “sempre presente” em cada pensamento, sentimento e ação, instruindo-o na ciência que deve extrair do mundo torna-se o iniciador na sabedoria dos mistérios do próprio homem.
Huiracocha é ainda alegorizado com lágrimas, o que torna mais ainda assombrosa a semelhança em conteúdo Antropológico e forma à Prometeu, que se vê sendo devorado em seu fígado diariamente, sofrendo o indizível devido às debilidades humanas.
Jamais uma cultura reuniria casualmente, com tal precisão matemática tais forças a uma divindade. Em Huiracocha estão evidentes os princípios que propulsionam a gênese psíquica humana, o domínio da Natureza Inferior e florescência da superior.

Em um período de busca de conexão entre o nosso interior e as energias sagradas da Mãe Terra, geradora e nutridora da vida, os povos andinos mantêm uma tradição muito viva e peculiar, mostrando-nos que é possível estabelecer uma relação direta com as forças naturais e os diversos mundos que nos rodeiam.
Será que os ensinamentos ancestrais vivem na forma de arquétipos que remontamos nos dias atuais, algo metafórico, mítico, do passado, distante de nossa realidade? Em um período de busca de conexão entre o nosso interior e as energias sagradas da Mãe Terra, geradora e nutridora da vida, os povos andinos mantêm uma tradição muito viva e peculiar, mostrando-nos que é possível estabelecer uma relação direta com as forças naturais e os diversos mundos que nos rodeiam.




Cosmovisão Inca

Na parte religiosa, os incas incorporaram deuses e práticas de vários povos conquistados. Seus rituais e crenças eram, e ainda são, derivados do ciclo agrícola. Ao deus solar Inti era dedicada a maioria das construções, como o Qoricancha em Cuzco. Algumas outras divindades importantes eram Pachamama (Mãe Terra), Mama Quilla (a Lua), Wiraqocha (deus criador).

Outras dimensões e energias em movimento

Os incas compreendiam o mundo de uma forma tripartida, ou seja, existiam três dimensões: Hanan Pacha (céu), Kaypacha (terra) e Ukupacha (subsolo). Na cosmovisão andina as energias masculinas e femininas eram essenciais no equilíbrio do universo trazendo a fertilidade e a criação. Em suas antigas construções, como em Qenqo, ainda encontram-se símbolos em pedra representando o falo e o órgão feminino. A vida após a morte também era crença inca e construíam grandes monumentos funerários e tumbas. Múmias foram encontradas em posição fetal, tendo sido cobertas por finos tecidos coloridos, cordas, ou dentro de grandes vasos de cerâmica nas profundezas da terra e das montanhas. Os sacrifícios animais e humanos eram práticas comuns aos incas. Mas necessitamos compreender isso dentro de sua época e contexto, pois para aqueles que eram sacrificados em nome do divino, isto exigia um período de preparação e significava uma honra. Ainda hoje existem resquícios dessas práticas como o Inti Rayimi, Festival do Sol.

Compartilhando espaço com protetores e energias sutis

Os andinos têm o protetor de seus lares, chamado de "kunturmamani", que é o espírito responsável por cuidar da família e das casas, e também as "madres tierras", que são espíritos femininos que cuidam dos lugares públicos, como praças e ruas. A eles também se rende culto e oferendas.


Ver com os olhos da alma

Há quem pense que toda essa mística está distante de nós, mas cada um de nós tem em sua casa seu kunturmamani, na sua rua a sua mamacita tierra, e seus "papitos", como carinhosamente chamam os andinos aos grandes cerros locais. Eles estão muito próximos, muito vivos, e não necessitamos viajar tão longe para fazermos nossa conexão com essa cadeia viva de energias que pode estar muito próxima de nós. Não importando a zona geográfica em que possamos estar localizados, somos todos filhos da Grande Mãe Terra, Pachamama.
Para finalizar, lembremos que segundo nossos irmãos andinos Q'eros, as portas entre os mundos estão novamente se abrindo e este é um momento propício à exploração de todas nossas capacidades humanas. Recobrar a nossa natureza luminosa é hoje uma possibilidade para todos aqueles que se atrevem a dar um salto em suas vidas. Talvez não recebamos exatamente o que desejamos, mas certamente receberemos o que realmente precisamos.

Os incas nos deixam três fundamentais ensinamentos, traduzidos nas palavras em quéchua: Munay: amor. Yankay: trabalho. Yachay: sabedoria. Que aprendamos com os rios, com as montanhas, com as árvores, com os animais. Que aprendamos a ver com os olhos da alma, nos comprometendo com o essencial. Que nossas vidas sejam repletas de abundância, reciprocidade, amor, trabalho e sabedoria.

MACHU PICCHU

Machu Picchu (em quíchua Machu Pikchu, "velha montanha") também chamada "cidade perdida dos Incas", é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Peru. Foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca. Descoberta em 24 julho de 1911 pelo Norte-americano chamado Hiram Bingham , Machu Picchu foi considerada, por sua magnificência uma construção surpreendente e harmoniosa, como um dos monumentos arquitetônicos e arqueológicos mais importantes no planeta.

Machu Picchu é um lugar único no mundo. Sua história mistura o real e o imaginário, fazendo com que cada pessoa tenha sua própria interpretação dos fatos que cercam essa misteriosa Cidade Perdida. Algumas pessoas acreditam enxergar o rosto de um Inca, talhado em suas montanhas.

Patrimônio Cultural da Humanidade foi toda construída com pedras enormes, encaixadas perfeitamente sem o auxílio de cimento ou de barro. A disposição dos prédios, a excelência do trabalho e o grande número de terraços para agricultura são impressionantes, destacando a grande capacidade daquela sociedade. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias. Segundo a história inca, tudo planejado para a passagem do deus sol.

Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, e a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque.




A HERANÇA QUICHUA (QUECHUA)



O povo Quíchua , também conhecido como Quéchua, constituem uma população bastante numerosa, habitando principalmente o Peru. Distribuem-se pela região andina, especialmente no Peru, na Bolívia, Argentina e Chile.
Os quíchuas (quéchuas) representam o povo indígena sul americano, de raça andina que ajudou a fundar nos altiplanos do Peru e da Bolívia, o império dos incas. Atualmente, os quíchuas perderam a antiga proeminência, conservando-se como simples agricultores e pastores, vivendo em condições quase de miserabilidade. 
A maioria do povo possui traços indígenas com pele morena e cabelos e olhos escuros. Grande parte é de origem humilde e com baixo nível de escolaridade. Mas são dotados de uma cultura popular muito rica e milenar.



Procuram preservar  sua rica cultura ancestral e o meio ambiente, ensinando suas crianças a importância da preservação da terra para sua sobrevivência e conexão com o sagrado.

A exemplo das escolas iniciáticas de um passado, a sabedoria INCA permanece latente em cada rocha, lago, planta e animal do seio de terra, pronta para ser encarnada por homens e mulheres que estejam integrados com sua sabedoria infinita.



RECOMENDAMOS ESSES MARAVILHOSOS VÍDEOS QUE ENCONTRAMOS EM MEIO AS NOSSAS PESQUISAS !  CONFIRAM:

"CIVILIZAÇÕES PERDIDAS - INCAS "





SOBREVOANDO  MACHU PICCHU 
( muito legal !!! )

3 comentários:

  1. Este blog é o melhor para pesquisas tanto para saber mais sobre as sociedades dos incas, quanto para trabalhos de escolas.

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  2. Gratidão pela leveza e profundidade da abordagem sobre a história Inca, acabei de retornar de Cuzco e estou maravilhado !!!

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