sábado, 9 de março de 2013

SILÊNCIO - por Anthony Strano


Silêncio - Por Anthony Strano



Quando o silêncio é profundo, transbordando de plenitude, quando já não resta nenhum desejo de som, quando há total concentração no divino, então, o pensamento, como uma flecha, atinge e funde-se com o alvo; lá, a alma humana não tem apenas um vislumbre de Deus, ela é absorvida pela pureza desse ser (de uma forma total, completa e absoluta).
Preenchida com a luz pura que agora se tornou seu ser, a alma irradia essa energia como paz e amor pelos outros; um farol vivo. 
O silêncio é a ponte de comunicação entre o Divino e o divino que há no ser humano. O silêncio é o lugar onde eu encontro aquilo que há de mais precioso. 
O silêncio espiritual é a posição em que  o coração e a mente encontram-se em prontidão para a comunicação com Deus. Não é uma comunicação  baseada em palavras repetitivas, nem em teorias intelectuais nem em pedir a satisfação de desejos limitados.

A comunicação sagrada é a harmonização do der original do ser com ser  Eterno.




O silêncio espiritual me dá a energia pura e altruísta da Fonte Criadora, para sair do casulo da poeira e da rotina, abrindo os horizontes ilimitados de uma nova visão.
Para me liberar da negatividade, preciso de silêncio. Absorto nas profundezas, eu me renovo. Nessa renovação, a mente fica limpa, facilitando uma percepção diferente da realidade.

A percepção mais profunda de todas é a minha própria eternidade. O ato de silêncio é tão necessário para viver, quanto a respiração o é para a vida física. A força para viver precisa encontrar um ponto de tranquilidade a partir do qual eu começo e para o qual eu retorno todos os dias: um oásis de paz interior. O silêncio leva minha energia mental e emocional para um ponto de concentração, no qual posso ficar tranquilo.

Sem essa tranquilidade interior, transformo-me numa marionete, puxada para lá e para cá por muitos cordões das influências externas diferentes. Esse ponto interno de tranquilidade é a semente da autonomia, que corta os cordões, e então interrompe a perda de energia.

O silêncio cura. O silêncio é como um espelho. Tudo é limpo. O espelho não culpa nem critica, mas me ajuda a ver as coisas como são, oferecendo um diagnóstico que me libera de todos os tipos de pensamentos errados.

Como o silêncio faz isso? O silêncio renova a paz original do “eu”; uma paz que é inata, divina e, quando invocada, flui através do próprio ser, harmonizando e curando cada desequilíbrio. O silêncio é preenchido e preenche; gentil, poderosa e consistentemente ativo. 

Para criar silêncio, dou um passo para dentro. Conecto-me com o meu “eu” eterno, a alma. Nesse espaço de perfeita tranquilidade, como em um ventre eterno, o processo de renovação e reestruturação começa. Lá, um novo padrão de energia pura é tecido. 


Nesse espaço introspectivo, eu reflito. Lembro-me do que foi esquecido há muito tempo. Concentro-me vagarosamente e gentilmente e, ao fazer isso, aquelas marcas espirituais originais de amor, verdade e paz emergem e são sentidas como realidades pessoais e eternas. Através disso, a qualidade começa a entrar na vida.

A qualidade é a proximidade com algo mais puro e mais verdadeiro em nós mesmos. A qualidade é o princípio para um pensamento mais iluminado e para a integridade da ação. Nesse espaço, o silêncio me ensina a escutar, a desenvolver uma abertura em relação ao Universo. 
Escutar me leva à minha posição correta, abrindo o canal de receptividade. A receptividade me alinha com a realidade da LUZ; um alinhamento muito necessário, se eu quiser conhecer verdadeiramente e me unir a Ela. 

Para a receptividade, devo me limpar de mim mesmo. Devo ficar limpo, desnudado, simples, despido de artificialidade, então, a comunicação genuína começa. Ao ouvir, recebo. Ao receber, sinto e reflito, entrando gradualmente na concentração. A concentração é quando estou completamente
absorto num pensamento. Onde há amor, a concentração é natural e constante, como a chama parada de uma vela irradiando sua aura de luz. O pensamento no qual estou absorto se torna o próprio mundo. Quando a mente humana está absorta no pensamento divino, a pessoa se sente ressuscitada; a harmonia de reconciliação é profundamente sentida. Nessa conexão silenciosa de amor, a pessoa se torna plenamente reconciliada, não como um processo intelectual, mas como um estado do ser.
Eu desperto..

Esse despertar é o lugar onde estou completamente consciente da Verdade. Simultaneamente, torno-me consciente das ilusões em mim e ao meu redor, e do esforço necessário para removê-las. Esse despertar me permite responder e receber o que eu não perceberia normalmente, em níveis naturais ou sobrenaturais. No despertar, nesse estado elevado de conhecimento, uma pessoa se espiritualiza; ele ou ela se torna um ser mais verdadeiro.

Dentro do silêncio, os raios sutis invisíveis de pensamento concentrado se encontram com a LUZ – esse é o poder do silêncio; isso é frequentemente chamado de meditação. O som não pode atingir esse encontro com o divino. O som só pode louvar e glorificar, através da música e do canto, a proximidade da união com todo universo; mas não pode criá-lo.
Somente o silêncio cria a experiência prática da unidade. 


O silêncio concentrado é o foco sem palavras da atenção pura em Tudo que há. O amor torna o foco fácil e constante, preenchido.

Essa proximidade do “eu” com o Supremo inevitavelmente inspira o desejo para a mudança em si; inspiração para melhorar-se, para tornar-se digno ao preencher o potencial original e, na medida do possível, compartilhar os frutos do potencial realizado com os outros. Essa partilha não é alcançada através de dizer muito, mas ao invés disso, através da integridade do exemplo pessoal. 

No silêncio, a orientação mais profunda da consciência é o desejo de atingir a perfeição pessoal. Esse desejo é um resultado do fluxo divino de energia entrando na consciência humana e inspirando a crença no valor de si mesmo.
A perfeição pessoal é aceita como possível. É a fé doada pela FONTE como um presente para a alma. A possibilidade da perfeição é aceita porque a alma sabe que não está só em seus esforços, ela tem constantemente o suporte do Amor Divino para chegar à sua meta.

Nessa conexão com o universo, a alma se preenche e se sente completa; ela encontrou o que estava procurando. O amor divino trabalha especialmente através do silêncio; a alma é desperta de seu sono da ignorância e recebe nova vida, como na história da Bela Adormecida. A alma é a Bela Adormecida, Deus é o príncipe e a ignorância é a bruxa que lança o feitiço do sono sobre a princesa. O amor de Deus pela alma é tal que ele não é obscurecido por nenhuma escuridão ou barreira, mas atinge a alma para despertá-la, trazendo-a de volta à vida, de volta à realidade. O amor quebra o feitiço de ferro.

É através do Amor que eu, como alma, sou despertado e reconheço minha eternidade.
Minha realidade é muito mais do que minha aparência material. Minha eternidade é minha realidade. Essa é a verdade de minha existência. 
Em grego, a palavra para verdade é alithea, que significa “para não esquecer”.
O ser humano está sob um esquecimento muito profundo; uma amnésia do espírito. Eu não posso atingir o estado desperto, o estado verdadeiro de mim mesmo com minhas próprias habilidades de intelecto. O alcance da Verdade não é uma questão de intelecto.

Eu só posso despertar quando a LUZ me ajudar a me lembrar. Recordar é o verdadeiro conhecimento;  é a Verdade. 


Para alcançar a mudança interior, o silêncio tem de ser preenchido com amor, não apenas com paz. Muitos pensam que é suficiente apenas experimentar paz no silêncio da meditação para atingir a transformação da consciência. A paz estabiliza; a paz harmoniza e silencia gentilmente. A paz coloca a fundação.

Contudo, o amor inspira ativamente; o amor move o universo. O amor move todas as coisas em direção à sua liberdade e felicidade originais.

Ambos, paz e amor, são necessários e sua forma arquetípica vem da LUZ, a Fonte Universal e Imutável. É esse silêncio pleno de Deus que restaura um ser humano e a terra para seu estado original. No silêncio, nós realizamos que não é apenas um retorno às raízes; mas, até mais, é um retorno à Semente, ao Início; é um retorno para Deus, um retorno para mim mesmo, um retorno para um relacionamento perfeito.




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