quarta-feira, 27 de março de 2013

A CONEXÃO COM O DIVINO




A CONEXÃO COM O DIVINO 


Quem sabe estejam certas as palavras do escritor e ocultista francês Eliphas Levi. 
Dizia ele: “A ciência sem a fé conduz a dúvida; a fé sem a ciência conduz a superstição. 
As duas reunidas dão a certeza e para uni-las não se deve jamais confundi-las”. 
E parece que as descobertas feitas atualmente pela humanidade vem apenas confirmar esse pensamento.

O surgimento da física quântica abriu caminho para que a ciência e a espiritualidade se relacionassem. Isso tem trazido resultados surpreendentes, que conseguem demonstrar fatos subjetivos até então inexplicáveis e inaceitáveis pelo pensamento científico tradicional, como a conexão entre o humano e o Divino. 
No texto de hoje, atribuído a Leonardo Boff, pode-se perceber como essa realidade, certamente, contribuirá para o desenvolvimento da espiritualização no ser humano. 

Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. 
Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. 
A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. 
É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.
A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). 

Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos), mas é emoção (pathos). 
Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. 
Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros. 
A terceira é a inteligência espiritual. 
A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). 
Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, ideias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. 
Ela nos torna sensível a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais. 
Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. 
Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente, mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40herz. 
Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ”o ponto Deus”. 

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre esteve lá embora não perceptível conscientemente. 
A existência desse ”ponto Deus” representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie humana. Ela constitui uma referência de sentido para a nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. 
Antes, as religiões são uma das expressões desse ”ponto Deus”. 

Graças à infinita inteligência cósmica.

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