sábado, 16 de fevereiro de 2013

MEDITANDO - POR BETA MAIA






Adoro a meditação. 
Esse é um tema debatido a exaustão, são diversas propostas e técnicas, algumas muitas vezes antagônicas. Mas gostaria de compartilhar meu olhar sobre a meditação.

Nem por um momento me passa pela cabeça ensinar a meditar. Seria algo tão descabido como ensinar a se apaixonar. Meditação não se ensina, se pratica e pronto. 

Algumas linhagens podem ensinar a postura, a posição das pernas, braços, cabeça, a respiração, os mantras, cânticos, koans; mas como sou adepta da liberdade do “faça você mesmo”, prefiro dividir a forma como entendo meditação.

Meditar é estar presente no presente. Todo o resto, você usa como um farol para voltar ao presente. Se você medita seguindo sua respiração, cada vez que a mente se perde em devaneios, você retoma o farol (respiração) para encontrar o caminho de volta, ao momento presente. Nossa única intenção naquele momento é ficar absolutamente atento a tudo o que ocorre conosco (interior e exterior) durante a meditação.

Ter controle sobre a mente é um desafio. Em geral, estamos relembrando o passado, com saudades e frustração. Ou planejando o futuro, antecipando acontecimentos ou imaginando possibilidades. Nunca estamos no momento presente! Mas meditar é focar toda sua atenção no momento presente, no que está acontecendo agora. Nada se sair por ai, viajando (sem sair do lugar) na máquina do tempo.

Esse é o grande desafio da meditação, se manter no aqui e agora. Ao meditar, você pratica a perseverança e a paciência.

Para mim, a meditação está longe do topor da sonolência. Nada de entrar em “alpha”, se desligar do mundo e não sentir o tempo passar. No meu olhar, meditar é estar “ligada”. 

Eu literalmente me sinto acesa, sinto um fluxo de energia percorrendo meu corpo, que me conecta com tudo no meu interior. As vezes, fico com medo de respirar e perder aquela conexão maravilhosa, um estado de total alerta.

Além dos diversos tipos de meditação e técnicas adotadas por várias linhagens, temos que entender o que leva uma pessoa a praticar. No meu caso, é me conectar com o estado mais puro de meu centro.

Quando inicio o dia com a meditação, estou procurando muito mais do relaxar, estou tentando uma mescla entre meu mundo físico e minha consciência mais profunda. Estou deliberadamente buscando a passagem entre o mundo externo e o interior. Assim, quando me volto para o interior, tento acessar o que de mais sagrado existe em mim, todas as sensações de harmonia e bem estar, livres de qualquer conceituação.

A meditação torna-se então uma viagem, uma excursão a lugares desconhecidos. Como toda excursão, é necessário ter disciplina, obedecer certas regras, respeitar horários e programação. A meditação é assim, uma grande excursão prazerosa por lugares nunca visitados. Mas exige disciplina e perseverança. É a forma mais eficaz de quebrar o ciclo incessante de pensamentos, pois a concentração no presente ocupa a mente, não deixando muita “folga” para os devaneios. 

Não sei se é a resistência da mente a esse processo que procura vencê-la, mas o fato é que bate uma preguiça, uma vontade de ficar na cama, de “depois eu conheço esse lugar, agora estou cansada” e aí agente perde o melhor da viagem. E o melhor da viagem é se perceber livre das peripécias da mente.

Algumas sensações corporais são incrivelmente satisfatórias, algo semelhante a uma ligeira tontura, acrescida de leveza e uma zoeira que nos faz perder o contato com todos os sentidos. Algumas vezes, sinto as mãos (que estão levemente apoiadas sobre os joelhos) se desprenderem sozinhas, como se tivessem vontade própria, e pairar no ar, como dois pêndulos presos apenas por meus pulsos. Elas parecem querer flutuar, como se a lei da gravidade já não exercesse poder sobre elas. 

Essa sensação indescritível de leveza cessa bruscamente, sempre que a mente consegue percebê-la. Basta surgir um pensamento : - “Que delícia, como isso é bom, não estou sentindo meu corpo”... Ou algo do gênero, para imediatamente ser sugada de volta e iniciar todo processo de concentração/observação. Mas apenas esses breves momentos são tão intensos, de uma clareza tão absoluta que fazem toda viagem valer a pena.

Então, para mim, meditar é viajar para dentro do você mesma, sempre focada no que está lhe acontecendo naquele exato momento. 

É estar presente no presente.




2 comentários:

  1. Beta, na sua simplicidade, você nos proporcionou uma leitura agradável sobre um tema que realmente já foi discutido a exaustão. Mas sempre é prazeroso conhecer uma nova forma de se olhar.
    Tudo isso que você descreveu é exatamente minha forma de encarar os momentos de alinhamento.
    Abraços
    João da Fonte

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  2. Beta...
    Amei...Levitei só com a leitura dessa sua forma de meditar, de expressar o teu momento de interiorização !
    Grata querida, pela partilha !

    beijocas leves e soltas...

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